Telecinésia

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A psicocinese ("movimento mental") ou telecinesia[1][2][3] ("movimento à distância") descreve o suposto fenômeno ou capacidade de uma pessoa movimentar, manipular ou abalar um sistema físico sem interação física, apenas usando a mente.[4][5][6] O termo psicocinese foi criado em 1914 pelo autor estadunidense Henry Holt e popularizado pelo parapsicólogo estadunidense J.B. Rhine nos anos 30.[7][8][9][10][11] Já o termo telecinesia foi criado em 1890 pelo parapsicólogo russo Alexandre Aksakof.[12]

Historicamente, tem-se questionado e criticado a telecinesia pelo fato de não ser empiricamente demonstrável, apontando-se como principais falhas a falta de controle e de repetibilidade dos experimentos, dois pilares do método científico. Por consenso na comunidade científica, a telecinesia é tida como uma pseudociência,[13] apesar de ser defendida como autêntica por estudiosos da parapsicologia,[14] ela própria considerada uma pseudociência.[15][16][17][18]

Animação demonstrando como ocorreria a telecinesia.

Evidências[editar | editar código-fonte]

Experimento de psicocinese realizado pela Universidade de Northampton (Inglaterra).

Carl Sagan incluiu a psicocinese em uma longa lista de "produtos típicos da pseudociência e da superstição", afirmando que "seria tolice" aceitar qualquer afirmação paranormal "sem evidências adequadas".[19] O Prémio Nobel Richard Feynman defendeu uma posição similar à de Sagan.[20]

Apesar dos relatos de sucesso em estudos sobre o suposto fenômeno, não há suporte do método científico às alegações de psicocinese. O consenso científico é que a sua ocorrência contrariaria inúmeras das leis naturais da física (termodinâmica), química (teoria atômica) e biologia (evolução). Além disso, há inúmeros relatos de fraudes científicas e outros enganos nos chamados estudos parapsicológicos.[21]

Um dos mais famosos casos de psicocinese supostamente real foi a dona de casa russa Nina Kulagina, que durante algumas décadas foi estudada e testada por dezenas de cientistas (incluindo dois laureados com o Prêmio Nobel), sendo que muitos dos cientistas concluíram que ela realmente possuía psicocinese[22][23] Além dessa capacidade paranormal, ela supostamente também possuiria clarividência.[23] Segundo estudos feitos com Kulagina pelo fisiologista Genady Sergeyev, a pulsação da russa chegava a 240bpm durante a realização da psicocinese.[22] Em 1990, ela morreu por infarto cardíaco fulminante, o que muitos acreditam ter sido causado pelas exigências físicas de suas capacidades paranormais.[23]

Um outro caso é o da médium polonês Stanisława Tomczyk, que alegava que o espírito "Little Stasia" era capaz de realizar psicocinese através dela. É notória a fotografia em que ela aparece supostamente realizando telecinesia em uma tesoura, ao lado do psicólogo Julian Ochorowicz.[24][25]

Em 1991, O Nobel em Física Brian David Josephson e o físico Fotini Pallikara-Viras publicaram o artigo "Biological Utilization of Quantum Nonlocality" na revista Foundations of Physics, propondo que as explicações para a psicocinese a telepatia podem ser encontradas na física quântica.[26][27]

Psicocinese na ficção[editar | editar código-fonte]

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A psicocinese é bastante ressaltada em histórias de ficção, principalmente nos quadrinhos e na televisão. O poder é um dos preferidos pelos autores, que já deram essas atribuições a muitos seres animados. Bons exemplos são:

Os mutantes Jean Grey e Magneto de X-Men

A técnica dos Jedi (dos filmes Star Wars) para pegar seus sabres de luz quando estão distantes também é telecinética

Ravena (DC Comics) de Os Jovens Titãs

Ermac de Mortal Kombat

TK de Crash: Mind Over Mutant

Prue Halliwell e Chris Halliwell do seriado Charmed. Dark Squidward (Por causa da Névoa Vermelha), a irmã de Prue e tia de Chris. Paige Matthews usa a telecinesia de um modo diferente, ela mistura telecinesia, que é o poder herdado do seu lado de bruxa com orbitar, poder herdado do seu lado de anjo, criando assim a Telecinesia Orbitacional, Chris Halliwell e Wyatt Halliwell também possuem esse poder de Paige, ambos são bruxos-anjos, assim como ela.

Maria, Samira, Tatiana, Janete, Cris, Telê, Juno e Gaspar de Caminhos do Coração e de Os Mutantes - Caminhos do Coração (a novela da TV Record exibida entre 2007 e 2008).

