Tempestade subtropical Yakecan

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Tempestade subtropical Yakecan
Tempestade tropical (SSHWS/NWS)
imagem ilustrativa de artigo Tempestade subtropical Yakecan
Tempestade subtropical Yakecan em 17 de maio de 2022
Formação 17 de maio de 2022
Dissipação 20 de maio de 2022

Ventos mais fortes sustentado 1 min.: 95 km/h (60 mph)
Pressão mais baixa 990 hPa (mbar); 29.23 inHg

Fatalidades 2
Danos Grandes
Áreas afectadas Argentina, Brasil (Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e Uruguai

A tempestade subtropical Yakecan foi um ciclone subtropical[1] que durante o seu trajeto, passou pela região Sul do Brasil, mais especificamente no Rio Grande do Sul e no Uruguai. O ciclone veio do mar em direção ao território rio-grandense e chegou com menos força no estado de Santa Catarina, onde retornou ao mar.[2] Foi a décima-sexta tormenta a atingir o Brasil desde o ciclone Catarina em 2004.

Sua gravidade foi confirmada dia 16 de maio de 2022 pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pela Marinha do Brasil, que automaticamente classificaram-o como um alerta laranja, que significa uma tempestade subtropical. O nível laranja é o penúltimo nível da escala, não tendo sido descartada sua promoção para o nível vermelho.[3] Foram projetados ventos de até 100 km/h, e por este motivo, a defesa civil tanto regional quanto federal não negaram a possibilidade do ciclone transformar-se em um furacão conforme avança para solo firme.[4]

O ciclone já deixou dois mortos antes mesmo de atingir o solo firme, o primeiro óbito foi registrado no Uruguai onde por conta dos fortes ventos uma palmeira caiu no telhado de sua casa em decorrência do vento fortes. Já o outro caso foi relatado em Porto Alegre, onde uma embarcação de pescadores naufragou no lago Guaíba.[5][6] No interior de São Paulo, o vento derrubou um balão de ar quente às margens da Rodovia Castello Branco, na zona rural entre as cidades de Boituva e Porto Feliz, o balão carregava nove pessoas a bordo que foram prontamente socorridas. Uma delas em estado grave.[7] No dia 17, Devido à intensidade da massa de ar frio que acompanhou o ciclone, sua umidade ocasionou chuva congelada e queda de neve nas porções mais elevadas do planalto sul catarinense[8] e no sul do Paraná.[9][10]

A tempestade começou a perder intensidade conforme se deslocava para nordeste e quando virou a leste para longe da costa de São Paulo se dissipou na madrugada de 20 de maio de 2022, segundo carta sinótica do CHM.[11]

Assim como outras tempestades tropicais, o ciclone foi nomeado "Yakecan" que vem do tupi-guarani e significa "som do céu".[12]

Preparativos[editar | editar código-fonte]

Trajetória prevista da tempestade subtropical Yakecan, segundo o INMET

Após a confirmação da formação da tempestade em 16 de maio de 2022, começaram os preparativos para redução de danos e possíveis estratégias para intempéries.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Além dos preparativos de cada estado, a defesa civil nacional observou a situação da tempestade com preocupação, assim já disponibilizando um número para informações de emergência através do celular.[13]

Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

No Rio Grande do Sul, alguns municípios cancelaram as aulas da rede municipal pública de educação, sendo destaque os municípios de: Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Alvorada, Glorinha, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Guaíba, São Jerônimo, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar, Chuí, Capão do Leão, Jaguarão, Pedro Osório, Piratini, Pinheiro Machado e Turuçu.[14] Além de grandes universidades do estado confirmaram alterações em suas grades horárias devido à tempestade, entre elas: Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Fundação do Ministério Público (FMP), Instituto Meridiona (IMED), Feevale e a Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).[15]

A defesa civil juntamente com as companhias de água e luz estiveram em estado de prontidão para atender possíveis chamados já programados por conta da força do temporal.[16] Em Porto Alegre, a Secretaria Municipal de Assistência Social foi colocada de plantão para eventuais acidentes e atendimento à população em situação de rua, equipes estiveram fazendo abordagem e encaminhamento de pessoas em situação de rua para albergues, abrigos e pousadas. A prefeitura disponibilizou o Ginásio Tesourinha como base de acolhimento para a população em situação de rua.[17]

Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

Em Santa Catarina, a defesa civil esperou uma tempestade um pouco mais fraca após atingir o estado do Rio Grande do Sul, a preocupação principal esteve voltada para a onda de frio que assola a região que pôde causar até queda de neve.[18] Outra preocupação foi com o posicionamento geográfico de Florianópolis, tendo em vista que trata-se de uma ilha banhada diretamente pelo mar, que pôde atingir ondas de até 5 metros de altura com ventos de até 99 km/h no litoral.[19]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Uruguai[editar | editar código-fonte]

