The Texas Chain Saw Massacre

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The Texas Chain Saw Massacre[nota 1]
Massacre no Texas (PT)
O Massacre da Serra Elétrica (BR)
 Estados Unidos
1974 •  cor •  84 min 
Direção Tobe Hooper
Produção Kim Henkel
Tobe Hooper
Jay Parsley
Richard Saenz
Roteiro Kim Henkel
Tobe Hooper
Narração John Larroquette
Elenco Marilyn Burns
Paul A. Partain
Allen Danziger
William Vail
Teri McMinn
Edwin Neal
Jim Siedow
Gunnar Hansen
John Dugan
Gênero terror
Música Wayne Bell
Tobe Hooper
Direção de fotografia Daniel Pearl
Edição Larry Carroll
Sallye Richardson
Distribuição Bryanston Pictures
Lançamento Estados Unidos 1 de outubro de 1974
Idioma inglês
Orçamento US$ 140.000
Receita US$ 30.859.000
Cronologia
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The Texas Chainsaw Massacre 2
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Página no IMDb (em inglês)

The Texas Chain Saw Massacre (O Massacre da Serra Elétrica (título no Brasil) ou Massacre no Texas (título em Portugal)) é um filme de terror independente de 1974, de baixo orçamento, dirigido por Tobe Hooper.

Após o seu lançamento em outubro de 1974, The Texas Chain Saw Massacre foi banido em vários países,[2] e, posteriormente, vários cinemas deixaram de exibir o filme em resposta a reclamações sobre a violência da película. Embora inicialmente tenha obtido uma recepção mista da crítica, foi extremamente rentável, arrecadando mais de US$ 30 milhões nas bilheterias. [3] Desde então, ganhou uma reputação como um dos melhores filmes de terror da história do cinema.[4] [5] A esse filme é creditada a origem de vários elementos comuns ao gênero slasher, incluindo o uso de ferramentas de trabalho como armas de crime e a caracterização do assassino como uma figura alta, silenciosa e desprovida de personalidade.[6] [7] A popularidade do filme levou a uma franquia que continuou a história de Leatherface e sua família através de sequências, remakes, um prequel, histórias em quadrinhos[8] e videogames.[9] [10]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Após saber pelo rádio que atos de vandalismo estão sendo cometidos em um cemitério no Texas, Sally Hardesty (Marilyn Burns) e seu irmão paraplégico Franklin (Paul A. Partain) decidem ir até o local para se certificar de que o túmulo do avô não foi violado. Os irmãos, que viajam numa van, são acompanhados pelo namorado de Sally, Jerry (Allen Danziger), e pelo casal Kirk (William Vail) e Pam (Teri McMinn). Depois de verificar que a tumba está intacta, eles param em um posto de gasolina, mas descobrem que não há combustível. Os jovens decidem seguir até a antiga casa dos Hardesty, mas são parados por um caroneiro (Edwin Neal), que corta a si mesmo e fere Franklin com uma navalha, sendo imediatamente expulso da van.

Chegando na fazenda dos Hardesty, os jovens começam a examinar o lugar. Enquanto Kirk e Pam procuram um lugar para nadar, escutam um gerador de energia em uma casa nas proximidades. Kirk entra na casa para pedir combustível, mas é atacado com um martelo por um homem, Leatherface (Gunnar Hansen). Pam entra em busca de Kirk, mas é atacada por Leatherface, que a pendura num gancho de carne. Sally, Franklin e Jerry começam a se preocupar com a ausência do casal, e então Jerry vai procurá-los. Depois de alguns minutos, ele encontra Pam dentro de uma câmara frigorífica, mas é atacado por Leatherface.

Ao anoitecer, Sally e Franklin decidem descansar. No entanto, são perseguidos pelo assassino, que ataca Franklin com uma motosserra e o mata. Sally escapa correndo pela floresta e chega ao posto de gasolina, onde pede ajuda ao proprietário (Jim Siedow). Depois de tentar acalmá-la, o homem traz de seu caminhão um saco e uma corda. Sally percebe que ele está ao lado do assassino e tenta fugir, mas é capturada e levada para a casa onde seus amigos foram mortos. Lá ela descobre que tanto o proprietário do posto de gasolina como o caroneiro são irmãos de Leatherface. A jovem está amarrada a uma cadeira, onde o avô (John Dugan), que pratica canibalismo, tenta assassiná-la com um martelo, mas falha várias vezes.

