Thomas Paine

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Thomas Paine
Thomas Paine, pintura a óleo por Auguste Millière (1880), após uma gravura por William Sharp, após um retrato de George Romney (1792)
Nascimento 9 de fevereiro de 1737
Thetford, Norfolk, Inglaterra
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Grã-Bretanha
Morte 8 de junho de 1809 (72 anos)
Nova Iorque, NY
 Estados Unidos
Nacionalidade Inglaterra Inglês
Ocupação Filósofo
Influências
Influenciados
Escola/tradição Iluminismo, Liberalismo, Radicalismo, Republicanismo
Principais interesses Ética, Política, Religião

Thomas Paine foi um político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América.[1] Viveu na Inglaterra até os 37 anos, quando imigrou para as colônias britânicas na América, em tempo de participar da Revolução Americana. Suas principais contribuições foram os amplamente lidos Common Sense (1776), advogando a independência colonial americana do Reino da Grã-Bretanha, e The American Crisis (1776–1783), uma série de panfletos revolucionários.

Depois, Paine influenciou bastante a Revolução Francesa. Escreveu Rights of Man (1791), um guia das ideias Iluministas. Mesmo não falando francês, foi eleito para a Convenção Nacional Francesa em 1792. Os Girondinos o viam como aliado, assim os Montagnards, especialmente Robespierre, o viam como inimigo. Em Dezembro de 1793, ele foi aprisionado em Paris, e solto em 1794. Tornou-se notório por The Age of Reason (1793–94), um livro advogando Deísmo e argumentando contra a religião institucionalizada (doutrinas cristãs), e promovia a razão e o livre pensar.[2]

Na França, também escreveu o panfleto Agrarian Justice (1795), discutindo as origens da propriedade, e introduziu o conceito de renda mínima. Ele também defende a posse de arma por parte dos cidadãos.[3] Ele também foi um pacifista por defender que os tributos servem para sustentar guerras.[4]

Paine permaneceu na França durante o início da Era Napoleônica, mas condenava a ditadura de Napoleão, chamando-o de "o mais completo charlatão que já existiu".[5] A convite do presidente Thomas Jefferson, em 1802 ele retornou aos Estados Unidos.

Thomas Paine morreu em 59 Grove Street, Greenwich Village, estado de Nova Iorque em 8 de junho de 1809 com 72 anos. Somente seis pessoas compareceram ao seu funeral.[6] Foi enterrado onde hoje é chamado Thomas Paine Cottage em New Rochelle, NY, onde viveu depois de retornar aos E.U.A. em 1802. Seus restos mortais foram posteriormente desenterrados por um admirador, William Cobbett, que procurava retorná-los para o Reino Unido e dar a ele um novo enterro solene em sua terra natal. Os ossos, entretanto, foram perdidos e sua localização atual é desconhecida.

Casou-se com Mary Lambert em 17 de setembro de 1759, primeiras núpcias, e Elizabeth em 26 de março de 1771, em suas segundas núpcias.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu na Inglaterra na cidade Thetford em 1739. De pais pobres, Paine foi educado nas escolas locais até a idade de treze anos, quando  começou a trabalhar com confecções de barbantes para espartilho. Porém aos dezessete anos ele tentou se alistar em um navio corsário chamado the terrible, mas seus pais o trouxeram de volta. Entretanto, um pouco mais tarde, com o inicio da guerra dos sete anos, ele consegue embarcar em outro corsário; e sobre seus dias em alto mar não se sabe muito.  Em 1758 foi contratado para confeccionar espartilhos em Londres e no ano seguinte se casa, mas sua esposa vem a falecer meses depois. Em 1763 tornou-se fiscal de impostos, mas foi demitido por ficar em casa estudando e não exercendo suas funções de fiscalização.  Tornou-se, também, professor ganhando dez xelins. E mais tarde tentou se tornar pastor anglicano. Foi recontratado como fiscal em Lewes , o que lhe salvou de expedientes desesperados. Onde se casou uma segunda vez, com uma quaker, da qual se separou anos antes, por motivos que se desconhece.  Acredita-se que foi demitido mais uma vez por organizar petições requerendo ajuste salarial para os fiscais. Em Londres, onde tentava organizar a petições para os fiscais, conheceu Benjamin Franklin. Em 1774 partiu para américa com uma carta de recomendação de Benjamin Franklin, que o descrevia como um “Jovem inteligente e valoroso”. Logo que chegou a Filadélfia, mostrou-se habilidoso para com a escrita e começou a trabalhar como editor.[7][8] [9]

 Sua primeira publicação foi em maio de 1775, foi um artigo contra a escravidão e o comercio de escravos. Parece que foi por grande parte da sua influência que Jefferson inseriu, no esboço da declaração da independência, uma nota relativa a esse assunto, porém foi tirada mais tarde. Em 1775 a escravidão ainda era legal na Pensilvânia; e só veio ser abolida em 1780, naquele estado, lei da qual Paine teria escrito o preâmbulo.

