The Cure

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The Cure
A banda em 2007 em Singapura.
Informação geral
Origem Crawley, West Sussex
Inglaterra
País  Reino Unido
Gênero(s) Rock gótico[1]
Pós-punk[1]
Rock alternativo[1]
New wave[1][2]
Período em atividade 1976 - actualmente
Gravadora(s) Fiction
Suretone
Integrantes Robert Smith
Roger O'Donnell
Simon Gallup
Jason Cooper
Reeves Gabrels
Ex-integrantes Michael Dempsey
Matthieu Hartley
Andy Anderson
Phil Thornalley
Lol Tolhurst
Boris Williams
Porl Thompson
Perry Bamonte
Página oficial www.thecure.com

The Cure é uma banda britânica de rock formada em 1976 em Crawley, Inglaterra. Robert Smith é o líder da banda e único elemento constante desde a sua formação, além de se manter como principal responsável pela sua direcção musical sendo produtor, cantor, compositor e multi-instrumentista.

Aclamados no final dos anos 1980 e princípio da década seguinte, com diversos álbuns a alcançar grande exposição e popularidade, na segunda metade dos anos 90 sofrem algum distanciamento e rechaço por parte da imprensa. Com a chegada do novo século, a banda tem vindo a ser, paulatinamente, reconhecida internacionalmente como uma das mais influentes do rock alternativo moderno.

Várias canções dos The Cure tornaram-se sucesso nas rádios, tais como "Just Like Heaven", "Close To Me", ou "Friday I'm in Love", e ainda hoje se ouvem um pouco por todo o lado, recebendo imensas indicações e vários prémios. O grupo havia vendido até 2004 mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo,[3] com 1.1 milhão de vendas certificadas somente no Reino Unido,[4] sendo uma das bandas alternativas de maior sucesso da história.[3] Em Outubro de 2008 a revista britânica NME anuncia a atribuição do prémio 'Godlike Genius' à banda, em forma de reconhecimento pela contribuição para a música alternativa e pela sua extraordinária carreira.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Formação e Three Imaginary Boys (1973–1979)[editar | editar código-fonte]

A primeira formação do que se viria a tornar os The Cure chamava-se The Obelisk e era composta por estudantes da Notre Dame Middle School de Crawley, Sussex. O grupo fez a sua estreia em público em Abril de 1973 e contava com Robert Smith no piano, Michael Dempsey e Marc Ceccagno na guitarra, Laurence "Lol" Tolhurst na percussão e Alan Hill no baixo.[6] Em Janeiro de 1976, após deixar os Obelisk, Marc Ceccagno forma os Malice com Robert Smith, agora também na guitarra, e Michael Dempsey, que passa a baixista, juntamente com outros dois companheiros de turma da St. Wilfrid's Catholic Comprehensive School.[7] Ceccagno abandona pouco depois o projecto para formar uma banda de Jazz-rock fusion chamada Amulet.[7] Mais tarde, Lol Tolhurst, dos Obelisk, e Porl Thompson — já bastante conhecido na região pelas suas aptidões de guitarrista[8] — entram para os Malice na bateria e guitarra solo respectivamente.[7] Após várias tentativas para conseguir um novo vocalista, Peter O'Toole assume a posição.[9] Neste período fazem covers de David Bowie, Alex Harvey, Jimi Hendrix, entre outros e começam também a escrever o seu próprio material.[7]

Em Janeiro de 1977, após alguns concertos pouco satisfatórios e igualmente pela crescente influencia do movimento punk rock, que nesta altura começava a emergir com uma enorme vitalidade, os Malice passam a ser conhecidos como Easy Cure[10] — nome retirado de uma canção de Lol Tulhurst.[11] No mesmo ano ganham um concurso de talentos promovido pelo selo alemão Hansa Records e conseguem um contrato de gravação, porém, apesar da banda ter gravado várias faixas para esta editora, nenhuma foi lançada.[12] Em Setembro do mesmo ano, Peter O'Toole, abandona o grupo e Robert Smith assume o papel de vocalista.[7][13] Após desavenças em Março de 1978 sobre a direcção que a banda deveria tomar — tendo o grupo rapidamente percebido que ganharam o concurso não pelo seu valor, mas pela sua imagem,[9] — o contrato com a Hansa foi desfeito.[14] Smith mais tarde recordaria "Nós éramos muito jovens e simplesmente pensaram que nos podiam transformar num grupo adolescente. Na verdade queriam que fizéssemos covers e nós recusávamos sempre".[12]

O coreto de Crawley onde os The Cure fizeram um dos seus primeiros concertos e que se pode ver no vídeo Staring At The Sea - The Images

Robert Smith deixa de achar graça ao nome da banda e muda-o para The Cure, pois esta denominação soava-lhe demasiado "West Coast".[15] Entretanto Robert Smith começa também a não gostar dos longos solos de Porl Thompson, uma vez que pretendia um som cada vez mais minimalista, e assim, em pouco tempo, também este abandonaria o projecto.[14]

Nesta altura os Cure passam a ser um trio composto apenas por Robert na voz e guitarra, Michael Dempsey no baixo e Lol Tolhurst na bateria. Enviam as suas demos a todas as grandes editoras, mas não obtêm qualquer resposta excepto do A&R da Polydor, Chris Parry, que ao ouvir a 10:15 Saturday Night sentiu ter encontrado uma banda com enorme potencial.[9] Após uma longa conversa, com vários copos à mistura, assinam um contrato com Parry, todavia não com a Polydor, como esperavam inicialmente, mas sim pela sua própria editora que acabara de criar, a Fiction Records. Assim, os The Cure, são a primeira banda a assinar por este selo discográfico.[16]

O primeiro single da banda, "Killing an Arab", é lançado no Natal de 1978 e é bem recebido pela crítica inglesa sem no entanto, pelo seu título, deixar de criar polémica — era frequente, para grande desagrado da banda, a presença da Frente Nacional Britânica em vários concertos — junto de pessoas menos informadas que pensaram que a música teria um conteúdo racista, mas a música não era nem mais nem menos que uma singela homenagem ao romance existencialista, O Estrangeiro, de Albert Camus.[17] O primeiro álbum, Three Imaginary Boys, sai em Maio de 1979, e foi igualmente recebido com boas críticas, ao ponto de os apelidarem de "os novos Pink Floyd" (do período de Syd Barrett, claro está).

