Terça Livre

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Terça Livre
Slogan #contraafakenews
Proprietário(s) Allan Lopes dos Santos e Italo Lorenzon Neto
Requer pagamento? Parcialmente
Gênero Jornalismo
País de origem Brasil
Idioma(s) (em português)
Lançamento 2014
Posição no Alexa Aumento 38,997[1]
Endereço eletrônico tercalivre.com.br

Terça Livre é um portal de notícias[2] mantido por Allan dos Santos e Italo Lorenzon.[3] O canal ganhou notoriedade nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 pela proximidade com a família de Jair Bolsonaro,[4] mantendo-se como uma das plataformas mais populares na sua defesa, produzindo conteúdos alinhados com o conservadorismo e com as ideias da extrema-direita brasileira.[5][6][7][8][9][10]

O Terça Livre foi suspenso no Twitter[11] e encerrado no Youtube por violação de termos de uso dessas plataformas.[12][13] No dia 12 de fevereiro de 2020, obteve uma liminar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para recuperar sua conta no Youtube[14] e retornou ao ar em 2 de março de 2021.[13]

O site está envolvido na CPMI das Fake News[15][16][17] mediante acusação dos parlamentares de veicular notícias falsas.[15] Allan dos Santos nega as acusações de que estaria ligado a Jair Bolsonaro ou que estaria disseminando notícias falsas.[18]

O portal se define como o maior portal conservador fora dos Estados Unidos.[6] Em abril de 2021, o canal Terça Livre TV contava 1,2 milhão de inscritos no YouTube.[19] Segundo levantamento da agência de verificação Aos Fatos publicado 4 de fevereiro de 2021, Terça Livre é o maior canal bolsonarista no Telegram com o maior número de inscritos, a maior soma de visualizações, o maior número de posts publicados e a maior média de visualizações por post.[20]

Histórico

O portal foi criado em 2014 por Allan dos Santos com o objetivo de defender a conservadorismo e fazer frente ao comunismo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e todo o trabalho de guerrilha armada no Brasil.[21]

O Terça Livre foi um dos primeiro canais a divulgar críticas à exposição artística brasileira Queermuseu apresentada no Santander Cultural, na cidade de Porto Alegre.[22] No dia 9 de setembro de 2017, o canal publicou o vídeo intitulado exposição Criminosa no Santander Cultural contendo denúncias contra a exposição.[23] A publicação dizia: "DENÚNCIA: Pedofilia, zoofilia, pornografia e profanação sendo promovidos pelo Ministério da Cultura aos olhos de crianças! Avaliem o Santander Cultural com 1 estrela, compartilhem o vídeo e ajudem a denunciar esses crimes. ABSURDO!". Até ser removido do ar, o vídeo registrou 1.638.153 visualizações[24] e milhares de comentários.[23] Potencializados por robôs projetados para aumentar a visibilidade nas redes sociais, o vídeo causou grande repercussão, prejudicando a página do Santander Cultural no Facebook que já vinha sofrendo de avaliações e comentários negativos desde o dia 6 de setembro.[23]No dia 10 de setembro, a exposição foi encerrada em meio a críticas de diversos setores.[24][23]

O portal ganhou notoriedade nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 pela proximidade com a família de Jair Bolsonaro.[4] O site ficou conhecido por seguir ideias de Olavo de Carvalho[25][26] e defender a extrema-direita,[27][6][7][8] mantendo-se como uma das plataformas mais populares na defesa de Bolsonaro e da extrema-direita brasileira.[5][6][13][6][7][8]

Em janeiro de 2019, obteve condições de trânsito livre na posse do presidente Jair Bolsonaro ao lado de outras mídia bolsonaristas como Brasil Paralelo e Conexão Política, enquanto jornalistas de vários veículos relataram limitações ao trabalho de cobertura jornalística da posse, inclusive quanto à alimentação, banheiro e acesso a autoridades e fontes.[28]

Segundo levantamento de Poder360, com dados de 1.° de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2020, a Terça Livre foi o sexto órgão de imprensa com quem Bolsonaro mais se reuniu, tendo realizado 4 encontros registrados na agenda oficial.[29]

Allan dos Santos, no entanto, nega que tenha ligação com Jair Bolsonaro[18] e declarou em depoimento para a CPMI das Fake News que, sendo o "dono do maior portal conservador da América Latina", não recebe "nenhum centavo do governo”.[21]

Acusações de notícias falsas

Allan dos Santos durante uma audiência para a CPMI das Fake News

Em outubro de 2018, o portal divulgou a notícia "Quadrilha detida sacando 68 milhões para Haddad", informação que foi dada como falsa pelo Estadão Verifica[30] e pelo Boatos.org.[31][32]

Em novembro de 2019, o portal foi envolvido na CPMI das Fake News por acusações de veicular notícias falsas.[15]

O Twitter suspendeu a conta do Terça Livre pela violação dos termos de uso.[11] Allan dos Santos, depois, afirmou ter saído do Brasil por medo de represálias.[33]

