Terrorismo de direita

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O terrorismo de direita é um terrorismo motivado por uma variedade de ideologias e crenças de extrema-direita, incluindo nazismo, neofascismo, neonazismo, racismo, xenofobia e oposição à imigração. Este tipo de terrorismo tem sido esporádico, com quase nenhuma cooperação internacional.[1] Os atos terroristas são geralmente mal coordenados, e poucas organizações identificáveis têm sido envolvidas. O terrorismo de direita moderno surgiu primeiramente na Europa Ocidental na década de 1980 e na Europa Oriental após a dissolução da União Soviética.[2]

Usualmente, terroristas de direita pretendem derrubar governos e substituí-los por governos nacionalistas ou fascistas.[1] No entanto, estes indivíduos geralmente não possuem uma ideologia rígida, que por muitas vezes se adapta às características políticas locais.[3] O cerne deste movimento inclui skinheads neo-fascistas, hooligans da extrema-direita, jovens simpatizantes e guias intelectuais que acreditam que suas sociedades deveriam expurgar elementos estrangeiros, a fim de proteger os cidadãos de bem, a quem estes grupos consideram como "legítimos".[4]

Nos últimos anos, o terrorismo de extrema-direita no Ocidente aumentou em conjunto com a crescente agitação política, polarização e aumento da popularidade de novos movimentos políticos e políticas populistas.[5] Segundo relatório de 2020 da Europol, o terrorismo político de extrema-direita havia aumentado 250% nos últimos cinco anos - sendo que entre 2002 e 2019, o Ocidente contabilizou 332 ataques terroristas de extrema-direita, que resultaram em 286 mortes — 49 desses ataques tendo ocorrido apenas em 2019.[6]

Ainda, de acordo com dados compilados pelo relatório Global Index for Terrorism 2020, 82% das mortes por terrorismo no Ocidente foram perpetrados por grupos ou pessoas desta tendência ideológica.[7] O relatório do Instituto para Economia e Paz - onde são analisados os impactos do terrorismo em 163 países que representam 99,7% da população mundial - registra que, com o declínio do Estado Islâmico, o terrorismo religioso vem perdendo protagonismo, revelando o extremismo de direita como a nova ameaça à segurança do Ocidente.[5]

Por país[editar | editar código-fonte]

Alemanha[editar | editar código-fonte]

Vítimas do extremismo de direita são contabilizadas na Alemanha desde a Reunificação do país, em 1990. Desde então, foram 94 mortos registrados. No entanto, analistas afirmam que muitos casos são registrados de forma errada pelas autoridades e que o número real de vítimas é bem maior, devendo chegar a, no mínimo, 198 mortos.[8]

Em 26 de Setembro de 1980, o Atentado na Oktoberfest em Munique, causou a morte não apenas do terrorista, como também de outras 14 pessoas, além de ferir outras 215 vítimas. Os temores de uma campanha contínua de grandes ataques terroristas de direita não se materializaram.[1] Além de vários assaltos a bancos, o grupo extremista Nationalsozialistischer Untergrund foi o responsável pelos assassinatos em série no Bósforo (2000-2006), pelo atentado em Colônia em 2004 e pelo assassinato da policial Michéle Kiesewetter em 2007. Em novembro de 2011, dois membros do Nationalsozialistischer Untergrund cometeram suicídio para evitar a prisão depois de um assalto a banco, e um terceiro membro foi preso alguns dias depois e sentenciado à prisão perpétua.[9]

Em 9 de Outubro de 2019, durante o Yom Kippur (um dos feriados mais importantes para os judeus), terroristas da extrema-direita alemã abriram fogo contra os frequentadores de uma sinagoga em Halle, cidade localizada a cerca de 170 quilômetros da capital Berlim.[10] A ação do terrorista resultou em duas mortes, e foi transmitida ao vivo na Internet pelo próprio criminoso, que inclusive publicou um manifesto político confirmando a motivação antissemita, xenófoba e racista na escolha de seus alvos.[11][12] De acordo com investigadores, o atirador, identificado como Stephan Balliet, queria promover um massacre na sinagoga para servir de exemplo a extremistas de direita e antissemitas em geral.[13] O terrorista lançou um explosivo por cima do muro de um cemitério judaico e tentou entrar em uma sinagoga repleta de pessoas nas proximidades, mas não conseguiu passar pela porta, que estava trancada. Sem conseguir entrar, começou a disparar contra pedestres matando uma mulher que passava pelo local e atirando contra os clientes de uma lanchonete turca, a duas quadras da sinagoga, alvejando mortalmente um homem.[14] Este ataque ocorreu poucos meses depois do assassinato de Walter Lübcke, um político pró-migrantes do partido conservador da chanceler Angela Merkel (UDC), cujo principal suspeito do assassinato é um membro do movimento neonazista.[15]

