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The Rejected

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The Rejected
Os Rejeitados (PRT/BRA)
Ficheiro:The-Rejected.jpg
Captura de tela do documentário.
 Estados Unidos
1961 •  p&b •  60 min 
Direção Richard Christian
Produção John W. Reavis
Narração James Day
Gênero Documentário
Companhia(s) produtora(s) KQED
Distribuição NET
Lançamento 11 de setembro de 1961
Idioma inglês

The Rejected (Os Rejeitados) é um documentário televisivo sobre a homossexualidade, produzido para a emissora KQED de São Francisco por John W. Reavis.[1] Exibido em 11 de setembro de 1961, Os Rejeitados foi o primeiro programa sobre homossexualidade exibido pela televisão dos Estados Unidos.[2] O programa foi, mais tarde, exibido por emissoras da rede pública National Educational Television (NET) em outras localidades. Os Rejeitados recebeu críticas positivas quando de sua transmissão original. Em 2002 a GLAAD ofereceu à KQED o prêmio Pioneer Award em reconhecimento à produção do documentário.[3] Os Rejeitados foi considerado um filme perdido por muitos anos. No entanto, os arquivistas Robert Chehoski e Alex Cherian descobriram uma cópia do documentário na Biblioteca do Congresso, que foi disponibilizada na internet pelo San Francisco Bay Area Television Archive em 22 de maio de 2015.[4]

Produção[editar | editar código-fonte]

Reavis, um produtor independente aparentemente não ligado ao movimento homofílico, concebeu o documentário em 1960.[5] Originalmente o título concebido para o documentário foi The Gay Ones (Os Gays). Em sua proposta para o programa ele enumerou seus objetivos para o mesmo:

Assim sendo, Reavis abordou o tema tendo como perspectiva que a homossexualidade é um problema social semelhante ao alcoolismo ou à prostituição.[7] Isso encontra eco na forma como programas anteriores, geralmente episódios de talk shows locais, tratavam o tema, trazendo títulos como "Homossexuais e os problemas que eles causam" ou "Homossexualidade: uma abordagem psicológica". Os Rejeitados focou-se exclusivamente nos homens gays, sem qualquer representação do lesbianismo.[7] Reavis expressou sua relutância em incluir as lésbicas no programa em sua proposta para o mesmo:

As emissoras comerciais de São Francisco rejeitaram a proposta de produzir o programa, assim como os patrocinadores. A KQED comprou o projeto no início de 1961, já sob o novo título.[5] O documentário foi filmado inteiramente no estúdio da emissora, com exceção de um segmento rodado no Black Cat, um bar gay de São Francisco que lutava contra o assédio da polícia e de autoridades estaduais desde 1948. Reavis e o co-produtor Irving Saraf filmaram Os Rejeitados com um orçamento de menos de 100 dólares.[2]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Antes do início do programa, o diretor da KQED James Day leu uma declaração do então Procurador Geral da Califórnia Stanley Mosk:

Reavis e o diretor Richard Christian utilizaram o formato de talk show, dividindo o assunto numa série de tópicos menores. Cada segmento trouxe um ou mais especialistas discutindo a homossexualidade sob uma perspectiva diferente. Em cada segmento Reavis apresentava um estereótipo sobre a homossexualidade e depois questionava a validade do mesmo através da opinião dos especialistas. Seu objetivo, conforme apontado em sua proposta original, era dar ao telespectador "a sensação de que ele está confuso e de que a sociedade como um todo está confusa sobre a homossexualidade".[10] Dentre os especialistas entrevistados para o programa estavam:

  • Margaret Mead, abordando o tema de um ponto de vista antropológico. Mead falou sobre o papel positivo que a homossexualidade desempenhou nas culturas da Grécia Antiga e da Polinésia e nas sociedades Inuíte e nativo-americana. Mead observou que é a sociedade — e não o indivíduo — que determina como a homossexualidade e os comportamentos homossexuais devem ser vistos.[10]
  • O psiquiatra Karl Bowman, do Instituto de Psiquiatria Langley Porter,[11] que explicou os efeitos da escala de Kinsey na sexualidade humana e se posicionou contra uma abordagem punitiva no tratamento dos pacientes homossexuais.[10] O doutor Erwin Braff também abordou o tema do ponto de vista médico.
  • O bispo episcopal de São Francisco James Pike e o rabino Alvin Fine, que abordaram o tema do ponto de vista religioso. Ambos defenderam que as leis anti-sodomia deveriam ser revogadas porque a homossexualidade era uma doença mental.[12] Pike comparou a homossexualidade com o alcoolismo, mas afirmou que os homossexuais deveriam ser tratados com "amor, preocupação e empenho" e não condenados como "perversos".[10]
  • O procurador do município Thomas C. Lynch abordou o tema do ponto de vista legal, assim como os advogados J. Albert Hutchinson, Al Bendich[13] e Morris Lowenthal. Este último defendeu o bar Black Cat durante sua batalha legal de 15 anos contra o assédio da polícia e do governo do estado.[14]
  • O presidente (Hal Call), o secretário-executivo (Donald Lucas) e o tesoureiro (Les Fisher) da Sociedade de Mattachine falaram em nome dos homens gays.[15] Os Rejeitados foi o primeiro programa a incluir gays de verdade opondo-se ao ponto de vista de especialistas heterossexuais.[16]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Os Rejeitados foi bem recebido pela crítica e pelos telespectadores quando de sua exibição original. A revista Variety publicou que o documentário lidou com o tema de "uma maneira prosaica e centrada, tratando-o muito rigorosamente e, em maior parte, de forma interessante".[17] Terrence O'Flaherty, crítico do jornal San Francisco Chronicle, emitiu opinião semelhante, louvando a KQED por sua coragem em abordar o assunto,[13] assim como o fez o San Francisco Examiner, que publicou que o programa "tratou [o tópico] de maneira sóbria, calma e em grande profundidade".[18] Das centenas de cartas recebidas pela emissora,[19] 97% eram positivas e muitos de seus escritores pediram à KQED que fizesse mais programas como aquele.[8] A editora local Dorian Book Service publicou uma transcrição do documentário,[15] que foi encomendada por quase 400 pessoas.[8]

O programa foi transmitido por emissoras da NET por todo o país. Foi exibido por 40 das 55 emissoras que faziam parte da rede pública de televisão,[20] sendo retransmitido por algumas delas em 1963 e 1964.[21] Membros conservadores da comunidade gay ficaram satisfeitos com a forma como os membros da Sociedade de Mattachine se apresentaram ao público, como pessoas comuns, uma imagem que contrastava com a percepção de muitos na sociedade em geral. Entretanto, ativistas mais radicais como Frank Kameny e Randy Wicker opinaram que o tom do programa era apologético, que parecia pedir desculpas pela homossexualidade dos retratados.[22]

Em 2002, a GLAAD, organização não-governamental que monitora a maneira como os homossexuais são retratados na mídia, ofereceu à KQED o primeiro Pioneer Award, em reconhecimento à produção de Os Rejeitados, o primeiro de uma série de programas a abordar a temática da homossexualidade.[3]

Disponibilidade[editar | editar código-fonte]

Após transmitir Os Rejeitados a KQED não arquivou uma cópia do documentário e, por muitos anos, o mesmo foi considerado como perdido. Apenas suas transcrições eram consideradas disponíveis. Robert Chehoski, arquivista da KQED, e Alex Cherian, arquivista da Biblioteca Leonard J. Paul da Universidade Estadual de São Francisco procuraram uma cópia remanescente do documentário por seis anos. Posteriormente os dois descobriram que o documentário estava sob a propriedade da WNET, que financiou-o, e que uma única fita de vídeo havia sido arquivada na Biblioteca do Congresso. O laboratório de gravação da Biblioteca já havia remasterizado o filme em formato digital e fornecido uma cópia ao San Francisco Bay Area Television Archive, com a finalidade de torná-lo disponível online. O filme foi disponibilizado pelo arquivo em 22 de maio de 2015.[4]