Quando os membros da família começam a discutir, Sally escapa pulando de uma janela. Os dois irmãos (Leatherface e o caroneiro) tentam alcançá-la, mas chegam em uma estrada, onde aparece um caminhão que atropela o caroneiro. O motorista desce para ajudar Sally, mas Leatherface os persegue com sua motosserra. Em seguida, aparece uma caminhonete, Sally monta na carroceria do veiculo e escapa, ao passo que Leatherface, furioso, fica dançando maniacamente e girando a motosserra no ar.

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Elenco e personagens[editar | editar código-fonte]

Gunnar Hansen, ator que interpretou Leatherface.

A maior parte dos atores contratados para o filme não tinha experiência anterior com cinema.[11] O elenco consistia principalmente de atores texanos cuja única experiência eram papéis em comerciais, televisão ou teatro, enquanto os demais eram conhecidos de Hooper. O trabalho em The Texas Chain Saw Massacre permitiu que esses atores participassem em várias outras produções de cinema. O filme apresentou nove personagens principais e contou com a narração de John Larroquette.

  • Marilyn Burns interpretou a protagonista Sally Hardesty, que junto a seu irmão paraplégico, o namorado e mais dois amigos, dirige-se a um cemitério no Texas para verificar a possível violação do túmulo de seu avô, mas acaba vivendo um verdadeiro inferno nas mãos de Leatherface e sua família. Burns havia realizado algumas peças teatrais, e enquanto estudava na Universidade do Texas em Austin, entrou para o elenco do filme.[12] De acordo com o crítico Colin Jacobson, a personagem exigia bem mais da atriz em relação aos papéis desempenhados pelos demais atores, e Burns conseguiu expressar de maneira genuína a sensação de terror vivida por Sally.[13] Essa autêntica expressão de desespero levou a atriz a ser considerada uma das primeiras "scream queens" (“rainhas do grito”) do cinema de terror.[14]
  • Teri McMinn interpretou Pam, namorada de Kirk. McMinn era estudante e havia trabalhado com várias companhias de teatro, incluindo o Dallas Theater Center. O produtor Kim Henkel viu uma fotografia da atriz no periódico Austin American-Statesman, e a contatou para uma audição.[12]
  • Paul A. Partain interpretou Franklin Hardesty, o irmão inválido de Sally e, como descreve Rob Gonsalves, “um pouco difícil de lidar”. O crítico de cinema comenta ainda que “Hooper e o co-roteirista Kim Henkel se recusaram a fazê-lo melhor do que o resto de nós só por ele estar em uma cadeira de rodas. A deficiência de Franklin transformou-o num sujeitinho reclamador e desagradável, ou talvez ele fosse assim mesmo se usasse as pernas”.[15]
  • Allen Danziger interpretou Jerry, o namorado de Sally.
  • William Vail interpretou Kirk, namorado de Pam e amigo de Sally e Franklin.
  • Jim Siedow interpretou Drayton Sawyer, o irmão mais velho de Leatherface, embora algumas resenhas refiram-se ao mesmo como o pai do vilão.[15] Ele é um canibal assassino e mentalmente instável que vive numa fazendo do Texas, capturando viajantes incautos; ele também se irrita em alguns momentos com a lerdeza de Leatherface. O nome desse personagem foi mencionado apenas no segundo filme da franquia, no primeiro ele é apenas chamado de "Old Man" ("O Velho").[16]
  • Edwin Neal interpretou The Hitchhiker ("O Caroneiro"), irmão de Leatherface. Neal retrata-o como um assassino canibal mentalmente instável e ladrão de túmulos; ele vive com sua família igualmente depravada nas estradas do Texas, capturando, torturando e banqueteando-se com os viajantes incautos.[16] Embora sádico e violento, ele é geralmente um dos personagens menos ameaçadores do filme, não sendo muito inteligente, e se comporta de forma irregular.
  • John Dugan interpretou Grandpa ("Vovô"), o patriarca da família Sawyer, um ex-açougueiro centenário que no passado foi um grande assassino serial. É mantido vivo bebendo o sangue das vítimas abatidas por sua família.
  • Gunnar Hansen, ator de origem islandesa, foi escolhido para o papel de Leatherface.[17] Enquanto pensava sobre as características do personagem, Hansen decidiu que Leatherface teria retardo mental, o que seria a causa de sua dificuldade em falar. Hansen visitou um centro para deficientes mentais para estudar seus maneirismos e depois adaptá-los para o personagem. [18] O relacionamento entre ele e os outros atores foi distante, porque a direção queria que os atores ficassem realmente com medo durante as cenas.[19]

"Fazia em torno de 35 a 38 graus de calor nas filmagens durante o dia. Eles não lavavam minhas roupas porque temiam que estragasse, ou mudasse de cor. Não havia dinheiro nem para um segundo traje. Então eu tive que usar a máscara de 12 a 16 horas por dia, sete dias por semana, durante um mês."

