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Tibisay Lucena

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Tibisay Lucena
Ministra do Ensino Superior da Venezuela
Período19 de outubro de 2021 até 12 de abril de 2023
PresidenteNicolás Maduro
Antecessor(a)César Trómpiz
Sucessor(a)Sandra Oblitas
Presidente do Conselho Nacional Eleitoral
Período30 de abril de 2006 até 12 de junho de 2020
Antecessor(a)Jorge Rodríguez Gómez
Sucessor(a)Indira Alfonzo
Reitora do Conselho Nacional Eleitoral
Período21 de janeiro de 2005 até 12 de junho de 2020
Dados pessoais
Nome completoTibisay Lucena Ramírez
Nascimento26 de abril de 1959
Barquisimeto, Venezuela
Morte12 de abril de 2023 (63 anos)
Caracas, Venezuela
Alma materUniversidade Central da Venezuela
OcupaçãoSocióloga e política

Tibisay Lucena Ramírez (Barquisimeto, 26 de abril de 1959 — Caracas, 12 de abril de 2023)[1][2] foi uma política e socióloga venezuelana, formada pela Universidade Central da Venezuela (UCV). Ela exerceu a função de presidente do Conselho Nacional Eleitoral de 2006 até 2020, quando o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) designou a magistrada Indira Alfonzo como a nova autoridade do órgão.[3] Lucena foi sancionada por vários países devido ao seu papel na supressão da democracia e dos direitos humanos no país.[4]

Biografia

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Início da vida e educação

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Tibisay Lucena Ramírez nasceu em Barquisimeto no dia 26 de abril de 1959.[5][6] Ela estudou violoncelo e tocou com a Orquestra Nacional Juvenil da Venezuela e com a Orquestra Sinfônica Simón Bolívar (entre 1980 e 1987). Lucena formou-se em Sociologia pela Universidade Central da Venezuela e trabalhou como pesquisadora no Instituto de Estudos Superiores de Administração. Posteriormente, realizou estudos de pós-graduação nos Estados Unidos, onde obteve o título de Mestra em Sociologia pela New School for Social Research, em Nova York.[7]

Em dezembro de 1999, durante o regime de transição do Poder Público, ela foi designada pela Assembleia Nacional Constituinte como membro suplente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE). Seu mandato expirou em 30 de abril de 2013,[8] no entanto, foi somente em outubro de 2014 que a Assembleia Nacional empossou o Comitê de indicações para designar seu substituto e o de outros dois de seus colegas. Isto ocorreu porque o parlamento não conseguiu chegar a um acordo com a maioria exigida por lei, pelo que se procedeu a uma nomeação autorizada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Em 26 de dezembro de 2014, foi reeleita como membro titular do CNE por designação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), após ser admitido o pedido de declaração de omissão da Assembleia Nacional feito por Diosdado Cabello, na sua condição de presidente da Assembleia Nacional.[9] Em 12 de junho de 2020, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela designou a advogada Indira Alfonzo como nova presidente desse órgão, pondo fim às funções de Lucena.

Em 7 de setembro de 2020, o Ministério do Poder Popular para o Ensino Superior a empossou como Reitora da Universidade Nacional Experimental das Artes. Em 19 de outubro de 2021, foi nomeada como nova ministra do Ensino Superior.[10]

Falecimento

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Lucena foi submetida a uma cirurgia em 2011 devido à suspeita de um tumor no ovário,[11] e era conhecido que ela tinha um tumor maligno na região pélvica há pelo menos os últimos 10 anos de sua vida. Ela faleceu em 12 de abril de 2023, aos 63 anos de idade.[12]

Sanções

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Em vida, Lucena foi sancionada por vários países e teve a entrada proibida na vizinha Colômbia. O governo colombiano mantém uma lista de pessoas com entrada proibida no país ou sujeitas a expulsão. Em janeiro de 2019, a lista incluía 200 pessoas com "uma relação próxima e de apoio ao regime de Nicolás Maduro".[13]

Em julho de 2017, Lucena, juntamente com outros doze altos funcionários do governo venezuelano associados às eleições para a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela de 2017, foram sancionados pelos Estados Unidos devido ao seu papel em minar a democracia e os direitos humanos.[14]

