Timorante

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Município Timorante
"Terra da Pedra do Chapéu"
Vista aérea de Timorante. Ao fundo, nota-se a BR-122.

Vista aérea de Timorante. Ao fundo, nota-se a BR-122.
Bandeira indisponível
Brasão indisponível
Bandeira indisponível Brasão indisponível
Hino
Aniversário 17 de setembro
Fundação 1945 (72 anos)
Gentílico timorantense
Localização
Localização  Timorante
Localização Timorante em Pernambuco
Unidade federativa  Pernambuco
Mesorregião Sertão Pernambucano IBGE/2008[1]
Microrregião Araripina IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes oeste: Bodocó; sul: Granito; norte: Exu.
Distância até a capital 630 km
Características geográficas
Área 4 260 km²
População 4 387 hab. estatísticas IBGE/2014[2]
Densidade 1,03 hab./km²
Altitude 523 m
Clima Semiárido Bsh
Fuso horário UTC−3
Página oficial


Timorante é um distrito brasileiro administrado pelo município de Exu, no estado de Pernambuco no Sertão Pernambucano, na região do Araripe.[3] Localizado as margens da BR-122, é administrado por dois municípios e dividido em duas partes: zona norte, a 15minutos do município de Exu e zona sul, a 30minutos do município de Granito. Timorante é um dos maiores e mais importantes distritos da terra do Rei do Baião. Fundado no dia 17 de setembro de 1945 junto aos distritos de Zé Gomes, Tabocas e Viração, fazem parte e incorporam todo o território do município de Exu. Passou a denominar-se Timorante pelo decreto-lei estadual n° 952, de 31 de dezembro de 1943, antes, dominava-se de Baixio.

História[editar | editar código-fonte]

Timorante é um pequeno povoado do interior de Pernambuco. Está localizado nas margens da principal rodovia do interior do estado, a BR-122. Timorante antes de ser conhecido pelo seu nome atual era conhecido como Baixio ou Baxi, como era chamado pelos mais velhos, cujo nome tem significado geograficamente por ser uma região de terras baixas e planas que eventualmente eram banhadas pelas águas vindas das evasões residuais dos açudes que, como era dito, sangravam e alagavam essas terras no inverno e após as estiagens surgia uma terra fértil para o plantio agrícola. Por se encontrar no caminho que águas que vinha de cima das serras para encontrassem com as águas do Rio São Francisco, era de fato um risco para o crescimento e o desenvolvimento do vilarejo e era de urgência mudar o vilarejo para um lugar mais plano e abrigado das enchentes. Para isso era preciso que alguém pudesse intervir e ajudar na transferência do povoado para um lagar seguro e que pudesse contribuir com a doação de terras e na época, os donos de maiores terrenos longe de alagamentos eram: Nelson da Costa Araújo e seu primo Zeba da Costa Araújo.

Doação das terras e a fundação de Timorante[editar | editar código-fonte]

Escola Nelson Araújo em Timorante

Abrangendo o que é agora a BR-122, pelo qual corta boa parte do distrito, os primos Araújo, eram donos de grande parte de terrenos semi planos e longe do caminho das águas que cortavam a região indo até o famoso Rio Brígida, localizado afrente do Museu do Gonzagão. Dispostos a ajudarem os aldeões que ali viviam, eles cederam parte de suas propriedades para que pudesse ser estabelecido o novo Baixio. Agora tendo um lugar melhor, o distrito pode começar a se desenvolver e a crescer, com o passar dos anos, o distrito começou a chamar a atenção de povoados vizinhos, que começaram a investir economicamente com suas compras e vendas de diversos produtos como: feijão, milho, farinha, algodão e é claro, o comércio de gado de corte e criações de cabras, porcos e galinhas. Atualmente possui uma das melhores instituições de ensino Médio e Fundamental do Sertão Pernambucano na região do Araripe,[3] a única de referências acadêmicas a Escola Estadual Nelson Araújo (em homenagem a um de seus fundadores), a E.E.N.A (sigla) ou simplesmente E.N.A (sigla) ou também grupo (pelos mais antigos).

Mesmo não tendo os recursos que tem em suas sedes administrativas, não fez o distrito parar de crescer e por este salto, com o decreto-lei estadual n° 952, passa a se chamar de Timorante e tornou-se um dos mais importantes distritos das suas sedes. Atualmente, se divide em duas partes administráveis por dois municípios, Exu e Granito, mas antes o município de Bodocó já foi administrador do distrito até abrir mão de sua parte por motivos pessoais. Assim, as três divisões de Timorante, o torna maior ou menor conforme esta divisão.

