Tibério Cácio Césio Frontão

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Tibério Cácio Césio Frontão
Cônsul do Império Romano
Consulado 96 d.C.

Tibério Cácio Césio Frontão (em latim: Tiberius Catius Caesius Fronto) foi um senador romano nomeado cônsul sufecto para o nundínio de setembro a dezembro de 96 com um colega de nome incerto ("Marco Calpúrnio [...]ico")[1]. Eles eram os cônsules presidindo o Senado Romano quando o imperador Domiciano foi assassinado e Nerva foi eleito no seu lugar (18 de setembro). Frontão era amigo de Plínio, o Jovem, e é mencionado por ele quatro vezes suas cartas.

A partir de elementos de seu nome, Olli Salomies defende que Frontão provavelmente foi adotado pelo senador e poeta Sílio Itálico, cujo nome completo era Tibério Cácio Ascônio Sílio Itálico, e seu nome de nascimento era Tibério Césio Frontão. Outra hipótese, menos provável, é que ele era sobrinho de Itálico[2].

Advogado[editar | editar código-fonte]

Plínio o descreve como "um homem com a maior habilidade em arrancar lágrimas"[3] e menciona-o no contexto de três diferentes julgamentos: na condenação do caso de Mário Prisco, o procônsul da África indiciado por seus governados por extorsão[4], no processo de Júlio Basso, acusado de má gestão na Bitínia e Ponto[5] e, finalmente, no processo de Vareno Rufo, também acusado de má gestão pela população de Bitínia e Ponto[6]. Estes casos revelam que Frontão estava ativo no Senado nos primeiros anos do século II. Plínio pode ainda ter se referido a Frontão quando ele escreveu para seu amigo Canínio Rufo sobre a morte de Sílio Itálico. Nesta carta ele menciona que o filho mais velho dele estava bem e havia chegado ao consulado[7].

Embora não se saiba o nome de sua esposa, sabe-se que Frontão teve uma filha, Césia Frontina[2].

Carreira senatorial[editar | editar código-fonte]

Não se conhece nenhum cargo assumido por Frontão, nem a serviço do imperador e nem como procônsul pelo Senado. Segundo as Acta Arvalia, Frontão foi admitido entre os irmãos arvais e participou de seus encontros em 98 e 105[8].

Porém, John D. Grainger acredita que ele era um dos dois cônsules quando Domiciano foi assassinado e participou da conspiração. Ele defende que a família de Frontão era uma forte apoiadora do partido contrário a Domiciano, apesar de não ser hostil à dinastia flaviana como um todo. Ao nomeá-lo para o prestigioso e influente posto de cônsul, Domiciano estava colocando em prática sua política de nomear membros de diferentes grupos e facções no Senado para conseguir apoio. Finalmente, Grainger nota que, ao saber da morte do imperador, os cônsules, que presidiam o Senado e tinham autoridade para convocá-lo, chamaram os senadores para uma sessão extraordinária no dia seguinte. "Se ele não estivesse originalmente envolvido no complô", lembra Grainger, "teria levado algum tempo para convencê-lo do assassinato e ele certamente exigiria provas — ver o corpo, sem dúvida — o que atrasaria o desenrolar dos eventos ainda mais. Os atrasos acumulados chegariam a várias horas, mas, ainda assim, o Senado se reunião na manhã seguinte"[9].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul do Império Romano
Vexilloid of the Roman Empire.svg
Precedido por:
'Domiciano XVII

com Tito Flávio Clemente
com Lúcio Nerácio Marcelo (suf.)
com Aulo Búcio Lápio Máximo II (suf.)
com Públio Ducênio Vero (suf.)
com Quinto Pompônio Rufo (suf.)
com Lúcio Bébio Tulo (suf.)

Caio Mânlio Valente
96

com Caio Antíscio Veto
com Quinto Fábio Postúmino (suf.)
com Tito Priférnio (suf.)
com Tibério Cácio Césio Frontão (suf.)

Sucedido por:
'Nerva III

com Lúcio Vergínio Rufo III
com Cneu Árrio Antonino II (suf.)
com Caio Calpúrnio Pisão (suf.)
com Marco Ânio Vero (suf.)
com Lúcio Nerácio Prisco (suf.)
com Lúcio Domício Apolinário (suf.)
com Sexto Hermetídio Campano (suf.)
com Quinto Glício Atílio Agrícola (suf.)
com Lúcio Pompônio Materno (suf.)
com Públio Cornélio Tácito (suf.)
com Marco Ostório Escápula (suf.)


Referências

  1. Paul Gallivan, "The Fasti for A. D. 70-96", Classical Quarterly, 31 (1981), pp. 192, 208.
  2. a b Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature in the Roman Empire, (Helsinski: Societas Scientiarum Fenica, 1992), pp. 95f
  3. Plínio, o Jovem, Epístola II.11.3
  4. Plínio, o Jovem, Epístola II.11
  5. Plínio, o Jovem, Epístola IV.9.15
  6. Plínio, o Jovem, Epístola VI.13.3
  7. Plínio, o Jovem, Epístola III.7.2
  8. CIL VI, 2074, CIL VI, 2075
  9. Grainger, Nerva; and the Roman Succession Crisis of AD 96-99 (London: Routledge, 2004), pp. 8-12