O Canadá sancionou quarenta funcionários venezuelanos, incluindo Lucena, em setembro de 2017.[15] As sanções foram aplicadas por comportamentos que minaram a democracia após pelo menos 125 pessoas terem sido mortas nos protestos venezuelanos de 2017 e "em resposta ao aprofundamento da ditadura do governo da Venezuela".[16] Aos canadenses foi proibido realizar transações com esses 40 indivíduos, cujos ativos no Canadá foram congelados.[16]

A União Europeia sancionou sete funcionários da Venezuela, incluindo Lucena, em 18 de janeiro de 2018, identificando-os como responsáveis pela deterioração da democracia no país. Aos indivíduos sancionados foi proibida a entrada nas nações da União Europeia e os seus ativos foram congelados.[17]

Em 29 de março de 2018, o Panamá sancionou cinquenta e cinco funcionários públicos, incluindo Lucena,[18] e a Suíça implementou sanções, congelando os ativos de sete ministros e altos funcionários, incluindo Lucena, devido a violações dos direitos humanos e à deterioração do Estado de direito e da democracia.[19] Em 20 de abril de 2018, o Senado mexicano congelou os ativos de funcionários da administração de Maduro, incluindo Lucena, e proibiu a sua entrada no México.

Ver também

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Referências

  1. Trucco, Florencia (12 de abril de 2023). «Muere Tibisay Lucena, expresidenta del CNE de Venezuela, informa el gobierno». CNN (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  2. en, Seguir (12 de abril de 2023). «Murió Tibisay Lucena, ministra y ex presidenta del ente electoral de Venezuela». infobae (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  3. «Indira Alfonzo asume como nueva presidenta del CNE». El Universal (em espanhol). 13 de junho de 2020. Consultado em 12 de novembro de 2025 
  4. «Quiénes son los 7 funcionarios de Venezuela sancionados por la Unión Europea y de qué se les acusa». BBC News Mundo (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  5. TalCual (12 de abril de 2023). «Falleció ministra de Educación Universitaria, Tibisay Lucena, este #12Abr». TalCual (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  6. Maza, Jesús (12 de abril de 2023). «Tibisay Lucena: ¿quién fue, de qué la acusaron y cuántos países la sancionaron?». larepublica.pe (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  7. Poderopedia, Equipo. «Tibisay Lucena». http://www.poderopedia.org/ve/personas/Tibisay_Lucena (em inglês). Consultado em 12 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2015 
  8. Scharfenberg, Ewald (20 de março de 2013). «La oposición cuestiona la imparcialidad del árbitro electoral de Venezuela». Madrid. El País (em espanhol). ISSN 1134-6582. Consultado em 12 de novembro de 2025 
  9. «173497-1865-261214-2014-14-1343.html». www.tsj.gov.ve. Consultado em 12 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2014 
  10. Villarreal @DeisyKarina8, Karina (19 de outubro de 2021). «Maduro designó a Tibisay Lucena ministra de Educación Universitaria». EL NACIONAL (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  11. Runrun.es (20 de novembro de 2011). «EXCLUSIVO: A presidenta del CNE le descubren tumor canceroso en región pélvica». Runrun.es: En defensa de tus derechos humanos (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  12. Maza, Jesús (14 de abril de 2023). «Fallece Tibisay Lucena, ministra de Venezuela y aliada del chavismo, a los 63 años». larepublica.pe (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  13. Agudelo, Mateo García (30 de janeiro de 2019). «Maduro encabeza lista de 200 venezolanos que no pueden entrar al país». El Tiempo (em spanish). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  14. «Treasury sanctions target Venezuela president's allies». The Hill 
  15. «Canada sanctions 40 Venezuelans with links to political, economic crisis». The Globe and Mail (em inglês). 22 de setembro de 2017. Consultado em 12 de novembro de 2025 
  16. a b «Canada imposes sanctions on key Venezuelan officials». CBC 
  17. «EU imposes sanctions on 7 senior Venezuelan officials». AP News (em inglês). 22 de janeiro de 2018. Consultado em 12 de novembro de 2025 
  18. Nacional, El (30 de março de 2018). «Los 55 funcionarios sancionados por Panamá por "blanqueo de capitales"». EL NACIONAL (em espanhol). Consultado em 12 de novembro de 2025 
  19. Staff, Reuters. «Swiss impose sanctions on seven senior Venezuelan officials». U.S. (em inglês). Consultado em 12 de novembro de 2025