The Other Woman (romance de espionagem)

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The Other Woman
Autor(es) Daniel Silva
Idioma inglês
País  Estados Unidos
Género Espionagem
Série Gabriel Allon
Editora Harpercollins
Lançamento 2018
Páginas 478
Cronologia
House of Spies

The Other Woman (A Outra Mulher) é um romance de espionagem de Daniel Silva publicado pela primeira vez em 2018 sendo o décimo oitavo em que intervém o agente dos serviços secretos israelitas Gabriel Allon.

Alcançou a posição nº. 1 da lista dos livros mais vendidos do The New York Times em 5 de Agosto de 2018.[1]

Resumo[editar | editar código-fonte]

Numa pequena povoação nas montanhas da Andaluzia, uma francesa a que os locais chamam la loca começa a escrever um livro de memórias perigoso. É a história de um homem que ela amou há muito em Beirute, e duma criança que lhe foi retirada com a justificação da sua traição com outro homem. A mulher guarda um dos segredos mais bem guardados do Kremlin. Muito tempo antes, a KGB inseriu uma toupeira no coração do Ocidente, uma toupeira que está actualmente à beira de assumir a posição de chefia de uma agência nacional de espionagem.[2]:Contracapa

Gabriel Allon, o restaurador de arte e antigo agente que agora chefia os serviços secretos de Israel, vai procurar desvendar a conspiração. Allon, conforme contado em anteriores livros da série, lutou contra as forças das trevas da Rússia pós-comunista com grande custo pessoal quase tendo sido aniquilado. Nesta história, ele e a sua equipa vão-se envolver com os russos num confronto de cujo resultado irá depender o equilíbrio da ordem global do pós-Guerra Fria.[2]:Contracapa

Gabriel é levado para a caça à toupeira russa após o seu informador mais importante nos serviços secretos russos ter sido brutalmente assassinado quando tentava desertar em Viena. A sua busca para esclarecer este episódio irá levá-lo de volta ao passado, ao maior ato de traição do século XX e, finalmente, a um clímax fascinante ao longo das margens do rio Potomac, nos arredores de Washington.[3]

Personagens notáveis[editar | editar código-fonte]

Para além de referências gerais aos presidentes actuais dos EUA e da Rússia, Daniel Silva faz uma biografia resumida de Kim Philby cujas acções no passado acabam por ter repercussões no desenrolar da história deste livro e em alguns dos seus personagens.

São ainda referidos os outros quatro membros do grupo conhecido como Cambridge Five, sendo eles Donald Maclean, Guy Burgess, Anthony Blunt e John Cairncross.

Referências a pinturas[editar | editar código-fonte]

Como em geral nas suas anteriores obras, sendo o personagem principal um restaurador de arte para além de agente secreto, Daniel Silva faz referência a duas pinturas, uma no início não referindo o autor e mais tarde a Deposição de Cristo de Caravaggio.[2]:153

Faz ainda referência a Münchenbuchsee, povoação onde nasceu Paul Klee, por onde passa um dos personagens.[2]:154

Recepção[editar | editar código-fonte]

Para Bill Ott, na booklistonline, ter chegado à chefia dos serviços secretos de Israel não mudou a abordagem de Gabriel Allon de atuar no tterreno estando neste caso na pista de uma toupeira russa no topo dos serviços de informação britânicos.[4]

Também para Ott, mais uma vez Daniel Silva segue a estrutura habitual de Allon reunir a equipe, montar a armadilha, apostando na competência e no saber lidar com as surpresas, mas desta vez há uma história de fundo ainda mais detalhada do que nos livros anteriores, sendo tão irresistível quanto o enredo de tensão que lentamente se desenrola no presente e que vai conduzir a um final de enorme suspense nas margens do Potomac.[4]

Conclui Ott referindo que este livro é uma espécie de homenagem de Daniel Silva à espionagem clássica da Guerra Fria, baseando-se na história do espião mais famoso do século XX cujas acções acabam por ter repercussões na ficção do presente, havendo várias evocações a John le Carré, com a própria história da toupeira ecoar Tinker Tailor Soldier Spy (1974) e o russo Sasha corresponder a uma versão contemporânea de Karla, o inimigo do britânico George Smiley. Mas Silva não se limita a repetir, usando essas referências e elementos de enredo para dar textura e ressonância à sua história que aponta para a interferência russa na política global no início do século XXI. Em resumo, A Outra Mulher é outra jóia na coroa deslumbrante de um mestre da ficção de espionagem.[4]

Na revista online Kirkus refere-se que em histórias recentes parecia que Daniel Silva queria dar a Allon um papel de rectaguarda e destaque a outros personagens, como de certo modo em A Viúva Negra (2016) e House of Spies (2017), mas em A Outra Mulher Allon assume de novo o centro do palco. Por ouro lado, este livro parece como que um regresso quer a histórias anteriores da série, quer aos romances de espionagem da era da Guerra Fria, não sendo isto resultado da falta de criatividade de Silva, mas sim da sua reflexão sobre os eventos da atuailidade. A Rússia é o adversário e Allon e a sua equipe procuram encontrar a única mulher que pode revelar a identidade de uma toupeira que alcançou os mais altos escalões do MI6 britânico, e a busca vai conduzir Allon ao passado, ao cerne de um dos maiores escândalos de espionagem do século XX.[5]

Ainda para a Kirkus, as obras de Daniel Silva têm sempre uma componente política, e a sua narrativa tem-se tornado cada vez mais cortante. Embora ele não cite o atual líder americano, ele menciona “um encontro do presidente com uma estrela do cinema para adultos”, assim como o gosto estranho deste presidente por Vladimir Putin. Silva retrata um mundo em que os verdadeiros crentes comunistas estão a desaparecer, enquanto os populistas de extrema direita em todo o mundo olham para a Nova Rússia como um triunfo do nacionalismo da linha-dura. As alianças que sustentaram as democracias ocidentais estão a diluir-se, e a Europa está a preparar-se para um futuro em que os Estados Unidos não são mais um amigo confiável, nem uma superpotência.[5]

Finalmente para a Kirkus, uma obra de Silva é sempre fascinante, e esta não se resume à fuga em frente, especialmente para os leitores que anseiam pela Nota do Autor final. Embora tendo referências a histórias anteriores, Daniel Silva é adepto de elaboração de narrativas independentes. E este tríler irá satisfazer os fãs do autor, e também agradar aos que apreciam os antigos mestres do género como John le Carré e Graham Greene, agarrando como sempre o leitor com o seu realismo sombrio.[5]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Hardcover Fiction». The New York Times. 5 de Agosto de 2018. Consultado em 10 de Setembro de 2018. 
  2. a b c d Silva, Daniel (2018). Harpercollins, ed. The Other Woman. Nova Iorque: [s.n.] 478 páginas. ISBN 9780008280932 
  3. Na página oficial do Autor, [1]
  4. a b c Ott, Bill (2018). booklistonline, ed. «The Other Woman» 
  5. a b c Kirkus, ed. (2018). «The Other Woman». Consultado em 14 de Setembro de 2018.