Terminal Intermunicipal Jabaquara

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Terminal Intermunicipal
Jabaquara
Uso atual Terminal rodoviário Terminal de ônibus rodoviário
Estação de Metrô Estação de metrô
Administração Socicam
Linhas Rodovia dos Imigrantes
Rodovia Anchieta
Rodovia Padre Manuel da Nóbrega
demais localidades, atendidas pelos Terminais Palmeiras-Barra Funda e Tietê.
Serviços Terminal rodoviário Táxi
Informações históricas
Inauguração 2 de maio de 1977 (41 anos)
Localização
Coordenadas Gnome-globe.png Jabaquara
Endereço Rua dos Jequitibás, s/n, Jabaquara
Município Bandeira da cidade de São Paulo.svg São Paulo
País  Brasil

O Terminal Intermunicipal Jabaquara, ou simplesmente Terminal Jabaquara, é um dos três terminais rodoviários intermunicipais de São Paulo, sendo dedicado a linhas rodoviárias com destino à Baixada Santista e ao Litoral Sul do estado. Localizado no distrito paulistano do Jabaquara, o terminal possui também uma estação de metrô (Estação Jabaquara), a primeira ao sul na Linha 1-Azul.

História[editar | editar código-fonte]

Embora já fosse previsto havia alguns anos (em janeiro de 1976 divulgou-se que o terminal seria instalado já no mês seguinte[1]), o Terminal Intermunicipal do Jabaquara foi criado por meio de decreto assinado pelo prefeito Olavo Setúbal em 21 de janeiro de 1977.[2] O decreto estipulava que todas as linhas que demandassem utilização das rodovias Anchieta e Imigrantes teriam seus pontos de embarque e desembarque transferidos para o novo terminal.[2] As empresas que não aceitassem a mudança poderiam ter seus ônibus impedidos de entrar no município e, caso o fizessem, eles poderiam ser apreendidos.[2] A administração do terminal ficaria a cargo da Companhia do Metropolitano.[2] O investimento na construção foi de 44 milhões de cruzeiros, além de oito milhões de cruzeiros em obras de readequação viária na região.[2] A intenção da Prefeitura era criar terminais descentralizados e integrados ao Metrô, para poder desativar o Terminal Rodoviário da Luz, no centro.[2] Donos de empresas calculavam que a mudança poderia reduzir em até uma hora o tempo de percurso em cada um dos sentidos.[1]

A inauguração do terminal ocorreu em 2 de maio de 1977, passando a abrigar as linhas com destino à Baixada Santista e ao Litoral Sul, que antes partiam do Terminal Rodoviário da Luz e do Terminal do Glicério. A mudança foi encarada com protestos por moradores da Baixada Santista.[3] "É uma coisa sem lógica essa mudança radical para o Jabaquara", protestou um vereador de Santos em 24 de maio. "Esse tipo de medida tende a ser aplicado somente aos ônibus de Santos, já que vários outros chegam de diversas capitais, como do Rio e Curitiba, além de cidades do interior de São Paulo. Agora o santista que viaja tem de gastar muito mais para poder locomover-se de uma rodoviária a outra, distante vários quilômetros e sem linhas de ônibus à disposição."[3] Pesquisa encomendada pela Prefeitura de Santos mostrava 92% eram contra a mudança.[4] Em São Paulo, as queixas eram quanto à distância do novo terminal, que obrigava os passageiros a fazer grandes deslocamentos, já que àquela época a única linha do Metrô era a Linha 1-Azul, que ia até Santana.[5]

