Thou (pronome)

A palavra thou (AFI: /ðaʊ/) é um pronome da segunda pessoa do singular no inglês. Atualmente, é considerado arcaico, tendo sido substituído na maior parte dos contextos por you, porém, ainda é usado em partes do Norte da Inglaterra e na Escócia. Thou é no caso nominativo; o oblíquo é thee (atuando como acusativo e dativo); o possessivo é thy (adjetivo) ou thine (como adjetivo antes de vogal ou pronome possessivo); e o reflexivo é thyself. Quando thou é um sujeito de um verbo no indicativo, adiciona-se no final -(e)st: v.g., “thou goest” (tu vais), “thou do(e)st” (tu fazes). Contudo, em alguns casos somente o -t é adicionado: e.g., “thou art” (tu és); “thou shalt” (tu deves).
Originalmente, thou (no inglês antigo: þū, [θuː]) era simplesmente o singular do plural ye, derivado do Proto Indo-Europeu. No inglês médio, thou às vezes era representado com uma sigla que colocava um pequeno “u” sobre a letra thorn: þͧ (mais tarde, em impressoras que não tinham essa letra, essa abreviação às vezes era representada como yͧ). Iniciando nos anos 1300, thou e thee eram usados para expressar familiaridade, formalidade ou desprezo, para se dirigir a estranhos, superiores ou inferiores, ou em situações em que era necessário indicar singularidade para evitar confusão. Enquanto isso, as formas plurais, ye e you, começaram a ser usadas também no singular: normalmente para dirigir-se a governantes, superiores, iguais, inferiores, pais, pessoas mais jovens e outras pessoas importantes.[3] No século XVI, thou caiu em desuso na norma culta — frequentemente sendo indelicado — mas, persistiu, às vezes alteradamente, em dialetos regionais da Inglaterra e da Escócia,[4] bem como na linguagem de grupos religiosos como entre os Quakers. O uso do pronome continua presente na oração cristã, como o Pai-Nosso (Lord’s Prayer)[5] e na poesia.[6]
As primeiras traduções inglesas da Bíblia usavam a conhecida forma singular da segunda pessoa, que reflete tendências de uso comuns em outras línguas. A forma familiar e singular é usada quando se fala com Deus em francês (no protestantismo tanto no passado quanto no presente, no catolicismo desde o Concílio Vaticano II), alemão, espanhol, italiano, português e gaélico e diversos outros idiomas (todos os quais mantêm o uso de uma forma singular “informal” da segunda pessoa na fala moderna). Outrossim, tradutores da King James Version (KJV) da Bíblia tentaram manter a distinção encontrada no hebraico bíblico, aramaico e grego koiné entre pronomes de segunda pessoa do singular e do plural e formas verbais. Portanto, houve o uso de thou, thee, thy e thine para o singular, e ye, you, your e yours para o plural.
No inglês moderno padrão, thou continua sendo usado em contextos religiosos formais, em cerimônias de casamento, na literatura que busca reproduzir a linguagem arcaica, e em certas frases fixas como “fare thee well” (adeus). Nesse contexto, muitos associam o pronome à solenidade ou formalidade.
Muitos dialetos compensaram a falta de distinção singular/plural causada pelo desaparecimento de thou e ye através da criação de novos pronomes plurais ou pronominais, como yinz, yous[7] e y’all ou o coloquial “you guys” (“you lot” na Inglaterra). “Ye” ainda é comum em algumas partes da Irlanda, mas os exemplos dados variam conforme a região e geralmente se restringem à linguagem coloquial.
Referências
[editar | editar código]- ↑ «Homework Help and Textbook Solutions | bartleby». www.bartleby.com (em inglês). Consultado em 18 de novembro de 2025
- ↑ «Shakespeare Resource Center - Thou Pesky "Thou"». www.bardweb.net. Consultado em 18 de novembro de 2025
- ↑ «you - Middle English Compendium». quod.lib.umich.edu. Consultado em 18 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2024
- ↑ Shorrocks, 433–438.
- ↑ «The Order for Morning Prayer». www.churchofengland.org. Consultado em 18 de novembro de 2025
- ↑ Crawford, Norman (1997). Gathering Unto His Name. GTP. pp. 178–179.
- ↑ Schneider, Edgar W.; Kortmann, Bernd, eds. (2004). A handbook of varieties of English: a multimedia reference tool. Berlin ; New York: Mouton de Gruyter. ISBN 978-3110175325