Contudo, o som que caracteriza o álbum, ainda com algumas influências punk, é uma música rápida e directa, mas já não é a imagem de Robert Smith desta altura mas sim de um Robert do passado, do período Easy Cure.[18] Apesar disso, há já algumas pistas quanto ao som que Robert estaria a imaginar para o futuro nos temas Another Day, 10:15 Saturday Night e Three Imaginary Boys — três canções já mais melancólicas e sombrias. A capa original deste álbum tem a particularidade de não ter imagem alguma da banda, mas sim três objectos comuns a representá-la (abajur, aspirador e um frigorífico), e igualmente de não ter o nome das músicas mas apenas imagens relacionadas com cada uma delas, criando um certo mistério e intelectualismo em torno da banda.[19] Chris Parry queria demonstrar, com esta estratégia, que a banda valia pela sua música e não pela sua imagem. Nesta altura pretendiam demonstrar que eram apenas pessoas comuns a fazer música e sem qualquer tipo de imagem.[20]

Começam em Maio de 1979 a tournée de promoção ao álbum e três meses depois são convidados para banda de suporte de Siouxsie & The Banshees..[9] Após uma invulgar deserção no seio deste grupo, em plena tournée, Robert Smith oferece-se para o lugar de guitarrista até ao fim desta — sabia que abrir para os Banshees era de importância vital para a sua banda e não podia correr o risco de esta ser cancelada — e passa a fazer os dois sets, tanto pelos Cure como pelos Banshees.[21] Entretanto, editam o single "Boys Don't Cry" em Junho que, apesar das boas expectativas que tinham, não obtém o sucesso esperado.[22]

O terceiro single dos Cure, "Jumping Someone Else's Train" foi lançado no começo de Outubro de 1979.[22] Pouco depois, Dempsey, sai da banda pela sua fria recepção ao material que Smith havia escrito para o álbum seguinte.[23] Dempsey junta-se aos The Associates, enquanto o baixista Simon Gallup e o teclista Matthieu Hartley, da banda de post-punk/new wave de Horley, The Magspies, se juntam aos The Cure.[24] Já com a nova formação, os Cure apresentam várias canções ao vivo do projectado segundo álbum, denotando, desde logo, uma viragem abrupta na sua sonoridade.[25] Enquanto isso, uma banda paralela formada por Smith, Tolhurst, Dempsey, Gallup, Hartley e Thompson, com vozes de apoio da família e amigos, e com o carteiro local, Frankie Bell, a vocalista, lançam um single de 7 polegadas em Dezembro sob o nome presumido de Cult Hero.[26]

Período obscuro (1980–1982)[editar | editar código-fonte]

Após a edição deste primeiro álbum e da sua tournée de promoção, Robert, inicia pouco depois a gravação do período mais "sombrio" do grupo — a trilogia, Seventeen Seconds, Faith e Pornography. Este período é considerado, por uma parte considerável de fãs, como a melhor fase da banda no qual foram produzidas canções incontornáveis da sua carreira como "A Forest", "Play For Today", "Primary", "Faith", "Charlotte Sometimes", "One Hundred Years" ou "A Strange Day". Se Seventeen Seconds nos reporta ao princípio do fim da ilusão infantil e da inocência do amor, Faith, por sua vez, descreve, com uma precisão assinalável, a agonia e morte de esses mesmos sentimentos. Em Pornography, toda essa melancolia letárgica, e emoções reprimidas, liberta-se em forma de desespero, raiva e ódio contra a realidade humana, colocando este álbum como um referente indefectível para a música alternativa.

Robert Smith, que estava insatisfeito por não ter o controlo sobre certos aspectos criativos, passou, nesta altura, a tomar as rédeas de todo o processo e co-produziu Seventeen Seconds juntamente com Mike Hedges.[27] A Forest foi o primeiro single dos Cure a entrar na tabela de singles do Reino Unido e foi a primeira música que se pôde ouvir deste novo período.[28] Bastante diferente do que tinha sido feito anteriormente este tema é, no entanto, a essência e referência deste novo período e mesmo de toda a carreira.

Após a tournée de 1980, Matthieu Hartley deixa a banda e a propósito da sua saída e sobre a nova direcção que a banda estava a encetar, afirma na altura, "apercebi-me que a banda estava a ir numa direcção suicida, a uma música sombria — do tipo que não me interessava de maneira nenhuma".[29]

Em 1981, satisfeitos com o ambiente reproduzido por Mike Hedges, gravam novamente com este produtor. Desta vez o novo álbum, Faith, consegue levar bem mais adiante o ambiente asfixiante, desolador e depressivo presente no álbum anterior.[30]

Na Picture Tour, de 1981, os concertos assemelham-se a cerimónias religiosas, com uma atmosfera altamente depressiva ao ponto da audiência não aguentar e provocar graves tumultos e a própria banda se envolver nos incidentes.[31] Nesta tournée, antes dos concertos, em vez de uma banda de suporte apresentam o filme Carnage Visors de Ric Gallup (irmão de Simon Gallup), um filme animado que tentava criar a atmosfera depressiva pretendida para o início do concerto.[28] Robert Smith vivia tão absorvido neste ambiente deprimente, que em certas ocasiões chegava a terminar os concertos em lágrimas e já para o fim da tournée até se recusava a tocar temas do primeiro álbum.[32]

York House Gardens, local onde foi gravado o videoclipe para "The Hanging Garden", do álbum Pornography.

