Terra sem males

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Na mitologia guarani, a terra sem males (Yvy marã e'ỹ em guarani, Yby marã e'ym em tupi-antigo) faz referência ao mito de uma terra onde não haveria fome, guerras ou doenças.[1]

Busca da Terra sem Males[editar | editar código-fonte]

Em 1549, sofrendo com a colonização portuguesa, 12 000 a 14 000 índios partiram do litoral rumo aos Andes,[2] Apenas trezentos chegaram a Chachalpoyas, no Peru, onde foram capturados e presos.[3] Apesar de ter sido suposto que a busca a "terra sem males" tenha tido papel central nesses processos de resistência e migração,[4][3] trabalhos etno-históricos contestam a veracidade dessa teoria, pela ausência de dados empíricos que comprovem-a, sendo resultado de uma leitura redutiva das fontes documentais. Segundo o historiador Eduardo Neumann (2009):

"As migrações praticadas pelos guaranis estão ligadas ao sentido da terra, do território e do espaço social (...) Para os guaranis a terra não é uma divindade, mas está impregnada de toda experiência religiosa. A terra, por sua vez, é o suporte, um meio para eles efetivarem a sua economia de reciprocidade. É através da terra que eles procuram atingir toda sua plenitude. Assim, em determinadas ocasiões, devido à manifestações do líderes espirituais, por seu tom profético e a busca por novas terras, alguns etnógrafos sentiram-se autorizados a firmarem que todo o pensamento dos guaranis estava orientado em torno da terra sem mal".[5]

Ainda, o mito da Terra sem Mal ou o mito do messianismo tupi-guarani teria sido generalizado a todas populações tupi-guarani, quando de fato era exclusivo aos apapocuva e tembés, etnografados por Nimuendaju.[6]

O Guajupiá dos Tupinambás[editar | editar código-fonte]

Tupinambás acreditavam na existência de Guajupiá, um paraíso para os mortos, alcançado com auxílio de rituais fúnebres e mais facilmente por aqueles com mérito bélico.[7][8][9]

Referências

  1. Rocha, Joana D'arc Portella (31 de março de 2010). «TERRA SEM MAL: O MITO GUARANI NA DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS». Consultado em 31 de dezembro de 2020 
  2. Viana, Hélio (7 de setembro de 1953). «A primeira versão do "Tratado da Terra do Brasil" de Pero de Magalhães Gandavo». Revista de História (15). 89 páginas. ISSN 2316-9141. doi:10.11606/issn.2316-9141.v7i15p89-95. Consultado em 13 de setembro de 2020 
  3. a b Métraux, Alfred (1927). «Migrations historiques des Tupi-Guarani». Journal de la Société des Américanistes (1): 21–22. ISSN 0037-9174. doi:10.3406/jsa.1927.3618. Consultado em 13 de setembro de 2020 
  4. Clastres, Hélène VerfasserIn. Terra sem mal : o profetismo tupi-guarani. [S.l.: s.n.] OCLC 1021406309 
  5. NEUMANN, Eduardo (2009). Os Guaranis e a Razão Gráfica: Cultura escrita, memória e identidade indígena nas reduções - Século XVII & XVIII". In: KERN, Arno, SANTOS, M. Cristina dos, GOLIN, Tau (orgs.). "História - Rio Grande do Sul - Povos Indígenas". 5. Passo Fundo: Méritos editora. p. 232. ISBN 9788589769679. OCLC 86081140 
  6. de Castelnau-L'estoile, Charlotte (abril de 2006). «Cristina Pompa. Religião como tradução. Missionarios, Tupi e Tapuia no Brasil colonial. São Paulo, Edusc, 2003, 443 p.». Annales. Histoire, Sciences Sociales (2). ISSN 0395-2649. doi:10.1017/s0395264900001189. Consultado em 14 de setembro de 2020 
  7. Thevet, André. (1575). La cosmographie universelle d'André Thevet, cosmographe du roy : illustrée de diverses figures des chose plus remarquables veues par l'auteur, & incogneuës de noz anciens & modernes. [S.l.]: Chez Guillaume Chandiere. OCLC 243563097 
  8. Yves, d'Evreux. (1929). ... Viagem ao norte do Brasil, pelo padre Ivo d' Evreux. [S.l.]: Freitas Bastos & cia. OCLC 23224909 
  9. Fernandes, Florestan (1970). A função social da guerra na sociedade Tupinambá 2 ed. São Paulo: Pioneira/Editora da USP. p. 187 
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