O seriado As Visões da Raven que em sua primeira temporada mostra pessoas com dons paranormais, assim como Raven, que prevê o futuro.

No mangá Shinsekai Yori todos os seres humanos evoluídos possuem telecinesia.

Sylar e Peter Petrelli, da série Heroes

No filme americano Os Seis Signos da Luz e em outro filme de 1996 cujo nome é Thwomp, que conta a história de uma menina que é maltratada pelos pais e descobre seus poderes

Matilda (filme) super inteligente e que descobre poderes telecinéticos

Em Watchmen, onde o personagem Dr.Manhattan desenvolveu o poder da telecinese em proporções subatômicas

Na série Sonic the Hedgehog onde o personagem Silver pode utilizar a telecinesia

Na série Stranger Things, a personagem Eleven é uma garota que possui poderes telecinéticos.

O seriado American Horror Story, em sua terceira temporada, mostra Madison Montgomery, uma bruxa com poderes telecinéticos

No filme Phenomenon estrelado por John Travolta, conta a história de um mecânico (John Travolta) que vê uma luz muito intensa e sente um impacto que o leva ao chão, fazendo com que ele imediatamente se torne uma pessoa extraordinariamente inteligente e com poderes de telecinese.

No filme Lucy a personagem que dá nome ao filme ganha, dentre inúmeros outros poderes, o poder de telecinesia depois que a substancia CPH4 adentra sua corrente sanguínea e aumenta sua capacidade cerebral.

Carrie, a Estranha[editar | editar código-fonte]

Um dos exemplos mais famosos de psicocinese na ficção tenha sido o da personagem vivida por Sissy Spacek no filme Carrie, a Estranha, do diretor Brian de Palma. Sissy interpreta Carrie, uma menina repudiada por seus colegas, que resolve usar seu "dom especial" ao ser brutalmente humilhada na noite do baile de formatura. Sissy foi indicada ao Oscar por essa interpretação. O filme, de 1976, foi baseado no best-seller de Stephen King, Carrie, e possuiu a continuação chamada A Maldição de Carrie, onde outra adolescente é acometida do mesmo mal que vitimou a personagem título do primeiro filme.

Jean Grey, a Fênix[editar | editar código-fonte]