Em 1982 editam Pornography, um dos álbuns mais importantes da banda e que é o pico deste período mais sombrio da banda. Este é um dos trabalhos que alguns críticos musicais indicam como paradigmáticos do rock gótico,[33][34] demonstrando uma sonoridade típica do pós-punk, mas muito mais obscura. Um álbum gravado no limite da lucidez já muito perto da insanidade, provocada por vários excessos, sendo o mais evidente o consumo desmesurado de todo o tipo de drogas.[35] Este comportamento, por parte de todos os elementos da banda, torna-os demasiado frios, egocêntricos e até algo maníacos, vai criar problemas graves em pouco tempo.[36] O álbum inicia com a linha, "it doesn't matter if we all die" (não interessa se todos morrermos), que define com precisão o ambiente em que banda vivia absorvida neste período — e que de certa forma se pretendia e se instigava de maneira explorar os limites da sanidade e criar algo condizente com esses sentimentos. O niilismo, auto-aversão, morte, loucura, drogas, suicídio, desespero e ódio em relação às nossas falhas como humanos (traições, manipulações etc) são alguns dos ingredientes explorados. Apesar das preocupações legítimas quanto a este álbum não ter um som comercial e da dificuldade em encontrar um single promocional, é o primeiro álbum da banda a atingir o top 10 no top do Reino Unido, atingindo o oitavo posto.[37]

Nesta altura começam também a alterar a sua postura de não-imagem e encetam uma mudança no seu visual na digressão do álbum Pornography. Pintam os olhos e boca com batom (que com o calor das luzes dava a sensação de que estavam a sangrar) e começam a deixar crescer o cabelo de uma forma desgrenhada inspirados pelo estilo de Jack Nance no filme Eraserhead de David lynch.[38]

Vivia-se um ambiente de "cortar à faca" dentro da banda e os concertos eram realizados quase sem qualquer diálogo entre os membros. Este período, que levou os membros da banda ao limite das suas capacidades físicas e psíquicas, culminou em cenas de pancadaria entre os melhores amigos Simon Gallup e Robert Smith em plena tournée de 1982.[39] Os The Cure desta fase obscura, que tanto influenciou o futuro movimento gótico, tinha acabado. Ressurgem mais tarde num registo bastante diferente, sem, no entanto, nunca renegar o seu passado. O fim nunca foi oficialmente confirmado mas ninguém esperava voltar depois das consequências físicas e especialmente psicológicas que este período provocou nos três membros da banda.[40] Simon Gallup, após o sucedido, estava mesmo fora da banda..[9]

Período de indefinições (1983–1984)[editar | editar código-fonte]

Em 1983, Robert Smith era também membro integrante da banda Siouxsie And The Banshees e é neste período, no seio deste grupo, que Robert adopta, mais vincadamente, a sua imagem de marca, inspirada em Siouxsie Sioux — lábios esborratados de batom, olhos pintados e o cabelo levantado de uma forma despenteada.[41] Fez tanto sucesso que a sua imagem se volveu um ícone.

Robert, que nesta altura se sentia perfeitamente confortável e satisfeito em ser somente um guitarrista — ao contrário do papel central que tinha que desempenhar nos Cure — leva Chris Parry, temendo perder Robert Smith definitivamente para os Banshees, a incitá-lo a gravar algo diferente e mais comercial.[42]

Kew Gardens, em Londres, local onde foi gravado o videoclipe para The Caterpillar.

Antevendo o descontentamento e desilusão dos fãs, Robert sugere gravar com um nome diferente que não The Cure, mas Chris Parry consegue convencê-lo dos benefícios.[43] Por outro lado, Robert, nesta altura, estava com intenções de terminar com os Cure ou, no mínimo, com todo o misticismo à sua volta, daí que não tenha sido assim tão difícil convencê-lo a gravar algo completamente antagónico ao que os Cure representavam até esta altura. Assim, ainda no fim de 1982, surge o single Let's Go To Bed e mais tarde, já em 1983, The Walk (#12/UK) e The Lovecats (#7/UK). Com esta aventura no mundo dos sintetizadores e do synthpop, que estava em voga na altura, os Cure conseguem alcançar algum público mainstream que até então não lhes prestava qualquer atenção. Lol Tolhurst, não conseguindo evoluir mais na bateria e estar à altura que os novos desafios exigiam, resolveu passar para os teclados e construir melodias. Andy Anderson, um virtuoso, seria o baterista nas gravações de 1983 e futuramente seria integrado na banda, enquanto que o produtor e baixista, Phil Thornalley assumiria o lugar deixado vago por Simon.[44]

Neste período, numa altura de indefinição quanto ao futuro dos Cure, Robert Smith inicia um projecto paralelo com o baixista dos Banshees, Steve Severin, de nome The Glove. Apenas editam um álbum, Blue Sunshine, que foi bastante marcante para os dois até pelo afamado consumo excessivo de drogas psicadélicas que usavam na altura enquanto viam filmes Série B e Z pela madrugada fora. Andy Anderson seria, também, o baterista deste projecto.[42]

Em 1984, os The Cure, editam The Top, já com Porl Thompson, que, como se sabe, tinha estado associado aos Easy Cure — o período embrionário dos Cure.[45] Importa referir as enormes influências psicadélicas e portanto com muitas drogas à mistura, assim como é relevante mencionar a passagem de Robert pelos Banshees, a digressão que estes fizeram por Israel e o flamenco.[46] É um trabalho bastante diferente de tudo o que já tinham feito e mesmo algo estranho para os seus fãs, ainda que, com o tempo, pela sua singularidade e excentricidade se tem volvido um álbum de culto. Um álbum que de tão estranho foi recebido friamente por todos e em especial pela imprensa e em parte Robert concorda com as críticas, pois, segundo ele, na altura, os Cure era ele e umas quantas pessoas e não verdadeiramente uma banda. Robert Smith tocou neste álbum todos os instrumentos — com a excepção da bateria — e pode-se mesmo falar, se não de um álbum a solo, de álbum quase inteiramente desenhado por este.[47] The Caterpillar (#14/UK) será o único single deste trabalho. Da tour de 1984, ainda que apenas vocacionado para o mercado japonês, seria editado o concerto de Tóquio denominado Live In Japan. Logo após este concerto, por distúrbios causados em um hotel, Andy Anderson, é descartado e enviado de volta a Londres. Aterram nos Estados Unidos sem baterista mas após uns poucos concertos com Vince Ely dos Psychedelic Furs a fazer o lugar, Boris Williams é contratado definitivamente.[48]