A Viação Santa Rosa, que havia vinte anos tinha uma linha rumo a Santos e São Vicente saindo do bairro da Penha, na zona leste da capital, passando por cidades do ABC, optou por não se mudar para o novo terminal.[5] A empresa tinha como público pessoas que moravam na Baixada Santista e trabalhavam na zona leste de São Paulo e preferiu passar a fazer a ligação apenas entre a Baixada e as cidades de ABC.[5] "Não interessa ao passageiro sair do Jabaquara, passar pelo ABC e ir até a Baixada, gastando o dobro do horário que levaria se fosse direto", explicou um diretor da empresa.[5] Já a Expresso Luxo, que trabalhava com carros de passeio, manifestava desde mais de um ano antes a preocupação com a mudança. "Meu mercado é constituído pela classe média-alta", explicou o presidente da empresa em janeiro de 1976. "Deputados, senadores, desembargadores, juízes, delegados, advogados, engenheiros. É óbvio que essas pessoas não vão até o Jabaquara tomar um expressinho. Uma coisa que eu não compreendo é que tipo de concorrência eu faço aos ônibus, se a passagem deles custa dez cruzeiros e a minha, trinta cruzeiros. Se essa medida for definitiva, minha empresa vai acabar."[6] Os veículos da Expresso Luxo não saíam de nenhum dos terminais rodoviários, mas da Avenida Ipiranga.[6]

Outra empresa, a Rápido Zefir, impetrou mandado de segurança para seguir operando na Luz e no Glicério.[7] "Não se trata de um deslocamento puro e simples no espaço, de sorte que possa a impetrante, no exíguo prazo de cinco dias, cumprir exigências que demandaria, para cumpri-las, não menos de um ano", argumentava a empresa no mandado, citando ainda que havia investido na compra de um imóvel próprio para sede nas imediações do terminal da Júlio Prestes.[7] As empresas concorrentes protestaram. "Enquanto os ônibus da Rápido Zefir partiam para Santos e São Vicente e voltavam à capital, lotados, as minhas 170 unidades faziam o percurso, nos dois, sentidos, praticamente vazias", lamentou o superintendente da Ultra, que teve ônibus apreendidos na Luz e no Glicério por estar operando ali sem ordem judicial. "Em Santos, a Zefir tem divulgado ser ela a única empresa que traz o passageiro até o centro da cidade, evitando baldeações. Assim que os usuários tomaram conhecimento dessa informação, logicamente passaram a preteria a Ultra, cujo itinerário é igual ao da Zefir."[7] O mandado da Zefir levou alguns meses para ser cassado.

Desde então, por sua fácil acessibilidade por todas as regiões da cidade (através do metrô) e por estar situado na região sul (mais próximo, assim, da costa), o terminal mantém a tradição de realizar apenas viagens curtas para o litoral sul paulista. A viagem mais longa atualmente é a com destino a Peruíbe, em um trajeto de 147,5 quilômetros. O terminal não atende a nenhum outro estado, assim como não faz viagens ao interior paulista. Ocupando 13,6 mil metros quadrados (12,1 mil metros quadrados de área construída), o terminal é utilizado por cinco empresas que realizam viagens com destino a Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Bertioga, Vicente de Carvalho, Cubatão, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. As viagens são distribuídas por dezenove plataformas de embarque e cinco de desembarque, utilizadas pelas empresas Breda, Cometa, Expresso Luxo, Rápido Brasil e Ultra.

Dados[editar | editar código-fonte]

  • 19 bilheterias
  • 10 linhas de ônibus
  • 10 relógios
  • 34 telefones públicos
  • 44 bancos de espera
  • 50 táxis
  • 8 lojas
  • 1 praça de alimentação
  • 1 elevador
  • 4 escadas rolantes
  • 1 500 lâmpadas
  • 10 tipos diferentes de árvores
  • 2 470 m² de jardins
  • 13 600 m² de área total
  • 12 100 m² de área construída

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «O Terminal do Jabaquara em Discussão (sic)». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 099). 20 páginas 4 de janeiro de 1976 
  2. a b c d e f «Uma estação rodoviária na Zona Sul». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 460). 8 páginas 22 de janeiro de 1977 
  3. a b «Abaixo-assinado em Santos para volta à Rodoviária». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 583). 13 páginas 24 de maio de 1977 
  4. «Setúbal diz não: ônibus mudam». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 527). 14 páginas 30 de março de 1977 
  5. a b c d «Empresa não aceita o novo terminal e tem prejuízos». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 567). 21 páginas 8 de maio de 1977 
  6. a b «Expresso Luxo avisa: irá à falência». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 099). 20 páginas 4 de janeiro de 1976 
  7. a b c «Empresas consideram-se prejudicadas». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo (17 562). 16 páginas 3 de maio de 1977 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]