Segundo um levantamento da Agência Pública, o Terça Livre foi um dos canais que incentivaram a invasão do Capitólio dos Estados Unidos, ao acusar, sem provas, que as eleições foram fraudadas.[34] Segundo o pesquisador de mídias digitais, David Nemer, as mídias bolsonaristas em busca de audiência "trouxeram o conflito americano para o Brasil".[34]

Segundo análise do site E-farsas publicada em 11 de novembro de 2020, Allan dos Santos produziu falsas notícias ao afirmar que a agência Aos Fatos receberia financiamento da rede Open Society Foundations, fundada por George Soros. Segundo o site E-farsas, a agência de checagem de fatos não é financiada nem direta nem indiretamente através da International Fact-Checking Network (IFCN) conforme alegado por dos Santos.[35]

Em trabalho publicado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, é apontado que o vídeo China e OMS esconderam hidroxicloroquina de você, usa como título uma declaração de Olavo de Carvalho, sem citá-lo diretamente de forma a sugerir como fato uma opinião pessoal. Segundo os pesquisadores, o vídeo foi posteriormente removido do YouTube por violar diretrizes de conteúdo e "também insinua a participação do governo da China e da própria OMS num complô para esconder a verdade e prejudicar a população." O objetivo seria disseminar a dúvida no espectador, descredibilizando instituições como a Organização Mundial da Saúde e as suas recomendações para prevenção do vírus (distanciamento social, higiene, uso de máscaras etc). Conforme o estudo, outras entidades também foram descredibilizadas do canal, no vídeo ESTADÃO: CLOROQUINA NÃO, MAS MACONHA SIM, os apresentadores sugerem que instituições brasileiras como a Ordem dos Advogados do Brasil estariam infiltradas por comunistas.[5]

O movimento Sleeping Giants solicitou, em janeiro de 2021, à rede Droga Raia que interrompesse a veiculação de anúncios no canal no YouTube do Terça Livre. A Droga Raia anunciou que não compactua "com disseminação de notícias falsas"[36] e removeu os anúncios.[37][38]

Allan dos Santos nega as acusações de que estaria disseminando notícias falsas.[18]

Constança Rezende

Em 1.° de março de 2019, o Terca Livre publicou uma matéria intitulada Jornalista do Estadão: a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo, na qual afirma que Constança Rezende, jornalista do O Estado de S. Paulo, teria admitido o objetivo de arruinar o mandato de presidente e sua família. A denúncia seria baseada no jornalista francês Jawad Rhalib, que teria conversado com Rezende.[39] A notícia foi compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter[39] e, em seguida, foi contestada pelo Estadão, segundo o qual "Constança Rezende não deu entrevista nem dialogou com o jornalista francês citado pelo Terça Livre. As frases da gravação foram retiradas de uma conversa que ela teve em 23 de janeiro com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro".[40] A agência de verificação de fatos Lupa confirmou tala versão: "A aspa utilizada pelo site no título de sua reportagem é falsa. A citação atribuída à repórter não aparece sequer na transcrição que a própria página faz de toda a conversa que a jornalista do Estadão teria supostamente mantido em inglês com um estrangeiro, sobre a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro."[41] Segundo o jornal O Globo, que corrobora a Agência Lupa, jornalista Allan dos Santos, em uma live no Facebook, teria atribuído à jornalista outra postagem, na qual teria escrito: "O Brasil virou uma ditadura. Morte como a da Marielle deixou bem claro isto. Parabéns! Lugar de mulher é onde ela quiser! Não vão calar a nossa voz". Segundo o jonral, tal afirmação não teria "nenhuma ligação de Constança com a conta nem com a postagem".[42]

YouTube

No dia 4 de fevereiro de 2021, o canal no Youtube do site, o Terça Livre TV, foi encerrado no YouTube por violação reiterada de termos de uso.[12][43] Guilherme Sanchez, advogado sênior do Google, responsável pela plataforma YouTube, explica que o canal postou conteúdo com incitação à violência. Um dos vídeos postados denunciava fraudes nas eleições presidenciais nos Estados Unidos sem oferecer evidências concretas. Mesmo advertidos, postaram um vídeo, tratando da invasão do Congresso americano por apoiadores de Donald Trump, que foi classificado como "incitação para que outras pessoas cometam atos violentos contra indivíduos ou um grupo definido de pessoas". Por esta razão foram suspensos por sete dias. No dia seguinte à suspensão, usaram um canal alternativo para burlar a sanção, pelo que foram encerrados da plataforma.[43]

No dia seguinte ao encerramento, a Ordem dos Jornalistas do Brasil manifestou-se em nota, repudiando o encerramento do canal, classificando a ação do YouTube como censura e,[44] segundo Allan dos Santos, o deputado Eduardo Bolsonaro teria procurado a Procuradoria Geral da República.[43]

No dia 12 de fevereiro de 2020, o Terça Livre obteve uma liminar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para recuperar sua conta no Youtube, o desembargador Mathias Coltro justificou que a "remoção das contas na plataforma YouTube se mostra desproporcional, violando a garantia constitucional da liberdade de expressão e de informação".[14]A plataforma recorreu da decisão, mas Coltro ratificou sua decisão no dia 19 de fevereiro de 2021 pois "as razões que conduziram ao deferimento da liminar remanescem". O desembargador igualmente ampliou a multa diária por descumprimento da sentença de cinco mil para dez mil reais.[45] O canal retornou ao ar na manhã de 2 de março de 2021.[13]Atualmente está visível apenas do Brasil.[43]

