Tentativa de golpe de Estado em Madagascar em 2006

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Uma tentativa de golpe de Estado ocorreu em Madagascar em 18 de novembro de 2006, durante o período de preparação para as eleições presidenciais de 3 de dezembro, quando o general reformado do exército Andrianafidisoa, também conhecido como Fidy (e um ex-diretor-geral da OMNIS), declarou um regime militar. [1][2]

Segundo as autoridades judiciais, Andrianafidisoa não foi autorizado a concorrer à presidência depois de não conseguir pagar um depósito de 25 milhões de ariáris (US$ 11.400). [3] Fidy havia anteriormente apoiado o presidente em exercício, Marc Ravalomanana, em sua reivindicação bem sucedida para a presidência na sequência das disputadas eleições presidenciais de 2001.[2]

Eventos do golpe[editar | editar código-fonte]

O general Fidy proclamou um governo militar e criou uma base perto do Aeroporto de Ivato, na capital Antananarivo. Houve relatos policiais de tiroteios no início da manhã de 18 de novembro, e um soldado foi morto e outro ferido. O presidente Ravalomanana estava retornando da França durante o incidente e seu avião foi desviado de Antananarivo para Mahajanga [4][5]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Em 19 de novembro de 2006, o governo afirmou que estava procurando o general Fidy e que dezenas de soldados estavam estacionados fora de sua casa. O secretário de Estado para Segurança Pública, Lucien Victor Razakanirina, disse à Reuters: "Nós emitimos um cartaz de procurado para o general Fidy por um ataque à segurança do Estado. Fomos prender o general Fidy, porém ele não estava mais em sua casa. Ele é muito móvel." Fidy disse à Reuters por telefone: "Estou vivo e não estou escondido. Os soldados e os políticos entenderam a mensagem". Ele não divulgou sua localização. [3]

Em uma entrevista de rádio em 20 de novembro, Fidy, que ainda não havia sido capturado, declarou que a ideia de que ocorrera uma tentativa de golpe foi uma má interpretação, mas reconheceu que havia pedido a renúncia de Ravalomanana porque considerava o governo inconstitucional. [2] Em 22 de novembro, Fidy recebeu o apoio da maioria dos catorze candidatos presidenciais, os quais afirmaram que o general estava defendendo a constituição e os interesses da nação. [6][7] Após as eleições terem sido realizadas em 3 de dezembro, o governo tentou, sem sucesso, prender um desses candidatos, Pety Rakotoniaina [8], embora tenha negado que procurou prendê-lo por causa de seu apoio a Fidy.[9]

Uma recompensa de $ 50.000 foi oferecida pela prisão de Fidy. Razakanirina declarou que Fidy foi pego de surpresa e capturado em 12 de dezembro em um hotel e que ele não resistiu. [10] Durante seu julgamento, ele e seus advogados argumentaram que Fidy não tentou um golpe, mas havia em vez disso tentado alertar Ravalomanana para a situação das forças armadas.

Referências

  1. Johnny Hogg (18 de novembro de 2006). «Madagascar general urges overthrow». BBC News 
  2. a b c "Attempted "coup" fizzles in desire for peaceful poll", IRIN, 20 de novembro de 2006.
  3. a b Alain Iloniaina (19 de novembro de 2006). «Madagascar hunts for renegade general after coup bid». Reuters. Consultado em 19 de novembro de 2006. Arquivado do original em 31 de março de 2007 
  4. Fabienne Pompey (20 de novembro de 2006). «Une tentative de putsch échoue à Antananarivo à deux semaines de l'élection présidentielle». LE MONDE 
  5. Stéphanie Pailler (19 de novembro de 2006). «Madagascar:La mutinerie a tourné court». RFI 
  6. "Support for Madagascar 'coup bid'", BBC News, 23 de novembro de 2006.
  7. "Madagascar: 11 candidats de l'opposition jugent légitime l'action du général "Fidy"" Arquivado em 23 de novembro de 2006 no Wayback Machine., AFP (Jeuneafrique.com), 22 de novembro de 2006 (em francês).
  8. Jonny Hogg, "Madagascar tries to jail opposition politician", The Independent, 7 de dezembro de 2006.
  9. "Madagascar Issues Arrest Warrant for Opposition Candidate", Voice of America, December 7, 2006.
  10. Alain Iloniaina, "Madagascar captures renegade general "Fidy"", Reuters (IOL), 13 de dezembro de 2006.