  • Zona norte: metade e final de Timorante
  • Zonas oeste e sul[nota 1]: outra metade e início de Timorante

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma altitude de 523 metros (o mesmo que sua sede), sua extensão territorial pode ser maior ou menor se levar em conta a unificação das partes pertencentes e administradas por Exu (zona oeste) e Granito (zonas leste e sul), podendo ser o dobro do que foi abordado no tópico anterior.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é semiárido e quente, frio no inverno e quente no verão, com grandes intervalos no período chuvoso, ou seja, suas estações de chuva são irregulares e demoram até a próxima estação.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação é predominantemente de Caatinga Hipoxerófila. O distrito também apresenta vegetação de cerrado, com espécies como: aroeira, braúna, sabiá, tambori, pequi, sucupira, angico, amburana (branca e vermelha), cedro, angico, eucalipto e a algaroba (Prosopis juliflora), árvore esta muito utilizada nas criações de cercas e seus frutos utilizados como ração para à alimentação bovina e demais criação.

As principais espécies animais da região são o preá, tatupeba, gambá, sagui, urubu, coruja, gavião, raposa, carcará ou Cara-cara e raposa, além de diversos tipos de aves e répteis.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Em 2010, a população do distrito foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 4 387 habitantes[nota 2], sendo o distrito mais populoso do município de Exu, apresentando uma densidade populacional de 1,03 habitantes por quilômetro quadrado.

Religião[editar | editar código-fonte]

Catolicismo[editar | editar código-fonte]

Assim como na maioria das cidades, municípios e distritos da Região Nordeste do Brasil, por fundamentos educacionais, Timorante é um distrito bastante religioso, sendo a maioria Católica Apostólica Romana. Sua maior e importante igreja Católica, a Igreja Matriz do Bom Jesus da Lapa, símbolo da devoção e amor católico.

Outras religiões[editar | editar código-fonte]

A população de Timorante é em sua totalidade (praticamente, 100%) considerada Cristã e a minoria adepta de denominações protestantes. Dentre esta última, destacam-se as igrejas "Assembleia de Deus" e "Adventista do Sétimo Dia" como principais representantes da população cristã protestante do distrito, tendo sido as primeiras do gênero a serem fundadas em Timorante. Mais recentemente, outras igrejas cristãs protestantes também ascendem no distrito, tais como: ADCOL, Congregação Cristã no Brasil, IACOL e Pentecostal da Graça. Há uma parte da população que se considera cristã, mas não são adeptos de nenhuma das denominações citadas anteriormente.

Um número consideravelmente baixíssimo de timorantenses se consideram ateus, espíritas, judeus ou de outras religiões e crenças. Não há relatos de pessoas adeptas de religiões politeístas como o Hinduismo e o Budismo, tampouco de pessoas adeptas do Satanismo, Esoterismo, Maçonaria ou outras crenças ou movimentos do tipo. Ao longo de seus mais de 70 anos de história, Timorante contou com outras denominações religiosas que tentaram se estabelecer no distrito mas não obtiveram êxito, tais como: Igreja do Betel Brasileiro, Igreja Batista, Igreja Presbiteriana e Testemunhas de Jeová. Desde sua fundação, as igrejas de Timorante contribuem para o desenvolvimento do mesmo, seja através de seus trabalhos dedicados às questões sociais da população, ou através de movimentos que atraem milhares de pessoas ao distrito todos os anos.

Eventos religiosos tradicionais[editar | editar código-fonte]

O principal evento religioso de Timorante é a sua tradicional Festa do Padroeiro Bom Jesus da Lapa. Uma festividade que acontece desde quando o distrito era chamado de "Baixio" e ocorrida entre os meses de Julho e Agosto. Outro evento religioso de grande tradição é o Congresso de Jovens da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, ocorrida no mês de Julho, porém, antes da Festa do Padroeiro. Outros eventos religiosos também acontecem durante o ano, sendo a Igreja do Bom Jesus da Lapa a responsável pela maioria deles.