Brasil[editar | editar código-fonte]

O Brasil vivenciou entre as décadas de 1960 e início da década de 1980 uma série de eventos que poderiam ser classificados como atentados terroristas da extrema-direita ou pelo menos sua tentativa.[16] Os casos mais famosos são o Caso Para-Sar e Atentado do Riocentro que ocorreram durante a ditadura militar brasileira entre 1964-1985. Houve também uma série de atentados à bomba de menor alcance realizadas pelo Grupo Secreto e pela Aliança Anticomunista Brasileira neste período, sendo o atentado no qual veio a falecer Lyda Monteiro da Silva na OAB-RJ o mais conhecido destes. [17] [18]

Canadá[editar | editar código-fonte]

O atentado à mesquita de Quebec foi um ataque terrorista ocorrido em 29 de janeiro de 2017, contra o "Centro Cultural Islâmico", uma mesquita localizada em Sainte-Foy, na cidade de Quebec, no Canadá. Seis pessoas foram mortas e outras dezenove ficaram feridas. O ataque foi perpetrado às 20h00 por um atirador solitário.[19] Havia pelo menos 53 pessoas presentes na mesquita na hora do atentado. O suspeito de ser responsável pelo ataque foi identificado como Alexandre Bissonnette,[20] que se entregou às autoridades logo após praticar os crimes.

Colômbia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Paramilitarismo na Colômbia

Os grupos paramilitares colombianos são conhecidos por serem os responsáveis pela maior parte das violações de direitos humanos na segunda metade do conflito armado colombiano em curso. [21]

Os primeiros grupos terroristas paramilitares [22] foram organizados por conselheiros militares dos Estados Unidos que foram enviados durante a Guerra Fria para a Colômbia para combater a propagação de políticos, ativistas e guerrilheiros esquerdistas.[23][24] De acordo com várias organizações de direitos humanos internacionais e governamentais, grupos paramilitares de direita têm sido responsáveis por pelo menos 70 a 80% dos assassinatos políticos na Colômbia por ano. [21][25]

Estes grupos são conhecidos por serem financiados e protegidos por latifundiários da elite, traficantes de drogas, membros das forças de segurança, políticos de direita e corporações multinacionais. [26][27][28][29]

A violência e o terrorismo paramilitar atualmente são principalmente voltados para os camponeses, sindicalistas, indígenas, ativistas de direitos humanos, professores e ativistas políticos de esquerda ou de seus apoiadores. [30][31][32][33][34][35][36]

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1980, mais de 75 extremistas de direita foram processados ​​nos Estados Unidos por atos de terrorismo, embora fossem efetuados apenas seis ataques durante a década. [37] Em 1983, Gordon Kahl, um ativista da Posse Comitatus, matou dois comissários federais e mais tarde foi morto pela polícia. Também nesse ano, o grupo revolucionário nacionalista branco The Order (também conhecido como Brüder Schweigen ou Silent Brotherhood) roubou vários bancos e carros blindados, bem como um sex shop;[38] bombardeou um teatro e uma sinagoga, e assassinou o apresentador de programa de rádio, Alan Berg.[39][40]

Em 19 de abril de 1995, um ataque ao prédio federal de Murrah em Oklahoma pelo extremista de direita Timothy McVeigh, que matou 168 pessoas, se tornaria o pior ataque terrorista doméstico da história estadunidense.[41] Foi relatado que ele tinha ligações com a milícia Michigan.[42] Eric Rudolph executou uma série de ataques terroristas entre 1996 e 1998. Realizou o atentado ao Centennial Olympic Park em 1996 — que custou duas vidas e feriu 111 — com a finalidade de a cancelar os Jogos Olímpicos de Verão de 1996, alegando que eles promoviam o socialismo mundial.[43] Rudolph confessou a explosão em uma clínica de aborto em Sandy Springs, um subúrbio de Atlanta, em 16 de janeiro de 1997; do Otherside Lounge, um bar lésbico de Atlanta, em 21 de fevereiro de 1997, ferindo cinco; e uma clínica de aborto em Birmingham, Alabama, em 29 de janeiro de 1998, matando um policial e um guarda de segurança da clínica, Robert Sanderson, e ferindo a enfermeira Emily Lyons.

