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Teodorico de Chartres

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Thierry de Chartres
Catedral de Chartres
Morte
1150 c.

Alma materEscola de Chartres
OcupaçãoHumanista, filósofo e historiador.

Teodorico de Chartres (Thierry de Chartres, em francês, ou Theodoricus Chartrensis, em latim) (morreu antes de 1155,[1] provavelmente em 1150[2]) foi um filósofo do século XII desenvolvendo a sua ação em Chartres e Paris, França.

A Escola de Chartres foi um centro de estudo avançado antes da primeira universidade ter sido fundada em França, tendo Thierry sido seu chanceler quando o seu antecessor, Gilberto de Poitiers, regressou como bispo à sua cidade natal em 1141. João de Salisbury,[3] Herman de Caríntia e Clarembald de Arras contaram-se entre os estudantes de Thierry.[4]

Além de líder da Escola, Thierry foi uma figura importante na filosofia e ensino do século XII, e como muitos dos mestres da época foi um seguidor dos princípios da obra Timeu de Platão aplicando a filosofia às questões teológicas.[5]

Alguns estudiosos modernos defenderam que Thierry fora irmão de Bernardo de Chartres que tinha fundado a Escola de Chartres, mas pesquisas posteriores têm demonstrado que isso é improvável.[6]

Hexaemeron

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O Hexaemeron interpreta o Livro do Génesis tendo por referência a obra Timeu de Platão. O texto serve como uma defesa racional da existência de Deus, baseando-se na filosofia natural platónica e na lógica aristotélica para explicar a criação do mundo.[4] Thierry afirma que o momento da criação divina foi o início do tempo, e, na sequência disso, a criação evoluiu naturalmente através das combinações dos quatro elementos (fogo, ar, água e terra).[7] Segundo Thierry, Deus criou os quatro elementos no primeiro momento. O fogo que está em constante movimento rodou e iluminou o ar dando origem ao primeiro dia e primeira noite. No segundo dia, o fogo aqueceu a água fazendo-a subir para os céus e formar as nuvens. Devido à redução da água, a terra imergiu no terceiro dia. A continuação do aquecimento das águas acima do firmamento levou à criação dos corpos celestes no quarto dia. O aquecimento posterior da terra foi a causa da vida vegetal, animal e humana que surgiu nos quinto e sexto dias.

A explicação por Thierry da criação do mundo é baseada numa interpretação teológica das quatro causas de Aristóteles, que ele identifica com as três pessoas da Trindade mais a matéria (composta pelos Quatro elementos): o Pai é a Causa eficiente, o Filho é a Causa formal, o Espírito Santo é a Causa final e os quatro elementos são a Causa material.

Segundo Thierry, o acto da criação divina é limitado à criação dos quatro elementos, que a seguir evoluiram por si mesmos, misturaram-se de acordo com proporções matemáticas e fizeram o mundo físico.

Heptateuch

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O Heptateuch é uma grande enciclopédia de informação relativa às artes liberais, tudo dentro do contexto da unidade académica e teológica. Em particular, analisa os modos em que diferenciam os vários tipos de conhecimento, fundamentando ainda um único propósito: explicar a ordem na realidade. Os trivium (lógica, gramática e retórica) abordam a veracidade, consistência e beleza da linguagem de expressão. Os quadrivium (geometria, astronomia, aritmética e música) proporcionam o conteúdo intelectual na necessidade de expressão.

Thierry também escreveu alguns comentários sobre De Trinitate de Boécio.

Publicações

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  • Commentaries on Boethius by Thierry of Chartres and His School, ed. N. M. Häring, Toronto 1971.
  • The Latin Rhetorical Commentaries by Thierry of Chartres, ed. K. M. Fredborg, Toronto 1988.
  • The Commentary on the De arithmetica of Boethius, ed. I. Caiazzo, Turnhout 2015.

Ver também

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Notas e referências

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  1. ↑ Ralph McInerny (1963). «Chapter IV - The School of Chartres». A History of Western Philosophy Vol. II - Part III: The Twelfth Century. The Jacques Maritain Center, University of Notre Dame. Consultado em 30 de abril de 2016. Arquivado do original em 23 de novembro de 2014
  2. ↑ William Turner (1903). «Chapter XXXIII - The School of Chartres». History of Philosophy. The Jacques Maritain Center, University of Notre Dame
  3. ↑  Herbermann, Charles, ed. (1913). «Theodoric (Thierry) of Chartes». Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company
  4. 1 2 Giulio D'Onofrio; et al. (1996). The History of Theology: Middle Ages. [S.l.]: Liturgical Press
  5. ↑ Alguns estudiosos dos séculos XIX e XX pensavam que Thierry estava na vanguarda de uma escola hiper-platónica em Chartres, sendo esta a posição refletida História da Filosofia de Turner de 1903, mas devido aos esforços de Richard Southern e outros, este ponto de vista deixou de ser defendido pelos estudiosos modernos.
  6. ↑ Paul Edward Dutton (ed.), The Glosae super Platonem of Bernard of Chartres, Toronto 1991, p. 40-42.
  7. ↑ Lindberg, David C., The Beginnings of Western Science, p. 210. The University of Chicago Press, 2007.

Leituras adicionais

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  • Édouard Jeauneau, História Breve da Filosofia Medieval, Editorial Verbo, 1968, Lisboa.
  • Peter Dronke, "Thierry of Chartres", in P. Dronke, A History of Twelfth Century Western Philosophy, Cambridge, 1988.
  • Peter Ellard, The Sacred Cosmos: Theological, Philosophical, and Scientific Conversations in the Twelfth Century School of Chartres, University of Scranton Press, 2007.