Terceira República Francesa

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République Française
República Francesa
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg
1870 – 1940 Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg
 
Flag of Free France (1940-1944).svg
 
Flag of the German Reich (1935–1945).svg
Flag Brasão
Bandeira Selo oficial
Lema nacional
Liberté, égalité, fraternité
Hino nacional
"La Marseillaise"


Localização de França
França em 1939. Verde escuro o território oficial da república, verde claro os protetorados.
França
França em 1939. Azul escuro o território oficial da república, azul claro as colônias, mandatos e protetorados
Continente Europa, África, América do Sul, Ásia
Capital Paris
Língua oficial Francês
Religião Catolicismo (até 1905)
Estado Laico (1905–1940)
Governo República parlamentarista
Presidente
 • 1871–1873 Adolphe Thiers (primeiro)
 • 1932–1940 Albert Lebrun (último)
Presidente do Conselho de Ministros
 • 1871–1873 Jules Dufaure (primeiro)
 • 1940 Philippe Pétain (último)
Legislatura Parlamento
 - Câmara alta Senado
 - Câmara baixa Câmara dos Deputados
História
 • 1 de setembro de 1870 Batalha de Sedan
 • 4 de setembro de 1870 Proclamação
 • 1894–1906 Caso Dreyfus
 • 1914–1918 Primeira Guerra Mundial
 • 10 de maio de 1940 Invasão alemã
 • 22 de junho de 1940 Armistício de Compiègne
 • 10 de julho de 1940 Estabelecimento da França de Vichy
População
 • 1914 est. 41 630 000 
 • 1938 est. 41 560 000 
Moeda Franco

A Terceira República Francesa (em francês: La Troisième République) foi o regime republicano que vigorou na França entre 1870 e 1940, tendo sido o primeiro regime durável a se estabelecer no país desde 1789. De fato, a partir da Revolução Francesa e ao longo de aproximadamente 80 anos, os franceses seriam submetidos a sete regimes diferentes: três monarquias constitucionais (sob as constituições de 1791, de 1814, e de 1830), duas repúblicas efêmeras (a primeira, entre 1792 e 1804, e a segunda, de 1848 a 1852) e dois impérios (o primeiro, de 1804 a 1814, e o segundo, de 1852 a 1870).[1]

História[editar | editar código-fonte]

Os dias iniciais da Terceira República foram dominados pelo tumulto político causado pela Guerra Franco-Prussiana de 1870–71, onde o país se viu ainda mergulhado nos combates mesmo após a deposição do imperador Napoleão III em 1870. Os Prussianos se saíram vitoriosos e exigiram reparações financeiras e anexaram os territórios franceses da Alsácia e Lorena. Essas perdas resultaram num caos social-político e no estabelecimento da Comuna de Paris. Cogitou-se inicialmente restabelecer a monarquia, mas disputas a respeito do sistema monárquico e de quem seria o trono, acabaram por tornar esta ideia inviável. Assim, uma nova república (a terceira), foi proclamada, inicialmente com intenção provisória mas logo em seguida estabelecida como o governo oficial do país.[2]

Foi então redigida a Constituição Francesa de 1875 que definiu os parâmetros da Terceira República. Ela foi firmada com um legislativo autônomo, dividido em uma Câmara dos Deputados (a Chambre des députés) e um Senado (Sénat), e o presidente (Président de la république) que servia como chefe do Executivo. Os primeiros dois presidentes, Adolphe Thiers e Patrice de Mac-Mahon, tiveram de focar suas administrações em preservar a república e debater outras questões políticas, como uma eventual restauração da monarquia, ideia esta descartada de vez quando o governo alcançou a estabilidade política e conquistou apoio popular.[2]

No âmbito interno, um dos principais pontos da nova República foi a questão da separação Igreja-Estado, reduzindo a influência da Igreja Católica na vida política. A estabilidade interna levou a um novo período de desenvolvimento econômico e certa prosperidade, não só na área financeira mas também cultural e social (a Belle Époque).[3] Apesar do avanço em políticas progressistas, os conservadores dominaram a vida política durante o começo do século XX, até os socialistas recuperaram o poder nas eleições do período entre-guerras. Os principais partidos eram os Républicains modérés (Republicanos Moderados, de centro), o Alliance démocratique (Aliança Republica Democrática, de centro-direita) e os Radical-socialiste (Radicais-socialistas, de esquerda).[4][5]

Os primeiros líderes deram pouca atenção para política externa, preferindo focar em assuntos internos, mesmo após a derrota perante a Prússia na guerra de 1870. Porém, com a unificação da Alemanha e ascensão desta como uma potência militar e econômica na Europa, fez com que os presidentes e primeiros-ministros franceses começassem a dar mais atenção para assuntos continentais e globais. As décadas de 1880-90, foram dominadas pela Partilha de África, mas eventualmente a Terceira República viu uma expansão do Império Colonial Francês, com o estabelecimento de suas possessões na Indochina Francesa, em Madagáscar e na Polinésia, além de, em maior escala, na África Ocidental.[6]

