Theodore Dalrymple

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Theodore Dalrymple ou Edward Theberton
Anthony Daniels (2007)
Nascimento
Londres,  Inglaterra
Prémios Freedom Prize [1]
Género literário Romance, conto
Movimento literário Conservadorismo

Anthony Daniels (Londres, 11 de outubro de 1949) é um médico psiquiatra e escritor britânico, também conhecido pelos pseudônimos Theodore Dalrymple e Edward Theberton, entre outros. Aproveitando a experiência de anos de trabalho em países como o Zimbábue e a Tanzânia, bem como na cidade de Birmingham, na Inglaterra, onde trabalhou como médico em uma prisão, Daniels tem escrito profusamente sobre cultura, arte, política, educação e medicina. Além de seu trabalho em medicina nos países já citados, Anthony Daniels já viajou extensivamente pela África, Leste Europeu, América Latina e outras regiões. Dalrymple colabora com veículos como The Times, The Daily Telegraph, The Observer e The Spectator.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

O pai de Daniels foi um empresário comunista com ascendência russa, e sua mãe uma alemã de origem judaica refugiada na Inglaterra durante o regime nazista.[3]

Trabalhando como psiquiatra, Daniels morou no Zimbabwe, na Tanzânia, na África do sul e no Kiribati, retornando ao Reino Unido em 1990.[4]

Em 1991 ele fez uma aparição na televisão na série de TV After Dark, sob o pseudônimo de Theodore Dalrymple, onde conviveu com diversos criminosos da Grã-Bretanha. [5] Quanto à escolha do seu novo nome, Dalrymple sarcasticamente disse que “escolheu o nome que soou adequadamente dispéptico e que retrata um homem de idade avançada, olhando desgostoso da janela o estado de degeneração do mundo contemporâneo”.[6]

Dalrymple é ateu. [7]

Principais idéias[editar | editar código-fonte]

Civilização[editar | editar código-fonte]

A civilização, para Dalrymple, não significa necessariamente uma sociedade urbanizada, tecnológica. Mas sim um arranjo social que promove excelência intelectual e moral do homem. O contrário de civilização é o barbarismo, abrangendo a tirania, o genocídio, a banalização do mal e o fundamentalismo ideológico-religioso. [8][9]

Theodore acredita que a civilização abrange um largo especto de atividades: do homem que varre as ruas até o grande artista. Esse grande conjunto de atividades cooperativas permite ao homem alcançar uma vida material e mental muito superior àquela de que é natural e individualmente dotado. O autor enxerga a atual desconfiança pelo termo "civilização" como um sinal de decadência cultural.[10][11]

O estado natural da condição humana é a pobreza, a ignorância e a anarquia. Apenas com muito esforço e pelo auxílio civilizatório (o que compreende uma série de conhecimentos e tradições herdadas), pode o homem alcançar a riqueza, a inteligência e a tranquilidade. Dalrymple também entende que as conquistas civilizatórias não são imutáveis, podendo ser perdidas com o tempo. Além disso, a repressão de certos instintos e apetites em prol da moderação na conduta humana é condição necessária para a vida em coletividade.[12][13]

Dessa forma, Theodore Dalrymple critica a ideia marxista de evolução histórica, de que o futuro inevitavelmente levará a uma sociedade melhor. Para isso, o autor utiliza o argumento de que as taxas de crimes na Inglaterra subiram em uma proporção muito maior que a população desse país nos séculos XX e XXI. Apesar dos enormes avanços econômicos e de qualidade de vida, mais crimes são cometidos. [14]

Falibilidade Humana[editar | editar código-fonte]

Dalrymple entende que o ser humano é um ser falível, em constante esforço para não cair no vício, no egoísmo e na imoralidade. A concepção religiosa de que o homem é uma criatura permeada de pecados e vícios é muito mais precisa do que a concepção utópica de que seja possível tornar o homem perfeito pela técnica ou pelo simples desenrolar da História.[15][16]

Podres de Mimados[editar | editar código-fonte]

A partir de sua experiência como médico e de sua clara inclinação conservadora, Theodore desponta como um crítico cultural e social. O médico responsabiliza a noção do “Estado de bem-estar social” pela falta de amadurecimento, cada vez mais generalizada em sua opinião.

De acordo com Dalrymple, a sociedade contemporânea embarcou numa concepção preguiçosa de mundo, em uma dimensão onde as fraquezas individuais são estimuladas e onde a ordem política passou a tratar indivíduo como uma criança. Segundo o autor, há vantagens em ser tratado como criança – como a de não ser responsável pela própria experiência, e achar que a “vida ganha” é um direito. [17]

Segundo seu livro Podres e Mimados, na contemporaneidade há uma dissociação da ideia do direito da ideia do dever, e um culto toxico do sentimentalismo que traz uma degeneração do ser humano. O culto toxico do sentimentalismo torna o homem cada vez mais violento e a mulher cada vez mais objetificada, em uma espécie de parceria doentia. Dalrymple exemplifica suas ideias com casos clínicos particulares documentados ao longo de sua vida exercendo a psiquiatria.