Sucesso comercial (1985–1993)[editar | editar código-fonte]

Em 1985, após uma longa conversa em um bar, Simon Gallup faz as pazes com Robert Smith e regressa aos Cure. Agora já com uma verdadeira banda e para alegria de Smith,The Head On The Door é lançado e desta vez conseguem verdadeiramente atingir o mainstream de forma consistente e irromper no mercado norte-americano. A formula era clara e representava uma cedência de Smith na sua receita incondicional até então: letras angustiantes, como sempre, mas agora com um som mais polido e amiga do ouvinte. Os singles "In Between Days" e "Close To Me" seriam canções emblemáticas na sua carreira — a tal ponto que ainda hoje se ouvem em qualquer lugar — contudo, para além destes clássicos, este álbum possui outras preciosidades, de cariz menos comercial mas que marcam igualmente a história da banda como "Sinking", "Push", ou mesmo "A Night Like This". Foi um álbum bastante marcante na carreira do grupo devido ao seu som mais comercial e em consequência muito mais abrangente em termos de público, pois até aqui tinham sido essencialmente um grupo conhecido em certos circuitos alternativos e isto significou um interesse repentino generalizado e obviamente um enorme sucesso financeiro. De repente, os Cure estavam no topo das bandas mais famosas do mundo, Robert era capa de revistas para adolescentes e um sex-symbol. Uma particularidade deste álbum é que a música "The Blood" teria sido escrita após Robert Smith ter bebido uma garrafa de vinho do Porto, Lágrima de Cristo.[49] Tentaram fazer uma música inspirada em fado, mas como os resultados não foram satisfatórios, decidiram-se por um som inspirado em flamenco. Esta curiosidade foi confirmada ao público português no concerto de Lisboa de Novembro de 2016.

Robert Smith em 1985

Em 1986, o fenómeno de popularidade atinge um nível ainda mais elevado assim que a banda edita a compilação Standing on a Beach / Staring at the Sea. "Boys Don't Cry", que, em 1980, quando foi originalmente editada, não obteve o sucesso esperado, em 1986 passa a ser o hino da banda para milhões de jovens do ocidente. Neste mesmo ano, por curiosidade, e para que se tenha noção da loucura que se vivia em torno da banda, Robert Smith chocou o mundo da música rock quando apareceu de cabelo cortado — a MTV, o mais famoso canal de música da altura, dedicou vários blocos noticiosos acerca do premente assunto. Sobre o tema, Robert afirmou: "è muito mau quando as pessoas te reconhecem pelo teu corte de cabelo e não pela tua música. Estava farto de ver tantas pessoas que se pareciam comigo."[50] Da tournée de 1986 seria editado o vídeo, dirigido pelo habitual Tim Pope, In Orange.

Em 1987 gravam no sul de França um disco duplo, Kiss Me Kiss Me Kiss Me um projecto arrojado, com belas músicas pop em contraste com músicas cheias de raiva, exasperação e ódio, relembrando o período mais negro da banda. "Why Can't I Be You?", "Catch", "Hot Hot Hot!!!" e "Just Like Heaven" são algumas músicas do lado pop, que contrastam com "The Kiss", "Torture" ou "If Only Tonight We Could Sleep", entre outras. Mantiveram a formula iniciada no álbum anterior Actuam pela primeira vez num país lusófono — o Brasil, com oito concertos: três no Ibirapuera em São Paulo, dois no Gigantinho em Porto Alegre, dois no Maracanãzinho no Rio de Janeiro e um no Mineirinho em Belo Horizonte.[51] Lol Tolhurst, estava cada vez mais com dificuldades para actuar ao vivo devido aos seus problemas de alcoolismo, levando Robert Smith a ter que decidir convidar Roger O'Donnell, dos The Psychedelic Furs, para assegurar-se de que os teclados não seriam descurados.[52]

Em 1989, surge o trabalho que é considerado, pela crítica especializada e de uma forma mais ou menos consensual, o melhor álbum da banda — Disintegration. Gravado numa fase particularmente difícil para Robert, tanto pela exposição mediática cada vez mais exigente como pela pressão de seguir esta linha mais comercial, mas ainda mais porque, na altura, vivia a angústia da passagem para os trinta anos tentando consciencializar-se de que o passado não tinha regresso. Robert, consegue canalizar toda a sua depressão para as suas letras e música e desta vez não faz cedências comerciais — para grande horror da sua editora que esperava hits na esteira dos singles anteriores e as gravações não apontavam de todo para esse lado.[53] O espectro de Pornography estava de regresso — isolamento, incerteza, angústia, arrependimento, relações condenadas, perda de fé — mas nunca o triste e o belo, na carreira da banda, esteve tão perto da perfeição. Para alívio da editora, pouco tempo depois, foi considerado o álbum do ano para a Melody Maker e novamente um sucesso comercial ainda mais esmagador. Com este disco e especialmente com os singles, alcançam bastante atenção mundial, e em particular no mercado mais apetecível que é os Estados Unidos — "Fascination Street", "Pictures Of You", e principalmente, "Lullaby (#5/UK)" e "Lovesong" (#2/US) atingem óptimas posições nas tabelas. Laurence Tolhurst, é, inevitavelmente e para bem de todos, afastado da banda devido aos seus infindáveis problemas com o álcool e fraca, ou mesmo inexistente, contribuição, logo após um ultimato do resto do grupo a Robert Smith. Em consequência, Roger O'Donnell, que já tinha sido convidado por Robert em 1987, passa a assegurar a função a tempo inteiro.[54] Após uma tournée mundial — que pela primeira vez passa por Portugal, no Estádio de Alvalade em Lisboa, [55] — Robert despede-se com um "goodbye and I'll never see you again" ("adeus e nunca mais vos verei novamente"). Afirmou igualmente à imprensa que esta seria a sua última tournée,[56] ainda que o ambiente intenso com que viveram as gravações e tournée tenham deixado marcas no relacionamento entre os membros da banda, as suas ameaças não se vieram a confirmar.

