Terminal Parque Dom Pedro II
| Interior do terminal, entre as plataformas 2 e 3. | |
| Uso atual | Terminal de ônibus urbano |
| Proprietário | SPTrans |
| Administração | CS Mobileste (desde 2025)[1] |
| Linhas | 65 (sendo 6 de passagem)[nota 1] |
| Plataformas | 7 |
| Área | 23.805 m²[2] |
| Movimento | 78 mil/dia[3] |
| Serviços | |
| Conexões | Expresso Tiradentes |
| Informações históricas | |
| Inauguração | 4 de novembro de 1996 (29 anos)[nota 2] |
| Projeto arquitetônico | Paulo Mendes da Rocha[2] |
| Localização | |
| Endereço | Avenida do Exterior, s/nº - Sé |
| Município | São Paulo |
| País | Brasil |
O Terminal Parque Dom Pedro II é uma estação de ônibus urbano localizada no centro de São Paulo, no Parque Dom Pedro II, distrito da Sé. É atualmente administrado pela CS Mobileste, sob supervisão da SPTrans.[1]
Embora o espaço já fosse utilizado desde o final da década de 1960 como ponto inicial e final de diversas linhas urbanas da cidade, o terminal só foi oficialmente inaugurado no final de 1996, quando o local recebeu instalações mais apropriadas para atender os passageiros e os ônibus.
É um dos terminais mais importantes e movimentados de São Paulo, com uma demanda de aproximadamente 78 mil passageiros por dia. É também a estação da SPTrans que concentra o maior número de linhas, abrigando mais de 80 linhas diurnas e noturnas. Além disso, é o terminal que atende ao maior número de regiões da cidade, deixando de atender apenas a Área 1 - Noroeste. Suas instalações são integradas ao Expresso Tiradentes, com conexão feita por meio de uma passarela que leva ao Terminal Mercado.[5]
História
[editar | editar código]Até a década de 1960, São Paulo não possuía "terminais" de ônibus urbanos. As linhas de ônibus tinham como ponto final largos e praças da região central como a da Sé, Clóvis, Patriarca, João Mendes, República, entre outras. A ausência de infraestrutura adequada para embarque, desembarque e manobras dos veículos contribuía para o agravamento dos congestionamentos no centro da cidade.
Com o início da construção da primeira linha do Metrô de São Paulo, muitos itinerários que atendiam o centro precisaram ser modificados. Diversas linhas que partiam da Praça da Sé foram removidas do local para viabilizar as obras da estação homônima. O plano de reorganização do sistema viário contou com a polêmica colaboração do coronel Américo Fontenelle, que determinou a construção de um pátio para ônibus ao longo do Parque Dom Pedro II.[6] Nesse espaço, aberto em março de 1967, foram instalados abrigos com pequenas "plataformas" para os coletivos.[7][8] As novas estruturas faziam parte da chamada "Operação Bandeirantes", um programa estadual de investimentos no trânsito da capital, lançado durante a gestão do governador Abreu Sodré.[4]
Esses abrigos do Parque Dom Pedro II continuaram funcionando mesmo após o fim da Operação Bandeirantes, que teve curta duração (de fevereiro a abril de 1967), devido ao seu fracasso. Nesse período, o local também passou a receber linhas que operavam na Praça Clóvis — igualmente afetadas pelas obras do metrô — além de linhas oriundas do Grande ABC (anos mais tarde transferidas para o atual Terminal Sacomã).[9] Com o aumento da demanda, o espaço passou por pequenas reformas ao longo dos anos para se adequar minimamente às necessidades dos ônibus e dos passageiros.
Em 1995, com a extinção da CMTC e a criação da SPTrans, o sistema municipal de transporte coletivo sobre pneus passou por uma ampla reformulação, que incluiu a construção de novos terminais. No ano seguinte, o antigo espaço do Parque Dom Pedro foi reformado e passou a contar com infraestrutura mais adequada, incluindo bilheteria, sanitários e cobertura.[10] Assim, o novo Terminal Parque Dom Pedro II foi oficialmente inaugurado em 4 de novembro de 1996 no lugar do pátio antigo, durante a gestão do então prefeito Paulo Maluf.[11]
Em 2025, a administração do terminal foi transferida à iniciativa privada, por meio do consórcio CS Mobileste. A nova gestora será responsável pela manutenção do equipamento, promovendo melhorias nos serviços de acessibilidade, limpeza, entre outros. O contrato de concessão tem validade de 30 anos e está avaliado em R$ 3 bilhões.[1] Apesar de sua relevância no sistema de transporte da cidade, o Terminal Parque Dom Pedro II é um dos que mais recebem reclamações por parte dos usuários. As principais queixas envolvem a falta de limpeza — especialmente nos sanitários — e a presença excessiva de ambulantes em suas dependências. Antes da concessão, chegou-se a cogitar a demolição do terminal como parte de um projeto de revitalização do centro da capital.[12]
Terminal Mercado
[editar | editar código]| Ônibus se preparando para sair do Terminal Mercado em direção ao Terminal Sacomã. | |
| Uso atual | Estação de BRT |
| Proprietário | SPTrans |
| Administração | CS Mobileste (desde 2025)[1] |
| Linhas | 5 |
| Plataformas | 4 |
| Área | ~ 9.800 m²[carece de fontes] |
| Serviços | |
| Conexões | |
| Informações históricas | |
| Inauguração | 8 de março de 2007 (18 anos) |
| Projeto arquitetônico | Ruy Ohtake[13] |
| Localização | |
| Endereço | Avenida do Estado, 3350 - Sé |
| Município | São Paulo |
| País | Brasil |
O Terminal Mercado é um equipamento de transporte coletivo vizinho ao Terminal Parque Dom Pedro II, operando como uma estação de BRT e servindo como ponto inicial do Expresso Tiradentes. Foi inaugurado em 8 de março de 2007, durante a gestão do prefeito Gilberto Kassab, inicialmente oferecendo viagens apenas até o Terminal Sacomã. A extensão do ramal até o Terminal Vila Prudente foi inaugurada somente dois anos depois.