Ver também

Referências

  1. «tercalivre.com.br Traffic Statistics». Alexa Internet. Consultado em 6 de abril de 2021 
  2. Fortuna, Deborah (11 de março de 2019). «Entenda a polêmica envolvendo Bolsonaro e fake news sobre jornalista». Acervo. Correio Braziliense. Consultado em 28 de março de 2021 
  3. «Emissão de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral». servicos.receita.fazenda.gov.br. CNPJ: 30.887.370/0001-53. Receita Federal do Brasil. Consultado em 9 de abril de 2021 
  4. a b CPMI ouve Allan dos Santos, blogueiro acusado de liderar rede de fake news, Veja, 5 de novembro de 2019, Wikidata Q105308592, consultado em 4 de fevereiro de 2021 
  5. a b c Lima, Cecília Almeida Rodrigues; Calazans, Janaina de Holanda Costa; Dantas, Ivo Henrique (1 de outubro de 2020). «(DES)INFORMAÇÃO EM CÂMARAS DE ECO DO TWITTER: disputas sobre a cloroquina na pandemia da Covid-19». Revista Observatório (6): a5pt–a5pt. ISSN 2447-4266. doi:10.20873/uft.2447-4266.2020v6n6a5pt. Consultado em 7 de abril de 2021 
  6. a b c d e «YouTube retira canal bolsonarista Terça Livre do ar». Congresso em Foco. 4 de fevereiro de 2021. Consultado em 22 de março de 2021 
  7. a b c «Terça Livre: canal bolsonarista 'dobra' YouTube e volta ao ar». br.financas.yahoo.com. Consultado em 22 de março de 2021 
  8. a b c «Allan dos Santos, um blogueiro frustrado». Época. 24 de julho de 2020. Consultado em 22 de março de 2021 
  9. «Justiça de SP determina que Terça Livre volte a ser exibido no Youtube». Estado de Minas. 12 de fevereiro de 2021. Consultado em 29 de março de 2021 
  10. «O Terça Livre é só o começo - Link». Estadão. Consultado em 29 de março de 2021 
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  12. a b «YouTube aponta violação de regras e encerra canal bolsonarista Terça Livre». Folha de S.Paulo. 4 de fevereiro de 2021. Consultado em 4 de fevereiro de 2021 
  13. a b c d «Terça Livre: canal bolsonarista 'dobra' YouTube e volta ao ar». br.financas.yahoo.com. Consultado em 3 de março de 2021 
  14. a b «Justiça concede liminar e manda YouTube reativar canais do Terça Livre - 12/02/2021 - UOL Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  15. a b c 'Luiz Calcagno' (5 de novembro de 2019), CPMI das Fake News ouve o criador do blog Terça Livre, Allan dos Santos, Correio Braziliense, Wikidata Q105184954 
  16. Constança Rezende, Constança Rezende - Governo anunciou em 47 sites de notícias falsas em 38 dias, diz CPMI, Universo Online, Wikidata Q104243381 
  17. Como se relacionam e quem atacam no Twitter os investigados no inquérito das 'fake news' | Aos Fatos, 18 de junho de 2020, Wikidata Q105184745, consultado em 31 de janeiro de 2021 
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  20. «Pressionados por redes sociais, bolsonaristas levam desinformação ao Telegram e quintuplicam audiência no app em um mês | Aos Fatos». aosfatos.org. Consultado em 3 de março de 2021 
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  35. Faustino, Marco (11 de novembro de 2020). «Agência "Aos Fatos" não recebe recursos da Open Society Foundation». E-farsas - Desvendando fake news desde 2002!. Consultado em 29 de março de 2021 
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  40. «Site bolsonarista distorce 'entrevista' de repórter do Estadão e promove desinformação». Estadão Verifica. Estado de S.Paulo. 19 de março de 2019. Consultado em 11 de abril de 2021 
  41. «[Agência Lupa] #Verificamos: É falso que repórter do Estadão tenha dito que pretende 'arruinar Flávio Bolsonaro e o governo'». Agência Lupa. 10 de março de 2019. Consultado em 11 de abril de 2021 
  42. «Site usa post falso para atacar repórter citada por Bolsonaro». O Globo. 11 de março de 2019. Consultado em 11 de abril de 2021 
  43. a b c d Campos Melo, Patrícia. «YouTube ficará infestado de violações se não for possível punir quem burla diretrizes, diz advogado». www.folhape.com.br. Consultado em 8 de abril de 2021 
  44. «Nota Pública – OJB manifesta-se contra censura ao Terça-Livre – Ordem dos Jornalistas do Brasil». Consultado em 8 de março de 2021 
  45. «Juiz nega recurso do YouTube contra Terça Livre e aumenta multa diária». Época. 20 de fevereiro de 2021. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 

Ligações externas