Tiradentes (Minas Gerais)
Tiradentes | |
|---|---|
| Município do Brasil | |
| Hino | |
| Gentílico | tiradentino[1] |
| Localização | |
| Localização de Tiradentes no Brasil | |
| Mapa de Tiradentes | |
| Coordenadas | 21° 06′ 36″ S, 44° 10′ 40″ O |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Minas Gerais |
| Municípios limítrofes | Prados, Barroso, Dores de Campos, São João del-Rei, Santa Cruz de Minas e Coronel Xavier Chaves |
| Distância até a capital | 190 km |
| História | |
| Fundação | 19 de janeiro de 1718 (307 anos) |
| Administração | |
| Distritos | Lista
|
| Prefeito(a) | Nilzio Barbosa (MDB[3], 2021–2024) |
| Características geográficas | |
| Área total [1] | 83,047 km² |
| • Área urbana (IBGE/2019) [1] | 4,93 km² |
| População total (Censo IBGE/2022) [1] | 7 744 hab. |
| Densidade | 93,2 hab./km² |
| Clima | tropical de altitude (Cwa) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| Indicadores | |
| IDH (PNUD/2010) [4] | 0,740 — alto |
| PIB (IBGE/2021) [5] | R$ 205 707,34 mil |
| PIB per capita (IBGE/2021) | R$ 25 209,23 |
| Sítio | www.tiradentes.mg.gov.br (Prefeitura) www.camaratiradentes.mg.gov.br (Câmara) |
Tiradentes é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central mineira e ocupa uma área de cerca de 80 km², sendo que 5 km² estão em perímetro urbano. Sua população foi estimada em 7 744 habitantes em 2022.
Anteriormente denominada São José del Rei, foi uma das mais importantes vilas mineiras do Brasil Colônia, sendo um dos polos da produção aurífera. O seu atual nome é uma homenagem a Tiradentes. Sendo um dos primeiros atos da proclamação da República.[6][7]
História
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Suas antigas denominações foram "Arraial Velho de Santo Antônio", e "Vila de São José do Rio das Mortes"[8] e cidade de São José del-Rei. O nome São José resulta de homenagem ao então príncipe de Portugal, José I.
Criação da vila
[editar | editar código]A vila de São José resultou do desmembramento da vila de São João del-Rei em 1718. As lavras de São José del-Rei foram descobertas por João de Siqueira Afonso, em 1702, nos primórdios do século XVIII. Alvará de 12 de janeiro de 1718 criou a Vila de São José do Rio das Mortes, instalado a 28 do mesmo mês e ano, mais tarde trocado para São José del-Rei. A criação do distrito sede data de 16 de fevereiro de 1724.[6][7] Foi a segunda vila a pertencer à Comarca do Rio das Mortes e a oitava criada em Minas Gerais.
Extinção e restauração do município
[editar | editar código]A Vila de São José del-Rei foi suprimida pela Lei provincial nº 360, de 30 de setembro de 1848, incorporada à São João del-Rei.[9] Após pouco mais de um ano, a vila foi restaurada pela Lei n° 452, de 20 de outubro de 1849, com território desmembrado novamente de São João del-Rei.[10][11]
Alteração de nome
[editar | editar código]Ao ser proclamada a República, o governo republicano precisava de um herói que, segundo os novos governantes, representava esses ideais. A escolha caiu sobre o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), que, além de tudo, combateu um governo monárquico.[12] Dessa feita, foi mudado o nome da cidade para Tiradentes, por meio do Decreto estadual n.° 3, de 6 de dezembro de 1889.[7]
Atualidade
[editar | editar código]Em 1924, os modernistas paulistas organizaram a caravana em Minas, que buscava pesquisar a identidade nacional e investigar o barroco como o primeiro movimento artistico brasileiro. Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Godofredo da Silva Telles, René Thiollier, Tarsila do Amaral, Olívia Guedes Penteado e Blaise Cendrars passaram em São João del Rei, Tiradentes e depois seguiram para Ouro Preto.[13]
Em 1938 o seu conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo IPHAN, como patrimônio nacional, por representar "um dos mais importantes episódios de interiorização e consolidação da colonização do território brasileiro".[7] A cidade tornou-se, nas rotas turísticas, um dos centros históricos da arte barroca.[14]
Geografia
[editar | editar código]Localiza-se a uma latitude 21º06'37" sul e a uma longitude 44º10'41" oeste, estando a uma altitude de 927 metros. Possui uma área de 83,047 km². Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Tiradentes é um município da Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena.[15][16]
Desmembramentos
[editar | editar código]O antigo distrito de Prados, juntamente com outros territórios desmembrados do município de Barbacena, é elevado à categoria de município com a denominação de Prados, pelo decreto nº 47, de 12- 04-1890, deixando de fazer parte de Tiradentes.[10]
Em 1911, o antigo Distrito da Lage foi emancipado, vindo a se separar oficialmente de Tiradentes no ano seguinte e a se chamar Resende Costa.[17]
Em 17 de dezembro de 1938, pelo decreto-lei estadual nº 148, Tiradentes perdeu o distrito de Barroso, transferido para o município recém-criado de Dores de Campos, além de parte da área do seu distrito sede, para o município de Prados.[10]
Em 21 de dezembro de 1995, pela lei estadual nº 12.030, perdeu o antigo distrito de Santa Cruz de Minas,que adquiriu a emancipação política.[10]
A Lei municipal nº 1.738, cria os distritos do Elvas e Caixa D'Água da Esperança.[10]
Circunscrição eclesiástica
[editar | editar código]A paróquia Santo Antônio pertence à Diocese de São João del-Rei.[18]
Pontos turísticos
[editar | editar código]Igreja Matriz de Santo Antônio
[editar | editar código]Tiradentes tem dentre suas igrejas a Matriz de Santo Antônio, construída em 1710 é a segunda igreja em ouro do Brasil, sendo a primeira em Salvador (BA), é uma das mais belas construções barrocas do país. No interior do templo há um órgão datado de 1788, considerado um dos quinze mais importantes do mundo.