Gunnar Hansen, comentando sobre as filmagens em uma entrevista.[18] [nota 2]

Também são creditados os seguintes atores, que realizaram participações menores: Robert Courtin (homem que lava as janelas da van em que viajam os jovens); William Creamer (sujeito barbudo que aparece no início do filme); John Henry Faulk (contador de histórias); Jerry Green (cowboy que guia Sally pelo cemitério); Ed Guinn (motorista de caminhão que tenta socorrer Sally durante a perseguição de Leatherface à jovem); Joe Bill Hogan (bêbado que aparece discursando no início do filme); e Perry Lorenz (motorista da caminhonete que socorre Sally no final).[20]

Produção[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O conceito de The Texas Chain Saw Massacre surgiu no início da década de 1970, enquanto Tobe Hooper trabalhava como assistente de diretor na Universidade do Texas em Austin e como cinegrafista de documentários.[21] Ele já havia desenvolvido uma história envolvendo elementos de isolamento, floresta e escuridão.[22] O diretor apontou a cobertura gráfica de violência dos noticiários da cidade texana de San Antonio como inspiração para o filme [23] e alguns elementos do enredo tiveram como base os crimes cometidos na década de 1950 pelo assassino serial Ed Gein em Wisconsin. Gein inspirou outros filmes de terror como Psycho (1960) de Alfred Hitchcock e O Silêncio dos Inocentes (1991) de Jonathan Demme.[18] [24] [25] Durante o desenvolvimento, Hooper usou os títulos provisórios de Headcheese e Leatherface para o filme. [26] [27]

"De fato eu estudei Gein [...] mas também atentei a um caso de assassinato em Houston na época, um assassino serial que você provavelmente lembra chamado Elmer Wayne Henley. Ele era um jovem que recrutava vítimas para um homem homossexual mais velho. Eu vi algumas reportagens em que Elmer Wayne [...] dizia “Eu cometi esses crimes, e vou enfrenta-los como um homem.” Bem, isso me pareceu_ interessante, o fato de ele ter essa moralidade convencional naquele momento. Ele queria deixar claro que, agora que foi pego, faria a coisa certa. Então esse tipo de esquizofrenia moral é algo que eu tentei incluir nos personagens."

Kim Henkel, 2004. [28] [nota 3]

Hooper mencionou mudanças no panorama cultural e político como influências centrais sobre o filme. A falsa informação intencional, de que o "filme que você está prestes a ver é verdadeiro" foi uma resposta a "ser enganado pelo governo sobre as coisas que estavam acontecendo em todo o mundo", incluindo o caso Watergate, a crise do petróleo de 1973 e "os massacres e atrocidades na Guerra do Vietnã". [29] A "falta de sentimentos e a brutalidade das coisas" que Hooper notava enquanto assistia aos noticiários locais, cuja cobertura da violência foi sintetizada na expressão "mostrando cérebro espalhado por toda a estrada", levou-o a crer que "aqui o verdadeiro monstro era o homem, apenas usando uma cara diferente, então coloquei uma máscara literal no monstro do meu filme".[30] Hooper teve a ideia de usar uma motosserra como arma do crime enquanto estava em uma loja lotada de pessoas e ficava imaginando como passar mais rápido pela multidão.[18] Hooper e Kim Henkel escreveram o roteiro do filme em aproximadamente três semanas.[31]

