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Teorema de Arzelà-Ascoli

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Em matemática, o teorema de Arzelà-Ascoli é um importante resultado, com aplicações na análise real, análise funcional e em áreas afins tais como a teoria das equações diferenciais. Provém dos matemáticos italianos Cesare Arzelà e Giulio Ascoli.

Enunciado da versão real

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Seja uma sequência de funções com as seguintes propriedades:

  • Equicontinuidade, ou seja, para cada e cada em , existe um tal que .
  • Limitação pontual, ou seja, para cada em existe uma constante tal que .

Então existe uma subseqüência e uma função contínua tal que converge uniformemente para .

De uma forma mais simples, o teorema pode ser enunciado da seguinte forma:

Considere uma sequência de funções contínuas definidas em um intervalo fechado dos reais. Se essa sequência é pontualmente limitada e equicontínua, então existe uma subsequência que converge uniformemente.

Isso significa, por exemplo, que o teorema funciona para funções deriváveis tais que ela e sua derivada são uniformemente limitadas. Se a derivada segunda também é uniformemente limitada, as derivadas também convergem uniformemente.

Demonstração

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Para qualquer temos, por hipótese, que , para todo . Portanto é uma sequência em limitada. Mas tais sequências sempre possuem uma subsequência convergente (isso segue do Teorema de Bolzano-Weierstrass). Portanto existe alguma subsequência de tal que converge.

Existe um subconjunto que é enumerável e denso (por exemplo, o conjunto dos racionais contidos em ). Seja uma enumeração de . Para existe subsequência de tal que converge. Mas também satisfaz , para qualquer . Portanto para existe subsequência de tal que converge. Podemos repetir o procedimento para para criar uma sequência de subsequências:

Agora considere a sequência de funções , ou seja, a sequência formada pela -ésima função da -ésima sequência de funções. Para todo , a sequência converge. Isso segue do fato que, para , é subsequência de . Como converge, deve também convergir. Portanto converge pontualmente em .

Para simplificar notação, defina .

Queremos mostrar que converge uniformemente, ou seja, que para todo existe algum tal que para todo em ,

,

sempre que (estamos usando o fato que em sequências convergentes são equivalentes a sequências de Cauchy). Note que

,

para qualquer . O primeiro e terceiro termo do lado direito da desigualdade acima pode ser tomado arbitrariamente pequeno em decorrência da equicontinuidade de : para todo existe tal que

.

Como S é denso em temos que para qualquer os conjuntos , para , cobrem , isto é, . Mas é compacto (pelo Teorema de Heine-Borel), portanto existem tais que . Portanto para todo em existe algum , , tal que

,

portanto tal que

.

Segue que para todo em algum satisfaz

.

O conjunto depende da escolha de , mas o que importa é que ele é sempre finito.

Como converge, para todo , temos que para todo existe tal que implica

.

Mas como temos finitos existe algum que é maior que todos os . Portanto se temos

,

para todo em . Para concluir a demonstração, note que foram escolhidos de forma arbitrária e independente, portanto para qualquer eles poderiam ter sido escolhidos tais que .

Generalizações

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Um resultado análogo é válido quando o domínio e codomínio das funções são espaços métricos (o que é suficiente para que os conceitos de equicontinuidade e limitação pontual sejam bem-definidos), o domínio é compacto e o codomínio é completo. Para que o argumento apresentado acima seja válido nesse contexto mais geral, basta demonstrar que o domínio ser métrico e compacto implica que ele possui subconjunto enumerável e denso.

Seja um espaço métrico compacto. Para algum definimos os conjuntos . Então a união cobre . Mas é compacto, portanto deve haver uma subcobertura finita, ou seja, finitos pontos tais que cobre .

Considere agora a sequência tal que . Para cada existe um conjunto tal que . Cada ponto de está a uma distância menor que de algum elemento de , portanto é denso em . Mas cada é finito, portanto é enumerável.

Referências

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