Beachy Head, no Sul de Inglaterra, local onde foram gravados os videoclipes de "Just Like Heaven" e "Close To Me".

Em 1990, "Lullaby" recebe um Brit Award para a categoria de "melhor videoclipe".[56] Neste mesmo ano, O'Donnell, sentido-se algo à parte, opta por deixar a banda e é substituído por um roadie dos Cure, Perry Bamonte, que nunca tinha tocado teclados na vida.[58] Ainda em 1990, com o seguinte álbum, Mixed Up, — talvez, uma vez mais, em uma tentativa deliberada de se libertar de quaisquer rótulos e mesmo de resfriar o estatuto de estrela que tinha alcançado — Robert Smith surpreende todo o mundo, e novamente os seus fãs, ao apresentar uma colectânea de remixes de alguns dos seus mais conhecidos temas. Deste álbum serão extraídos os singles, "Never Enough" (inédito) e "Close To Me" (versão remix).

Em 1991, os leitores do jornal de música britânico, Sounds, elegem os The Cure como a "melhor banda ao vivo". Ganham também o prémio para o "melhor vídeo promocional" ("Never Enough"), enquanto Robert ganha o prémio de "melhor músico" e "melhor voz masculina".[59] Ainda, em 1991, vencem outro Brit Award — desta vez são distinguidos como a "melhor banda britânica".[60]

Em 1992 sai um novo disco de originais, Wish, que tinha a difícil missão de superar o admirável e aclamado Disintegration. Por isso mesmo, para muitos, foi uma decepção, mas esquecendo o facto de ser praticamente impossível igualar tal objectivo, Wish não deixa de ser notável. "A Letter To Elise", "High" e especialmente "Friday I'm In Love" foram os singles que mais uma vez atingiram os lugares cimeiros das tabelas de vendas mundiais. Este trabalho atingiu o pico de álbuns mais vendidos no Reino Unido, foi segundo nos Estados Unidos e foi o que mais sucesso comercial teve até à data, excluindo as compilações .[61] Ignorando a parte comercial, que tinha e representava a volta à receita do álbum de 1985, esta não era, apesar das acusações, de todo a sua essência. Os velhos Cure, melancólicos e depressivos, continuavam presentes em temas incontornáveis na sua carreira como "Open", ou "From the Edge of the Deep Green Sea" e obviamente no tema que dava nome ao álbum — "To Wish Impossible Things".

Os The Cure tinham atingido o auge da sua fama e ao mesmo tempo muita saturação por tudo o que implica esse tipo de exposição massiva. Seguiu-se mais uma gigantesca tournée mundial, da qual seriam editados dois álbuns; Show, com o lado mais comercial, e Paris, priorizando as canções mais intimistas. Aqui terminava mais uma fase dos The Cure. Boris Williams e Porl Thompson — ambos já referências na sonoridade e misticismo inerente à banda — estavam de partida.[62]

Declínio comercial (1994–1999)[editar | editar código-fonte]

Simon Gallup na sua pose habitual

Após a debandada, Robert Smith teve também que lidar com o processo judicial que Lol Tolhurst lhe movera em 1991, contra a sua pessoa e a Fiction Records, por direitos sobre o nome da banda e mais direitos financeiros que julgara ter.[63] Apesar de ter perdido o caso, Lol Tolhurst, também causa danos à banda, que neste período praticamente deixou de existir.

Em 1995, Robert consegue juntar alguns elementos e começa a pensar mais seriamente em um novo álbum. Roger O'Donnell tinha sido convidado novamente e Perry, assim, deixa os teclados para passar a usar a guitarra a tempo inteiro. Simon, sem novidade, continua no baixo. Como solução para a falta de baterista decidem colocar um anúncio na NME e Jason Cooper, um desconhecido até então, consegue o lugar.[64] Fazem uma pequena tournée por festivais europeus, incluindo o Super Bock Super Rock em Lisboa.[65]

É apenas em 1996 que editam um novo álbum, Wild Mood Swings — um hiato demasiado longo para um mundo demasiado activo e sedento de novas direcções e que praticamente já os tinha esquecido e vivia absorvido pelo britpop. Britpop que prestava tributo aos Smiths mas que ignorava e, por vezes, maltratava de forma veemente a banda de Robert Smith. No entanto, é inegável que o álbum fica bastante longe das expectativas criadas por Robert e pelos próprios fãs. Um álbum bastante heterogéneo e com sonoridades, novamente, completamente atípicas até então, com vários bateristas nas gravações e assim, desta vez, não obteve qualquer complacência. Pela primeira vez um álbum de originais dos Cure tinha vendido (muito) menos que o seu antecessor.[66] Seguiu-se uma nova tournée mundial que, mesmo apesar do fracasso comercial do álbum, enche as salas de espectáculos por todo o mundo. Apresentam-se novamente em terras tupiniquins no Pacaembu em São Paulo e na última edição do Hollywood Rock Festival no Rio de Janeiro,[51] motivados por um abaixo-assinado de fãs brasileiros.[67] Iniciava-se uma longa travessia no deserto preenchida por alguns festivais de verão, algumas colaborações e uma nova compilação de singles em 1997 intitulada Galore, que não alcançou o sucesso esperado. A fase de declínio tinha-se instalado e já ninguém tinha boas palavras sobre a banda, antes pelo contrário.

