Teixeirinha

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Teixeirinha
Teixeirinha nos anos 1940 ou 1950
Informação geral
Nome completo Vítor Mateus Teixeira
Também conhecido(a) como O Rei do Disco
Nascimento 3 de março de 1927
Local de nascimento Rolante, Rio Grande do Sul
Brasil
Morte 4 de dezembro de 1985 (58 anos)
Local de morte Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Nacionalidade brasileiro
Gênero(s) Música gaúcha
Ocupação(ões) músico, cantor, compositor
Instrumento(s) voz, violão
Período em atividade 1959-1985
Outras ocupações radialista, cineasta, ator
Gravadora(s) Warner, Chantecler, Copacabana, Continental
Afiliação(ões) Mary Terezinha
Página oficial http://www.teixeirinha.com.br/

Teixeirinha, nome artístico de Vítor Mateus Teixeira (Rolante, 3 de março de 1927 — Porto Alegre, 4 de dezembro de 1985), foi um cantor, compositor, radialista e cineasta brasileiro, um dos maiores expoentes da música gaúcha. Recordista em vendas no Brasil, recebeu o apelido de Rei do Disco.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

Vítor Mateus Teixeira nasceu no município de Rolante (na época distrito do município de Santo Antônio da Patrulha), no Rio Grande do Sul, em 3 de março de 1927. Era filho de Saturnino Teixeira, um trabalhador rural e de Ledurina Mateus Teixeira. Teve um irmão e duas irmãs. Aos 7 anos de idade, seu pai morreu, vítima de um infarto. Os três irmãos de Teixeirinha foram entregues para adoção depois da morte do pai. Aos 9 anos de idade, enquanto Vítor estava na escola, Ledurina, que sofria de epilepsia, queimava lixo em uma fogueira quando desmaiou repentinamente depois de sofrer uma convulsão e caiu sobre a fogueira, morrendo três dias depois devido à gravidade das queimaduras.[1] A tragédia ocorrida com sua mãe inspirou a música Coração de Luto, escrita por ele, que foi regravada mais tarde por diversos intérpretes, entre eles, a dupla Milionário e José Rico, com uma roupagem mais próxima da música sertaneja.[2]

Após a morte de sua mãe, Vítor, agora órfão, foi morar com parentes, mas eles não tinham condições de sustentá-lo. Devido a isso, ele saiu de sua cidade natal e passou pelas cidades de Taquara, Santa Cruz do Sul, Soledade, Passo Fundo e Porto Alegre. Aprendeu a ler nos poucos meses em que frequentou a escola e fez muitos pequenos trabalhos eventuais e subempregos para se sustentar, como trabalhar em fazendas e entregar jornais. Aos 18 anos, alistou-se no Exército Brasileiro, mas não chegou a servir. Nessa ocasião, foi trabalhar no Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem, como operador de máquinas, onde ficou por seis anos.[3] A partir daí, Teixeirinha saiu para tentar iniciar sua carreira artística, viajando pelas cidades de Lajeado, Estrela, Rio Pardo e Santa Cruz do Sul e cantando nas estações de rádio locais. Em Santa Cruz do Sul, Teixeirinha conheceu sua primeira esposa, Zoraida Lima Teixeira, com quem se casou em 1957.[4] O casal mudou para Soledade e depois para Passo Fundo, onde Teixeirinha cantou na Rádio Municipal. Nas horas vagas, era solicitado para animar festas, Teixeirinha cantava muitas vezes enquanto os artistas que iriam se apresentar não chegavam.