Tob Hooper e Kim Henkel criaram uma empresa chamada Vortex, Inc., sendo Henkel o presidente da mesma e Hooper o vice-presidente. Eles pediram financiamento a Bill Parsley, um amigo de Hooper. Parsley fundou uma empresa chamada MAB, Inc. através da qual ele investiu 60 mil dólares na produção do filme. Em troca, a MAB ficaria com 50% do filme e seus lucros. O gerente de produção Ron Bozman comunicou a parte do elenco e da equipe que estes receberiam apenas uma parte de seus salários até que o filme fosse vendido a um distribuidor. Para deixar a ideia mais atraente, a Vortex atribuiu-lhes uma parte de seus lucros potenciais, entre 0,25 a 6% por pessoa. O elenco e a equipe não foram informados de que a Vortex possuía apenas metade do filme, o que significava que os percentuais assinados valiam a metade do valor estimado.[32]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

A casa de Leatherface e sua família corresponde a uma fazenda perto de Round Rock (Texas), que foi transferida para Kingsland em 1998 e transformada em um restaurante.[33]

O filme foi rodado nas cidades de Austin, Round Rock e Bastrop, no estado do Texas. As gravações duraram cerca de quatro semanas, a partir de 15 de julho a 14 de agosto 1973. Tanto os atores quanto a equipe de filmagem consideravam duras as condições do local. A temperatura era alta durante as cenas, chegando a 36 °C em 26 de julho; a menor temperatura registrada foi de 28,3 °C em 31 de março. As janelas da casa estavam cobertas durante as filmagens, devido às cenas ambientadas à noite. A câmera utilizada foi uma Eclair NPR 16 mm, e a película com que as cenas foram filmadas exigia uma luz quatro vezes mais potente que a normal.[34]

Por causa de seu baixo orçamento, a equipe de filmagem teve que trabalhar sete dias por semana, de 12 a 16 horas por dia, além de lidar com alta umidade. Muitas das cenas foram feitas em uma fazenda decorada com móveis feitos de ossos animais, que foram cobertos com látex para dar uma aparência de pele humana.[35] Para completar a cena, o diretor de arte Robert A. Burns visitou vários lugares em busca de ossos e animais em decomposição, usados para cobrir o chão da casa.[35] A casa de Leatherface e sua família corresponde a uma fazenda que estava localizada em Quick Hill Road, perto da cidade de Round Rock. Em 1998 a casa foi transferida para Kingsland e transformado em um restaurante.[33]

Devido ao baixo orçamento, os efeitos especiais do filme eram simples e limitados.[36] O sangue usado em uma das cenas era real,[37] na cena em que Leatherface alimenta o avô. Como a equipe estava com dificuldades para produzir sangue falso, Marilyn Burns cortou o dedo com uma navalha.[38] Houve dificuldades durante as filmagens na cena em que Leatherface ataca Kirk com a motosserra. Hansen alertou o ator William Vail que se mantivesse quieto, pois Hansen não sabia lidar com a ferramenta com muita precisão. No momento da filmagem da cena, a serra passou a poucos centímetros do rosto de Vail.[39]

Parte do elenco reunido, da esquerda para a direita: Marilyn Burns, Teri McMinn, William Vail, Edwin Neal, John Dugan, Ed Guinn e Allen Danziger, em um evento em Indianapolis em 2012.

Lançamento e repercussão[editar | editar código-fonte]

The Texas Chain Saw Massacre estreou em 1 de outubro de 1974, em Austin, Texas, quase um ano após a conclusão das filmagens. Ao ser exibido nacionalmente nos Estados Unidos, foi anunciado como estratégia de marketing que o filme estava baseado em uma “história real”, o que ajudou a atrair um grande público, formado majoritariamente por adolescentes.[40]

Em Portugal o filme ficou conhecido como Massacre no Texas e no Brasil recebeu o título de O Massacre da Serra Elétrica, embora o instrumento utilizado por Leatherface para abater suas vítimas pareça ser uma motosserra movida a combustível líquido e não a ferramenta movida à eletricidade referida no título brasileiro.[41]

Assim como varia de título entre Brasil e Portugal, o filme recebeu diversos nomes ao redor do mundo; os principais títulos, com respectiva tradução livre, foram:[42]

  • Em espanhol: El Loco de la Motosierra (O louco da motosserra), na Argentina e no Chile; Una masacre sin igual (Um massacre sem igual) ou Una matanza sin igual (Uma matança sem igual) no Peru; La matanza de Texas (A matança no Texas) na Espanha; Masacre en Texas (Massacre no Texas) na Venezuela e Masacre en cadena (Massacre em cadeia) no México;
  • Na Europa: em alemão, Blutgericht in Texas (Massacre da motosserra no Texas) ou Das Kettensägenmassaker (O massacre da motosserra); em dinamarquês, Motorsavsmassakren (Massacre da motosserra); em francês, Massacre à la tronçonneuse (Massacre da motosserra); em neerlandês, De kettingzaag (A motosserra); em italiano, Non aprite quella porta (Não abra aquela porta); em grego, O shizofrenis dolofonos me to prioni (O assassino esquizofrênico da motosserra).