Ainda em 1998 passam pela terceira vez em Portugal, inseridos uma vez mais no contexto de uma pequena tournée por alguns festivais europeus — agora regressavam para um concerto no Festival do Sudoeste, em Portugal,[68] e para o primeiro concerto — totalmente grátis — na Praia de Riazor, em Corunha, Galiza[51]

Ressurgimento e reconhecimento (2000 - presente)[editar | editar código-fonte]

Em 2000 os The Cure regressam para, segundo Robert Smith, completar a trilogia iniciada com os álbuns Pornography e Disintegration — esse álbum seria Bloodflowers. Apanhando alguns de surpresa, mas já com muitas reservas por parte de outros mais experientes, Robert afirma que acabaria com os Cure logo após o fim da tournée de suporte do álbum .[69] Mais uma vez a sua "ameaça" não seria concretizada. O disco, apesar de não estar ao nível dos outros dois, reanima indiscutivelmente os The Cure, alimentando um repentino e quase já inesperado entusiasmo pela banda mesmo sem qualquer single editado. O álbum foi nomeado para um Grammy Award na categoria de melhor álbum de rock alternativo.[69] A tournée mundial foi vista por mais de um milhão de pessoas e após muitos anos de desinteresse geral começou-se a sentir um inverter da tendência. Este seria o último álbum de originais que gravariam pela Fiction Records.

Em 2002 realizaram uma nova tournée europeia por festivais do velho continente, incluindo, uma vez mais, o Festival do Sudoeste em Portugal[70] e, em Novembro do mesmo ano, realizam os extraordinários concertos da trilogia (Pornography, Disintegration e Bloodflowers) nas cidades de Bruxelas e Berlim. Em cada uma destas três noites a banda apresenta ao vivo as três obras completas perante uma audiência em êxtase. As duas últimas noites podem ser revistas, parcialmente, no DVD Trilogy entretanto editado pela banda.

Apesar de já algumas (poucas) bandas o terem referido no passado, é por esta altura que começam mais frequentemente a mencionar Smith e os Cure como uma das suas principais influências. Smashing Pumpkins, Placebo, Interpol, Mogwai, Deftones, Bloc Party, Dinosaur Jr., Blink-182, Jane's Addiction, My Chemical Romance, Hot Hot Heat, The Rapture, Thursday, são algumas das bandas que se podem referir,ainda que omitindo uma interminável lista de bandas góticas que foram e continuam a ser, obviamente, muito influenciadas pelos Cure. A banda é agora considerada, por várias publicações, uma das bandas que mais influenciou o rock alternativo moderno e assim o seu estatuto começa novamente a ser restabelecido.[71] Neste sentido, é com naturalidade que a banda recebe o prémio — "The Most Inspiring Band" — da revista inglesa Q, perante uma plateia que recebeu Robert Smith de pé.[72]

Porl Thompson, ex-guitarrista dos The Cure.

Em 2004 lançam um novo álbum com o simples título de The Cure, gravado pela Geffen Records e produzido pelo intenso Ross Robinson — o aclamado padrinho do Nu Metal. A experiência para alguns dos membros não foi a mais agradável ainda que Robert não tenha apresentado grandes queixas pessoais e tenha considerado que nenhum outro álbum tenha sido realizado com tanta paixão quanto esse. Inesperadamente, foi mais aclamado pela imprensa internacional que pelos próprios fãs, considerando este álbum como o melhor desde o Disintegration.[73] A MTV promove uma homenagem à banda — MTV Icon — com a presença de bandas que nos apresentam covers e depoimentos de alguns músicos falando acerca da importancia que os Cure tiveram para as suas bandas e para as suas próprias vidas. Estiveram presentes: Razorlight, AFI, Red Hot Chili Peppers, Audioslave, Air, Good Charlotte, The Rapture, The Killers, Marilyn Manson, Metallica, Interpol, Deftones, Blink-182, Placebo, etc.

Entram para o Rock Walk of Fame e passam a figurar ao lado das maiores lendas de música rock mundial.[69] Fazem uma pequena tournée europeia que passa pelo Festival de Vilar de Mouros, em Portugal[75] e Festival Xacobeo, em Santiago de Compostela, Galiza.[76] Após esta, Perry e Roger saem da banda sem grandes revelações dos motivos e Porl Thompson para grande gáudio dos fãs regressa. Roger, bastante amargurado, faz comentários bastante depreciativos em relação a Robert e à banda e jura nunca mais voltar. A reestreia de Porl deu-se no palco de Paris do Live 8 em 2005.

Em 2005 fazem uma nova tournée com a "nova banda" por alguns dos maiores festivais Europeus e que em 2006 seria editado em DVD com o nome Festival 2005. Durante o período entre 2005 e 2007, Robert Smith protelou sucessivamente a apresentação do novo álbum da banda alegando falta de inspiração, inclusivamente adiando uma tournée que passaria pelos Estados Unidos e Canadá a fim de terminar o álbum o mais rápidamente possível. Em Julho de 2007 teve início uma digressão mundial que começou na Ásia, passou por Oceania (Austrália e Nova Zelândia) mas foi abruptamente adiada quando se preparava para chegar aos Estados Unidos pelos motivos acima referidos. Em 2008 esta tournée passou pela Europa, incluindo um concerto no Pavilhão Atlântico em Portugal,[77] seguindo posteriormente para América do Norte.

Em 27 de Outubro de 2008, é lançado na maior parte dos países da UE, inclusive Portugal, o décimo terceiro álbum de originais da banda, 4:13 Dream, após quatro singles de promoção e um EP. Com a excepção do tema de abertura, que nos remete para ambientes do Disintegration, não convenceu ninguém.