Eventualmente, a ascensão do poderio alemão no continente europeu fez com que os franceses começassem uma aproximação com sua velha rival, a Inglaterra. Em abril de 1904, representantes da Terceira República e do governo britânico assinaram uma série de acordos político-militares, firmando uma nova aliança (a Entente Cordiale). Assim, em 1914, ingleses e franceses combateram juntos nas diversas frentes de batalha da Primeira Guerra Mundial contra o Império Alemão. Quatro anos mais tarde, os alemães aceitariam a derrota e assinaram o Tratado de Versalhes, concedendo territórios a França (como a devolução da Alsácia e Lorena) e se comprometendo a pagar reparações. A vitória veio com um custo alto, com mais de um milhão de soldados franceses morrendo em combate e outros quatro milhões sendo feridos, além de um deterioramento da situação econômica (com a dívida pública triplicando e a inflação crescendo a níveis exorbitantes).[7] Na mesa de negociações, enquanto o Reino Unido, os Estados Unidos e a maioria dos Aliados queriam "preservar a paz" no pós-guerra, a França exigia vingança contra a Alemanha, colocando-os sob enorme pressão econômica, o que levaria a irritação da população alemã e os faria se voltar para grupos nacionalistas de extrema-direita, como os nazistas.[8][9]

O período entre guerras viu uma polarização política entre a Aliança Republica Democrática e os socialistas. Embora a economia francesa tenha sofrida com a Primeira Grande Guerra e posteriormente com a Crise de 1929, o país já havia se recuperado em meados da década de 1930, puxado pela indústria pesada e manufatura. A Terceira República, em 1938, apoiou a política de apaziguamento do governo britânico para aplacar as ambições da Alemanha Nazista, liderada por Adolf Hitler, mas o conflito não foi evitado e em setembro de 1939, a França declarou guerra contra a Alemanha. Em maio de 1940, os alemães invadiram a França pelo leste e em junho, a Wehrmacht (as forças armadas nazistas) marchou em Paris. Os franceses simplesmente não conseguiram deter a guerra relâmpago alemã e então solicitaram um cessar-fogo. Em 22 de junho de 1940, dez meses após a Segunda Grande Guerra ter começado, o governo francês assinou um armistício com os alemães. Isso marcou o fim da Terceira República. A Alemanha então ocupou militarmente o norte do território francês, enquanto o sul permaneceu sob controle de uma administração fantoche (chamada de França de Vichy, ou L'État français), sob a chefia do ex-marechal Philippe Pétain (herói da guerra anterior). Vários líderes políticos e militares franceses repudiaram o governo imposto pelos alemães e proclamaram a França Livre (La France libre), um governo paralelo no exílio, sob a liderança de Charles de Gaulle. A Alemanha só deixou o território francês no final de 1944 e um novo governo provisório foi firmado, até que em 1946 foi proclamada a Quarta República Francesa.[9]

O estadista Adolphe Thiers (que serviu como segundo presidente da França) afirmou que o republicanismo, na década de 1870, era a "forma de governo que menos dividia o país"; contudo, a política durante a Terceira República era altamente polarizada. A esquerda, cada vez mais radicalizada, afirmava ser a herdeira da Revolução Francesa. A direita, afirmando ser defensora da classe camponesa, flertava com o autoritarismo, e defendia os interessas da Igreja Católica e do Exército.[10] Apesar das diferenças ideológicas e da divisão do eleitorado (e até tentativas de golpe de estado), a Terceira República permaneceu e sobreviveu por setenta anos, fazendo da Troisième République o governo francês que mais tempo perdurou desde a queda do Antigo Regime monárquico (o Ancien Régime) em 1789.[11][12]

Referências

  1. «Third Republic - French history». Britannica.com. Consultado em 27 de julho de 2018. 
  2. a b Hanson, Stephen E (2010). «The Founding of the French Third Republic». Comparative Political Studies. 43 (8–9): 1023–1058. doi:10.1177/0010414010370435 
  3. La Belle Époque. New York: The Metropolitan Museum of Art. 1982. ISBN 0870993291 
  4. Hayward, J. E. S. (1961). «The Official Philosophy of the French Third Republic: Leon Bourgeois and Solidarism». International Review of Social History. 6 (1): 19–48. doi:10.1017/S0020859000001759 
  5. Stone, Judith F. (1988). «The Radicals and the Interventionist State: Attitudes, Ambiguities and Transformations, 1880–1910». French History. 2 (2): 173–186. doi:10.1093/fh/2.2.173 
  6. Daughton, J. P. (2006). An Empire Divided: Religion, Republicanism, and the Making of French Colonialism, 1880–1914. New York: Oxford University Press. ISBN 0-19-537401-0.
  7. Doughty, Robert A. Pyrrhic Victory: French Strategy and Operations in the Great War (2008)
  8. Larkin, Maurice (1988). France since the Popular Front: Government and People, 1936–1986. New York: Oxford University Press. ISBN 0-19-873034-9.
  9. a b Beaupré, Nicolas. Les Grandes Guerres 1914–1945 (Paris: Éditions Belin, 2012) 1152 pp. ISBN 978-2-7011-3387-4
  10. Passmore, Kevin (1993). «The French Third Republic: Stalemate Society or Cradle of Fascism?». French History. 7 (4): 417–449. doi:10.1093/fh/7.4.417 
  11. Larkin, Maurice (2002). Religion, Politics and Preferment in France since 1890: La Belle Epoque and its Legacy. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 3. ISBN 0-521-52270-6 
  12. Bernard, Philippe e Henri Dubief. The Decline of the Third Republic, 1914–1938 ("The Cambridge History of Modern France") (1988)


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