Algumas datas de estreia do filme:[42]

Hooper esperava que a Motion Picture Association of America (MPAA) desse ao filme uma classificação "PG" (a qual sugere a companhia de um adulto), devido à sua quantidade mínima de gore visível.[12] [43] [44] No entanto, a associação classificou inicialmente a película como "R", (todos os menores de 17 anos devem ir acompanhados de um adulto), após o corte de vários minutos. Aparentemente, um distribuidor restaurou o material ofensivo e pelo menos um cinema exibiu a versão sem corte sob a classificação "R".[45] Em San Francisco, expectadores saíam enojados das salas de cinema[46] e, em fevereiro de 1976, dois cinemas em Ottawa, Canadá foram aconselhados pela polícia local a retirar o filme de cartaz, para que não enfrentassem acusações de caráter moral.[47]

O filme foi proibido no Reino Unido por Stephen Murphy, Secretário da British Board of Film Classification (BBFC) e posteriormente por seu sucessor, James Ferman.[48] [49] Enquanto a proibição britânica estava em vigor a própria palavra "chainsaw" foi impedida em títulos de filmes, forçando imitadores a renomear suas produções.[50]

O filme foi banido ou exibido com muitos cortes em vários países, incluindo Brasil, Chile, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Singapura, Suécia e Alemanha Ocidental.[2] [28] [51] Na Islândia o filme foi lançado apenas em novembro de 2000 e na Turquia somente em abril de 2015.[42]

Versões[editar | editar código-fonte]

Desde sua estreia, The Texas Chain Saw Massacre tem sido lançado em VHS, laserdisc, CED, DVD, UMD e Blu-ray. Primeiro foram lançadas as versões em videoteipe e CED durante a década de 1980 pela Wizard Video e pela Vestron Video.[52]

Em 1984, o filme foi novamente proibido no Reino Unido, devido principalmente a uma onda de pânico moral que envolvia na época filmes com conteúdo violento e/ou ofensivo, os chamados video nasties.[53] Somente após a saída de James Ferman em 1999, a BBFC aceitou a distribuição de The Texas Chain Saw Massacre nos cinemas e no mercado de home vídeo, quase 25 anos após a estreia original da película no resto do mundo. [54]

A versão em DVD foi lançada em outubro de 1998 nos Estados Unidos[55] e, devido a uma controvérsia, apenas em maio de 2000 no Reino Unido.[56] Anos depois, foi lançada um DVD duplo na região 1, intitulado The Texas Chainsaw Massacre: Ultimate Edition, o qual incluía entrevistas, melhorias no som e na imagem, e extras como cenas cortadas. [57] A Dark Sky Films lançou uma nova versão em setembro de 2008, desta vez em Blu-ray.[58] Em 3 de dezembro de 2008 foi lançado um DVD de três discos para a região 2, o qual foi intitulado The Texas Chain Saw Massacre: Seriously Ultimate Edition.[59] No Brasil, um DVD com a versão restaurada do filme foi lançado em 29 de agosto de 2008.[42]

Recepção[editar | editar código-fonte]

The Texas Chain Saw Massacre arrecadou mais de US$ 30 milhões nos Estados Unidos,[3] tornando-se um dos filmes independentes mais bem sucedidos. O feito foi superado anos depois pelo filme Halloween (1978), de John Carpenter, que arrecadou US$ 47 milhões em sua estreia.[60] O filme obteve o prêmio da crítica no Avoriaz Fantastic Film Festival em 1976.[61]

A reação da crítica foi majoritariamente positiva. A revista TV Guide se refere a ele como "um filme de terror inteligente, absorvente e muito perturbador, que quase não precisa do sangue para representar a violência".[62] A revista Empire descreveu-o como "o filme de terror mais horripilante jamais filmado".[55] Dave Kehr, do Chicago Reader, escreveu: "as imagens impactam mais por sua intensidade que por sua arte, mas Hopper tem talento".[55] Christopher Null, do site Filmcritic.com, acrescentou: "em nossa consciência coletiva, Leatherface e sua serra elétrica tornaram-se tão icônicos quanto Freddy e suas navalhas ou Jason e sua máscara de hockey".[63]