Entretanto, Porl Thompson, logo depois desta tournée e apanhando a todos de surpresa, é misteriosamente afastado da banda sem qualquer explicação oficial, apenas sendo irrefutável esta alegação porque desde então nunca mais apareceu em qualquer evento da banda. Até ao momento permanece um tabu.

Em 2011, os Cure fazem os concertos especiais "Reflections", que pretendiam emular a ideia do "Trilogy" de 2002, sendo que desta vez recriam os três primeiros álbuns da banda — Three Imaginary Boys; Seventeen Seconds; Faith. Foram realizados concertos — a preços exorbitantes — em Sidney, Londres, Nova Iorque e Los Angeles. Roger O'Donnel e Lol Tolhurst — este último, após recuperação dos seus problemas de alcoolismo e anos a ponderar sobre o que se passou resolveu escrever a Robert pedindo desculpa — foram convidados para integrar a banda nesta pequena digressão. Roger anunciaria, em Setembro, perante a perplexidade de muitos, que estava de regresso à banda pela terceira vez. Foram também indicados, pela primeira vez, para o Rock and Roll Hall of Fame, mas acabaram por não ser seleccionados.

Foi ainda editado, no final de esse ano, o álbum "Bestival Live 2011", sucedendo, no que concerne a registos ao vivo, ao álbum de 1993, Show.

Em 2012, deram a conhecer ao mundo que iriam fazer mais um digressão pelos maiores festivais europeus e passaram, assim, pela sétima vez por Portugal — desta vez pelo Festival Optimus Alive. Esta digressão, teve a participação do lendário guitarrista de David BowieReeves Gabrels, que já tinha trabalhado com Robert no single Wrong Number de 1997 — e este demonstrou a destreza necessária e a habilidade para fazer esquecer, parcialmente, Porl Thompson. Reeves é neste momento membro integrante da banda.

Sem apresentar qualquer novo trabalho, ou novidades, têm feito digressões pelo mundo perante salas esgotadas — assim, passaram pelo Rio de Janeiro e São Paulo em 2013 e mais recentemente, em 2016, por Lisboa.

Características musicais[editar | editar código-fonte]

The Cure ao vivo no Pavilhão Atlântico, Lisboa, em Março de 2008

A música dos The Cure tem sido categorizada como uma das principais bandas de rock gótico[78], subgénero do rock alternativo, ainda que, Robert Smith tenha dito em 2006 que "é patético que o 'gótico' ainda se cole ao nome The Cure", considerando o sub-género "incrivelmente estúpido e monótono. Verdadeiramente lastimoso".[79] Ainda assim, Smith afirma que "não somos categorizáveis. Suponho que fossemos pós-punk quando aparecemos, mas na totalidade é impossível. Eu só toco 'música Cure', seja lá o que isso for."[80]

Ainda sobre este mesmo tema, Robert Smith, uma vez mais questionado sobre o assunto, em 2008, para a NME, respondeu:

"Quando fizemos o álbum Faith em 1981, o gótico ainda não tinha sido inventado e éramos uma "raincoat band". Estávamos a inventar o gótico com esse álbum e o Pornography. Mas nós não o éramos, estávamos apenas a tocar música emocional. Sentia-me um pouco desesperado na altura; a banda no seu todo era um pouco desesperante e pensávamos que ia acabar com o Pornography."[81]

Apesar de serem vistos como produtores de música obscura e sombria, os Cure também obtiveram sucesso com algumas músicas alegres. A Spin Magazine, escreveu que "Os Cure sempre foram uma banda do tipo: Robert Smith ou está afincadamente dedicado a uma tristeza gótica ou está a lamber um algodão-doce pegajoso dos seus dedos manchados de batom".[82]

O estilo musical primário dos Cure tem sido listado como "linhas de baixo melódicas e dominantes; vozes lamuriosas e sufocantes; e uma obsessão lírica com o existencial, quase um desespero literário".[83] A maior parte das músicas dos Cure começam com as partes de baixo e de bateria de Smith e Gallup. Ambos gravam demos em casa e depois em estúdio aperfeiçoam suas ideias. Smith afirmou em 1992, "Penso que quando as pessoas falam comigo acerca do som dos Cure, referem-se ao baixo de 6 cordas, guitarra acústica, e à minha voz, mais o som de cordas do Solina".[84] Por cima desta base é acrescentado "grandes camadas de guitarras e sintetizadores"[1] Os teclados sempre foram um componente no som da banda desde o Seventeen Seconds, e a sua importância aumentou com o uso proeminente no Disintegration.[85]

Legado[editar | editar código-fonte]

Influência[editar | editar código-fonte]

Os The Cure têm servido como uma influência principal em diversos artistas que emergiram durante os trinta anos de carreira da banda, incluindo Jane's Addiction,[86] The Smashing Pumpkins,[87] e Dinosaur Jr.[88] Smith notou que ele vê as bandas influenciadas pelos Cure, Interpol e My Chemical Romance, com afecto, adicionando que "também acho a obsessão com Simon [Gallup] de Carlos D. [baixista do Interpol] fofa".[89] Além disso, o grupo foi uma das primeiras bandas alternativas a ter um sucesso comercial nas tabelas de vendas numa era antes do rock alternativo ter chegado ao mainstream. Em 1992, a NME afirmou que os Cure se tornaram, durante os anos 1980, "uma máquina de sucessos gótica (19 até hoje), um fenómeno internacional e, sim, a banda alternativa mais bem sucedida que já vagou desconsoladamente pela Terra".[90]

The Cure na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Várias referências foram feitas aos The Cure e à sua música na cultura popular. Diversos filmes usaram títulos de canções dos Cure como títulos de filme, incluindo Boys Don't Cry (1999) e Just Like Heaven (2005). A série de TV One Tree Hill tem feito várias referências ao grupo: vários episódios têm nomes de canções como "To Wish Impossible Things", "From The Edge of the Deep Green Sea", "The Same Deep Water as You" e "Pictures of You". A música "Apart" teve um papel proeminente em um dos últimos episódios da 1ª temporada. Adicionalmente, na 3ª temporada, Peyton e Elie entram em uma discussão quanto a qual é o melhor álbum dos Cure: Disintegration ou Wish. E no final da 5ª temporada, Peyton escreveu a letra de "Lovesong" no chão da Rivercourt.

