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Thou (pronome)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
É possível encontrar ''thou'' de forma predominante nas obras de Shakespeare e outros escritores renascentistas, bem como de escritores medievais e do início da era moderna, e na Bíblia do Rei Jaime.[1][2]

A palavra thou (AFI: /ðaʊ/) é um pronome da segunda pessoa do singular no inglês. Atualmente, é considerado arcaico, tendo sido substituído na maior parte dos contextos por you, porém, ainda é usado em partes do Norte da Inglaterra e na Escócia. Thou é no caso nominativo; o oblíquo é thee (atuando como acusativo e dativo); o possessivo é thy (adjetivo) ou thine (como adjetivo antes de vogal ou pronome possessivo); e o reflexivo é thyself. Quando thou é um sujeito de um verbo no indicativo, adiciona-se no final -(e)st: v.g., “thou goest” (tu vais), “thou do(e)st” (tu fazes). Contudo, em alguns casos somente o -t é adicionado: e.g., “thou art” (tu és); “thou shalt” (tu deves).

Originalmente, thou (no inglês antigo: þū, [θuː]) era simplesmente o singular do plural ye, derivado do Proto Indo-Europeu. No inglês médio, thou às vezes era representado com uma sigla que colocava um pequeno “u” sobre a letra thorn: þͧ (mais tarde, em impressoras que não tinham essa letra, essa abreviação às vezes era representada como yͧ). Iniciando nos anos 1300, thou e thee eram usados para expressar familiaridade, formalidade ou desprezo, para se dirigir a estranhos, superiores ou inferiores, ou em situações em que era necessário indicar singularidade para evitar confusão. Enquanto isso, as formas plurais, ye e you, começaram a ser usadas também no singular: normalmente para dirigir-se a governantes, superiores, iguais, inferiores, pais, pessoas mais jovens e outras pessoas importantes.[3] No século XVI, thou caiu em desuso na norma culta — frequentemente sendo indelicado — mas, persistiu, às vezes alteradamente, em dialetos regionais da Inglaterra e da Escócia,[4] bem como na linguagem de grupos religiosos como entre os Quakers. O uso do pronome continua presente na oração cristã, como o Pai-Nosso (Lord’s Prayer)[5] e na poesia.[6]

As primeiras traduções inglesas da Bíblia usavam a conhecida forma singular da segunda pessoa, que reflete tendências de uso comuns em outras línguas. A forma familiar e singular é usada quando se fala com Deus em francês (no protestantismo tanto no passado quanto no presente, no catolicismo desde o Concílio Vaticano II), alemão, espanhol, italiano, português e gaélico e diversos outros idiomas (todos os quais mantêm o uso de uma forma singular “informal” da segunda pessoa na fala moderna). Outrossim, tradutores da King James Version (KJV) da Bíblia tentaram manter a distinção encontrada no hebraico bíblico, aramaico e grego koiné entre pronomes de segunda pessoa do singular e do plural e formas verbais. Portanto, houve o uso de thou, thee, thy e thine para o singular, e ye, you, your e yours para o plural.

No inglês moderno padrão, thou continua sendo usado em contextos religiosos formais, em cerimônias de casamento, na literatura que busca reproduzir a linguagem arcaica, e em certas frases fixas como “fare thee well” (adeus). Nesse contexto, muitos associam o pronome à solenidade ou formalidade.

Muitos dialetos compensaram a falta de distinção singular/plural causada pelo desaparecimento de thou e ye através da criação de novos pronomes plurais ou pronominais, como yinz, yous[7] e y’all ou o coloquial “you guys” (“you lot” na Inglaterra). “Ye” ainda é comum em algumas partes da Irlanda, mas os exemplos dados variam conforme a região e geralmente se restringem à linguagem coloquial.

Referências

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  1. «Homework Help and Textbook Solutions | bartleby». www.bartleby.com (em inglês). Consultado em 18 de novembro de 2025 
  2. «Shakespeare Resource Center - Thou Pesky "Thou"». www.bardweb.net. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  3. «you - Middle English Compendium». quod.lib.umich.edu. Consultado em 18 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2024 
  4. Shorrocks, 433–438.
  5. «The Order for Morning Prayer». www.churchofengland.org. Consultado em 18 de novembro de 2025 
  6. Crawford, Norman (1997). Gathering Unto His Name. GTP. pp. 178–179.
  7. Schneider, Edgar W.; Kortmann, Bernd, eds. (2004). A handbook of varieties of English: a multimedia reference tool. Berlin ; New York: Mouton de Gruyter. ISBN 978-3110175325