É talvez a psicocinética mais conhecida. De acordo com a história, Jean era uma menina de apenas 10 anos quando descobriu seus poderes, porém, Charles Xavier foi até ela e resolveu ajudá-la tornando a sua aluna e uma X-Men. De acordo com os quadrinhos e os desenhos, ela era descrita como uma das mais fortes telecinéticas ou a melhor (Nível Ômega). Pois sendo tão jovem, Jean já conseguia levitar objetos e a si mesma, apenas usando a força da mente. Por causa disso Charles ver que ela pode se tornar um perigo por ser tão poderosa ele resolveu criar uma série de barreiras psíquicas em sua mente para que boa parte dos poderes dela fossem isolados, e assim permitir que Jean tivesse a chance de controlar seus poderes. Mais tarde essas barreiras psíquicas vem a se destruir e Jean se transforma em Fênix. A personagem ganhou destaque nos cinemas após ser vivida por Famke Janssen nos três primeiros filmes dos X-Men.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Definição de telecinesia. Dicionário Caldas Aulete.
  2. Definição de telecinesia. Dicionário Priberam.
  3. Definição de telecinesia. Dicionário Michaelis.
  4. Random House (12 de julho de 2005). Random House Webster's Unabridged Dictionary. Boston, Massachusetts: Random House Reference. p. 1560. ISBN 978-0-375-42599-8. OCLC 48010385. psycho-, a combining form representing psyche in compound words. ... (Gk, comb. form of psyche breath, spirit, soul, mind; akin to psycheim to blow). 
  5. Erin McKean, [principal editor]., ed. (8 de abril de 2005). The New Oxford American Dictionary. New York City: Oxford University Press. p. 1367. ISBN 978-0-19-517077-1. OCLC 123434455. psycho. comb. form relating to the mind or psychology: . . . from Greek psukhe breath, soul, mind. 
  6. http://www.priberam.pt/dlpo/psicocinese
  7. Frederick C. Mish (2005). Merriam-Webster's Collegiate Dictionary, Eleventh Edition. Springfield, Massachusetts, USA: Merriam-Webster, Incorporated. p. 1004. ISBN 978-0-87779-809-5. OCLC 146761465. Psychokinesis (1914).... 
  8. «Parapsychology Foundation "Basic terms in Parapsychology"». Consultado em 22 de dezembro de 2006. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2011 
  9. Holt, Henry (1914). On the Cosmic Relations (PDF). Cambridge, Massachusetts, USA: Houghton Mifflin Company / Riverside Press. Consultado em 13 de dezembro de 2007 
  10. Spence, Lewis (1 de fevereiro de 2003). Encyclopedia of Occultism and Parapsychology. [S.l.]: Kessinger Publishing (reprint publisher). pp. 752–753, 879, 912, 933. ISBN 978-0-7661-2817-0 
  11. Psychokinesis. William James Bookstore (online). Página visitada em 06/09/2014.
  12. Myers, Frederic William Henry (December 1890). Proceedings. London, England: Journal of the Society for Psychical Research. "For the alleged movements without contact... M. Aksakof's new word 'telekinetic' seems to me the best attainable." Nota: está citação também pode ser vista na pág. 722 ido "Oxford English Dictionary, 2ª edição", 1989, Clarendon Press, Oxford, England, ISBN 978-0-19-861229-2
    • Harold E. Puthoff, "Report on Investigations Into 'Exceptional Human Body Function' in the People's Republic of China," in W. G. Roll, J. Beloff & R. White (eds.), Research in Parapsychology 1982. Metuchen, NJ: Scarecrow press, 1983. pp. 275-278.
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    • Carroll B. Nash, "Test of Psychokinetic Control of Bacterial Mutation," Journal of the American Society for Psychical Research, 78, 1984, 145-152.
    • Helmut Schmidt, Robert L. Morris & Luther Rudolph. "Chaneling Evidence for a PK Effect to Independent Observers," Journal of Parapsychology, 1986, 50, 1-16
    • Robert G. Jahn, Brenda J. Dunne & Roger D. Nelson, "Engineering Anomalies Research," Journal of Scientific Exploration, 1(1), 1987, 21-50
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  13. Sven Ove Hansson, Science and Pseudo-Science, Stanford Encyclopedia of Philosophy, 18 de maio de 2015, (em inglês)
  14. Gross, Paul R; Levitt, Norman; Lewis, Martin W (1996), The Flight from Science and Reason, ISBN 978-0801856761, New York Academy of Sciences, p. 565, The overwhelming majority of scientists consider parapsychology, by whatever name, to be pseudoscience. 
  15. Friedlander, Michael W (1998), At the Fringes of Science, ISBN 0-8133-2200-6, Westview Press, p. 119, Parapsychology has failed to gain general scientific acceptance even for its improved methods and claimed successes, and it is still treated with a lopsided ambivalence among the scientific community. Most scientists write it off as pseudoscience unworthy of their time. 
  16. Pigliucci, Massimo; Boudry, Maarten (2013), Philosophy of Pseudoscience: Reconsidering the Demarcation Problem, ISBN 978-0-226-05196-3, University Of Chicago Press, p. 158, Many observers refer to the field as a 'pseudoscience'. When mainstream scientists say that the field of parapsychology is not scientific, they mean that no satisfying naturalistic cause-and-effect explanation for these supposed effects has yet been proposed and that the field's experiments cannot be consistently replicated. 
  17. O mundo assombrado pelos demônios. a ciência vista como uma vela no escuro. É muito pequena a possibilidade de que algumas dessas afirmações paranormais sejam um dia verificadas por sólidos dados científicos. Mas seria tolice aceitar qualquer uma delas sem evidências adequadas, p. 258. São Paulo: Companhia das Letras. 2006. 509 páginas. ISBN 978-85-359-0834-X Verifique |isbn= (ajuda) 
  18. Feynman, Richard P. (1 de fevereiro de 1999). The Meaning of It All. [S.l.]: Penguin. pp. 68–71. ISBN 978-0-14-027635-0 
  19. a b Mishlove, Jeffrey (1975). The Roots of Consciousness: Psychic Liberation Through History, Science, and Experience. Random House. p. 164. ISBN 0-394-73115-8.
  20. a b c ABC World of Discovery: Powers of the Russian Psychics (documentary). 1997.
  21. Fodor, Nandor (1934). «21». Possessed of Power over the Soul of Things. [S.l.]: Rider & Co. Consultado em 27 de fevereiro de 2014 
  22. Introduction to Psychical Research and Parapsychology. Society for Psychical Research (online); página visitada em 27/02/2014.
  23. Josephson, Brian D.; Pallikari-Viras, Fotini. «Biological Utilization of Quantum Nonlocality». Consultado em 18 de dezembro de 2008  Foundations of Physics, Vol. 21, pp. 197-207, 1991, Plenum Press, New York.
  24. Michael Hanlon (29 de maio de 2007). 10 Questions Science Can't Answer (Yet). New York: Macmillan. pp. 165–166. ISBN 978-0-230-51758-5 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]