O co-produtor do filme, Irving Saraf, disse que havia 30 minutos de filmagens não-exibidos, incluindo cenas filmadas no bar Black Cat. Este material extra não foi recuperado. Correspondências escritas entre março e julho de 1961, trocadas entre o diretor de programação da KQED, Jonathan Rice, e o diretor de programação televisiva da NET, Donley F. Feddersen, referem-se às cenas filmadas com o dono do bar Sol Stouman que seriam, provavelmente, cortadas da edição final. As cartas foram preservadas pelo Wisconsin Historical Society.[23]

Notas de rodapé[editar | editar código-fonte]

  1. Kaiser, p. 161
  2. a b Alwood, p. 41
  3. a b «KQED Public Broadcasting Comes Out To Receive GLAAD's Pioneer Award». KQED. 28 de maio de 2002. Consultado em 11 de dezembro de 2015 
  4. a b Harnett, Sam. "Archivists Recover ‘Lost’ 1961 TV Documentary on Homosexuality". KQED. 9 de junho de 2015. Página visitada em 11 de dezembro de 2015.
  5. a b c Capsuto, p. 39
  6. Tropiano, p. 5
  7. a b Castañeda e Campbell, p. 259
  8. a b c Tropiano, p. 7
  9. citado em Tropiano, p. 5
  10. a b c d Alwood, p. 42
  11. Sears, p. 501
  12. Capsuto, pp. 39–40
  13. a b Tropiano, p. 6
  14. Cain, p. 79
  15. a b Stryker e Van Buskirk, p. 46
  16. Witt, et al., p. 113
  17. «The Rejected review». Variety. 13 de setembro de 1961 
  18. citado em Sears, p. 502
  19. Capsuto, p. 40
  20. Witt, et al., p. 108
  21. Capsuto, p. 46
  22. Capsuto, pp. 40–41
  23. The Rejected no San Francisco Bay Area Television Archive

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Alwood, Edward (1998). Straight News. Columbia University Press. ISBN 0-231-08437-4.
  • Cain, Patricia A. (2000). Rainbow Rights: The Role of Lawyers and Courts in the Lesbian and Gay Civil Rights Movement. Westview Press. ISBN 0-8133-2618-4.
  • Castañeda, Laura, and Campbell, Shannon B. (2005). News and Sexuality: Media Portraits of Diversity. SAGE. ISBN 1-4129-0999-6.
  • Capsuto, Steven (2000). Alternate Channels: The Uncensored Story of Gay and Lesbian Images on Radio and Television. Ballantine Books. ISBN 0-345-41243-5.
  • Kaiser, Charles (1997). The Gay Metropolis 1940–1996. Nova York, Houghton Mifflin. ISBN 0-395-65781-4.
  • Sears, James Thomas (2006). Behind the Mask of the Mattachine: The Hal Call Chronicles and the Early Movement for Homosexual Emancipation. Routledge. ISBN 1-56023-187-4.
  • Stryker, Susan and Jim Van Buskirk, with foreword by Armisted Maupin (1996). Gay by the Bay: A History of Queer Culture in the San Francisco Bay Area. São Francisco, Chronicle Press. ISBN 0-8118-1187-5.
  • Tropiano, Stephen (2002). The Prime Time Closet: A History of Gays and Lesbians on TV. Nova York, Applause Theatre and Cinema Books. ISBN 1-55783-557-8.
  • Witt, Lynn, Sherry Thomas and Eric Marcus (eds.) (1995). Out in All Directions: The Almanac of Gay and Lesbian America. Nova York, Warner Books. ISBN 0-446-67237-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Assistir The Rejected no San Francisco Bay Area Television Archive