De acordo com dados compilados pela New America Foundation, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, extremistas de direita cometeram pelo menos oito ataques terroristas letais nos Estados Unidos, resultando na morte de nove pessoas. De acordo com o Federal Bureau of Investigation, entre 1 de janeiro de 2007 e 31 de outubro de 2009, supremacistas brancos estiveram envolvidos em 53 atos de violência, dos quais 40 foram agressões dirigidas principalmente aos afro-americanos, dos quais sete foram assassinatos e o restante foram ameaças, incêndio criminoso e intimidação.[44] Para alguns analistas, o terrorismo de direita representa uma maior ameaça aos Estados Unidos do que o terrorismo islâmico, por exemplo.[45]

França[editar | editar código-fonte]

Os neonazistas do Partido Nacionalista Francês e Europeu foram responsáveis por uma série de atentados terroristas anti-muçulmanos em 1988. Os albergues Sonacotra em Cagnes-sur-Mer e Cannes foram bombardeados, matando o imigrante romeno George Iordachescu e ferindo 16 pessoas, em sua maioria tunisianos.

Em uma tentativa de enquadrar extremistas judeus pelo atentado em Cagnes-sur-Mer, os terroristas deixaram folhetos ostentando estrelas de Davi e o nome "Masada" no local do crime, com a mensagem "Para destruir Israel, o Islã tem escolhido a espada. Por esta escolha, o Islã perecerá."[46]

Itália[editar | editar código-fonte]

O Massacre de Bolonha, perpetrado pelo grupo neofascista Nuclei Armati Rivoluzionari, foi o pior atentado terrorista da história da Itália

Em agosto de 1980, no atentado de Bolonha, um grupo de terroristas de direita explodiu uma bomba em uma estação de trem em Bolonha, Itália, matando 84 pessoas e ferindo mais de 180. De acordo com a polícia italiana, os perpetradores foram Valerio Fioravanti e Francesca Mambro, dois membros da organização neofascista Nuclei Armati Rivoluzionari. Ambos os acusados ​​negaram qualquer conexão com os ataques. [47]

Em dezembro de 2011, ativistas da CasaPound de extrema-direita participaram de um tiroteio direcionado aos comerciantes senegaleses em Florença, matando dois e ferindo três. [48][49]

Noruega[editar | editar código-fonte]

Em 22 de julho de 2011, um extremista de direita simpatizante do nazismo[50][51] e fascismo[52] chamado Anders Behring Breivik, realizou os maiores ataques terroristas na Noruega e o maior assassinato em massa de noruegueses em tempos de paz. Primeiramente, Breivik usou um carro-bomba próximo aos prédios governamentais de Oslo, matando 8 pessoas e ferindo mais de 30. Em seguida, ele usou um uniforme policial e armas adquiridas legalmente para se infiltrar na ilha Utøya e passou a disparar contra as pessoas que frequentam um acampamento de crianças e jovens lideranças de partidos políticos de Esquerda, como a Liga da Juventude Trabalhista (AUF), a organização juvenil do Partido Trabalhista Norueguês, matando 68 pessoas e ferindo mais de 60.

Reino Unido[editar | editar código-fonte]

Em abril de 1999, David Copeland, um membro de movimentos neonazistas britânicos, plantou uma série de bombas caseiras em locais públicos ao longo de 13 dias. Seus ataques resultaram em três mortos e mais de 100 feridos, e visavam as comunidades negras de Londres, em especial imigrantes de Bangladesh e homossexuais. Copeland fora filiado ao Partido Nacional Britânico, e disse à polícia que seu objetivo era causar uma guerra racial no país, para que tais eventos elevassem a relevância de seu partido na política nacional.[53]

Em julho de 2007, Robert Cottage, um ex-candidato do Partido Nacional Britânico, foi condenado por ter em sua residência quantidades massivas de produtos químicos utilizados para produção de explosivos, além de balestras, flechas e até roupas de proteção nuclear. De acordo com Cottage, ele estocava esses suprimentos para sobreviver a uma guerra civil que considerava inevitável, diante da imigração "descontrolada" de estrangeiros para o Reino Unido.[54] Em junho de 2008, Martyn Gilleard, um simpatizante nazista britânico, foi preso depois que a polícia encontrou bombas de pregos, balas, espadas, machados e facas em seu apartamento.[55] Também em 2008, Nathan Worrell foi considerado culpado de posse de material para fins terroristas e assédio racial agravado. O tribunal ouviu que a polícia encontrou livros e manuais contendo receitas para fazer bombas e detonadores usando utensílios domésticos no apartamento de Worrell.[56]

