Terapia comportamental

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O termo terapia comportamental designa uma série de abordagens psicoterapêuticas que se baseiam no conhecimento teórico do behaviorismo. De acordo com a abrangência com que é usado, o termo pode, assim, designar:[1]

a) a terapia comportamental "clássica" tal como formulada pelos seus primeiros representantes nos anos 50, baseada principalmente nos conceitos de condicionamento clássico e operante;

b) a terapia cognitivo-comportamental, também chamada de segunda geração da terapia comportamental, que se baseia tanto na terapia comportamental clássica como na terapia cognitiva e

c) certas correntes cognitivo-comportamentais mais recentes - ditas analítico-comportamentais - que se distanciam do cognitivismo e realçam a importância dos conceitos do behaviorismo mesmo nos processos cognitivos. Essas escolas recentes são muitas vezes chamadas de terceira geração da terapia comportamental.[2]

Introdução histórica[editar | editar código-fonte]

Certos aspectos fundamentais da terapia comportamental já existiam em diversas correntes filosóficas, sobretudo no estoicismo.[3]

O termo foi provavelmente utilizado pela primeira vez em 1953 em um projeto de pesquisa de B. F. Skinner.[4] Seu primeiro uso em uma publicação científica se deu em 1954 em um artigo de Arnold A. Lazarus no Jornal Médico Sul-Africano (South African Medical Journal).[1] Entre outros pioneiros podem-se citar Joseph Wolpe e Hans Eysenck.[5]

De maneira geral considera-se que a terapia comportamental teve sua origem em três grupos de pesquisa distintos: na África do Sul (Wolpe e Lazarus), nos Estados Unidos (Skinner) e no Reino Unido (Rachman e Eysenk). Cada um desses grupos tinha uma abordagem própria na compreensão dos problemas de comportamento. Eysenk, por exemplo, considerava os transtornos de comportamento como resultado da interação entre características da personalidade, do meio-ambiente e do comportamento em si.[6] Já o grupo de Skinner nos Estados Unidos deram maior ênfase aos processos ligados ao condicionamento operante.[1]

Na segunda metade do século XX, enquanto muitos terapêutas permaneciam fiéis ao paradigma do condicionamento operante, outros buscaram acoplar a terapia comportamental à terapia cognitiva de Aaron Beck e Albert Ellis, dando início à terapia cognitivo-comportamental. Enquanto em determinadas situações o uso da abordagem cognitiva consolida o efeito terapêutico da abordagem comportamental (ex. a evidência empírica sugere que o uso de intervenções cognitivas melhora o resultado no tratamento de fobia social[7] ), em outras situações tais iontervenções não parecem auxiliar o tratamento. Com base nessa observação desenvolveram-se novas abordagens com uma renovada ênfase nos princípios do condicionamento operante, unindo-os, no entanto, com a análise comportamental, método que permite uma melhor compreensão do comportamento em seu contexto. Tais abordagens, conhecidas com o nome genérico de terapias da terceira geração, parecem ser, em determinados casos, mais efetivas do que a terapia cognitiva.[8] No entanto, por serem excessivamente recentes, tais abordagens necessitam ainda de uma maior evidência empírica.[9]

Abordagens da terceira geração da terapia comportamental[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Margraf, Jürgen (2009). Hintergründe und Entwicklung. In: Jürgen Margraf & Silvia Schneider Lehrbuch der Verhaltenstherapie. Band 1. Berlin: Springer.
  2. Kohlenberg, R. J.; M. Y. Bolling, J. W. Kanter, C. R. Parker. (2002). "Clinical behavior analysis: Where it went wrong, how it was made good again, and why its future is so bright" (PDF). The Behavior Analyst Today 3: 248–253. ISSN 15394352.
  3. Robertson, D. The Philosophy of Cognitive-Behavioural Therapy: Stoicism as Rational and Cognitive Psychotherapy. London: Karnac, 2010. ISBN 978-1855757561
  4. Lindsley, O., Skinner, B.F., Solomon, H.C.. (1953). "Studies in behavior therapy (Status Report I)". Walthama, MA.: Metropolitan State Hospital.
  5. Clark, David M.; Christopher G. Fairburn. Science and Practice of Cognitive Behaviour Therapy. [S.l.]: Oxford University Press, 1997. ISBN 0192627260
  6. Yates,, A.J.(1970). Behavior Therapy. New York Wiley
  7. Clark, David M. (2006-06). "Cognitive therapy versus exposure and applied relaxation in social phobia: A randomized controlled trial". Journal of Consulting and Clinical Psychology 74 (3): 568–578. DOI:10.1037/0022-006X.74.3.568. PMID 16822113.
  8. Block, J.A. & Wulfert, E. (2000) Acceptance or Change: Treating Socially Anxious College Students with ACT or CBGT. The Behavior Analyst Today, 1(2), 3-10. BAO
  9. Öst, L. G. (2008). "Efficacy of the third wave of behavioral therapies: a systematic review and meta-analysis". Behaviour research and therapy 46 (3): 296–321