Paine foi um dos primeiros a defender a separação dos Estados unidos de fato. Subsequentemente, até mesmo alguns que assinariam a declaração de independência , esperavam um acomodação  junto ao governo britânico. [10][11]

Escreveu, em um dos momentos mais conturbados da guerra de independência, os tratado e panfletos  nomeados de “Bom senso’’. Mostrou algumas ideias vigorosas sobre a republica e falou contra a monarquia. [11]

 Após a guerra de independência ele era extensamente conhecido nos Estados Unidos, mas continuava pobre. Mas uma legislatura estadual lhe concedeu uma soma em dinheiro e a outra uma propriedade. Esperando, talvez, que ele se acomodasse. No entanto ele voltou sua atenção a engenharia com a possibilidade de construir pontes de ferros. Suas pontes o levaram para a Inglaterra, onde foi recebido calorosamente de Duque de Portland. Mandou instalar uma ponte na estação de Paddington, pelo qual foi elogiado por engenheiros e foi considerado um eminente inventor.

Em 1788, Paine foi a Paris para conversar com Lafayette e submeter seus planos a académie de sciences, que após algum tempo, foi favorável.  Quando a Bastilha caiu, Lafayette  presenteou Washington com a chave da prisão e foi incumbido a Paine leva-la ao Estados Unidos. No entanto Paine permaneceu na Europa devido a suas pontes e interesses financeiro. [11]

Escreveu uma longa carta a Washington, dizendo que encontraria alguém para assumir seu lugar no transporte. Na mesma carta escreveu: “ Não tenho a menor duvida do sucesso final e completo da Revolução Francesca.  Durante algum tempo a Revolução permaneceu equilibrada, mas ao poucos a Revolução acabou por vencer. Na esperança de suscitar um movimento de resposta por parte da Inglaterra, ele escreveu o “Direito dos Homens”.

O apelo de Paine, com exceções de algumas passagens, era ao bom senso. Ele argumentava contra as finanças de William Pitt.  Pitt iniciou um processo compra Paine e uma supressão contra Direitos dos Homens.[10][12]

Prisão na França

Em Paris agiu com mais espirito publico do que com cautela. Esperava- que mesmo com os massacres- a revolução tomasse uma natureza ordeira. Manteve a sua gratidão ao Rei Luís XVI pelo apoio a revolução americana. Ao se opor a execução do Rei ele gerou nos jacobinos uma fúria tamanha. Primeiro foi expulso da convenção e depois preso como extrangeiro. O primeiro ministro norte-americano(Gouverneur Morris), federalista e que tinha rixas pessoais contra Paine, era culpado nas mesmas proporções. A rixa dava-se por uma suposta acusação contra Paine por ter exposto transações ilegais de um dos amigos do Ministro Norte-americano.  Paine escapou da guilhotina, mas não da enfermidade. Com a troca de primeiro Ministro, saindo Morris e entrando Monroe, Paine foi solto o quanto antes. E acolheu Paine em sua casa.

Paine não soube ao certo o quanto de influência o Morris colocou sobre o seu caso, mas ele nunca mais desculpo Washington. Quando ficou ciente que iriam construir uma estátua de Washington endereçou essas palavra ao escultor: “Tire da mina a pedra mais fria e mais dura, Ela não precisará ser esculpida: é Washington.  Mas, se cinzelar, que o golpe seja rude, E em seu coração, grave:-Ingratidão.”

Uma longa e amarga carta a Washington foi publicada em 1796, e acaba dessa maneira: “E, no que diz respeito ao senhor, traidor na amizade pessoal (como foi para comigo, e ainda mais em ocasiões de perigo)e hipócrita na vida publica, o mundo se confundirá se um apostata ou um impostor, se abandou os bons costumes ou se nunca os teve.’[10][12][11]

A idade da razão

Quando percebeu que seria inevitavelmente preso, desta vez na América, dedicou-se a trabalhar em A idade da razão. Cuja a primeira parte terminou seis horas antes de ser preso.  Escreveu Paine no primeiro capitulo: “Acredito em Deus, e nada mais: espero ser feliz para além desta vida. Acredito que os homens são iguais, e que as obrigações religiosas consistem em fazer justiça, amar a misericórdia e esforçar-se por fazer com que nossos semelhante sejam felizes.’’

Depois de Idade da Razão Paine caiu no esquecimento, doente e hostilizado pela maioria de seus amigos antigos.  Dr. Rush, da Filadélfia, um de seus primeiros amigos norte-americanos declarou: “Seus princípios em Idade da Razão me ofenderam-me  tanto que não desejo renovar meu relacionamento com ele’’

Foi atacado em seu próprio bairro e impedido de tomar um bonde. Foi injustamente acusado de imoralidade e intemperança. Passou seus últimos anos na solidão e na pobreza.