Em algumas situações, a imagem obscura dos Cure tem sido parodiada. No segundo ano de The Mighty Boosh, The Moon canta o refrão de "The Lovecats". Noutro ponto desta série, um poderoso spray para cabelo, o Goth Juice, é dito ser "O mais poderoso spray de cabelo conhecido pelo homem; feito das lágrimas de Robert Smith". The Mary Whitehouse Experience mostrava frequentemente breves clipes das estrelas do show cantando músicas cómicas e rimas de enfermaria como os The Cure em um estilo deprimente. Robert Smith apareceu no episódio final da primeira série de The Mary Whitehouse Experience, dando um soco no personagem Ray (interpretado por Robert Newman) enquanto murmurando a frase de impacto de Ray "Oh no what a personal disaster" ("Oh não, que desastre pessoal").

Robert Smith deu voz a si próprio na primeira temporada da série animada South Park[91] a pedido de um dos criadores, Trey Parker, um fã dos Cure.[92] Smith apareceu no episódio "Mecha-Streisand", onde lutou contra a gigante metálica Barbra Streisand. Assim que se afasta triunfante pela montanha acima no fim do episódio, o personagem Kyle Broflovski grita "O Disintegration é o melhor álbum de sempre".[93] A banda estima ter vendido 27 milhões de albuns até 2004.[94]

Na série, Mr. Robot, pode-se escutar Pictures of You enquanto Elliot se relembra da sua amada, Shayla, assassinada. Disintegration era um dos seus álbuns favoritos.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discografia de The Cure

Em 2008, os The Cure tinham editado treze álbuns de estúdio, além de diversos singles, colectâneas, apresentações ao vivo e documentários de gravação.

O grupo também compôs canções inéditas para filmes, como "Burn" para O Corvo, "More Than This" em The X-Files e "The Dredd Song" para Juiz Dredd. Outras canções foram incluídas em bandas sonoras, tais quais "Boys Don't Cry" em The Wedding Singer e Busenfreunde; "In Between Days" em Grosse Pointe Blank; "Just Like Heaven" em Judas Kiss, Gypsy 83, Just Like Heaven e The Man Who Loved Ynge; "Doing the Unstuck" em Gypsy 83; Career Girls, American Psycho e Marie Antoinette.

Também apareceu em séries televisivas como Melrose Place, One Tree Hill, Beavis and Butt-Head, Cold Case, Reunion, entre outras.

Fazem também uma cover de "World In My Eyes" para o álbum de tributo aos Depeche Mode, For The Masses.

Integrantes[editar | editar código-fonte]

Actuais[editar | editar código-fonte]

Ex-integrantes[editar | editar código-fonte]

Prémios[editar | editar código-fonte]

Certificados da RIAA[editar | editar código-fonte]

Informações retiradas da base de dados da RIAA.[95]

Certificados da BPI[editar | editar código-fonte]

Informações retiradas da base de dados da Indústria Fonográfica Britânica.[96]

Award Shows[editar | editar código-fonte]

Referências

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  7. a b c d e Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 6
  8. a b c d e f g h i Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith
  9. a b c d e Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 8 Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "BSSRS8" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "BSSRS8" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "BSSRS8" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  10. Apter, pg. 38
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  13. Apter, pg. 46
  14. a b Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg.11
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  21. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 26, 27, 28
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  24. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 30, 31
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  27. Ross Clarke, pg. 61, 66
  28. a b Dave Thompson, Jo-Ann Greene, pg. 23
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  30. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 44,45
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  34. Luke Lewis. "Release The Bats". NME.com. 5-03-2009. The Cure – One Hundred Years. Its opening track set the mood: spidery dissonance, fractured imagery, and an overarching mood of terrifying nihilism. Most gothic moment: "It doesn't matter if we all die" – the most quintessentially goth opening line to any album ever?
  35. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 54, 55
  36. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 55
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  39. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg. 60
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  43. Barbarian, Steve Sutherland, Robert Smith, pg 62
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  45. Ross Clarke, pg 114
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • The Cure: Songwords 1978-1989 S. Hopkins, Robert Smith and T. Foo (1989) Omnibus Press ISBN 0-7119-1951-8
  • In Between Days: An Armchair Guide To The Cure por Dave Thompson, Helter Skelter Publishing (October 2005) ISBN 1-905139-00-4
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  • Robert Smith: "The Cure" and Wishful Thinking por Richard Carman (2005) Independent Music Press (UK) ISBN 978-0-9549704-1-3
  • Après la Pluie, por David Fargier (2004) Editions Vents d'Orage ISBN 2-9522546-0-5
  • Success Corruption & Lies, por Ross Clarke (1992) Kingsfleet Publication ISBN 1-874130-03-5
  • The Cure", por Jo-Ann Greene (1986), Bobcat Books ISBN 0-7119-0805-2
  • Catch: Robert Smith And The Cure, por Daniel Patton (1997) The Dunce Directive ISBN 0-9522068-1-1
  • The latest album by The Cure (L'ultimo disco dei Cure), por Massimiliano Nuzzolo (2004) Sironi Publisher. ISBN 8-8518-0027-8.
  • Never Enough: The Story of the Cure, por Jeff Apter (2006) Omnibus Press. ISBN 1-84449-827-1
  • One Hundred Songs The Dark Side Of The Mood, por Jean-Christophe Bétrisey - David Fargier (2007), éditions Tricorne.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Outros[editar | editar código-fonte]