Carreira artística[editar | editar código-fonte]

Depois de três anos cantando nas estações de rádio, em 1959, Teixeirinha recebeu o seu primeiro convite para gravar um disco, em São Paulo, onde produziu O Gaúcho Coração do Rio Grande, seu primeiro álbum, lançado um ano depois, em 1960. Na mesma cidade Teixeirinha também gravou as canções Xote Soledade e Briga no Batizado. Em julho do mesmo ano, lançou Coração de Luto, que fez parte do lado B do disco de 78 rotações que também acompanhava a música Gaúcho de Passo Fundo, no lado A. Em 1961, Teixeirinha conheceu a acordeonista Mary Terezinha enquanto tocavam na Rádio Bagé. Mary acompanhou Teixeirinha por 22 anos. Na década de 1970, a carreira musical de Teixeirinha alcançou projeção nacional e internacional, cantando em várias cidades brasileiras e tendo feito turnês em Portugal, Espanha e em países da América do Sul, além de 15 shows nos Estados Unidos em 1973 e 18 shows no Canadá em 1975.[1]

Apesar do sucesso nacional e internacional, Teixeirinha foi alvo de duras críticas. Suas músicas, à época, eram consideradas de mau gosto pela crítica. Teixeirinha chegou a ser acusado de usar a morte da mãe para obter fama.[1] Em 1970, quanto Teixeirinha participou ao vivo no programa de televisão A Grande Chance, pela extinta Rede Tupi, o apresentador Flávio Cavalcanti destruiu os LPs do cantor ao vivo.

Como cineasta, em 1966, escreveu o roteiro do filme Coração de Luto, baseado na música de mesmo nome, lançado em 1967 pela Leopoldis-Som, dirigido por Eduardo Llorente. Em 1969, ele estrelou o filme Motorista sem Limites e no mesmo ano, fundou a produtora Teixeirinha Produções Artísticas, em 1970, com a qual produziu dez filmes.[4]

Como radialista, apresentou o programa Teixeirinha Amanhece Cantando, que foi transmitido pelas rádios Farroupilha e Gaúcha durante a década de 1970.

Teixeirinha foi recordista de vendas de discos no Brasil, sendo até 1983, lançou mais de 50 álbuns e compôs por volta de 1.200 canções.[5] Registros oficiais afirmam que Teixeirinha vendeu mais de 18 milhões de discos. No entanto, esse número é contestado, já que trata-se de um artista local, sem certificados pela Pro-Música Brasil e que teve o auge da carreira em uma época em que a venda de mais de 30 mil cópias era considerado um grande sucesso, devido à pouca quantidade de vitrolas existentes no Brasil e a baixa produtividade de LPs.[1] Até sua morte, Teixeirinha recebeu 13 discos de ouro.[3]

Anos finais e morte[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Teixeirinha, no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre

Em 1978, Mary Terezinha começou a se afastar de Teixeirinha. Em 1983, Mary se separara definitivamente de Teixeirinha, deixando um bilhete, que dizia "Não me farei mais presente ao seu lado". Ao ler o bilhete, o cantor sofreu um pré-infarto, mas se recuperou. Em 1992, em seu livro "A Gaita Nua", Mary Terezinha conta sobre sua relação tumultuada e amorosa com Teixeirinha. Pouco tempo depois, Teixeirinha foi diagnosticado com um linfoma. A doença, junto com a separação de Mary, cuja relação com ele havia saído dos palcos e gerado dois filhos, trouxeram tristeza para o cantor. Apesar disso, Teixeirinha ainda lançou ainda três álbuns. Seu último LP, foi lançado um dia depois de sua morte.[4]

Teixeirinha chegou a fazer sessões de radioterapia em São Paulo, mas o tumor nas glândulas linfáticas se agravou. Faleceu em sua casa, em 4 de dezembro de 1985. Deixou sete filhas e dois filhos: Sirley Marisa, Liria Luiza, Victor Mateus Teixeira Filho, Nancy Margareth, Gessi Elizabeth; Fátima Lisete e Márcia Bernadeth, com Zoraida Lima Teixeira, e Alexandre e Liane Ledurina com Mary Terezinha. Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Todos os detalhes de seu funeral foram especificados na canção A Morte Não Marca Hora, lançada em 1984. Em seu túmulo, Teixeirinha foi homenageado com uma estátua dele com seu violão, conforme seu desejo expressado nessa música.[4] Em Passo Fundo, Teixeirinha também foi homenageado com uma estátua.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • 1968 - História em Quadrinhos - Coração de luto
  • 2007 - Livro Teixeirinha o Gaúcho Coração do Rio Grande - Autor Israel Lopes
  • 2019 - Livro Teixeirinha Coração do Brasil - Autor Daniel Feix