Para o britânico, a cultura moderna se alimenta de nossos medos, frustrações e riscos. Riscos estes que nos tornam adultos.[18]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Vários livros do autor já foram traduzidos para o português:

Em português também há um comentário à sua obra:

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Coups and Cocaine: Two Journeys in South America (1986)
  • Fool or Physician: The Memoirs of a Sceptical Doctor (1987)
  • Zanzibar to Timbuktu (1988)
  • Sweet Waist of America: Journeys around Guatemala (1990)
  • The Wilder Shores of Marx: Journeys in a Vanishing World (published in the U.S. as Utopias Elsewhere) (1991)
  • Monrovia Mon Amour: A Visit to Liberia (1992)
  • If Symptoms Persist: Anecdotes from a Doctor (1995)
  • So Little Done: The Testament of a Serial Killer (1996)
  • If Symptoms Still Persist (1997)
  • Mass Listeria: The Meaning of Health Scares (1998)
  • An Intelligent Person's Guide to Medicine (2001)
  • Romancing Opiates: Pharmacological Lies And The Addiction Bureaucracy (2006) ISBN 1-59403-087-1
  • Junk Medicine: Doctors, Lies and the Addiction Bureaucracy (2007) ISBN 1-905641-59-1
  • Anything Goes (2011)
  • Litter: How Other People's Rubbish Shapes Our Life (2011). Gibson Square Books. ISBN 978-1906142865
  • Farewell Fear (2012). New English Review Press. ISBN 978-0985439477
  • The Pleasure of Thinking: A Journey through the Sideways Leaps of Ideas (2012). Gibson Square Books. ISBN 978-1908096081
  • Threats of Pain and Ruin (2014). New English Review Press. ISBN 978-0991652112
  • Admirable Evasions: How Psychology Undermines Morality (2015). Encounter Books. ISBN 978-1594037870
  • Out into the Beautiful World (2015). New English Review Press. ISBN 978-1943003020

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Theodore Dalrymple


  1. Daniel Hannan (4 May 2011). «In praise of Flanders, Right-wing intellectuals and Theodore Dalrymple». The Daily Telegraph [S.l.: s.n.] Arquivado desde o original em 19 February 2016. Consultado em 8 agosto 2016. 
  2. [1]
  3. Theodore Dalrymple (2005). «Our Culture, What's Left of It». Ivan R. Dee. p. 158. 
  4. A bit of a myth, A.M. Daniels, The Spectator, 26 August 1983
  5. «PRISONS - WHICH WAY OUT?». BFI. Consultado em 22 de agosto 2016. 
  6. Dalrymple, Theodore (16 February 2008). «Where nobody knows your name.» Globe and Mail [S.l.] Consultado em 22 Agosto 2016. 
  7. Dalrymple, Theodore. «What the New Atheists Don’t See» City Journal [S.l.] Consultado em 5 January 2009. 
  8. dela, Nossa (2015). Nossa Cultura...Ou o que restou dela (São Paulo: É Realizações). 
  9. Righi, Maurício G. Theodore Dalrymple, a ruína mental dos novos bárbaros. 1ª edição. Editora É Realizações, p. 47
  10. Dalrymple, Theodore. Nossa Cultura...Ou o que restou dela. 1ª edição. Editora É Realizações. 2015, p.p. 195 e 196.
  11. (2015-12-23) "What We Have to Lose". City Journal.
  12. Dalrymple, Theodore. Nossa Cultura...Ou o que restou dela. 1ª edição. Editora É Realizações. 2015, p. 201.
  13. (2015-12-23) "What We Have to Lose". City Journal.
  14. (2016-11-16) "Uma aula de “decliniologia”, com Theodore Dalrymple | VEJA.com". VEJA.com.
  15. Dalrymple, Theodore. Nossa Cultura...Ou o que restou dela. 1ª edição. Editora É Realizações. 2015, p.80
  16. (2015-12-23) "What’s Wrong with Twinkling Buttocks?". City Journal.
  17. 'The Uses of Metaphysical Skepticism', in: In Praise of Prejudice. The Necessity of Preconceived Ideas, p. 6 (capítulo 2).
  18. 'The Law of Conservation of Righteous Indignation, and its Connection to the Expansion of Human Rights', in: In Praise of Prejudice. The Necessity of Preconceived Ideas, p. 68 (capítulo 17).