Tira da Dinamarca
| Tira | |||||
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| Princesa da Dinamarca Princesa de Hanôver Duquesa de Cumberland e Teviotdale | |||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 29 de setembro de 1853 Palácio Amarelo, Copenhague, Dinamarca | ||||
| Morte | 26 de fevereiro de 1933 (79 anos) Castelo de Cumberland Gmunden, Áustria | ||||
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| Marido | Ernesto Augusto de Hanôver | ||||
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| Casa | Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo (por nascimento) Hanôver (por casamento) | ||||
| Pai | Cristiano IX da Dinamarca | ||||
| Mãe | Luísa de Hesse-Cassel | ||||
| Religião | Protestantismo | ||||
| Assinatura | |||||
| Brasão | |||||
Tira Amélia Carolina Carlota Ana (em dinamarquês: Thyra Amalie Caroline Charlotte Anna; Copenhague, 29 de setembro de 1853 – Gmunden, 26 de fevereiro de 1933) foi a filha mais nova do rei Cristiano IX da Dinamarca e de sua esposa, Luísa de Hesse-Cassel.
Biografia
[editar | editar código]Primeiros anos
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Pintor desconhecido, 1870
A princesa Tira da Dinamarca nasceu em 29 de setembro de 1853, na residência de seus pais, o Palácio Amarelo, situado próximo ao Palácio de Amalienborg, residência principal da família real dinamarquesa no centro de Copenhague.[1]
Em 1863, o rei Frederico VII falece e seu pai ascende ao trono da Dinamarca. No início do mesmo ano, seu irmão Guilherme foi eleito rei da Grécia (sob o nome de Jorge I) e sua irmã Alexandra casou-se com Eduardo, príncipe de Gales. Em 1866, sua outra irmã, Dagmar (Maria Feodorovna depois da conversão do cristianismo ortodoxo), casou-se com o czarevich da Rússia, Alexandre. A princesa Tira foi confirmada em 27 de maio de 1870 pelo bispo da Zelândia, Hans Lassen Martensen, na capela do Palácio de Christiansborg, em Copenhague.[2]
Em 1871, aos dezoito anos, Tira teve um relacionamento com o tenente de cavalaria Vilhelm Frimann Marcher e engravidou.[3] Para evitar um escândalo, Tira foi para a Grécia, onde vivia seu irmão, o rei Jorge I. Quando seu pai soube pela imprensa grega que Tira estava "doente", apressou-se em ir à Grécia para ficar ao seu lado. Após o parto, ocorrido em Atenas, o bebê foi imediatamente entregue para adoção. A imprensa dinamarquesa noticiou, então, que Tira sofria de icterícia.[3]
Tira era uma jovem atraente e gentil, com cabelos escuros e olhos azul-escuros, e a rainha Luísa desejava que sua filha caçula fizesse um bom casamento, assim como haviam feito suas irmãs mais velhas. O primeiro pretendente de Tira foi o rei Guilherme III dos Países Baixos, mas, por ser trinta e seis anos mais velho que ela, foi rejeitado.[carece de fontes]
Casamento e descendência
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Durante uma visita da família à Alemanha, em 1878, Luísa e Alexandra se ausentaram dizendo que iriam a uma consulta com um oftalmologista. No entanto, estavam na verdade organizando um encontro entre Tira e Ernesto Augusto de Hanôver, duque de Cumberland e Teviotdale. Ernesto Augusto era o filho mais velho e único do rei exilado Jorge V de Hanôver e de sua esposa, a princesa Maria de Saxe-Altemburgo. Em seu diário, Tira escreveu que estava muito entusiasmada para conhecer o príncipe herdeiro.[4] Ernesto Augusto nascera como príncipe herdeiro de Hanôver, mas, em 1866, seu pai foi deposto quando o Reino de Hanôver foi anexado pela Prússia, após ter apoiado a Áustria na Guerra Austro-Prussiana. Ernesto Augusto mandou construir o Castelo de Cumberland, em Gmunden, Áustria, em 1882, para ser sua residência no exílio. Apesar disso, Tira escreveu que acreditava que Ernesto Augusto um dia ascenderá ao trono hanoveriano.[4]
Ao se encontrarem, Ernesto Augusto imediatamente beijou a mão de Tira, enquanto Alexandra espiava discretamente. Após algum tempo, foi a própria Tira quem propôs casamento a Ernesto Augusto. Enquanto a família de Tira ficou entusiasmada com a notícia, a rainha Vitória declarou que o noivado era totalmente infundado, frustrada por não ter conseguido casar um de seus próprios filhos com Tira.[4]
Em dezembro de 1878, Tira casou-se com Ernesto Augusto na Capela Real do Palácio de Christiansborg, em Copenhague.[4] O casal teve seis filhos:[2]

Laurits Tuxen, 1885
- Maria Luísa (11 de outubro de 1879 – 31 de janeiro de 1948), casada com o príncipe Maximiliano de Baden, com descendência;
- Jorge Guilherme (28 de outubro 1880 – 20 de maio 1912), não se casou, morreu aos 31 anos;
- Alexandra (29 de setembro 1882 – 30 de agosto 1963), casada com Frederico Francisco IV de Mecklemburgo-Schwerin, grão-duque de Mecklemburgo-Schwerin, com descendência;
- Olga (11 de julho 1884 – 21 de setembro 1958), não se casou;
- Cristiano de Hanôver (4 de julho 1885 – 3 de setembro 1901), não se casou, morreu aos 16 anos;
- Maria Luísa (17 de novembro 1887 – 30 de janeiro 1953), duque de Brunsvique, casado com a princesa Vitória Luísa da Prússia, com descendência.
