Terceiro Período Intermediário

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Antigo Egito
Faraós e dinastias
Período pre-dinástico
Período protodinástico
Época Tinita: I - II
Império Antigo: III IV V VI
1º Período Intermediário:

VII VIII IX X XI

Império Médio: XI XII
2º Período Intermediário:

XIII XIV XV XVI XVII

Império Novo: XVIII XIX XX
3º Período Intermediário:

XXI XXII XXIII XXIV XXV

Época Baixa: XXVI XXVII
XXVIII XXIX XXX XXXI
Período Greco-romano:
Dinastia macedónica
Dinastia ptolomaica
Período Romano

O Terceiro Período Intermediário é um período da história do Antigo Egipto que se estende entre aproximadamente 1070 a.C. e 664 a.C., compreendendo a XXI, XXII, XXIII, XXIV e XXV dinastias. Durante este período assistiu-se à fragmentação do poder político, com a emergência de vários centros de poder, controlados em alguns casos por povos de origem estrangeira (Líbios e Núbios). Apesar das vicissitudes políticas, o Terceiro Período Intermediário foi em termos gerais caracterizado por um clima de paz.

XXI dinastia[editar | editar código-fonte]

Máscara funerária de Psusennes I

Os últimos soberanos da XX dinastia, no Império Novo, tiveram um poder fraco. Quando Ramsés XI (último rei da XX dinastia) faleceu Smendes, vizir do Baixo Egipto, tomou o título de rei, fundando a XXI dinastia. Esta dinastia governará o norte do Egipto e terá como capital a cidade de Tânis, no nordeste do Delta.

No Alto Egipto, ainda durante o reinado de Ramsés XI, o sumo sacerdote de Amon, Herihor, declara-se faraó, como revelam inscrições mandadas gravar no templo de Khonsu em Karnak. Os sumos sacerdotes de Amon em Tebas mantiveram relações cordiais com os soberanos da XXI dinastia no Delta, mas na prática governaram sul do Egipto de maneira independente. Entre as duas "casas reais" existiram relações familiares, tendo princesas tanitas casado com vários sumo sacerdotes tebanos. Pinedjem I, sumo de sacerdote de Amon, foi provavelmente o pai do faraó tanita Psusennes I, sucessor de Smendes. Do rei de Psusennes e de Amenemope pouco se sabe, a não ser que nos seus reinados verificou-se uma usurpação e reutilização de estatuária e de outros materiais do passado.

Durante a XXI dinastia os sumo sacerdotes dedicaram-se a resgatar e a dar uma nova sepultura a múmias de faraós do Império Novo, cujos túmulos tinham sido violados e pilhados. Numa tentativa de garantir a eternidade destes soberanos, as múmias foram escondidas em lugares como num penhasco perto de Deir el-Bahari ou no túmulo do faraó Amenófis II no Vale dos Reis. Estas múmias foram preservadas nestes locais até a finais do século XIX.

XXII, XIII e XIV dinastias[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Psusennés II , último rei da XXI dinastia que faleceu sem herdeiros, Chechonk I, um comandante militar de origem líbia, assume o poder, tornando-se o fundador da XXII dinastia. Chechonk era natural de Bubástis, razão pela qual esta dinastia é por vezes denominada de "bubastida". Os membros são descendentes dos Líbios que tinham penetrado no Egipto durante os reinados de Merneptá e Ramsés III e que já tinham adoptado a cultura egípcia.

Numa tentativa de ultrapassar a divisão do Egipto, a XXII dinastia procurou realizar alianças com os sumo sacerdotes de Tebas, recorrendo para tal aos casamentos: Osorkon, filho de Chechonk, casou com a filha de Psusennes II, tendo o filho de ambos se tornado sumo sacerdote.

A XXII acabará assistir à divisão do território por vários principes locais, que formam a XXIII e XIV dinastias.

O último rei da XXII dinastia, Osorkon IV, enfrentou a invasão dos Núbios do rei Kachta vindos do sul. A Núbia, outrora dominada pelo Egipto, tornara-se independente, adoptando muitos elementos da cultura egípcia.

XXV dinastia[editar | editar código-fonte]

Taharka realiza oferendas ao deus Hemen

Em Sais, no Delta ocidental, desenvolveu-se a XXV dinastia, cujo rei Tefnacte tenta alargar a sua influência ao sul. Contudo, Tefnacte foi derrotado pelo rei núbio Pié, filho de Kachta, que submeteu o norte ao seu domínio por volta de 730 a.C..

Após a campanha militar Pié regressou à Núbia, tendo Tefnacte conseguido retomar o poder no norte. O rei saita Bocchoris, acabaria por ser derrotada por Chabaka, sucessor de Pié.

Chabaka foi sucedido pelo seu sobrinho Chabataka, que foi por sua vez sucedido por Taharka. No plano internacional assistia-se à ascensão da Assíria como potência no Médio Oriente, alargando a sua influência à região da Síria Palestina. Taharka procurou ajudar os reis da região da Palestina contra a Assíria, razão que levaria esta a atacar o Egipto em 671 a.C; o ataque do rei assírio Assaradão teve como resultado a destruição de Mênfis e obrigou Taharka a fugir para o sul, tendo regressado a Mênfis dois anos depois. Assurbanípal, filho de Assaradão, invadiu de novo o Egipto e expulsou Taharka para Tebas.

O sucessor de Taharka, Tanutamon, derrotou uma coligação de príncipes do Delta aliada à Assíria, mas Assurbanípal voltou a atacar o Egipto, tendo Tanutamon fugido para Napata. Os Núbios não voltariam mais ao Egipto. O seu reino continuou a existir na Núbia, tendo possivelmente como fronteira a norte a terceira catarata do Nilo. Os Núbios transferiram a sua capital para Meroé, tendo se desenvolvido uma civilização que decalcou elementos da cultura egípcia (como a sepultura dos reis em pirâmides ou o uso de hieroglifos) e que persistiu até 350 d.C.

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