Theatro Pedro II

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Theatro Pedro II
Visão do Theatro
Estilo dominante eclético[1]
Arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Júnior (Arquiteto projetista)
Construção 1928 — 1930
Inauguração 8 de outubro de 1930 (86 anos)
Capacidade 1588 lugares
Estado de conservação  São Paulo
Geografia
País  Brasil
Cidade Ribeirão Preto

O Theatro Pedro II[2] é um grande teatro localizado na cidade de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, de primeira classe para música sinfônica e ópera, possuindo capacidade para 1588 espectadores[3] e uma área total de 6500 m².

História[editar | editar código-fonte]

Origem e construção[editar | editar código-fonte]

Ribeirão Preto viveu seu apogeu econômico e político, desencadeado pela Cultura Cafeeira e pela implantação da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro em 1876. Em 1897, a cidade recebeu seu primeiro teatro, o Teatro Carlos Gomes. Em 1903, um francês chamado François Cassoulet deu vida a boemia da cidade com a fundação de cassinos e casas noturnas, como o Eldorado Paulista. Com a abertura industrial em 1911, instalava-se na cidade a Companhia Cervejaria Paulista. No início da década de 20, Adalberto de Oliveira Roxo adquiriu alguns velhos prédios na esquina das ruas Duque de Caxias e Álvares Cabral para a construção de um Hotel, o Central Hotel. Este edifício deu início ao Conjunto Arquitetônico que ficaria conhecido como "Quarteirão Paulista"[4].

Os outros terrenos localizados em frente à Praça XV de Novembro, até a esquina com a rua General Osório, foram adquiridos pela Cia Cervejaria Paulista, com a finalidade de construir um conjunto arquitetônico composto por um teatro e um edifício de escritórios. Posteriormente foi adquirido também o edifício recém-construído do Central Hotel, que passou a ser chamado de Palace Hotel. Para a execução desse projeto, Meira Júnior, um dos fundadores da Cia Cervejaria Paulista, contratou, entre 1928 e 1930, o Arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Júnior, e a parte estrutural da construção coube à empresa alemã Kemmitz, dirigida por Fritz Hans Urlass[5]. O Teatro Pedro II foi construído em frente ao Teatro Carlos Gomes[6].

Inauguração e auge[editar | editar código-fonte]

O Teatro foi inaugurado em 8 de outubro de 1930[7] na cidade de Ribeirão Preto com a apresentação do filme "Alvorada do Amor". Em plena crise econômica, o teatro tinha capacidade para 2000 pessoas quando da inauguração[8]. Sua designação homenageia o último imperador do Brasil, D. Pedro II, e foi escolhido pela população da cidade, através de um concurso feito pelo jornal A Cidade, o principal do munícipio.[9]

Por mais de 30 anos, o Pedro II foi o principal polo cultural do município.[10] Havia passagens secretas no teatro, utilizadas por pessoas da alta sociedade. As passagens ligavam o teatro aos hotéis que ficavam ao lado do prédio.[11] Entre as décadas de 1950 e 1970, o subsolo do teatro foi transformado em salão de bailes de carnaval. Fora do período carnavalesco, era transformado em sala de jogos. O local ficou conhecido como “Caverna do Diabo”.[12]

Decadência e incêndio[editar | editar código-fonte]

Na década de 1970, o prédio foi arrendado por uma companhia exibidora de filmes, e o prédio passou por uma reforma que o descaracterizou. Vários elementos decorativos foram destruídos, a plateia foi reduzida e placas de madeira encobriram camarotes, frisas e galerias laterais para transformá-lo em cinema. Dos seus 2.000 lugares restaram apenas 800. Em 1978, o teatro já estava fechado ao público devido ao péssimo estado de conservação[13].

Em 15 de julho de 1980[14], um incêndio destruiu a cobertura, o forro do palco e grande parte do interior, incluindo-se o teto. A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto chegou a fazer um concerto de protesto, quatro meses depois do incêndio, sob a regência do Maestro Isaac Karabtcheswski e Lutero Rodrigues, atraindo cerca de 10 mil pessoas[15].

Tombamento e reforma[editar | editar código-fonte]

Interior do Theatro Pedro II.

Graças a uma grande mobilização da sociedade local, no dia 7 de maio de 1982[16], o prédio foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo)[17].

Em maio de 1991 teve início a primeira etapa de restauração e modernização do teatro. Em janeiro de 1993 começou a segunda etapa. Um concerto de música erudita em abril de 1994 arrecadou 10 mil dólares para a recuperação. A reforma durou cinco anos. O restauro das características arquitetônicas originais recuperaram o Pedro II e ampliaram suas funções, transformando-o no segundo maior teatro de ópera do país em capacidade de público. O Pedro II fica atrás apenas do Teatro Municipal de São Paulo[18].

Na fase de reforma, a cúpula metálica da plateia principal foi reconstruída e a caixa cênica rebaixada em seis metros. Foi criado um subsolo com mais dois níveis: espaços para serviços de apoio artístico, oficina de cenário, carpintaria e almoxarifado técnico.

Reinauguração[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1996, na administração do prefeito Antônio Palocci Filho, o Teatro Pedro II foi reinaugurado com um concerto da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e o Coral do Teatro Colón, de Buenos Aires, apresentando a abertura Il Guarany de Antônio Carlos Gomes e a Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, respectivamente sob regência dos maestros Roberto Minczuk e Isaac Karabtchevsky, contando ainda com a presença de Fernando Portari (tenor solista). Em sua nova configuração após a reforma, ocorreram várias melhorias e foi ainda criada e instalada uma nova cúpula da artista plástica Tomie Ohtake, mas todos os demais detalhes do Teatro Pedro II foram reconstruídos e restaurados de acordo com as plantas e demais dados arquitetônicos originais.

Por sua excelente acústica, o Teatro Pedro II é considerado um dos melhores teatros da América Latina, destacando-se para a realização de concertos sinfônicos e em especial ópera (de acordo com seu projeto inicial), incluindo-se fosso com elevador para orquestra abrigando cerca de sessenta músicos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. SUNEGA, Renata Alves (2005). «Um teatro para o "conjunto harmônico de edifícios monumentais"» (PDF). I Encontro de História da Arte - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. Consultado em 11 de agosto de 2015 
  2. Como sinal de tradição, a prefeitura prefere manter a grafia original, theatro com "th" como figura em sua fachada.
  3. Prefeitura de Ribeirão Preto. «Theatro Pedro II - Sala Principal». Consultado em 22 de julho de 2010 
  4. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  5. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  6. http://www.jornalacidade.com.br/lazerecultura/lazerecultura_internaNOT.aspx?idnoticia=963619
  7. Prefeitura de Ribeirão Preto. «Theatro Pedro II - História». Consultado em 22 de julho de 2010 
  8. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  9. http://www.jornalacidade.com.br/lazerecultura/lazerecultura_internaNOT.aspx?idnoticia=963619
  10. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  11. http://www.jornalacidade.com.br/lazerecultura/lazerecultura_internaNOT.aspx?idnoticia=963619
  12. http://www.theatropedro2.com.br/institucional.php
  13. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  14. http://www.theatropedro2.com.br/institucional.php
  15. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  16. http://www.theatropedro2.com.br/institucional.php
  17. http://www.achetudoeregiao.com.br/sp/ribeirao_preto/teatro_pedro_II.htm
  18. http://www.theatropedro2.com.br/institucional.php

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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