Outros, no entanto, criticaram a violência do filme e seus efeitos especiais. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu: "The Texas Chainsaw Massacre é tão violento e horrível como o título promete... nenhum propósito aparente, a não ser o de gerar repulsa e medo... no entanto, é bem feito, bem atuado e muito eficiente".[64] O crítico Steve Crum descreveu o filme como "lixo que estabelece novos níveis de brutalidade".[65] Por sua vez, o escritor Stephen Koch, em um artigo 1976, referiu-se a The Texas Chain Saw Massacre como uma "implacável violência sádica, tão extremo e hediondo quanto uma completa falta de imaginação pode gerar".[66]

Com o passar do tempo, os comentários a The Texas Chain Saw Massacre melhoraram. [67] No website Rotten Tomatoes possui 91% de aprovação, com base em um total de 54 comentários,[68] enquanto que no Metacritic tem uma pontuação de 75/100.[69] Mike Emery, do periódico Austin Chronicle disse que o filme era "terrível, mas fascinante ao mesmo tempo... a pior parte desta visão é que, apesar de seus aspectos sensacionais, está longe de ser o que poderia ser realidade".[55] O crítico de cinema Rex Reed se refere a ele como um dos filmes mais assustadores já vistos, enquanto que o escritor Stephen King destacou seu "mérito social redentor".[15] A revista Variety comentou: "Apesar da grande quantidade de gore em The Texas Chain Saw Massacre, o filme de Tobe Hooper é bem produzido para um filme do gênero".[70]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

The Texas Chain Saw Massacre sendo exibido no Hollywood Theatre, no estado de Oregon (EUA), em julho de 2014.

The Texas Chain Saw Massacre tem sido considerado como um dos melhores filmes de terror da história, e a maior influência no gênero.[71] [72] Scott Von Doviak, da Hick Flicks, se referiu a essa obra como "um dos poucos filmes de terror que usam a luz do dia de forma eficaz, desde a horripilante sequência de abertura mostrando um corpo em decomposição na lápide de um cemitério".[73] No livro Horror Films, um dos críticos argumentou que este era "o thriller gore mais efetivo de todos, e, de um ponto de vista mais amplo, está entre os filmes de terror mais eficazes já feitos [...] a força motriz por trás de The Texas Chainsaw Massacre é mais horrível do que a sexualidade aberrante: a demência total".[74]

O diretor Ridley Scott referiu-se a ele como uma fonte de inspiração para o seu filme Alien (1979).[13] Por sua vez, o cantor e cineasta Rob Zombie afirmou que The Texas Chain Saw Massacre foi uma influência para seu trabalho, especialmente para seu filme House of 1000 Corpses (2003).[75] Ben Cobb, crítico de cinema da rede de televisão Channel 4 o considera "um triunfo do estilo e atmosfera, The Texas Chain Saw Massacre é sem dúvida um dos filmes de terror mais influentes de todos os tempos".[76] O Museu de Arte Moderna de Nova York adicionou uma cópia do filme à sua coleção permanente.[71] A revista Entertainment Weekly colocou-o em sexto lugar entre os melhores filmes cult,[77] e o incluiu entre os 20 filmes mais assustadores de todos tempos.[78] Em 2005, a Total Film realizou uma pesquisa que colocou The Texas Chain Saw Massacre como o melhor filme de terror, superando filmes como Halloween (1978) de John Carpenter e O Exorcista (1973) de William Friedkin.[79] Dois anos mais tarde, a revista Time o incluiu entre os 25 melhores filmes de terror da história. [80] A revista Empire realizou uma pesquisa com críticos de cinema e leitores para escolher os 500 melhores filmes de todos os tempos, e The Texas Chain Saw Massacre ficou em 199º lugar.[81]

Em maio de 2014, uma versão restaurada do filme foi exibida na "quinzena de realizadores" do Festival de Cannes para comemorar seus 40 anos. O filme foi apresentado pelo diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn.[82]

O grupo de punk rock Ramones menciona o filme em sua canção "Chainsaw", presente em seu primeiro álbum. Na Espanha, as canções dos grupos Parálisis Permanente ("Un día en Texas"), Airbag ("Familia de subnormales todos locos") e Siniestro Total ("La matanza de taxis" ou "La sierra es la familia") refletem a influência do filme em suas letras.