Quando estava agonizando, dois ministros religiosos invadiram seu quarto tentando convertê-lo , mas ele simplesmente disse: “Deixe-me em paz , bom dia!’’. Thomas Paine morreu em 1809.[13][1][10]

Noção de Democracia em Paine[editar | editar código-fonte]

Para um análise da noção de democracia em Paine, pode-se pensar a origem do Estado enquanto um agente centralizador do poder. Com a passagem da Idade Média para a Idade Moderna, o poder torna-se territorial, e consequentemente o Estado passa a ter terras. Assim, tem-se a transição de um "poder personificado" para um "poder territorializado". Portanto, a primeira tarefa do Estado moderno é a delimitação das fronteiras, a centralização do poder nas mãos dos reis, mas sem a destruição do poder econômico. Neste contexto é possível visualizar a Monarquia, autocrática e unitária; e posteriormente a República, democrática e federalista. Contudo, criou-se a tese de que a República seria viável somente em lugares pequenos, não em grandes impérios. A partir da independência norte-americana e do Congresso da Filadélfia, a república federalista torna-se viável. O problema do federalismo é de ordem territorial, isto é, das condições concretas de cada país. Neste sentido, o federalismo é muito mais prático que filosófico. O Federalismo surge porque é necessário para descentralizar o poder, e impede que haja uma concentração despótica de poder. Pode-se notar que, nessa época, a ausência de qualquer organização institucional de caráter nacional. A divisão de Montesquieu entre executivo, legislativo e judiciário só faz sentido nos membros confederados. O temor de uma entidade supranacional mais poderosa e distante lembrava aos antigos colonos dos tempos em que eram súditos de Jorge III. Esse temor se digladiará com uma série de problemas econômicos, cuja resolução os frágeis vínculos da Confederação eram incapazes de proporcionar. Com o fim de revisar os artigos da Confederação, as treze ex-colônias reuniram-se em Convenção na cidade de Filadélfia em 1787.

A obra "O Federalista" é fruto da reunião de uma série de ensaios publicados na imprensa de Nova York em 1788, com o objetivo de ratificar o texto da Constituição. A obra conjunta de três autores, Alexander Hamilton, James Madison, John Jay. Estes autores estão intimamente ligados à independência dos Estados Unidos. Madison é considerado o pai da constituição. Hamilton foi o primeiro secretário do tesouro e conselheiro do George Washington. Madison juntamente com Jefferson, liderou a fundação do partido republicano. Os autores não concordavam entre si em vários pontos, mas concordavam que a Constituição de 1781 deveria ser ratificada. A filosofia política da época, em especial a de Montesquieu, era evocada pelos adversários da ratificação para fundamentar o questionamento que faziam do texto constitucional proposto. Montesquieu, membro de uma tradição que se inicia com Maquiavel e culmina com Rousseau, apontava para incompatibilidade entre governos populares e os tempos modernos. A necessidade de manter grandes exércitos e a predominância das preocupações com o bem estar material fazia das grandes monarquias a forma de governo mais adequada ao espírito dos tempos. As condições ideais exigidas pelos governos populares, um pequeno território e cidadãos virtuosos, amantes da pátria e surdos aos interesses materiais, não mais existiam. Este era o desafio teórico dos federalistas.

Já na Revolução Americana, costuma-se indicar a estruturação do Estado Constitucional, a supremacia da lei constitucional, do regime presidencialista (e com isso, novamente, os próprios direitos políticos de restrição ou controle do Estado) e no sentido mais jurídico, se ainda podemos falar dessa forma, temos as raízes das chamadas garantias institucionais. Este seria o cenário ou o espaço de realização do pensamento federalista, a consumação da República Federativa, como resultado prático dos artigos dos federalistas. Além disso, Thomas Paine (e seu Os direitos do homem) e Thoreau, na defesa de John Brow, na linha da desobediência civil, são expoentes desses pensamentos e devem ser tomados costumeiramente.

Referências

  1. «Thomas Paine» (em inglês). Mahalo. Consultado em 27 de julho de 2010 
  2. «Thomas Paine» (em inglês). USHistory.org. Consultado em 27 de julho de 2010 
  3. Thomas Paine
  4. Rights of Man: Being an Answer to Mr. Burke's Attack on the French Revolution
  5. York, Henry: Letters from France, Dois volumes (Londres, 1804). Trinta e três páginas da última carta são dedicadas a Paine.
  6. «Thomas Paine» (em inglês). Mr. Nussbaum 
  7. «Quakers». Wikipedia (em inglês). 17 de abril de 2017 
  8. «Thomas Paine». Wikipedia (em inglês). 22 de abril de 2017 
  9. Paine, Thomas (29 de maio de 2010). Conway, Moncure Daniel, ed. The Age of Reason - Thomas Paine (em English). s.l.: Merchant Books. ISBN 9781603863414 
  10. a b c d Russell, Bertrand (1934). Por que não sou cristão (Why I am not a christian). Porto Alegre- Brasil: L&PM EDITORES. pp. 90, 91, 92, 93, 94, 95 96, 97, 98, 99, 100, 101. 
  11. a b c d «Thomas Paine». Biography.com (em inglês). Consultado em 22 de abril de 2017 
  12. a b «A Biography of Thomas Paine (1737-1809) < Biographies < American History From Revolution To Reconstruction and beyond». www.let.rug.nl. Consultado em 22 de abril de 2017 
  13. «Biografia: Thomas Paine». Instituto Ordem Livre 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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