Terrier brasileiro

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Terrier brasileiro
Outros nomes Fox paulistinha
País de origem  Brasil
Características
Classificação e padrões
Federação Cinológica Internacional
Grupo 3
Seção 1 - Terriers - de médio e grande porte
Estalão #341 - 29 de outubro de 2003

Terrier brasileiro[Nota], também conhecida como Fox paulistinha é uma raça canina oriunda do Brasil, do tipo terrier de porte médio para pequeno.[1] . De acordo com algumas teorias, estes caninos seriam descendentes dos jack russells, levados ao país sul-americano no século XIX, para viverem junto às famílias em fazendas; segundo outras, eles teriam como ancestrais os fox terriers, levados à nação brasileira pelos holandeses e pelos portugueses no início da colonização[2] ; segundo Marina Vicari, grande criadora da raça, ela é "apologista de que devemos isto [o desenvolvimento da raça] em especial à Família Junqueira, que também é conhecida como "formadora" do cavalo da raça Mangalarga Marchador. Fisicamente, é um canino que pode chegar a pesar um máximo de 10 kg e medir 40 cm na altura da cernelha.[3]

Aparência[editar | editar código-fonte]

Médio porte, esbelto, bem equilibrado com estrutura  firme mas não muito pesada, corpo de aparência quadrada com nítidas linhas curvas que o diferencia do retilíneo Fox Terrier de pelo liso. Seu focinho visto de cima forma um triângulo isósceles dos cantos externos dos olhos à ponta da trufa; forte e bem cinzelado abaixo dos olhos com declive na base do focinho, acentuando o stop.  Possui 42 dentes, regularmente implantados e bem desenvolvidos com mordedura em tesoura. As orelhas são inseridas lateralmente, na linha dos olhos, bem separadas uma da outra  deixando bom espaço para o crânio. De formato triangular com terminação em ponta;  portadas semirretas, com a ponta dobrada voltada para o canto externo do olho. As orelhas não são operadas. Possui pêlo curto, liso, fino sem ser macio, bem assentado à  pele, tipo pelo de rato. Não se pode ver a pele através do pelo. Mais fino na cabeça, orelhas, na parte inferior do  pescoço, nas partes internas e inferiores dos membros e face posterior das coxas. Geralmente com a do fundo predominantemente branca  com marcações pretas,  azuis ou  marrons; as seguintes marcações típicas e características devem estar sempre presentes:  castanho acima dos olhos, em ambos os lados do focinho e na face interna e nas bordas  das orelhas. Essas marcações podem se estender por outras regiões do corpo como transição entre o branco e o preto. A cabeça deve sempre apresentar marcações em  preto, azul ou marrom na região frontal e orelhas; são admitidas faixas ou marcas  brancas preferivelmente no sulco frontal e nas laterais do focinho, distribuídas o mais  harmoniosamente possível. 

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Possui temperamento incansável, alerta, ativo e esperto, amigável e gentil com amigos mas desconfiado com estranhos.

Tamanho e peso[editar | editar código-fonte]

Altura da cernelha: machos de 35 a 40 cm e fêmeas  de 33 a 38 cm com peso máximo de 10 kg no máximo.

História[editar | editar código-fonte]

Terrier brasileiro.jpg
Brazilian terrier.JPG

O terrier brasileiro ou fox paulistinha, como também é chamado, apesar de comprovada a existência histórica desta raça em vários estados do Brasil, originariamente foi mais comum no interior do Estado de São Paulo, por isso é mais comum o nome fox paulistinha, do que o nome de registro, terrier brasileiro, que foi criado por ocasião do processo de registro da raça, também sempre foi conhecido no Rio Grande do Sul como fox, e em Minas Gerais como foquinho.[4] [5] Foi a terceira raça de cão originalmente brasileira a ser reconhecida pela Federação Cinológica Internacional, e é a segunda com reconhecimento mais antigo das que ainda são reconhecidas.

Não se tem certeza de suas exatas origens,[5] mas há três hipóteses mais difundidas, a oficial, que consta no padrão oficial da raça terrier brasileiro, diz que descendem de cães do tipo terrier trazidos da Europa pelas esposas dos filhos de fazendeiros, que muito comumente, a partir de meados do século XIX e início do século XX, iam estudar na Europa, e quando retornavam, muitas vezes casados, traziam pequenos cães do tipo terrier,[6] que eram muito comuns entre as famílias mais abastadas de Londres e Paris nesta época, possivelmente eram das raças parson russel terrier,[4] jack russel terrier e fox terrier de pelo liso, que eram raças muito comuns na Inglaterra neste período. E estes cães ao cruzarem com cães das fazendas no Brasil, e no campo sendo aproveitados na caça, na guarda e em menor escala no pastoreio de ovelhas, teriam criado em poucas gerações uma nova raça. Com o desenvolvimento das grandes cidades, os fazendeiros e suas famílias migraram para os grandes centros urbanos, desta forma o fox paulistinha sofreu outra mudança de ambiente que teria contribuido em sua formação.[6] Onde inclusive teve a importante função de guardar as mercadorias dos armazéns da ação predatória de roedores.