  • Janeiro: novena de São Sebastião realizada na capelinha de São Sebastião;
  • Março/Abril: Semana Santa. Uma festa tradicional realizada pela Igreja do Bom Jesus da Lapa iniciada com a Procissão dos Ramos (no Domingo de Ramos), seguida de Missas e Celebrações durante todas a semana, além da encenação da Paixão de Cristo realizada pelo Grupo de Jovens da comunidade (na Sexta-feira Santa), a Procissão do Sábado de Aleluia e finalizada pela Missa da Páscoa no domingo conseguinte ao de Ramos;
  • Maio: Trintário Mariano. O mês inteiro é dedicado à Maria, a mãe de Jesus. Durante todo o mês são realizadas Missas e Celebrações durante todos os dias, além da tradicional Festa da Coroação de Nossa Senhora no último dia do mês. Recentemente, com a elevação de categoria da Igreja do Bom Jesus da Lapa que era capela e passou a ser "área pastoral", o dia 3 de Maio foi adicionado ao calendário de comemorações da Igreja.
  • Junho: Corpus Christi (quando este feriado não acontece no final de maio). Vem sendo comemorado no distrito nos últimos anos com um dia inteiro dedicado à adoração ao Santíssimo Sacramento e procissão com o mesmo pelas ruas do distrito; No final do mês, ocorrem as festividades de São João Batista;
  • Julho: Congresso de Jovens da Igreja Evangélica Assembleia de Deus (na segunda semana do mês); Início da Festa de Padroeiro da localidade, sendo o hasteamento da bandeira e a abertura oficial da festa ocorridas no dia 26 de Julho. Neste dia, a população católica saúda o Senhor Bom Jesus da Lapa com a maior procissão do ano. Motoristas, motoqueiros, vaqueiros e pessoas a pé, participam do cortejo do pau da bandeira, iniciando a maior festividade religiosa do distrito que se estende até o dia 6 de Agosto;
  • Agosto: Continuação e encerramento da Festa do Padroeiro Bom Jesus da Lapa, sendo a última noite realizada no dia 5 (noite em que a comunidade recebe o maior número de visitantes e fiéis) e a procissão de encerramento realizada no dia 6, o dia do Padroeiro;
  • Dezembro: Novena de Natal. Tradicionalmente realizada nas casas da população e encerrada na Igreja com um jantar para todos da comunidade.

Ponto Turístico[editar | editar código-fonte]

Em seus 70 anos de fundação, não podemos deixar de fora uns de seus principais pontos turísticos de maior expressão que, para os timorantenses é uma de suas Sete Maravilhas, a famosa Pedra do Chapéu.

A Pedra do Chapéu[editar | editar código-fonte]

A pedra do chapéu é uma formação rochosa de origem pré-histórica que tem a aparência de um grande chapéu e é um dos pontos mais vistos de Timorante, além de suas enormes serras, é formada por quatro grandes rochas onde, três formam a base e uma de forma arredondada e achatada em cima da mesma dando a característica de um chapéu. Historicamente a pedra tinha um considerado tamanho quatro vezes o tamanho de hoje. Eventualmente na criação da BR–122 foi preciso tirar grande parte da pedra para ser usada como brita no asfalto, deixando-a com o tamanho que tem atualmente. A pedra do chapéu é um dos orgulhos mais importantes da história de Timorante só perde para a sua vizinha a Pedra do Claranã, localizada na cidade do Bodocó. Como qualquer ponto turístico, está cercada por mitos e lendas, sendo até ponto de usuários de narcóticos e rituais de magia negra, dando um ar de mal assombrado e sobrenatural, já foi também esconderijo de Cangaceiros que circularam aquela região ha décadas.

Cultura[editar | editar código-fonte]

No distrito ocorrem diversos eventos culturais durante o ano.

  • Janeiro: a tradicional Festa do Vaqueiro que reúne os vaqueiros e amantes de Vaquejada de todo o distrito e de sítios circunvizinhos;
  • Março: a Festa do Óscar, cuja finalidade é premiar com honras as pessoas, lojas, políticos e entidades que se destacaram por excelência em seus serviços prestados á população local no ano anterior;
  • Abril (ou final de Março): o tradicional Sítio dos Caretas. Uma festa ocorrida no Sábado de Aleluia onde homens fantasiados de acordo com suas criatividades - e com chibata na mão - organizam um espaço com pés de cana-de-açúcar e, ao centro, uma haste de madeira (normalmente, um tronco de árvore) com um prêmio especial em seu topo (normalmente, uma quantia em dinheiro). A brincadeira consiste em tentar pegar esse prêmio, se esquivando das chibatadas que se possam levar;
  • Junho: o São João do Gonzagão - organizado pela Prefeitura Municipal de Exu e realizado na praça Nelson Araújo - e o Arraiá da Vila Bela Vista - organizado pela Prefeitura Municipal de Granito e realizado na quadra da Escola Municipal José Alves Silveira;
  • Agosto: a Festa de Agosto. Tradicional por encerrar os festejos religiosos alusivos ao Senhor Bom Jesus Da Lapa, padroeiro do distrito;
  • Setembro: o Aniversário do Distrito. Marcado por campeonato de futsal durante a manhã (outrora, corridas de: pedestre, ciclistas, jegue, carroça e mulheres com lata d'água na cabeça), desfile cívico pelas principais ruas no final da tarde e início da noite e, por fim, festa dançante na praça Nelson Araújo;
  • Dezembro: Festa de Réveillon realizado em bares ou em espaços públicos do distrito.

Notas

  1. Zona pertencente a Granito, após saída de Bodocó.
  2. Em 2015 dados não oficiais, apontaram que Timorante, possuía uma população de 5 315 habitantes.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. «Estimativa Populacional 2014». Estimativa Populacional 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agosto de 2014. Consultado em 29 de agosto de 2014 
  3. a b Prefeitura de Exu. «Distrito de Timorante sedia o São João do Gonzagão». Consultado em 25 de abril de 2015. Cópia arquivada em 25 de abril de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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