Câmara Municipal
[editar | editar código]Localizada próxima à Matriz, na ladeira que é caminho para esta, construída em meados do século XVIII, servia para abrigar a administração pública no período colonial e imperial. A Câmara Municipal de Tiradentes foi construída longe da cadeia pública, o que é incomum na maioria das cidades do século XVIII.
Fundação Oscar Araripe
[editar | editar código]Realiza exposições de pintura temporárias e permanentes de seu acervo.
Capela Nossa Senhora das Mercês
[editar | editar código]Capela rococó do final do século XVIII, com um único altar multicolorido, dois belos forros com pinturas em estilo rococó, cenas alusivas à Virgem Maria e imagem da padroeira. Pertencia à irmandade dos pretos crioulos, ou seja, os pretos nascidos no Brasil. Toda a pintura da capela foi executada por Manoel Victor de Jesus, pintor mulato, falecido em 1828, é datada do início do século XIX.
Capela do Bom Jesus da Pobreza
[editar | editar código]Capela de dimensões modestas e decoração singela, mas notável pela sua estatuária e como exemplo da interpretação popular do estilo Barroco.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
[editar | editar código]Capela construída em cantaria (pedra), em lugar da capela primitiva, tem três altares de talha de meados do século XVIII e os santos negros São Benedito, Santo Antônio de Cartagerona e Santo Elesbão.

Museu Casa de Padre Toledo
[editar | editar código]É um museu da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade, ligada à UFMG. O prédio é uma construção do final do século XVIII, com esquadrias em cantaria lavradas, sete forros pintados, destaca-se aquele que representa os cinco sentidos, com figuras da mitologia grega. Nesta casa morou Padre Toledo, um dos idealizadores da Inconfidência Mineira, tendo sido local de conspiração para a revolta de 1789.
Santuário da Santíssima Trindade
[editar | editar código]Sua construção data de 18 de outubro de 1822. Nesta igreja ocorrem anualmente o Jubileu da Santíssima Trindade.

Chafariz São José
[editar | editar código]Na ladeira que leva à Igreja Matriz, localiza-se um chafariz, construído em 1749 para abastecer a então vila com água potável. Era também utilizado para lavagem de roupa e como um bebedouro de animais, sobretudo equinos. Conta com um aqueduto construído com trabalho escravizado da época, trazendo a água de uma nascente a 1 quilômetro de distância, o chafariz está em funcionamento até hoje.

Estrada de Ferro Oeste de Minas
[editar | editar código]A Estrada de Ferro Oeste de Minas, que atualmente liga São João del-Rei a Tiradentes, foi inaugurada em 1881, com a presença do Imperador Dom Pedro II, funcionando ininterruptamente até hoje. A linha foi construída em bitola de 762mm. O trem é puxado por locomotivas a vapor popularmente conhecidas por "Maria Fumaça". Há exemplares de fins do século XIX, mas as locomotivas que circulam são do início do século XX. A EFOM já possuiu 720 quilômetros em bitola de 762mm. Hoje somente o trecho de 12 quilômetros que liga São João del-Rei a Tiradentes está em funcionamento. Este trecho é administrado pela Ferrovia Centro Atlântica (FCA). Os trens partem nas Sextas, Sábados, Domingos e feriados são 10h e 15h de São João del-Rei e 13h e 17h de Tiradentes.