Interligado ao Terminal Parque Dom Pedro II por meio de uma passarela, o Terminal Mercado é composto por um edifício com mezanino, que abriga catracas de acesso, elevadores e escadas rolantes que levam ao nível térreo, de onde partem os veículos. O equipamento também conta com um pequeno pátio para manobras dos veículos, que são compostos exclusivamente por ônibus articulados.
Das cinco linhas em operação, duas utilizam veículos sem cobrador e sem catracas — uma vez que os usuários pagam a passagem antes do embarque, ainda na estação —, pois operam exclusivamente no Expresso Tiradentes. As outras três linhas contam com cobrador e catracas, permitindo que os usuários embarquem pelas portas traseiras dos veículos durante todo o percurso no corredor do Expresso Tiradentes, com a porta dianteira sendo usada para embarque apenas após o veículo sair do corredor exclusivo.
Assim como o Parque Dom Pedro, o Terminal Mercado também foi concedido à iniciativa privada, sendo arrematado pela CS Mobileste, que também será responsável pela manutenção e operação de todas as estações do Expresso Tiradentes.[1]
Galeria
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Visão geral do complexo: os dois terminais interligados pela passarela amarela.
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O Terminal Parque Dom Pedro II em 2006.
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O Terminal Parque Dom Pedro II em 2008.
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O Terminal Mercado visto da passarela de acesso ao Terminal Parque Dom Pedro II.
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Vista da saída de ônibus do Terminal Parque Dom Pedro II a partir da Avenida do Exterior.
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Placa de inauguração original do Terminal Mercado localizada no mezanino da estação.
Notas e referências
Notas
- ↑ Número correspondente às linhas diurnas. Além destas, o terminal conta com 23 linhas que integram o sistema Noturno (Rede de Ônibus da Madrugada)
- ↑ O terminal foi oficialmente inaugurado nesta data embora a região do Parque Dom Pedro já contava com uma estrutura para abrigar pontos finais de linhas urbanas desde 1967.[4]
Referências
- ↑ a b c d e «Prefeitura de SP passa gestão de 12 terminais de ônibus à iniciativa privada; contrato é de R$ 3 bilhões». G1. 18 de setembro de 2025
- ↑ a b «terminal parque dom pedro II - MMBB». MMBB
- ↑ «Revitalização do Parque Dom Pedro II, incluindo terminal de ônibus, tem duas propostas selecionadas». Diário do Transporte. 27 de maio de 2025
- ↑ a b «Ônibus vão ao centro». Folha de S.Paulo, ano XLVI, edição 13780, página 1. 9 de março de 1967. Consultado em 14 de janeiro de 2018
- ↑ SOUZA, Ana Odilia de Paiva (2004). São Paulo interligado:o plano de transporte público urbano em implantação na gestão 2001-2004. [S.l.]: Prefeitura de São Paulo. 324 páginas
- ↑ Luis Molist Vilanova. «Coronel Fontenelle – o resgate de um gênio». Sinal de Trânsito. Consultado em 14 de janeiro de 2018
- ↑ «Plano para mudar o trânsito de SP mata do coração». F5. 24 de setembro de 2014
- ↑ «Francisco Américo Fontenelle, coronel reformado e ex-diretor de Trânsito». Estadão. 29 de junho de 2011
- ↑ «Fura-Fila emperra no 1º dia útil e revolta usuários». Agora São Paulo. 9 de março de 2007
- ↑ «Prefeitura anuncia terminal coberto - Parque D. Pedro será remodelado». Folha de São Paulo. 19 de janeiro de 1996
- ↑ «Cronograma das inaugurações». Folha de São Paulo. 11 de agosto de 1996
- ↑ «Terminais Parque Dom Pedro e Mercado serão demolidos». Via Trolebus. 28 de maio de 2025
- ↑ «Expresso Centro-Sacomã». Ruy Ohtake Projetistas e Consultores. Consultado em 18 de outubro de 2025