Em 2016, Jo Cox, uma membro do Parlamento (MP) do distrito eleitoral de Batley e Spen foi assassinada por Thomas Mair, que teve como motivação pontos de vista extremistas, enquanto mantinha conexões com várias organizações de extrema-direita no Reino Unido, EUA e África do Sul - como a National Vanguard e a English Defence League (EDL). O terrorista atirou contra a cabeça da parlamentar com um rifle de caça .22 de cano cerrado, e ainda apunhalou-a mais de 15 vezes. Após seu julgamento em 2016, Mair foi condenado à prisão perpétua por seus crimes.[57]

Em 16 de dezembro de 2016, o secretário do Interior, Amber Rudd, designou o grupo neonazista de extrema direita conhecido como Ação Nacional (National Action) como uma organização terrorista, criminalizando a adesão ou o apoio à organização.[58] Cerca de dois anos depois, em 2018, Jack Renshaw, um ex-porta-voz da Ação Nacional, admitiu em uma confissão de culpa ter comprado uma réplica de um gládio romano de 48 cm (muitas vezes referida na mídia como um facão) para assassinar Rosie Cooper, a Membro do Parlamento Britânico pelo círculo eleitoral de West Lancashire.[59]

Em junho de 2017, Darren Osborne dirigiu uma van contra uma multidão que saía de uma mesquita em Finsbury Park, no norte de Londres, matando um e ferindo outros nove. Darren Osborne sentiu-se justificado em suas ações após ter se radicalizado através da leitura de publicações de extrema-direita da English Defence League e do partido Britain First.[60]

Em março de 2018, Mark Rowley, o porta-voz da Divisão Contraterrorista da Polícia Britânica revelou que quatro planos terroristas de extrema-direita foram descobertos e frustrados desde o atentado em Westminster de 2017.[61]

Irlanda do Norte[editar | editar código-fonte]

Ativistas britânicos de extrema-direita forneceram fundos e armas para grupos terroristas lealistas na Irlanda do Norte durante o The Troubles. [62] Desde o fim do conflito, alguns membros de grupos lealistas vem orquestrando uma série de ataques racistas na Irlanda do Norte, [63][64][65] incluindo ataques com bomba tubo e armas de fogo contra casas de imigrantes. [66][67][68][69][70] Como resultado, a Irlanda do Norte tem a maior proporção de ataques racistas do que outras partes do Reino Unido, [65][71] e vem sendo classificada como a "capital do ódio racial da Europa". [72]

Nova Zelândia[editar | editar código-fonte]

O atentado de Christchurch ocorrido em 15 de março de 2019, na Nova Zelândia, foi um atentado terrorista perpetrado por militantes de extrema-direita[73] contra muçulmanos que frequentavam a mesquita Al Noor e o Centro Islâmico Linwood na cidade de Christchurch. Pelo menos 49 pessoas foram mortas nos tiroteios e mais de 20 ficaram feridas.[74] A polícia encontrou dois carros-bomba, que as autoridades desarmaram. A polícia está mantendo três suspeitos sob prisão. O ataque foi descrito como um ataque terrorista pela primeira-ministra Jacinda Ardern e vários governos internacionalmente.[75]

Suécia[editar | editar código-fonte]

John Wolfgang Alexander Ausonius, conhecido na mídia como "Laserman" ("o Homem do Laser"), é um criminoso sueco extremista anti-imigração que atirou em onze pessoas na área de Estocolmo e Uppsala, entre agosto de 1991 a janeiro de 1992 - a maioria das quais eram imigrantes - matando uma e ferindo gravemente as outras. Ele primeiro usou um rifle equipado com uma mira a laser (daí seu apelido), e depois mudou para um revólver. Ausonius foi preso em junho de 1992 e condenado à prisão perpétua na Suécia, em janeiro de 1994 - e também recebeu outra condenação perpétua na Alemanha, em 2018, por ter assassinado uma sobrevivente do Holocausto.[76]

Entre 2009-10, a população da cidade sueca de Malmö foi aterrorizada por um terrorista que utilizava-se de armas de fogo para atacar pessoas de pele escura, ou aquelas que não possuíam características físicas associadas com as características da maioria da população sueca.[77] A polícia conseguiu identificar o assassino como um homem de 38 anos chamado Peter Mangs, que costumeiramente expressava fortes sentimentos anti-imigração e grande admiração pelo serial killer e extremista de direita, John Ausonius. Mangs acabou sendo condenado à prisão perpétua em 2012.[78]

