The Man Who Sold the World

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The Man Who Sold the World
Álbum de estúdio de David Bowie
Lançamento 4 de Novembro de 1970 (EUA)
Abril de 1971 (RU)
Gravação Trident e Advision Studios, Londres
de 18 de Abril a 22 de Maio de 1970
Gênero(s) Rock
Duração 40:37
Gravadora(s) Mercury
Produção Tony Visconti
Opiniões da crítica

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Cronologia de David Bowie
Último
David Bowie
(1969)
Hunky Dory
(1971)
Próximo
Capa alternativa da edição dos EUA
Capa alternativa da edição alemã, 1971
Relançamento de 1972 pela RCA

The Man Who Sold the World é o terceiro álbum de estúdio do músico britânico David Bowie. Foi originalmente lançado nos Estados Unidos pela Mercury Records em novembro de 1970, e em abril de 1971 no Reino Unido. O álbum foi o primeiro de Bowie com o núcleo que viria a ser "The Spiders from Mars", a banda de apoio que se tornou famosa por The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars em 1972. Apesar do autor David Buckley ter descrito o álbum anterior de Bowie, Space Oddity, como "o primeiro verdadeiro álbum de Bowie",[1] os críticos da NME Roy Carr e Charles Shaar Murray disseram de The Man Who Sold the World, "é onde a história realmente começa".[2] Deixando a folk music do segundo álbum de Bowie,[3] The Man Who Sold the World é um disco de hard rock e heavy metal.[4] Afirma-se também que o lançamento deste álbum marca o nascimento do glam rock.[5]

Composição e gravação[editar | editar código-fonte]

O álbum foi escrito e ensaiado na casa de David Bowie em Haddon Hall, Beckenham, uma mansão eduardiana transformada num edifício de apartamentos que foi descrito por um visitante como tendo a ambientação "da sala de de estar de Drácula".[6] Como Bowie estava ocupado com sua nova mulher Angie na época, a música foi amplamente arranjada pelo guitarrista Mick Ronson e pelo baixista/produtor Tony Visconti.[7] Apesar de Bowie ser oficialmente creditado como o compositor de toda a música no álbum, biógrafos como Peter Doggettor organizaram evidências do contrário, citando Visconti a dizer "as canções foram escritas por todos nós quatro. Fazíamos jams num porão, e Bowie só dizia se gostava ou não". Na narrativa de Doggett, "A banda (às vezes com a contribuição da guitarra de Bowie, às vezes não) gravava uma faixa instrumental, que poderia ou não ser baseada numa ideia original de Bowie. Então, no último momento possível, Bowie se desenroscava do sofá onde ficava deitado com sua mulher, e rascunhava algumas letras."[8]

Visconti se incomodava com a vida de casado de Bowie, durante a a gravação de The Man Who Sold the World, mas ainda assim ele avalia o álbum como seu melhor trabalho com Bowie até Scary Monsters (and Super Creeps).[1] Bowie foi citado numa entrevista de 1998 dizendo "eu me oponho muito à impressão de que eu não compus as canções em The Man Who Sold The World. Você simplesmente tem que checar as mudanças de acorde. Ninguém compõe mudanças de acorde daquele jeito". "The Width of a Circle" e "The Supermen", de qualquer modo, já existiam antes do início das sessões do álbum.[9] Ralph Mace tocou um sintetizador modular Moog emprestado por George Harrison; Mace, com quarenta anos, era um pianista de concertos que era também chefe do departamento de música clássica da Mercury Records.[10]

Música e letras[editar | editar código-fonte]

Muito de The Man Who Sold the World tinha um distinto tom de heavy metal que o distingue dos outros trabalhos de Bowie. O disco é comparado a obras contemporâneas como as do Led Zeppelin e do Black Sabbath.[2] O crítico musical Greg Kot diz que o álbum marca uma mudança de direção de Bowie, rumo ao hard rock.[11] O disco também contém alguns inusitados rodeios musicais, como o uso, na faixa-título, de ritmos latinos para manter a melodia.[1] O peso sonoro do álbum complementa o seu assunto, que inclui insanidade ("All the Madmen"), assassinos frios e comentários sobre a Guerra do Vietnã ("Running Gun Blues"), um computador onisciente ("Saviour Machine"), e mitos lovecraftianos ("The Supermen").[2] A canção "She Shook Me Cold" é a explicação de um encontro  heterossexual. O álbum também é visto como reflexo da influência de figuras como Aleister Crowley, Franz Kafka e Friedrich Nietzsche.[1]