Instituto Mario Mendonça
[editar | editar código]Localizado na residência centenária do pintor sacro Mário Mendonça, o Instituto Mario Mendonça oferece um panorama abrangente da arte brasileira contemporânea, além de reunir o acervo do artista, considerado o principal representante da pintura sacra no Brasil. São cerca de 14.000 m², com amplos salões e jardins.[20]
Balneário Gabriel Passos
[editar | editar código]Do outro lado da Serra de São José, a Codemge é proprietária do Balneário Gabriel Passos ou Balneário de Águas Santas. O conjunto está localizado integralmente na encosta da Serra de São José, tendo suas águas vertendo para a bacia hidrográfica do Rio Carandaí. O complexo hidromineral engloba uma área de 11,0788 ha, contando com uma reserva de mata nativa, quiosques, quadra esportiva, lanchonete, restaurante, chafarizes e piscinas de água termal corrente. A estância faz parte da Área de Proteção Ambiental da Serra de São José, área criada para para preservar o patrimônio histórico, paisagístico e cultural da região, proteger e preservar os mananciais, a cobertura vegetal característica de cerrados, bem como remanescentes de mata atlântica, e a fauna silvestre[21].
Cultura
[editar | editar código]Na cidade acontece anualmente, desde 1998, a Mostra de Cinema de Tiradentes, com exibição de curtas e longas-metragens.[22]
Desde 2004, também é realizado, anualmente, na cidade o Festival de Fotografia de Tiradentes - Foto em Pauta, que promove a fotografia no Brasil. O evento conta com atividades ministradas por grandes nomes da fotografia do Brasil e do mundo. Produz exposições, workshops, palestras, debates, leituras de portfólio, projeções de fotografias e atividades educativas voltadas para a comunidade local.[23]
Dialeto local
[editar | editar código]Segundo o Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG), realizado pela UFJF em 1977, o dialeto local é o mineiro.[24]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ a b c d Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Tiradentes». Consultado em 29 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 29 de fevereiro de 2024
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (9 de setembro de 2013). «Tiradentes - Unidades territoriais do nível Distrito». Consultado em 29 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 29 de fevereiro de 2024
- ↑ Estadão (2020). «Candidatos a vereador Tiradentes-MG». Consultado em 29 de maio de 2021
- ↑ Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 3 de novembro de 2017. Arquivado do original (PDF) em 8 de julho de 2014
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2021). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2021». Consultado em 29 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 29 de fevereiro de 2024
- ↑ a b Inácio Nascimento, David (2017). «A loucura na vila: reflexões sobre a loucura em Tiradentes». INTERthesis: Revista Internacional Interdisciplinar (1): 79–97. ISSN 1807-1384. Consultado em 21 de agosto de 2023
- ↑ a b c d «Página - IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional». portal.iphan.gov.br. Consultado em 21 de agosto de 2023
- ↑ Voltando aos registros paroquiais de Minas colonial: etnicidade em São José do Rio das Mortes, 1780-1810
- ↑ Gerais, Assembleia Legislativa de Minas (30 de setembro de 1848). «Lei nº 360, de 30/09/1848 - Texto Original - Assembleia Legislativa de Minas Gerais». Portal da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e «História de Tiradentes (MG)». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ Gerais, Assembleia Legislativa de Minas (20 de outubro de 1849). «Lei nº 452, de 20/10/1849 - Texto Original - Assembleia Legislativa de Minas Gerais». Portal da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ Carvalho, José Murilo de (6 de março de 2023). A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. [S.l.]: Companhia das Letras
- ↑ Gerais, Portal Minas. «Turismo em Minas Gerais | Movimento Modernista em Minas Gerais». Portal Minas Gerais. Consultado em 21 de agosto de 2023
- ↑ Terra, Herbert (25 de março de 2018). «Tiradentes, o tesouro escondido da arte barroca». Tô Perambulando. Consultado em 21 de agosto de 2023
- ↑ «Divisões Regionais do Brasil | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2022
- ↑ «Tiradentes (MG) | Cidades e Estados | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 21 de agosto de 2023
- ↑ RESENDE, João Carlos (2017). Na porteira do Catimbau: Família e riqueza no Distrito da Lage (1869-1907). São João del-Rei: UFSJ
- ↑ Silveira, Lucas. «Diocese ganha novo mapa territorial após criação de novas foranias». Diocese de São João del Rei. Consultado em 19 de fevereiro de 2023
- ↑ «Trabalho de restauração do Museu Padre Toledo revela surpresas». redeglobo.globo.com. Consultado em 7 de julho de 2020
- ↑ «Mario Mendonça». Consultado em 16 de maio de 2018
- ↑ «Áreas de atuação: Tiradentes». CODEMGE. N.d. Consultado em 14 de setembro de 2020
- ↑ «Apresentação». Universo Produção. Consultado em 26 de fevereiro de 2024
- ↑ «Festival de Fotografia de Tiradentes vai movimentar a cidade mineira de 6 a 10/3». otempo.com.br. Consultado em 27 de fevereiro de 2024
- ↑ «Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG) - Projeto Atlas Linguístico do Brasil». alib.ufba.br. Consultado em 15 de junho de 2022