Em 2013, uma passeata antirracista no bairro de Karrtorp, Estocolmo, foi violentamente atacada por neonazistas atirando garrafas e fogos de artifícios contra os manifestantes. Naquela ocasião, duas pessoas foram esfaqueadas e 26 neonazistas foram detidos pela polícia.[79] Os ataques dos extremistas de direita revoltaram a sociedade sueca, que tomou as ruas de Estocolmo aos milhares em resposta à violência política, no final de semana seguinte. Passeatas antirracismo menores foram realizadas em apoio em várias outras cidades suecas naquele mesmo final de semana.[80]

Em 22 de outubro de 2015, o terrorista Anton Lundin Pettersson, de 21 anos, atacou com uma espada pessoas que frequentavam a escola Kronan em Trollhättan, Suécia. O criminoso atacou especificamente pessoas de pele escura, se vestia com indumentária nazistas e deixou um bilhete suicida em sua casa, expressando sua ideologia extremista. Ele matou um assistente de ensino e um aluno, esfaqueou outro aluno e um professor, que faleceu no hospital seis semanas após o atentado. O próprio terrorista havia escrito em seu bilhete suicida que não esperava sobreviver ao confronto com a polícia, e ele de fato morreu mais tarde, por causa dos ferimentos à bala que recebeu durante sua prisão.[81]

Em 2017, marchas da extrema-direita na cidade de Gotemburgo renderam a prisão de dezenas de pessoas,[82] e naquele mesmo ano atentados à bomba contra centros de imigrantes refugiados e livrarias esquerdistas, foram perpetrados por neonazistas da cidade, ferindo gravemente um homem, porém falhando em causar vitimas fatais.[83] Ataques à mesquitas e sinagogas ocorrem com relativa regularidade em Gotemburgo, mas também suscitam movimentos de apoio e defesa da diversidade e liberdade religiosa.[84][85]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Aubrey, p. 45
  2. Moghadam, p. 57
  3. Moghadam, p. 58
  4. Moghadam, pp. 57-58
  5. a b Marcelino, Valentina. «Extrema-direita é a nova ameaça à segurança do Ocidente». Diário de Notícias. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  6. Soares, Tiago. «Novo terror: o terrorismo político de extrema-direita aumentou 250% nos últimos cinco anos». Expresso. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  7. «Global Terrorism Index 2020» (PDF). Instituto para Economia e Paz. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  8. «Cronologia de atentados de extrema direita na Alemanha». Deutsche Welle Brasil. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  9. «Far-right terrorism». Procuradoria Federal da República da Alemanha. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  10. «Ataque antissemita no leste da Alemanha». Deutsche Welle Brasil 
  11. «Justiça Alemã afirma que ataque perto de sinagoga foi de extrema-direita». Revista Exame 
  12. «"Ataque foi terrorismo de extrema direita", diz ministra alemã da Justiça». Deutsche Welle Brasil 
  13. «Ministra alemã sobre ataques: "Terrorismo de Extrema-direita"». Terra 
  14. «Atirador de Halle confessa motivação antissemita». Deutsche Welle Brasil 
  15. «Atentado mata duas pessoas na Alemanha; suspeito é detido». Revista Exame 
  16. «ATENTADOS CONTRA A REDEMOCRATIZAÇÃO». Memória Globo 
  17. «Sargento Guilherme do Rosário teria participado do atentado contra a OAB». Jornal O Globo. 23 de abril de 2011. Consultado em 4 de abril de 2015  A essa altura, Rosário já figurava como um quadro de grupos terroristas cevados pelo regime. Em depoimento ao livro "A direita explosiva no Brasil", Gilberto Corrales (nome da agenda do sargento e irmão do marceneiro Hilário Corrales, artesão das bombas do "Grupo Secreto"), declarou que, se havia dúvidas sobre a participação de Ronald Watters na morte de Lyda Monteiro, secretária da OAB, no atentado à entidade em 1980, "não existiam dúvidas sobre a atuação do sargento. De acordo com o livro, "era um dos principais agentes operativos do Grupo Secreto".
  18. «Há 33 anos, Lyda Monteiro foi vítima da bomba contra a democracia». Ordem dos Advogados do Brasil - Conselho Federal. 26 de agosto de 2013. Consultado em 4 de abril de 2015  Nesta terça-feira (27) é lembrada uma das datas mais tristes na história da Ordem dos Advogados do Brasil. Completa-se 33 anos do atentado sofrido no Rio de Janeiro, que vitimou com uma carta-bomba a secretária da presidência da entidade, dona Lyda Monteiro da Silva. Em 1980, período em que o Brasil encaminhava sua saída de um dos momentos políticos mais conturbados, em que o autoritarismo e a violência insistiam em não dar o tão esperado espaço para a democracia, a OAB era a voz mais forte na luta pela defesa do Estado Democrático de Direito.
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Referências[editar | editar código-fonte]