The Man Who Played God

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The Man Who Played God
O regresso duma alma (PRT)
O Homem Deus (BRA)
 Estados Unidos
1932 •  pb •  80 min 
Direção John G. Adolfi
Produção Darryl F. Zanuck
Roteiro Julien Josephson (roteiro)
Maude T. Howell (roteiro)
Jules Eckert Goodman (peça)
Gouverneur Morris (conto)
Elenco George Arliss
Violet Heming
Bette Davis
Gênero Drama
Música Leo F. Forbstein
Idioma inglês

The Man Who Played God (br.: O Homem Deus / pt.: O regresso duma alma) é um filme de drama estadunidense de 1932 dirigido por John G. Adolfi e produzido por Darryl F. Zanuck para a Warner Bros..

É uma refilmagem de película do cinema mudo homônima de 1922, com o mesmo protagonista George Arliss, por sua vez baseado em conto de 1912 de Gouverneur Morris. Em 1955 houve outra versão, com o título de Sincerely Yours e estrelado por Liberace.

Warner Bros. promoveu o filme como um exemplo de que os estúdios de cinema norte-americanos eram capazes de produzirem filmes com elevados valores morais e sociais sem precisarem de interferências de agentes de fora da industria cinematográfica.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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Em Paris, o famoso e popular pianista concertista Montgomery Royle se prepara para viajar para Nova Iorque com a irmã Florence e a jovem secretária víúva Mildred que secretamente o ama. Antes de partir, Royle fica noivo de sua aluna, Grace Blair, e resolve atender a um pedido do Rei, dando-lhe uma audição particular. No momento em que tocava, uma bomba disparada por revolucionários contra o monarca explode, e Royle imediatamente fica surdo. Desesperado, o pianista desiste de continuar a carreira e se torna extremamente amargo e frequentemente blasfemando contra Deus. Mesmo atendendo a uma sugestão de aprender leitura labial, ele continua deprimido e tenta o suicídio. Até que começa a observar as pessoas em um jardim próximo com um binóculo e, ao se inteirar dos dramas pessoais de cada um, bem mais graves que o dele, resolve ajudar as pessoas anonimamente, "brincando de Deus".

Produção[editar | editar código-fonte]

Warners tinha realizado The Man Who Played God em 1922 baseado na peça de teatro de 1914 The Silent Voice de Jules Eckert Goodman, que adaptou a história de Gouverneur Morris publicada no Cosmopolitan em 1912.[1] Para a produção de 1932, uma adaptação livre foi escrita por Julien Josephson e Maude T. Howell. Arliss também contribuiu para o roteiro e foi pago mas sem ser creditado.[2]

Em setembro de 1931, desapontada com a carreira dela em Hollywood até ali, Bette Davis queria retornar para Nova Iorque quando George Arliss ligou e a convidou para discutir o papel de Grace Blair com ele. Achando que fosse uma piada, Davis mais tarde relembrou (tradução livre): "Eu respondi imitando um sotaque inglês" e falei "Claro, Senhor Arliss. Com alegria digna de você". O ator finalmente convenceu Davis de que era ele mesmo no telefone e ela respondeu que iria se encontrar com ele imediatamente. "Minha ansiedade e alegria eram indescritíveis ... Um filme de Arliss tinha prestígio – muito melhor que The Menace, e que apesar de tudo, fora Murray Kinnell do elenco daquele filme que a sugerira para o papel ... Mesmo de tudo que é ruim se aproveita alguma coisa boa. Sempre acreditei nisso".[3][4]

Aos 63 anos de idade, mais de 10 anos do que o personagem, Arliss sabia que era muito velho para o papel e se preocupava que a diferença de idade dele para a da atriz que interpretasse Grace Blair aparecesse ridícula. Para tanto ele esperava que a interpretação dela do amor que sentia pelo herói idoso fosse convincente. Após entrevistar muitas mulheres jovens, ele achou que Davis era a que tinha mais capacidade de segurar o personagem. Ele a enviou para o maquiador particular do estúdio Perc Westmore, que sugeriu clarear o cabelo loiro dela para causar maior impressão na tela. "Ele estava certo. Em The Man Who Played God – pela primeira vez – eu realmente gostei de minha aparência. Foi para mim um novo sopro de vida". Os dois se tornaram amigos próximos, e Westmore foi o maquiador de Davis em mais de doze filmes.[3]

Após a uma versão editada do filme, Jack L. Warner contratou Davis por cinco anos, pagando inicialmente 400 dólares por semana. Ela ficou na Warner Bros. pelos dezoito anos seguintes, e Davis ficou grata de Arliss pelo resto de sua vida, atribuindo-lhe o fato da "carreira ter finalmente emergido".[3] De Davis, Arliss escreveu em sua biografia de 1940, My Ten Years in the Studios, "Eu não esperava nada mais do que uma agradável atuação. Mas quando a assisti ela me assustou; o pequeno papel se transformou numa profunda e realista criação, e eu me senti humilhado por aquela jovem moça ter descoberto e revelado algo que minha imaginação não tinha conseguido conceber ... Para mim não é surpresa que Bette Davis seja agora a estrela mais importante do cinema".[3]

As composições musicais no filme incluem Fantaisie-Impromptu de Frédéric Chopin, Sontata para Piano No. 14 de Beethoven, conhecida como Sonata ao Luar e Onward, Christian Soldiers de Arthur Sullivan.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

The Man Who Played God foi inicialmente pensado para ser exibido em cinemas pequenos do interior em 1932. Warners mudou de estratégia quando o filme recebeu boa aceitação da Organização Hays; o estúdio decidiu que a produção poderia ser um oportuno exemplo de entretenimento saudável. [nota 1]. Assim, após um breve lançamento especial em Los Angeles e New York em 9 e 10 de fevereiro respectivamente, houve o lançamento geral em 20 de fevereiro.[5][6]

Foi um sucesso modesto de bilheteria e deu lucros para o estúdio[2]:128. Foi o mais popular filme de Arliss[2]:120.

