Teatro Oficina Uzyna Uzona

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Teatro Oficina Uzyna Uzona
José Celso Martinez Correa e parte da companhia.
Fundação 1958 (62–63 anos)
Sede Teatro Oficina
Fundadores Amir Haddad, José Celso Martinez Correa e Carlos Queiroz Telles

A Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona é a maior e mais longeva companhia de teatro em atividade permanente do Brasil. Fundada em 1958, a Companhia Teatro Oficina, que veio a formar a Associação Teatro Oficina Uzyna, foi criada por Zé Celso Martinez Corrêa e outros estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, como Amir Haddad e Carlos Queiroz Telles.[1] Desde sua profissionalização, em 1961, tem sua sede no bairro do Bixiga, São Paulo. Dezenas de obras de grande importância na dramaturgia ocidental e do Brasil foram encenadas pelo Teatro Oficina por centenas de artistas que trabalharam na história da companhia. Atualmente, a companhia é dirigida por José Celso Martinez Corrêa.[2]

Há quase 4 décadas, o Teatro Oficina luta contra a especulação imobiliária do Grupo Silvio Santos, que quer construir torres residenciais no terreno contíguo ao teatro, o que comprometeria irreversivelmente o projeto do atual edifício do Teatro Oficina, de autoria dos arquitetos Lina Bo Bardi e Edson Elito, e as práticas teatrais realizadas pela Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.[carece de fontes?]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A Companhia Teatro Oficina nasce em 1958, no encontro de artistas que cursaram juntos a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo; entre eles José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi, Etty Fraser, Fauzi Arap, Ronaldo Daniel e Amir Haddad, grupo de teatro amador que se apaixona pela primeira peça escrita por Zé Celso, Vento forte para um Papagaio Subir. Esta é a primeira montagem do Oficina, estreando sua fase amadora, juntamente com A Ponte de Carlos Queiroz Telles. A Companhia monta em seguida A Incubadeira, também de Zé Celso, e resolve então fazer os seus primeiros trabalhos explicitamente políticos montando a Engrenagem e as Moscas, do influente filósofo existencialista Jean Paul Sartre.[carece de fontes?]

1961 é o ano em que a Companhia Teatro Oficina decide pela sua profissionalização: alugam o espaço que desde então é a sede do grupo — um edifício antigo onde funcionava um teatro espírita, o Teatro Novos Comediantes. O primeiro projeto arquitetônico do Teatro Oficina, de autoria de Joaquim Guedes, foi inaugurado com a peça A vida impressa em Dólar (1961), adaptação de Awake and sing de Clifford Odets.[carece de fontes?]

A censura proibiu a peça (e o prédio de funcionar como um teatro) um dia após a sua estréia. Só depois da renúncia de Jânio Quadros, a montagem voltaria a cartaz. Neste teatro houve grandes montagens, como Pequenos Burgueses de Máximo Gorki, que estreou em 1963, de tamanho sucesso chegou a ter mais de 1000 sessões.[3][falta página]

Estreiam em 1962, Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, com direção de Augusto Boal e cenografia de Flávio Império; Todo Anjo É Terrível, do poeta anunciador da Beat Generation, Thomas Wolfe, estrelando Madame Morineau, além de Quatro Num Quarto, de Valentin Kataiev, dirigido por Maurice Vaneau.[carece de fontes?]

Montagens[editar | editar código-fonte]

O Rei da Vela[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: O Rei da Vela

Em 1967m o oficina monta O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, atuada por outro importante elemento desta companhia, o ator Renato Borghi, junto com Itala Nandi e Fernando Peixoto. Segundo Renato Borghi, "A dramaturgia bombástica me fazia sentir atuando dentro da raiz e da alma brasileira; nesta peça, o Oswald de Andrade falava do Brasil de uma forma Movimento antropofágico, devorando o que gente tinha de bom e de péssimo. O Oswald pegou o Brasil por todos os lados, devorou-o e depois o cuspiu no palco. E eu assinei em baixo, com sangue, suor e lágrimas...".[carece de fontes?]

Os Sertões[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Os Sertões (Teatro Oficina)

O Grupo tem uma trajetória que ultrapassa os limites estéticos, passando por várias formas de interpretação, gestão e arquitetura. Uma das últimas montagens do Oficina foi a adaptação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, para o palco, que recriou a Guerra de Canudos (1896-1897) e apresentada como está no livro, em 3 partes: a Terra, o Homem (I e II) e a Luta (I e II). A peça foi apresentada no Festival de Teatro de Recklinghausen, na Alemanha, e na Volksbühne de Berlim. A saga sertaneja iniciada em 2001, em toda a sua extensão tem 25 horas de encenação, em um dos projetos mais ousados das artes cênicas mundiais.[carece de fontes?]

A montagem da obra de Euclides da Cunha faz referência à resistência do grupo contra o projeto de construção de um shopping center, nos arredores do teatro Oficina, pelo Grupo Silvio Santos. Além de, em todas as peças, fazer uma ponte irônica entre a guerra de Canudos e os acontecimentos do momento, como o Papa Bento XVI, a invasão do Iraque, o mensalão e os ataques do PCC.[carece de fontes?]

Sua última montagem, em 2008, foi "Os Bandidos", baseado na obra "Die Räuber" de Schiller e também abordava a resistência do grupo contra o grupo Silvio Santos.[carece de fontes?]

Estão entre as principais montagens do Grupo textos de Eurípedes, Shakespeare, Antonin Artaud, Nelson Rodrigues, Jean Genet, entre outros.[carece de fontes?]

Referências

  1. Guerra, Marco Antonio. Carlos Queiroz Telles. História e Dramaturgia em Cena. São Paulo: Anna Blume, 2004. p. 18.
  2. «Projeto do Teatro Oficina de Lina Bo Bardi é eleito o melhor do mundo pelo The Guardian». ArchDaily Brasil. 15 de dezembro de 2015 
  3. Mattos, Mariano. Oficina 50+Labririnto da Criação. São Paulo: Peneron