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de Estúdio[editar | editar código-fonte]

  • De 1960 a 1985
    • 1960 - O Gaúcho Coração do Rio Grande (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1961 - Assim é Nos Pampas (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1961 - Um Gaúcho Canta Para o Brasil (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1963 - Saudades de Passo Fundo (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1964 - Êta Gaúcho Bom (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1964 - O Canarinho Cantador (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1964 - Teixeirinha Show (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1965 - Bate, Bate Coração (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1965 - Disco de Ouro (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1965 - O Rei do Disco (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1967 - Mocinho Aventureiro (Copacabana)
    • 1967 - Trilha Sonora do Filme Coração de Luto (Copacabana)
    • 1968 - Última Tropeada (Copacabana)
    • 1968 - Teixeirinha o Rei (Copacabana)
    • 1969 - Dorme Angelita (Copacabana)
    • 1969 - O Melhor do Desafio - Teixeirinha e Mary Terezinha (Copacabana)
    • 1970 - Carícias de Amor (Copacabana)
    • 1971 - Chimarrão da Hospitalidade (Copacabana)
    • 1971 - Entre a Cruz e o Amor (Copacabana)
    • 1972 - Trilha Sonora do Filme Ela Tornou-se Freira (Copacabana)
    • 1972 - Último Adeus (Copacabana)
    • 1973 - Teixeirinha Sempre Teixeirinha (Copacabana)
    • 1974 - Última Gineteada (Copacabana)
    • 1974 - Trilha Sonora do Filme Pobre João (Copacabana)
    • 1975 - Lindo Rancho (Copacabana)
    • 1975 - Aliança de Ouro (Copacabana)
    • 1977 - Norte a Sul (Copacabana)
    • 1977 - Canta meu Povo (Copacabana)
    • 1978 - Amor de Verdade (Copacabana)
    • 1979 - Menina da Gaita (Copacabana)
    • 1979- 20 Anos de Glória (Copacabana)
    • 1980 - Menina Margarethe (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1981 - Rio Grande de Outrora (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1981 - Trilha Sonora do Filme A Filha de Iemanjá (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1982 - 10 Desafios Inéditos - Teixeirinha e Mary Terezinha (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1983 - Chegando Longe (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1984 - Quem é Você Agora (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1984 - Guerra dos Desafios - Teixeirinha e Nalva Aguiar (Gravações Elétricas S.A.)
    • 1985 - Amor aos Passarinhos (Gravações Elétricas S.A.)
    • 2020 - Inéditas

Álbuns Especiais[editar | editar código-fonte]

  • 1979 - Milonga da Fronteira
  • 1985 - Teixeirinha o Rei dos Pampas
  • 1994 - Teixeirinha Canta Com Amigos
  • 1998 - Raízes dos Pampas Vol.1
  • 1999 - Raízes dos Pampas Vol.2
  • 2007 - Especial Teixeirinha
  • 2010 - Sucessos de Teixeirinha - Teixeirinha Filho e Neto
  • 2018 - Popularidade

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Canofre, Fernanda (23 de dezembro de 2019). «Teixeirinha ganha biografia que o mostra como figura ilustre do gauchismo». Folha de S. Paulo. Consultado em 14 de abril de 2020 
  2. «Teixeirinha». Repórter Riograndense. 4 de dezembro de 2011. Consultado em 14 de abril de 2020 
  3. a b Nogueira, Alberto (2 de dezembro de 2015). «Saiu no NP: Há 30 anos, Teixeirinha deu ao país seu último disco e suspiro». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de abril de 2020 
  4. a b c d «Nos 28 anos da morte de Teixeirinha, relembre a carreira e a vida do ídolo gaúcho». GaúchaZH. 4 de dezembro de 2013. Consultado em 14 de abril de 2020 
  5. COUGO JÚNIOR, Francisco (2008). «"Canta Meu Povo": as concepções sociais populares e a música de Teixeirinha» (PDF). IX Encontro Estadual de História - Associação Nacional de História. Consultado em 28 de fevereiro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]