Na Inglaterra, os censores rejeitaram o título do filme que foi mudado para The Silent Voice.[7]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Mordaunt Hall do The New York Times opinou: "É uma história cuidadosamente concebida ao se tratar de cinema, com satisfação e alegria nas cenas iniciais, depois um período de melancolia, e terminando com episódios de gratidão e felicidade ... e apesar de um pouco letárgico às vezes, tem um toque de genuína e atraente gentileza tanto que não chegamos a desejar que acelere". Ele achou que o "Senhor Arliss revela outra de suas eficientes e meticulosas interpretações" mas sente que Davis "muitas vezes falava apressadamente" [8][nota 2].

Martin Quigley, editor de jornal comercial e funcionário do Gabinete Hays, deu ao filme entusiásticas recomendações em seu Motion Picture Herald e outros dois companheiros da equipe fizeram o mesmo.[9] A resenha do Film Daily foi também positiva, destacando a atuação de Arliss, e foi mais longe ao afirmar que "todos os cumprimentos [ao filme] devem ser dados pelos exibidores".[10]

Nem todas as resenhas foram elogiosas. O crítico da Revista Variety "Rush." achou que a curta história tinha ficado sobrecarregada para um filme de 80 minutos: "... um retrato em que todas as coisas são de valor, mas com pouca substância para ser enfeitada". Ele achou que a interpretação do romance de maio a dezembro entre Arliss e Davis foi inconvincente e destacou apenas Heming, notando a "energia tranquila" de sua atuação.[11] A resenha de Hollywood Reporter recebeu o título de "Clean, Wholesome, and Dull" ou "Limpo, Saudável e Chato".[12]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Ann Forest e George Arliss em cena do filme de 1922

O filme é uma reinterpretação do exemplar de cinema mudo de 1922 de mesmo nome. A diferença mais evidente entre ambos é que no primeiro filme o protagonista volta a ouvir, uma invenção dos criadores que recebeu críticas negativas e foi mudada para a versão de 1932[2]:122. Arliss adaptou o roteiro para o rádio em 1938 repetindo o papel de Royle[2]:120. Outra versão para o rádio, com Raymond Massey, foi apresentada no episódio de Philip Morris Playhouse de 17 de abril de 1942.[13] Em 1955 Warners revisou a história novamente com Sincerely Yours, com Liberace como o protagonista pianista cuja audição vem e vai, uma famosa versão não bem sucedida[2]:128.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. De acordo com um comunicado divulgado pela Warners, esperava que outros "líderes da industria" apoiassem o filme e que "percorresse um longo caminho para silenciar as críticas dos supostos reformistas"[5]
  2. Davis concorda. "Eu sempre tive dificuldades em falar mais devagar dentro ou fora da tela ... William Wyler, quando me dirigiu em Jezebel, ficava constantemente fazendo-me diminuir o ritmo"[3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «The Man Who Played God (1932) – Screenplay Info». Turner Classic Movies Database. Consultado em 18 de março de 2016 
  2. a b c d e f Fells, Robert M. (2004). «The Man Who Played God». George Arliss: The Man who Played God. [S.l.]: Scarecrow Press. pp. 119–131. ISBN 978-0-8108-5160-3 
  3. a b c d e Stine, Whitney; Davis, Bette (1974). Mother Goddam: The Story of the Career of Bette Davis. [S.l.]: Hawthorn Books. ISBN 0-8015-5184-6  Parâmetro desconhecido |pgs= ignorado (ajuda)
  4. Chandler, Charlotte (2006). The Girl Who Walked Home Alone: Bette Davis, A Personal Biography. [S.l.]: Simon & Schuster. ISBN 0-7432-6208-5  Parâmetro desconhecido |pgs= ignorado (ajuda)
  5. a b «To Release Arliss Film Immediately». Motion Picture Herald. 106 (6): 18. 6 de fevereiro de 1932 – via Internet Archive 
  6. «Call Off Roadshowings of New Arliss Picture». The Film Daily. 58 (29): 1. 4 de fevereiro de 1932 – via Internet Archive 
  7. «'The Man Who Played God'; The New George Arliss Picture». The West Australian. 21 de outubro de 1932. p. 2 – via Trove 
  8. Hall, Mordaunt (11 de fevereiro de 1932). «The Man Who Played God». Movies. New York Times. Consultado em 25 de fevereiro de 2014 
  9. Quigley, Martin (13 de fevereiro de 1932). «The Man Who Played God». Motion Picture Herald. 106 (7): 11 – via Internet Archive . No mesmo site: Ramsaye, Terry, "An Impressive Warner Achievement" (p. 10); and McGoldrick, Rita C., "Your Public: 'The Man Who Played GodPredefinição:'" (p. 28).
  10. «George Arliss in 'The Man Who Played God'». The Film Daily. 58 (37): 10. 14 de fevereiro de 1932 – via Internet Archive 
  11. Greason, Alfred "Rush." (16 de fevereiro de 1932). «The Man Who Played God». Film Reviews. Variety. 105 (10): 24 – via Internet Archive 
  12. Doherty, Thomas Patrick (2013). Pre-Code Hollywood: Sex, Immorality, and Insurrection in American Cinema, 1930–1934. [S.l.]: Columbia University Press. p. 106. ISBN 978-0-231-50012-8 
  13. «The Short and Long of Radio». The Evening News (Harrisburg). 17 de abril de 1942. p. 16. Consultado em 1 de agosto de 2015 – via Newspapers.com 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]