Arte de capa[editar | editar código-fonte]

A edição americana original de 1970 de The Man Who Sold the World utilizou um desenho de estilo cartoon feito por Michael J. Weller, amigo de Bowie, com um cowboy na frente do hospício Cane Hill.[12] A primeira capa britânica, na qual Bowie é visto deitado com um "vestido masculino" Mr Fish, foi um indício prévio do seu interesse por explorar uma aparência andrógena.[7] O vestido foi feito pelo estilista Michael Fish, e Bowie também o usou em fevereiro de 1971, na sua primeira turnê pelos Estados Unidos, onde ele o vestiu durante entrevistas, apesar do fato de os americanos não saberem da capa britânica (na época ainda não lançada).[13] [14] Foi dito que "os cachos loiros branqueados, caindo além do nível dos ombros" de Bowie, foram inspirados em uma pintura pré-rafaelita de Dante Gabriel Rossetti.[15] A edição alemã, de 1971, apresenta uma criatura alada e híbrida, com a cabeça de Bowie e uma mão como corpo, preparada para dar uma pancada na Terra. A reedição mundial de 1972 da RCA usou uma foto preto-e-branco de Ziggy Stardust na capa. Essa imagem permaneceu como arte de capa em reedições até 1990, quando a edição Rykodisc trouxe de volta a capa britância original (com o vestido), que também está na remasterização de 1999 da EMI.

Singles[editar | editar código-fonte]

Originalmente, imaginava-se que na época nenhuma das faixas fora lançada como single para o público, porém uma versão promocional de "All the Madmen" foi editada nos EUA em 1971. Algumas cópias aparentemente foram feitas com "Janine" (do álbum anterior) como o lado B do single "All the Madmen" (Mercury 73173). A mesma canção apareceu na europa Oriental, em 1973, assim como "The Width of a Circle". "Black Country Rock" foi lançada como lado B de "Holy Holy" no Reino Unido em janeiro de 1971, pouco antes do álbum. A faixa-título apareceu como lado B do single americano "Space Oddity" em 1972 e do single "Life on Mars?" no Reino Unido, em 1973. A canção também proporcionou um hit improvável para a cantora escocesa Lulu (produzido por Bowie e Ronson) e, ao longo dos anos, muitas versões foram feitas por diferentes artistas, incluindo Richard Barone em 1987, e Nirvana em 1993, com uma versão de "The Man Who Sold the World" para o Unplugged in New York.

Recepção e legado[editar | editar código-fonte]

The Man Who Sold the World foi, no geral, mais bem-sucedido comercialmente e em críticas nos EUA do que no Reino Unido no seu lançamento original de 1970/1971.[2] Os periódicos de música Melody Maker e NME o consideraram "surpreendentemente excelente" e "particularmente histérico", respectivamente.[7] John Mendelsohn, da Rolling Stone, chamou o álbum de "uniformemente excelente" e comentou que o "uso de eco, transições, e outras técnicas na voz de Bowie" feitas pelo produtor Tony Visconti "servem para reforçar a irregularidade das palavras e da música de Bowie", que ele interpretava como "imagens oblíquas e fragmentadas que, separadas, são quase impenetráveis, mas que, quando vistas em conjunto, conduzem com efeito a um sentido irônico e amargo do mundo".[16] As vendas, na época, não foram suficientes para alcançar os charts em ambos os países, mas o álbum, com seu relançamento em 1972, chegou ao n° 26 no Reino Unido e ao 105 nos EUA, na época de grande avanço na carreira de Bowie, com The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

O álbum foi citado como influência dos elementos de goth rock, darkwave e ficção científica para o trabalho de artistas como Siouxsie and the Banshees, The Cure, Gary Numan, John Foxx e Nine Inch Nails.[1] Em seu diário, Kurt Cobain, do Nirvana, listou o álbum com o número 45 dos seus 50 discos favoritos.[17] Diz-se que o glam rock teve seu início com o lançamento do álbum, porém também atribui-se à participação de Marc Bolan no program britânico Top of the Pops em dezembro de 1970 (usando Glitter).[18] Ele tocou aquilo que seria seu primeiro single no Reino Unido usando o nome T. Rex, "Ride a Swan", que atingiu o n°2 nas listas britânicas.