A ressaca marítima causada pelo ciclone deixou a maré com espuma e a mesma inundou diversas ruas nos departamentos de Maldonado - principalmente na cidade de Punta del Este[20] - e Rocha, além de outras localidades em Canelones e Lavalleja. Quatro pessoas tiveram que sair de casa depois que a casa onde estavam desabou com o vendaval.[21] Em La Paloma, árvores e telhados desabaram com a força do vento bloqueando diversas ruas do departamento. As rajadas chegaram perto dos 100 km/h e o INUMET (Instituto Nacional de Meteorologia Uruguaio) declarou alerta laranja por todo o país.[22][23]

Brasil[editar | editar código-fonte]

O ciclone chegou à costa brasileira, atingindo primeiramente o litoral gaúcho, na madrugada de 17 de maio de 2022. Os ventos causaram danos generalizados e se intensificaram ao longo do deslocamento, chegando a serem registradas rajadas com velocidades superiores a 100 km/h em Santa Catarina.[24] A atuação do ciclone se estendeu bem além de sua faixa de nebulosidade, ocasionando ventos fortes e constantes ao longo de dois dias no interior dos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde foram registrados ventos com velocidades variando entre 60 a 90 km/h.[25]

Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

Mais de 220 mil pessoas foram afetadas com falta de energia na grande Porto Alegre e Campanha Gaúcha por causa do ciclone. Vários postes de energia e cabos foram partidos, deixando moradores às escuras.[26]

Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

Diversos municípios da faixa litorânea e setor serrano de Santa Catarina registraram danos pelos ventos. Nas escarpas da serra catarinense o vento foi intenso o suficiente para causar o tombamento de veículos.[27] Devido ao frio intenso, nas áreas mais elevadas a atuação do ciclone causou precipitações invernais entre os dias 17 e 18 de maio de 2022, na forma de neve e chuva congelada.[27]

Paraná[editar | editar código-fonte]

No Paraná, os portos de Paranaguá e Antonina operaram parcialmente devido à intensidade dos ventos trazidos pelo ciclone subtropical Yakecan.[28] De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), foi registrado rajadas de vento com intensidade que superou os 64 km/h no litoral do estado. Em Guaratuba, uma embarcação e uma ponte que dava acesso aos flutuantes afundaram no dia 18.[28]

São Paulo[editar | editar código-fonte]

Embora não tenha sido diretamente atingido pelo ciclone, houve impactos relacionados à ação indireta do fenômeno. A atuação do ciclone causou ventos intensos e constantes em toda a faixa leste do estado, incluindo o litoral.[29] As cidades litorâneas registraram mar agitado com ondas de dimensões acima da média. No interior, os ventos em altitude decorrentes da atuação do ciclone atingiram um balão tripulável com 9 ocupantes,[30] causando sua queda, deixando duas pessoas gravemente feridas.[31]

Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

O estado do Rio de Janeiro foi atingido por forte ressaca causada pela tempestade. As marés inundaram diversas calçadas e ruas litorâneas, causando estragos em postos de conveniência e em alguns veículos.[32] Em cidades da região Metropolitana e da região dos Lagos, os vendavais de até 86 km/h da tormenta causaram interrupção da energia por causa da queda de árvores e postes. Um hospital precisou interromper suas atividades temporariamente.[33]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. TEMPO, O. (16 de maio de 2022). «Yakecan: Ciclone subtropical pode atingir o Sul com ventos de 100 km/h | O TEMPO». www.otempo.com.br. Consultado em 17 de maio de 2022 
  2. «Ciclone Yakecan chega hoje com vento muito intenso e risco de danos». MetSul Meteorologia. 17 de maio de 2022. Consultado em 17 de maio de 2022 
  3. Povo, Correio do. «Inmet alerta para risco de tempestade subtropical Yakecan virar furacão». Correio do Povo. Consultado em 17 de maio de 2022 
  4. Costa, Jonathas. «Projeções indicam como ciclone Yakecan vai avançar sobre o território do RS». Correio do Povo. Consultado em 17 de maio de 2022 
  5. «Ciclone Yakecan já deixa um morto e um desaparecido». MetSul Meteorologia. 17 de maio de 2022. Consultado em 17 de maio de 2022 
  6. «Após naufrágio, homem morre vítima do ciclone Yakecan no RS». O Globo. Consultado em 17 de maio de 2022 
  7. «Balão cai às margens da Rodovia Castello Branco, em SP, e deixa feridos». O Globo. Consultado em 18 de maio de 2022 
  8. «Umidade do ciclone Yakecan e ar frio trazem neve e chuva congelada». MetSul Meteorologia. 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022 
  9. «VÍDEO: Chuva congelada é registrada em General Carneiro e Palmas, no sul do Paraná». G1 Paraná. 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022. Cópia arquivada em 18 de maio de 2022 
  10. «Vídeo: Palmas é a primeira cidade do PR a registrar neve em 2022, confirma Simepar». Ricmais. 18 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022. Cópia arquivada em 18 de maio de 2022 
  11. «Cartas Sinóticas». Consultado em 20 de maio de 2022 
  12. «O que significa Yakecan? Veja origem do nome dado à tempestade tropical - País». Diário do Nordeste. 19 de maio de 2022. Consultado em 19 de maio de 2022 
  13. Cardoso', 'Deborah Hana (16 de maio de 2022). «Tempestade subtropical Yakecan atingirá sul do país; saiba o que fazer». Brasil. Consultado em 17 de maio de 2022 
  14. «Com alerta de tempestade, mais escolas e universidades do Estado suspendem atividades». GZH. 17 de maio de 2022. Consultado em 17 de maio de 2022 
  15. «Com alerta de tempestade, mais escolas e universidades do Estado suspendem atividades». GZH. 17 de maio de 2022. Consultado em 17 de maio de 2022 
  16. «Capital e Litoral monitoram possível ciclone e companhias de água e luz preparam reforço no atendimento». GZH. 16 de maio de 2022. Consultado em 17 de maio de 2022 
  17. «Tempestade Yakecan: confira serviços afetados e orientações das autoridades no RS». G1. Consultado em 17 de maio de 2022 
  18. «Chance de neve e ciclone marcam as condições do tempo nesta semana em SC». www.nsctotal.com.br. Consultado em 17 de maio de 2022 
  19. «URGENTE: Defesa Civil alerta para tempestade com ventos até 99 Km e granizo nesta quinta-feira». Destino Florianópolis - Passeios, Aventuras em Florianópolis. 7 de dezembro de 2016. Consultado em 17 de maio de 2022 
  20. «Inumet extendió alerta naranja por vientos muy fuertes con rachas de hasta 80 y 100 kilometros por hora». www.elobservador.com.uy (em espanhol). 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022 
  21. «Ciclón subtropical está sobre aguas brasileñas y fue denominado Yakecan, informó Inumet». www.montevideo.com.uy (em espanhol). 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022 
  22. «Fuertes vientos por ciclón Yakecan golpean costas de Uruguay». France 24. 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022 
  23. «El ciclón extratropical golpeó a Uruguay y con vientos de casi 100 km/h y todavía rige una alerta meteorológica: murió un joven». LA NACION (em espanhol). 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022 
  24. «Entenda como se formou o ciclone Yakecan, que atingiu o Sul do Brasil». CNN Brasil. Consultado em 20 de maio de 2022 
  25. «Tempestade Yakecan avança para o litoral de SP e RJ». www.band.uol.com.br. Consultado em 20 de maio de 2022 
  26. «RS tem pelo menos 226 mil clientes sem energia elétrica; maioria dos casos fica na área da CEEE Equatorial». GZH. 17 de maio de 2022. Consultado em 18 de maio de 2022 
  27. a b «VÍDEO: ventania tomba caminhão com motorista dentro, em SC; velocidade do vento chegou a 157 km/h». G1. Consultado em 18 de maio de 2022 
  28. a b «Fortes rajadas de vento afundam embarcação e ponte em Guaratuba, diz prefeitura; VÍDEO E FOTOS». G1 Paraná. 18 de maio de 2022. Consultado em 19 de maio de 2022. Cópia arquivada em 19 de maio de 2022 
  29. «Ciclone Yakecan vira tempestade e avança rumo a SP e RJ». Metrópoles. 19 de maio de 2022. Consultado em 20 de maio de 2022 
  30. «Balão com nove a bordo cai na região de Boituva (SP); uma pessoa está em estado grave». Folha de S.Paulo. 17 de maio de 2022. Consultado em 20 de maio de 2022 
  31. «Balão envolvido em acidente com 9 feridos não poderia voar devido a alerta de ventos fortes, diz polícia». G1. Consultado em 20 de maio de 2022 
  32. «Vídeos. Tempestade Yakecan provoca ondas gigantes e alagamentos no Rio». Metrópoles. 20 de maio de 2022 
  33. «Ventos fortes provocam queda de energia e transtornos em cidades do interior do Rio». G1