Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

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Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TPUC-SP) ou (TUCA)
Estilo arquitetônico Neocolonial, Moderno (exterior), Contemporânea (interior)
Construção
Arquiteto Joaquim Guedes e Associados [1]
http://www.teatrotuca.com.br/

O Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, mais conhecido como TUCA - Teatro da Universidade Católica, é um teatro brasileiro inaugurado em 1965. Localiza-se em Perdizes (bairro de São Paulo), zona oeste da capital paulistana, na Rua Monte Alegre, 1024. Tornou-se famoso pelas manifestações políticas que abrigou durante o regime da ditadura militar. O teatro apresenta duas salas principais: o Auditório Tibiriçá e o espaço Tucarena.

História[editar | editar código-fonte]

O Teatro da Universidade Católica foi inaugurado em 11 de setembro 1965, com o intuito de promover eventos científicos e culturais da Pontifícia Universidade Católica (PUC). A preocupação com a difusão de eventos culturais em espaços universitários e para camadas com pessoas de baixa renda já existia desde 1961, uma vez que fundava-se na época o Grupo TUCA - Grupo de Teatro dos Universitários da Católica, pensado por Antônio Mercado Neto em parceria com Antônio da Costa Ciampa, então aluno do curso de Psicologia e presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Para o anúncio da inauguração do TUCA, anteriormente conhecido apenas como auditório Tibiriçá, cartazes espalhados pelo espaço da universidade anunciavam: "O TUCA vem aí" . Na época, o escritor e jornalista Roberto Freire[2] foi contratado como diretor-geral do grupo de teatro, enquanto o ator e diretor Silnei Siqueira[3] foi indicado como diretor de atores.

A primeira peça exibida no espaço teve como texto o poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, obra que interessava ao grupo por diversos fatores. Além de ser produzida por um autor brasileiro, tinha como temática a problemática da realidade social do país, alinhando-se às propostas e à ideologia do movimento estudantil, já que era desejo dos alunos utilizar o teatro apenas para produções deles, que atendessem pessoas de baixa renda. O espetáculo estreou no dia 11 de setembro de 1965, na inauguração do próprio auditório, e foi ovacionada pelo público presente, que aplaudiu de pé durante 10 minutos. A montagem levou 17.500 espectadores ao teatro em 32 sessões. Posteriormente, foi elogiado pela crítica e premiado pela Associação Paulista de Teatro (APCT). Participaram da montagem da peça alunos de várias áreas de ensino da PUC, como Geografia, Letras e Psicologia. Além disso, a parte musical foi produzida pelo cantor Chico Buarque, que na época era estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU - USP). Em 1966, a peça foi a vencedora do Festival Mundial de Teatro Universitário, que ocorreu na França. Em 1970, o espaço Tibiriçá recebeu o nome TUCA, em referência ao grande público alcançado pelo grupo universitário que produzia as peças teatrais.[4][5]

Resistência artística[editar | editar código-fonte]

O Teatro da Pontifícia Universidade Católica foi um espaço para manifestações artísticas contra a repressão da ditadura militar. Entre 1969 e 1974, o TUCA se voltou para apresentações de um grupo de artistas expressivo, que fizeram parte da consolidação de novos estilos na arte. Estiveram no palco, Elis Regina, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes e Fernanda Montenegro, que em diversas ocasiões enfrentaram censura ao divulgar e executar seus trabalhos.