A duquesa de Hanôver perde prematuramente dois de seus três filhos. O caçula, com apenas dezesseis anos, morre em 1901 devido a uma peritonite mal tratada. O primogênito falece em 1912 em um acidente de automóvel: com trinta e dois anos, era solteiro e sem filhos. A sucessão da casa de Hanôver passa, então, a recair sobre os ombros do filho mais novo, o duque Ernesto Augusto, que acabara de completar vinte e cinco anos.[2]

Para grande desgosto da família, ele se apaixona pela única filha do imperador Guilherme II da Alemanha, e os sentimentos são correspondidos pela princesa prussiana. Um acordo é alcançado: a extinção da casa ducal de Brunsvique torna o pretendente ao trono de Hanôver o soberano legítimo do ducado de Brunsvique. Pouco disposto a aceitar entre seus pares um soberano que despreza, o imperador havia preferido nomear um regente em vez de permitir que a casa de Hanôver governasse um ducado encravado no Reino da Prússia. O impulso romântico que une sua filha ao herdeiro hanoveriano abre caminho para um compromisso político. O duque de Hanôver renuncia às suas pretensões sobre o ducado de Brunsvique em favor de seu filho que, ao tornar-se genro do imperador, dificilmente poderia se opor a ele. O casamento ocorre em maio de 1913. Trata-se da última grande celebração política e familiar que reúne as coroas da Europa antes da Primeira Guerra Mundial e da queda das monarquias da Europa Central e Oriental.[2]
As três filhas do casal ducal têm destinos diversos. A caçula não se casa, enquanto a segunda filha desposa um príncipe soberano, o grão-duque Frederico Francisco IV de Mecklemburgo-Schwerin (cujas irmãs são rainha da Dinamarca e princesa herdeira da Alemanha). Quanto à primogênita, ela se casa, em 1900, com o príncipe Maximiliano de Baden, apelidado de Max pela família e de príncipe Max pelo povo. Conhecido por suas ideias liberais, destoantes em um meio militarista e conservador, o príncipe é chamado pelo imperador para assumir a chancelaria do Império em outubro de 1918. Paradoxalmente, cabe a esse príncipe herdeiro de um dos grandes-ducados do Império, cunhado do grão-duque de Mecklemburgo-Schwerin e genro do imperador, proclamar a deposição da casa de Hohenzollern e a queda da monarquia na Alemanha, em 9 de novembro de 1918.[2]
Tira perde o marido em 1923. Ela o acompanha na morte em 1933, aos setenta e nove anos. Entre seus descendentes estão o atual chefe da casa de Hanôver, a rainha Sofia da Espanha e o ex-rei da Grécia, Constantino II.[4]
Vida posterior
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Após se casarem em Copenhague, viveram exilados em Gmunden, na Alta Áustria, pois o Reino de Hanôver já havia sido anexado pela Prússia em 1866, após o fim da Guerra Austro-Prussiana, por ter lutado ao lado da Áustria. O casal mudou-se para uma villa em Gmunden em 1868 e, a partir de 1882, Ernsto Augusto mandou construir ali o impressionante Castelo de Cumberland. A família real hanoveriana era tida em alta estima na corte vienense. A família frequentemente ficava em Viena, em seu Palais Cumberland, e mantinha contato próximo com a família imperial. Ernsto Augusto e sua esposa eram regularmente convidados para seus jantares familiares de domingo. Nos bailes da corte e da câmara vienenses, o imperador Francisco José I, quando a imperatriz Sissi da Áustria estava ausente, tinha a duquesa de Cumberland ao seu lado como decana das princesas estrangeiras. A princesa Nora Fugger escreveu em suas memórias:
Quando a duquesa Tira de Cumberland, rainha de Hanôver, nascida princesa da Dinamarca, estava em Viena, era a decana que caminhava ao lado do imperador no cortejo. Ela era extremamente nobre em seu porte e postura, e de um grande encanto. Amável com todos, conquistava todos os corações. Também era muito estimada pelo imperador. Ele nunca deixava de visitá-la em Gmunden durante suas estadias de verão em Ischl.[5]
Ernesto Augusto morreu em 14 de novembro de 1923. Tira sobreviveu ao marido por nove anos e faleceu em Gmunden, Alta Áustria, em 26 de fevereiro de 1933, aos 79 anos.
Ancestrais
[editar | editar código]Referências
- ↑ Hugh Massingberd (1977). Burke's Royal Families of the World. 1. London: Burke's Peerage. ISBN 0-220-66222-3. pp. 69–70.
- ↑ a b c d e Hans Rudolf Hiort-Lorentzen (1903). «"Thyra (T. Amalie Caroline Charlotte Anna), Hertuginde af Cumberland".». Dansk Biografisk Lexicon, tillige omfattende Norge for Tidsrummet 1537-1814 (em dinamarquês). Vol. XVII. Copenhague: Gyldendalske Boghandels Forlag (F. Hegel & Søn). p. 383
- ↑ a b Bramsen, Bo. Huset Glücksborg i 150 år, 1825 6. juli-1975. Copenhagen: Forum, 1975
- ↑ a b c d e A Royal Family - Uncrowned Marriages. Lerche, Anna; Mandal, Marcus; via YouTube. 2003. Consultado em 18 de dezembro de 2023
- ↑ Nora Fugger: Im Glanz der Kaiserzeit. Amalthea, Wien 1932, Neuauflage Meistersprung Verlag 2016, p. 84.
- ↑ «Ancestors of Princess Thyra of Denmark». Myorigins.org. Consultado em 29 de agosto de 2025
| Precedido por Maria de Saxe-Altemburgo |
Consorte do Chefe da Casa de Hanôver 22 de dezembro de 1878 14 de novembro de 1923 |
Sucedido por Vitória Luísa da Prússia |