Temas e análises[editar | editar código-fonte]

Representação feminina e violência[editar | editar código-fonte]

Os temas subjacentes do filme têm sido objeto de extensa discussão. Críticos e estudiosos o têm interpretado como um filme exploitation paradigmático em que protagonistas femininas são submetidas à violência brutal e sádica.[83] [84] Stephen Prince comenta que o horror “surge do tormento da jovem submetida à prisão e abuso em meio a armas deterioradas [...] e móveis feitos de ossos e dentes humanos.”[85] Assim como em muitos filmes de terror, este enfatiza a figura da final girl – a heroína e inevitável única sobrevivente que escapa de alguma forma ao horror que se abate sobre os outros personagens.[86] [87] Sally Hardesty é ferida e torturada, mas consegue sobreviver com a ajuda de um homem, o motorista do caminhão.[88]

Os críticos argumentaram que, mesmo em filmes exploitation em que a proporção de mortes masculinas e femininas é mais ou menos igual, as imagens que perduram serão a da violência cometida contra as personagens femininas.[86] [89] [90] O caso específico de The Texas Chain Saw Massacre fornece suporte para este argumento: três homens são mortos de forma rápida, mas uma mulher é brutalmente abatida – pendurada em um gancho de carne – e a mulher sobrevivente passa um longo tempo sendo torturada física e mentalmente.[91] Em 1977, a crítica Mary Mackey descreveu a cena do gancho de carne como, provavelmente, a mais brutal cena de morte feminina vista na tela em um filme distribuído comercialmente. Ela colocou-o em uma linha de filmes violentos que retratam as mulheres como fracas e incapazes de proteger a si mesmas.[92]

Em um estudo, foram exibidos a um grupo de homens cinco filmes que descreviam diferentes níveis de violência contra mulheres.[93] Na primeira visualização de The Texas Chain Saw Massacre, eles experimentaram sintomas de depressão e ansiedade; no entanto, após uma visualização posterior, eles consideraram a violência contra as mulheres menos ofensiva e mais agradável.[91] Um outro estudo, investigando as percepções específicas de gênero em filmes slasher, envolveu 30 homens e 30 mulheres universitários. Um participante do sexo masculino descreveu a gritaria, especialmente de Sally, como a “coisa mais louca” do filme.[94]

De acordo com Jesse Stommel, do Bright Lights Film Journal, a falta de violência explícita no filme força os expectadores a questionarem seu próprio fascínio com a violência que desempenha papel central em sua imaginação. No entanto, citando os rápidos movimentos de câmera, repetidas explosões de luz e impactantes efeitos sonoros do filme, Stommel afirma que a obra envolve o público primariamente de forma sensorial, e não ao nível intelectual.[95]

Crítica subjacente ao capitalismo[editar | editar código-fonte]

O crítico de cinema Robin Wood caracterizou Leatherface e sua família como vítimas do capitalismo industrial, pois sua ocupação como trabalhadores de matadouros se tornou obsoleta em decorrência dos avanços tecnológicos.[96] Ele afirma que a obra “evidencia um espirito de negatividade (...) que parece não estar muito abaixo da superfície da consciência coletiva moderna”. [97]

Naomi Merritt explora a representação no filme do “capitalismo canibal” em relação à teoria de Georges Bataille de tabu e transgressão. Ela discorre sobre a análise de Wood, afirmando que os valores da família Sawyer “refletem ou correspondem a instituições americanas estabelecidas e interdependentes (...) mas sua concretização destas unidades sociais é pervertida e transgressora”.[98]

Outras perspectivas[editar | editar código-fonte]

Na opinião de Kim Newman, a representação que Hooper faz da família Sawyer durante a cena do jantar parodia uma típica família de sitcom americana: o dono do posto de gasolina é a figura do pai provedor; o assassino Leatherface é retratado como uma dona-de-casa burguesa e o caroneiro atua como o adolescente rebelde.[99] Isabel Cristina Pinedo, autora de Recreational Terror: Women and the Pleasures of Horror Films Viewing, afirma que “O gênero terror deve manter terror e comédia em tensão para ser bem sucedido ao trilhar a tênue linha que separa o terrorismo e a paródia (..) este delicado equilíbrio é alcançado em The Texas Chain Saw Massacre, no qual o cadáver em decomposição do Vovô não apenas incorpora efeitos terríveis e bem-humorados, mas, na realidade, usa um para exacerbar o outro”.[100]

