Tecido adiposo marrom

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Tecido adiposo marrom (português brasileiro) ou castanho (português europeu) é um dos dois tipos de tecido adiposo existente em mamíferos (o outro é o tecido adiposo branco). É especialmente abundante em recém-nascidos e em mamíferos hibernantes[1]. Recentemente estudos na área comprovam a existência do TAM (tecido adiposo marrom) em adultos humanos também, porém em uma proporção menor comparado aos recém-nascidos.

Sua função principal é agir como um termogênico em animais mediante a necessidade do corpo por meio da termogenina. Esse processo consiste na ativação do UCP-1, uma proteína mitocondrial responsável pela respiração termogênica presente na membrana interna da organela e que faz com que a célula gere calor sem sintetizar ATP. Em contraste com adipócitos brancos (células de gordura), que contêm uma única partícula de lipídio, adipócitos marrons contêm numerosas pequenas partículas e uma quantidade muito maior de mitocôndrias.

O TAM pode ser encontrado em diversas regiões do corpo, normalmente envoltos pelo tecido adiposo branco[2] e sua cor deriva do fato dele ser altamente vascularizado. A presença de ferro no sangue(Na hemoglobina) as confere a tonalidade amarronzada.[3] Pesquisas demonstram também que o indíce de TAM diminui conforme o animal envelhece e está ligado diretamente ao índice de massa corporal (BMI)[4].

A quantidade de UCP-1 presente na membrana da mitocôndria do TAM pode variar dependendo do estresse térmico recebido pelo animal. Assim, resultados de uma pesquisa recente comprovaram que a exposição a temperaturas baixas estimulam a termogenia do TAM e novos trabalhos visam analisar a influencia da dieta do animal no estimulo do tecido também. Uma pesquisa publicada pela nature em 2019 demonstrou a estimulação do tecido adiposo marrom em humanos adultos mediante a uma ingestão de cafeina [5].

Devido as suas características de rápida geração de calor e metabolismo de macronutrientes como lipídios e glicose, existe atualmente um crescente interesse nos estudos desses tecidos visando associar-los com o combate a obesidade e possivelmente outros problemas metabólicos.

Referências

  1. Gesta S, Tseng YH, Kahn CR (2007). «Developmental origin of fat: tracking obesity to its source». Cell. 131 (2): 242–56. PMID 17956727. doi:10.1016/j.cell.2007.10.004 
  2. - (4 de fevereiro de 2019). «Ativado pela melatonina, tecido adiposo marrom pode ser aliado no combate à obesidade». Jornal da USP. Consultado em 13 de novembro de 2019 
  3. Enerbäck S (2009). «The origins of brown adipose tissue». N Engl J Med. 360 (19): 2021–2023. doi:10.1056/NEJMcibr0809610 
  4. Velickovic, Ksenija; Wayne, Declan; Leija, Hilda Anaid Lugo; Bloor, Ian; Morris, David E.; Law, James; Budge, Helen; Sacks, Harold; Symonds, Michael E. (24 de junho de 2019). «Caffeine exposure induces browning features in adipose tissue in vitro and in vivo». Scientific Reports (em inglês). 9 (1): 1–11. ISSN 2045-2322. doi:10.1038/s41598-019-45540-1 
  5. Velickovic, Ksenija; Wayne, Declan; Leija, Hilda Anaid Lugo; Bloor, Ian; Morris, David E.; Law, James; Budge, Helen; Sacks, Harold; Symonds, Michael E. (24 de junho de 2019). «Caffeine exposure induces browning features in adipose tissue in vitro and in vivo». Scientific Reports (em inglês). 9 (1): 1–11. ISSN 2045-2322. doi:10.1038/s41598-019-45540-1 


Ícone de esboço Este artigo sobre Histologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.