Televangelismo

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R. R. Soares, fundador da Rede Internacional de Televisão (RIT) e apresentador do programa de televisão religioso Show da Fé.

Televangelismo (prefixo tele- "longe" + "evangelismo", algumas vezes chamado de teleministério) é o uso da mídia, especificamente rádio e televisão, para divulgar o Cristianismo. O termo original deriva do inglês televangelism, um portmanteau de television e evangelism,[nota 1] cunhado pela revista americana Time.[1]

Um televangelista (por vezes, chamado de telepastor, no contexto protestante)[2][3] é um ministro, seja oficial ou autoproclamado, que dedica grande parte de seu ministério à radiodifusão televisiva, fazendo pregações por meio de programas de televisão, em canais que atingem um grande número de telespectadores. O termo é geralmente usado em caráter pejorativo por críticos da prática para se referir a tais ministros. A prática do televangelismo é mais comum entre os evangélicos neopentecostais, porém, existem televangelistas católicos e de outras subdivisões do cristianismo e inclusive muçulmanos como Adnan Oktar são descritos como tal.[4]

História[editar | editar código-fonte]

O televangelismo tem suas origens na segunda metade do século XIX com reuniões de avivamento, rurais (camp meetings) e depois urbanas, e especialmente no início do século XX, com pregadores estrelas viajantes que ampliam seu público conforme as técnicas de comunicação. [5]

Uma pioneira no campo é Aimee Semple McPherson, fundadora da Igreja Quadrangular, que usou rádio e telefone na década de 1920 e 1930 para alcançar um público mais amplo. [6]

Nos Estados Unidos, a Grande Depressão dos anos 1930 implicou em um ressurgimento das pregações via rádio nas regiões Centro-Oeste e Sul do país, alguns missionários iam de cidade em cidade com carros de som, vivendo de doações. Vários desses passaram ao rádio como resultado de sua popularidade. Um dos primeiros pregadores a usar extensivamente o rádio foi Samuel Parkes Cadman, iniciando em 1923.[7][8] Em 1928, Cadman tinha um programa de rádio semanal na rádio da National Broadcasting Company (NBC), sua oratória conseguiu a audiência de mais de cinco milhões de pessoas em todos os Estados Unidos.[9]

Em 1956, a Igreja Batista Thomas Road em Lynchburg e Jerry Falwell fundaram o programa "Old Time Gospel Hour". [10]

Em 1978, Charles Stanley começou a transmitir o programa de televisão In Touch (Em contato).[11] O programa foi traduzido para 50 idiomas. [12]

O televangelismo começou como um peculiar fenômeno americano, resultado de uma mídia sem regulamentação, em que as redes de televisão aberta e por assinatura estavam acessíveis a praticamente qualquer pessoa que pudesse pagar, combinada com a grande população cristã do país, capaz de fornecer o financiamento necessário para a compra de horários de televisão. A crescente globalização das mídias permitiu a alguns televangelistas americanos chegarem a públicos mais amplos fora dos Estados Unidos através de redes de televisão internacionais, especialmente as declaradamente cristãs, como Trinity Broadcasting Network e a GOD TV. A prática também se expandiu a outros países, criando televangelistas locais, tal caso ocorreu no Brasil. Alguns países têm maior controle da mídia e restringem a participação de Igrejas na televisão. Em tais países, a programação religiosa é geralmente produzida por companhias de televisão (algumas vezes como um requerimento ou serviço público obrigatório) ao invés de por interesse de grupos privados. Alguns televangelistas são também pastores regulares em seus ministérios e locais de culto (geralmente em megaigrejas), mas a maioria de seus seguidores vem da sua audiência na televisão e no rádio. Outros não têm filiação com ministérios específicos e acabam por ter atuação apenas nos canais de televisão.

Transmissões via rádio eram vistas como uma atividade complementar para o tradicional missionarismo, permitindo o aumento no número de pessoas atingidas e redução de gastos para isso e também facilitando o acesso à mitologia cristã em países que tinham proibido a atividade dos missionários. O objetivo do rádio cristão era converter novas pessoas ao cristianismo e fornecer informações e apoio aos fiéis. Tal ideia continua a funcionar hoje, também via televisão. Existiram rádios de ondas curtas em todo mundo cristão, como HCJB, em Quito, Equador, WYFR da Family Radio e a Bible Broadcasting Network (BBN), entre outras.

Notas

  1. Television = televisão e evangelism = evangelismo.

Referências

  1. Time: 75th Anniversary issue, 1998-03-09
  2. «Telepastor». Michaelis On-Line. Consultado em 14 de maio de 2021 
  3. «Americano Billy Graham, o primeiro entre os telepastores, estreou no rádio». Acervo O Globo. Consultado em 14 de maio de 2021 
  4. Creationism, With a Side of Eye Candy
  5. Randall Herbert Balmer, Encyclopedia of Evangelicalism: Revised and expanded edition, Baylor University Press, USA, 2004, p. 677
  6. Mark Ward Sr., The Electronic Church in the Digital Age: Cultural Impacts of Evangelical Mass Media , ABC-CLIO, USA, 2015, p. 104, 231
  7. «Brooklyn Pastor, First of Radio Preachers, Succumbs to Peritonitis in Plattsburg» (em inglês). The New York Times. 13 de junho de 1936. Consultado em 8 de maio de 2012 
  8. «Religion: Radio Religion» (em inglês). Time Magazine U.S. 21 de janeiro de 1946. Consultado em 1 de março de 1995  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  9. «Religion: Air Worship» (em inglês). Time Magazine U.S. 9 de fevereiro de 1931. Consultado em 12 de janeiro de 1997  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  10. Mark Ward Sr., The Electronic Church in the Digital Age: Cultural Impacts of Evangelical Mass Media , ABC-CLIO, USA, 2015, p. 283
  11. Mark Ward Sr., The Electronic Church in the Digital Age: Cultural Impacts of Evangelical Mass Media , ABC-CLIO, USA, 2015, p. 289
  12. Patricia Holbrook, Dr. Charles F. Stanley leads life of unwavering faith, ajc.com, EUA, 15 de setembro de 2017