O segundo espetáculo montado pelo grupo TUCA e exibido no auditório da PUC foi "O&A", em 17 de setembro de 1967. O título da peça é uma referência à Organização dos Estados Americanos (OEA). A obra narrava a história de um jovem, filho de uma personalidade política, que era preso por se manifestar contra um certo governo. Todos os diálogos da peça, no entanto, foram substituídos por "o" e "a", de modo que a montagem não pudesse ser censurada. A montagem é considerada inovadora e contemporânea até para os padrões atuais, já que confrontava a imposição do silêncio pela ditadura militar utilizando-se do próprio silêncio. [1] Após o AI-5, o regime se tornou mais rígido, com censuras, cassação de direitos políticos e exílio, e isso prejudicou as exibições do espetáculo. Para que não houvesse apresentações de "O&A", os atores foram presos por agentes do governo horas antes do início das encenações.[6]

Projeto arquitetônico[editar | editar código-fonte]

O TUCA começou a ser construído no início de 1960 e seu projeto arquitetônico foi realizado por Benedito Calixto de Jesus Neto, prestigiado arquiteto especializado em construções religiosas. A ideia de construção tinha a proposta de manter os mesmos traços das demais construções da PUC, como o prédio e a capela do campus Monte Alegre, construídos entre 1920 e 1924, mantendo o estilo neocolonial em seus arcos e janelas. [2] O teatro sofreu dois incêndios em 1984, que causaram sérios danos em sua estrutura, sendo quase totalmente destruído. Um deles, inclusive, foi comprovadamente criminoso, embora as investigações não tenham concluído efetivamente as motivações do crime.

Por meio de uma campanha mobilizada pela sociedade, envolvendo artistas, estudantes e entidades, o TUCA foi recuperado em 1986, com o projeto de Joaquim Guedes, que previa quatro ambientes e três pavimentos, mas as doações não foram suficientes para completar as obras, o que levou o espaço a funcionar em condições precárias. Em 1998, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico de São Paulo e em seguida começou a ser restaurado. Em 2002, foram retomadas as obras de reforma e todo o teatro foi reconstruído com a aprovação do Ministério da Cultura (Brasil). No ano seguinte, em 22 de agosto de 2003, o TUCA foi reinaugurado, sendo um espaço cultural seguro e tendo início o seu processo de modernização.[3]

Hoje, o Teatro da Pontifícia Universidade Católica possui dois espaços: Tibiriçá e Tucarena. O Tibiriçá conta com 670 poltronas, com área para cadeira de rodas e assentos especiais para obesos, além de seis camarins e iluminação cênica. É arquitetado no estilo de palco italiano, onde a plateia fica localizada apenas de frente para o palco. Já o segundo espaço, o Tucarena, tem capacidade para no máximo 300 poltronas. Arquitetado como arena, contém uma área redonda de 8 metros de diâmetro, onde os atores se apresentam, e a plateia o circunda em 360 graus. Possui três camarins e iluminação cênica. O espaço também contempla uma galeria para exposições, no saguão do Tucarena. [7][8] Além de peças de teatro, por se localizar dentro de uma instituição de ensino, o TUCA continua recebendo palestras, congressos e debates, perpetuando sua função inicial de auditório.

Instalações[editar | editar código-fonte]

Além do Teatro Principal, o Tibiriçá, e o espaço Tucarena, as instalações do TUCA compreendem também:

  • O Saguão do Teatro Principal

Possui 292,32 m² de área total.

  • O Saguão do Tucarena

Possui 404 m² de área total.

  • A Sala Paulo Freire

Um espaço de 115 m² de área total, suportando 82 lugares.

  • A Sala de Ensaio

Possui 115 m² de área total.

  • O Saguão Superior

Possui 198 m² de área total.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  1. http://www.metodo.com.br/empreendimentos/metodo-engenharia/teatro-tuca
  2. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa400283/roberto-freire
  3. http://teatropedia.com/wiki/Silnei_Siqueira
  4. Teatro da Universidade Católica - História Consultado em 4 de setembro de 2016.
  5. Fundo Grupo TUCAConsultado em 4 de setembro de 2016.
  6. Memorial da Resistência de São Paulo - Teatro da Pontifícia Universidade Católica TUCA
  7. Teatro da Universidade Católica - História
  8. Celebração Tuca: 50 anos em cena Consultado em 3 de setembro de 2016.