Há outra hipótese bem forte, e com dados históricos que diz que cães de tipo terrier, sem precisão de raça definida, viajavam como caçadores de ratos em navios mercantes, principalmente nos ingleses, desde o século XIX. Os cães teriam sido tripulação fixa nestas embarcações devido ao receio que a população européia tinha da peste negra, e os cães ajudavam no controle dos ratos. E ao aportarem em portos brasileiros, teriam cruzado com cães locais adaptados as características ambientais brasileiras, e assim acredita-se que o terrier brasileiro teria se originado.[4] Este mesmo processo teria criado outras raças em outros países. Uma ultima hipótese menos difundida diz que o terrier brasileiro é um cão autóctone da região onde é hoje o Estado de São Paulo.[4]

Ratonero Bodeguero Andaluz

Ainda há uma outra hipótese com mais bases históricas e plausível do ponto de vista fenotípico da raça, que diz que os cães espanhóis ratonero bodeguero andaluz e o ratonero valenciano sejam os verdadeiros ancestrais do fox paulistinha, estas raças espanholas são extremamente semelhantes ao terrier brasileiro, verdadeiros sósias, muito mais semelhantes do que as raças britânicas citadas anteriormente, por isso, aliado a História do Brasil, esta tese diz que ao invés dos cães britânicos, o terrier brasileiro descenda destes dois cães espanhóis que muito provavelmente teriam chegado em massa ao Brasil nos navios da Espanha entre 1580 e 1640, época da União Ibérica, quando a Espanha e Portugal estavam unidas politicamente em um só reino, assim como todas as suas colônias de ultramar, inclusive o Brasil.


Tendo o mesmo padrão racico desde 1920, a primeira tentativa de reconhecimento ocorreu em 1964, mas pelo baixo número de registros o processo foi cancelado. Depois de muito trabalho por parte de alguns criadores, a raça recebeu o reconhecimento provisório em 1995 e o definitivo em 2006. Esse processo é feito pela FCI, com sede na Bélgica e que tem uma série de regras a serem cumpridas antes do reconhecimento definitivo (como comprovar ausência ou controle de doenças genéticas, número mínimo de exemplares sem parentesco próximo, ninhadas que nasçam homogêneas, etc).

Temperamento[editar | editar código-fonte]

Incansável, alerta, ativo e esperto, amigável e gentil com amigos, desconfiado com estranhos,[6] inteligente e muito adestrável,[1] comum em apresentações caninas. Ótimo para companhia de crianças por seu comportamento brincalhão.[1] Atualmente são mais utilizados para a companhia e alarme em áreas urbanas e caça a pequenos animais em áreas rurais.[1]

Aparência[editar | editar código-fonte]

Cão de médio porte, esbelto, bem equilibrado com estrutura  firme mas não muito pesada, corpo de aparência quadrada com nítidas linhas curvas  que o diferencia do retilíneo Fox Terrier de pêlo liso. Sua pelagem é de tamanho curta e macia, os machos devem ter entre 35 e 40 cm e fêmeas entre 33 e 38 cm (na cernelha), pesando até 10 kg, robustos,de personalidade independente , incansável, alerta, ativo e esperto;  amigável e gentil com amigos, desconfiado com estranhos.Sempre é de coloração tricolor. O corpo tem fundo branco, com marcações pretas, marrons (fígado) ou azuis (cinza) salpicadas. A cor canela (tan - uma espécie de bege) pode ser encontrada entre a cor branca e a outra cor e/ou salpicada em pequenas pintas (bem pequenas) nos membros dianteiros ("braços"). A ausência do tan no corpo é permitida, bem como a segunda cor (preta, marrom ou azul) formar uma "capa" por cima do dorso.[6]

A cabeça tem uma máscara preta, cinza ou marrom com pelagem canela ao redor da boca, sobrancelhas e na região interna e borda das orelhas. Pode haver (não é obrigatório) marcações brancas no focinho e no alto da cabeça, mas estas devem ser o menor e mais simétricas possível.[6]

Orelhas pendentes e triangulares, olhos castanho-escuros, o mais escuros quanto possível nos cães com marcação preta no dorso, e verdes, castanhos ou até azuis nas outras cores. Peito amplo com formato de "barril", não sendo esgalgado, como nos galgos.[6] Cauda íntegra, podendo nascer sem cauda ou com cauda curta em algumas linhagens. O corte por estética não é mais permitido.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (em português) Marina Vicari Lerário, O Fox Paulistinha, Editora Nexus, 1991

Referências

  1. a b c d (em português) Cães & Cia, Brasil:Editora Forix, 2007, mensal, Edição nº 333, ISSN 1413-3040, reportagem Terrier Brasileiro Experts Avaliam a Raça.
  2. Fox paulistinha Dog Times. Visitado em 12 de novembro de 2011.
  3. Fox paulistinha (PDF) CBKC. Visitado em 12 de novembro de 2011.
  4. a b c d (em português) Andrea Calmon (jornalista responsável), Almanaque Cães & Raças 2009, Editora On Line, 2009, reportagem Made in Brazil.
  5. a b Página eletrônica da Associação Brasileira do Terrier Brasileiro, (2009), <http://www.terrierbrasil.com.br/?page_id=6> Acessado em 14/11/2010.
  6. a b c d e f Confederação Brasileira de Cinofilia, Sergio Meira Lopes de Castro e Domingos Josué Cruz Setta, (2007), padrão oficial da raça terrier brasileiro.<http://ww2.cbkc.org/padroes/pdf/grupo3/terrierbras.pdf> Acessado em 14/11/2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outras raças brasileiras (não reconhecidas pela FCI):

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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