Numa resenha em retrospectiva para a Allmusic, o editor sênior Stephen Thomas Erlewine citou The Man Who Sold the World como "o início do período clássico de David Bowie" e elogiou o "pesado rock de guitarra, firme e retorcido, que, superficialmente, parece simples, mas que soa mais deformado a cada vez que se escuta".[19] Erlewine via a música do álbum e "os futurísticos contos paranoicos" de Bowie como "bizarros", acrescentando que "musicalmente, não há muita inovação... é quase tudo hard blues-rock ou folk-rock psicodélico - mas há um tom perturbante na atuação da banda, o que faz do disco um dos melhores álbuns de Bowie".[19] Numa resenha da reedição do álbum, a Q o chamou de "um caso robusto, sexualmente carregado",[20] enquanto a Mojo escreveu, "músicas robustas que giram com uma desorientação estonteante... o arsenal de Bowie estava sendo apressadamente montado, mas nunca mais teve uma impulsividade tão arrepiante".[21]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as canções escritas e compostas por David Bowie

Lado A
N.º Título Duração
1. "The Width of a Circle"   8:05
2. "All the Madmen"   5:38
3. "Black Country Rock"   3:32
4. "After All"   3:52
Lado B
N.º Título Duração
5. "Running Gun Blues"   3:11
6. "Saviour Machine"   4:25
7. "She Shook Me Cold"   4:13
8. "The Man Who Sold the World"   3:55
9. "The Supermen"   3:38

Referências

  1. a b c d e Buckley, David. Strange Fascination – David Bowie: The Definitive Story. [S.l.: s.n.], 1999.
  2. a b c d Carr, Roy. Bowie: An Illustrated Record. [S.l.: s.n.], 1981.
  3. E. Perone, James. The Album: A Guide to Pop Music's Most Provocative, Influential, and Important Creations. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 0313379068
  4. E. Perone, James. The Words and Music of David Bowie. [S.l.: s.n.], 2007. ISBN 0275992454
  5. M. Bourgoin, Suzanne. Encyclopedia of World biography 18 Supplement: A-Z. [S.l.: s.n.], 1998.
  6. "Scary Monster". MOJO 60 Years of Bowie.
  7. a b c Pegg, Nicholas. The Complete David Bowie. [S.l.: s.n.], 2000. p. 260-265.
  8. Doggett, Peter. The Man Who Sold the World: David Bowie and the 1970s. [S.l.]: HarperCollins, 2012.
  9. Pegg, Nicholas. The Complete David Bowie Revised And Updated Second Edition. [S.l.: s.n.], 2002.
  10. "Revisiting a Classic: Tony Visconti Talks about Taking David Bowie’s The Man Who Sold The World on the Road". www2.gibson.com. Consult. 2016-01-02. 
  11. "Bowie`s Many Faces Are Profiled On Compact Disc". tribunedigital-chicagotribune. Consult. 2016-01-02. 
  12. "cane hill". www.simoncornwell.com. Consult. 2016-01-02. 
  13. Poulsen, Jan. David Bowie – Station til station. [S.l.: s.n.], 2007.
  14. Spitz, Marc. David Bowie: A Biography. [S.l.: s.n.], 2010.
  15. Jones, Mablen. Getting It On: The Clothing of Rock 'n' Roll, New York: Abbeville. [S.l.: s.n.], 1987.
  16. "David Bowie The Man Who Sold The World Album Review". Rolling Stone. https://plus.google.com/+rollingstone. Consult. 2016-01-02. 
  17. "The Internet Nirvana Fan Club". www.nirvanaclub.com. Consult. 2016-01-02. 
  18. Performing Glam Rock: Gender and Theatricality in Popular Music. [S.l.: s.n.], 2006.
  19. a b "The Man Who Sold the World - David Bowie | Songs, Reviews, Credits | AllMusic". AllMusic. Consult. 2016-01-02. 
  20. (Novembro 1999) "David Bowie – The Man Who Sold the World". Q.
  21. (Fevereiro 2002) "David Bowie – The Man Who Sold the World". Mojo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]