Teatro de revista

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Josephine Baker numa revista francesa.

Teatro de revista é um género teatral de gosto marcadamente popular que teve importância na história das artes cénicas, tanto no Brasil como em Portugal, até meados do século XX, quando alcançou o seu auge. Caracteriza-se pelo frequente apelo à sensualidade e pela sátira social e política. Geralmente os espetáculos constituem-se de esquetes entremeados por musicais e dança.

Tal como nas operetas ou nos musicais, a revista junta as contribuições da música, da dança e do teatro numa atuação global. No entanto, falta-lhe um fio condutor de ação. Um tema geral serve de justificação para uma sequência descontraída de números, em que as atuações individuais se alternam com grupos de dança.

Com diferentes vertentes artísticas, o género revista é mantido hoje em dia especialmente por teatros de variedade tradicionais como o Lido, o Moulin Rouge e o Friedrichstadt-Palast Berlin, mas também em shows em Las Vegas.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em termos gerais, consta de várias cenas de cariz cómico, satírico e de crítica política e social, com números musicais. É caracterizada também por um certo tom Kitsch - com bailarinos vestidos de forma mais ou lantejoulas), além da forma própria de declamação do texto, algo estridente. Algumas revistas marcaram épocas - no Estado Novo português, por exemplo, o espectáculo de revista conseguia passar mensagens mais ou menos revolucionárias e de crítica ao regime vigente. Estão nessa situação algumas revistas protagonizadas, por exemplo, por Raul Solnado, no Parque Mayer - a "catedral da revista à portuguesa".

A primeira revista à portuguesa subiu ao palco do extinto Teatro Gymnasio, nos finais do séc. XIX.

Atualmente o teatro de revista subsiste apenas no Parque Mayer, mais concretamente no Teatro Maria Vitória graças ao empresário Helder Freire Costa - com 47 anos de carreira - que tudo tem feito para que este espaço e tipo de teatro não desapareçam de vez.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O teatro de revista no Brasil, também chamado simplesmente "revista", com produção das companhias como as de Walter Pinto e Carlos Machado, foi responsável pela revelação de inúmeros talentos artísticos, desde a cantora luso-brasileira Carmem Miranda, sua irmã Aurora, às chamadas vedetes de imenso sucesso como Suzy King, Wilza Carla, Dercy Gonçalves, Elvira Pagã, Mara Rúbia, Luz del Fuego,[1] Riva Keter, Sarita Santiel, Sonia Mamede e outras - na variante conhecida como teatro rebolado - e compositores do jaez de Dorival Caymmi, Assis Valente, Noel Rosa, e humoristas como Costinha.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Desenho de Agostini, de 1884, representando uma atriz de Revista a desfilar no Carnaval.

Seu início remonta a 1859 quando, no Rio de Janeiro, foi apresentada a peça "As Surpresas do Sr. José da Piedade", de Justiniano de Figueiredo Novaes, baseado nas operetas que então se apresentavam em França. O modelo carregava nas paródias e críticas de costume. E, como não poderia deixar de ser, sofriam críticas dos moralistas.[2][3]

A Revista brasileira pode ser dividida em 3 fases distintas:[4]

  1. A Revista do século XIX, que prende-se mais no texto que na encenação; tem seu ápice na obra de Artur Azevedo. A cada ano eram apresentadas revistas comentando os fatos do ano anterior, numa retrospectiva crítica e bem-humorada. No coro, acompanha uma orquestra de cordas.
  2. Década de 20 e 30 - com incorporação da nudez feminina (introduzida pela companhia francesa Ba-ta-clan). A orquestra cede lugar a uma banda de jazz. Seu maior nome é o empresário teatral Manoel Pinto. As peças têm destaque igual para as paródias e para a encenação.
  3. Féerie - Realce para os elementos fantásticos da peça; Walter Pinto substitui, em 1938, a seu pai. Surgem as companhias. As apresentações tornam-se verdadeiros espetáculos, onde o luxo está presente em grandes coreografias, cenários e figurinos. Tornando-se cada vez mais apelativa, começa a decair, até praticamente desaparecer, no final dos anos 50 e começo da década seguinte.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • VENEZIANO, Neyde. O teatro de revista. In: O Teatro Através da História. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. vol. 2.

Notas e referências

  1. Bemvindo Sequeira (22/01/2012). "Sobre banha falta pudor" (em português). R7 Entretenimento. Consultado em 16 de abril de 2016.
  2. A profissão de atriz, no Brasil de então, era quase sinônimo de prostituta; foi neste sentido que o trocadilho atribuído a Emílio de Meneses dizia, reclamando de três mulheres que tagarelavam muito algo, no cinema: "atriz atroz, atrás há três"; também a "Revista Ilustrada", do caricaturista Angelo Agostini, procedeu a uma defesa do Teatro de Revista, mostrando que aqueles seus mesmos críticos não hesitavam em, durante o Carnaval, juntar-se àquelas cujas exibições diziam nocivas à boa moral [1]
  3. Teatro de Revista Enciclopédia Itaú Cultural Teatro.
  4. Enciclopédia Itaú Cultural, com base no trabalho de Neyde Veneziano (vide a subseção Bibliografia)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]