The Texas Chain Saw Massacre também tem sido descrito como o “último filme pro-vegetariano” devido aos seus temas ligados aos direitos dos animais. Em um ensaio de vídeo, o crítico de cinema Rob Ager descreve a ironia que há em seres humanos serem abatidos para obter carne, colocando humanos na posição de seres abatidos como animais de fazenda. O diretor Tobe Hooper deixou de come carne ao fazer o filme, e disse: “De certa forma, eu achava que o coração do filme era a questão da carne, é sobre a cadeia da vida e a morte de seres sencientes”.[101] [102]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Alguns meses após o lançamento da versão em VHS de The Texas Chain Saw Massacre, a Wizard Video criou um videogame baseado no filme para o console Atari 2600.[9] No jogo, o jogador assume o papel do vilão principal, Leatherface, e tem o objetivo de assassinar intrusos, enquanto evita obstáculos como cercas e crânios bovinos.[103] Por ter sido um dos primeiros videogames baseados em um filme de terror, The Texas Chainsaw Massacre causou polêmica por sua natureza violenta e alguns comerciantes se recusaram a vendê-lo.[9] [10]

Em 1991, a Northstar Comics criou várias histórias em quadrinhos baseadas na franquia The Texas Chain Saw Massacre, as quais foram intituladas Leatherface.[104] A franquia foi posteriormente adaptada pela Avatar Press, editora que publicou a primeira de uma série de histórias em quadrinhos em 2005.[8] Em 2006, a Avatar Press perdeu a licença e o estúdio Wildstorm - subdivisão da DC Comics – encarregou-se de publicar novos números.[105] Estas séries apresentavam novos personagens, sendo Leatherface um dos poucos que apareceu no filme; apenas Leatherface, publicada em 1991, foi baseada em uma das fitas, The Texas Chainsaw Massacre III. A primeira edição vendeu 30.000 cópias.[106]

Outros filmes da franquia[editar | editar código-fonte]

A história do assassino Leatherface e sua depravada família deu origem a uma franquia que já conta com um total de sete filmes. A primeira sequência, intitulada The Texas Chainsaw Massacre 2, lançada em 1986 e também dirigida por Tobe Hooper, foi considerada mais violenta que a obra original e acabou sendo banida na Austrália.[107] Em 1990 estreou Leatherface: Texas Chainsaw Massacre III, a segunda sequência, que dessa vez não contou com o retorno de Hooper.[12]

O quarto filme lançado, The Return of the Texas Chainsaw Massacre (1995), estrelado por Renée Zellweger e Matthew McConaughey, apresenta um enredo com elementos que permitem apontá-lo como um remake virtual do filme de 1974, e não necessariamente como uma sequência. [108] O remake oficial, por sua vez, foi lançado em 2003 e intitulado The Texas Chainsaw Massacre, sendo seguido por um prequel, The Texas Chainsaw Massacre: The Beginning (2006).[109] Em 2013 estreou Texas Chainsaw 3D, sequência direta do original de 1974 e sem nenhuma relação com os dois últimos filmes.[110] [111]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Embora no pôster promocional original e em muitas referências ao filme o título seja grafado como The Texas Chainsaw Massacre, a grafia oficial é The Texas Chain Saw Massacre, conforme mostrado nos créditos de abertura do filme. Este é também o título com que o filme é registrado no U.S. Copyright Office.[1]
  2. Livre tradução para: "It was 95, 100 degrees every day during filming. They wouldn't wash my costume because they were worried that the laundry might lose it, or that it would change color. They didn't have enough money for a second costume. So I wore that [mask] 12 to 16 hours a day, seven days a week, for a month."
  3. Livre tradução para: "I definitely studied Gein (...) but I also noticed a murder case in Houston at the time, a serial murderer you probably remember named Elmer Wayne Henley. He was a young man who recruited victims for an older homosexual man. I saw some news report where Elmer Wayne (...) said, "I did these crimes, and I'm gonna stand up and take it like a man." Well, that struck me as interesting, that he had this conventional morality at that point. He wanted it known that, now that he was caught, he would do the right thing. So this kind of moral schizophrenia is something I tried to build into the characters."

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]