Tiririca (artista)

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Tiririca
Tiririca em 2011, no plenário da Câmara dos Deputados.
Deputado Federal por São Paulo
Período 1º de fevereiro de 2011
até atualidade
Dados pessoais
Nome completo Francisco Everardo Tiririca Oliveira Silva
Nascimento 1 de maio de 1963 (56 anos)
Itapipoca, CE, Brasil
Cônjuge Nana Magalhães
Partido PL (2010-atualmente)
Profissão Cantor, Humorista e Político

Francisco Everardo Tiririca Oliveira Silva[1] (Itapipoca, 1 de maio de 1963), conhecido pelo nome artístico de Tiririca, é um cantor, compositor, humorista e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL).

Tiririca foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo sido o quarto deputado mais votado em toda a história do Brasil, atrás de Eduardo Bolsonaro, Enéas Carneiro e Celso Russomano.[2]

Biografia

No circo

Aos oito anos, começou a trabalhar em circo na cidade natal Itapipoca, onde atuava como palhaço e a alcunha de Tiririca o acompanha desde a infância, devido à personalidade muito forte de que gozava. O apelido foi dado pela mãe que costumava dizer que o filho vivia "tiririca da vida", quando era mal-humorado ou zangado. Frase mais famosa: "Ora menino, só sendo menino mesmo, menino!" Nesta época, as apresentações de Tiririca em barracas — espécies de pequenos circos, eram muito comuns no Nordeste. Tiririca viveu por muito tempo em Cascavel, Pindoretama, Aquiraz e outras cidades do litoral leste do Ceará, onde tinha seus pequenos circos que animavam as cidades e países.

Na música

Devido ao grande sucesso alcançado nesses espetáculos, os barraqueiros da região se cotizaram e pagaram as primeiras mil cópias do CD de estreia, que bateu índices recordes de vendagem mais de 1,5 milhão de cópias, isso graças à exaustiva execução nas rádios da canção de estilo regional nordestino "Florentina", no repertório deste. Distribuída inicialmente pelas regiões de Juazeiro e Pernambuco, pouco tempo depois a música se tornou conhecida nacionalmente. A gravadora Sony Music comprou o disco e o lançou nacionalmente. Tiririca também bateu recordes de audiência em programas televisivos, que anteriormente pertenciam ao grupo Mamonas Assassinas e outra canção que obteve relevante sucesso foi Eu Sou Chifrudo. O primeiro CD também causou muita polêmica, pois continha a canção Veja os cabelos dela, considerada por muitos como racista. Não obstante, os discos foram apreendidos, a execução das canções pelas rádios foi proibida e Tiririca foi processado por racismo. Ao fim, ele acabou sendo absolvido da acusação. A canção Florentina foi acusada ser um plágio de Catarina do Trio Mineiro.[3] Em 1997, gravou o segundo CD (Tiririca), com destaque para as canções O Padroeiro do Ceará, Índia e Ele é Corno mas é meu Amigo. Depois de um breve afastamento da mídia motivado por problemas pessoais, ressurge em 1999 com o lançamento do terceiro CD (Dança da Rapadura), lançado pela independente Indie Records. O maior sucesso do disco foi a canção Casado com uma Viúva. Outra gravação de Tiririca foi a canção "Índia", de Cascatinha e Inhana. A grande diferença, porém, é que durante a gravação inteira Tiririca só cantou a primeira frase da letra original: "Índia seus cabelos". Em 1998, o cantor foi preso em Minas Gerais, acusada de agredir sua esposa Rogéria Márcia da Silva, no dia seguinte, Rogéria tirou a queixa e o cantor foi liberado.[4]

Na TV

Tiririca e o também humorista Shaolin (1971-2016).

Com sua carreira musical em declínio, em 1997, Tiririca abandonou temporariamente sua carreira musical e estreou na TV, estrelando o programa humorístico "Vila do Tiririca", na extinta Rede Manchete.[5][6] No ano seguinte, ingressou na RecordTV, onde fez parte do elenco fixo do humorístico Escolinha do Barulho. Posteriormente, transferiu-se para o SBT, onde tinha um quadro fixo no programa A Praça é Nossa. Lançou o CD Alegria do Forró e retornou à Record, onde participava do programa Show do Tom, apresentado pelo também humorista Tom Cavalcante até ser eleito em 2010. Em 2015, assina contrato com o Pânico na Band, no lugar de Wellington Muniz (o Ceará).[7]

Na política

No dia 3 de outubro de 2010, Tiririca tornou-se o Deputado Federal mais votado do Brasil das eleições deste ano, eleito pelo estado de São Paulo com 1.348.295 (6,35%) votos.[8] Especialistas afirmaram que tal fenômeno pode ser explicado por voto de protesto.[9]
Mas não superou Enéas Carneiro que teve 1.537.642 votos nas eleições de 2002 tornando-se Deputado Federal, outro caso de voto de protesto foi Clodovil Hernandes que nas eleições de 2006 obteve 493.451 tornando-se também Deputado Federal. Todos os casos no Estado de São Paulo.

Sua campanha e eleição foram marcadas por polêmicas. Tiririca lançou sua candidatura para deputado federal pelo estado de São Paulo por meio do Partido da República. Utilizou bordões como "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", e "Pior do que tá não fica, vote Tiririca". Tais bordões debochados levaram um candidato a deputado estadual a representá-lo junto ao Ministério Público Eleitoral, sob o fundamento de que estaria afrontando o Congresso Nacional e o poder público em geral. A representação, contudo, foi arquivada.[10]

Posteriormente, Tiririca foi apontado como analfabeto pela Revista Época, condição essa que impediria uma candidatura.[11] Acusado de falsificação, Tiririca confessou que não escreveu a declaração de escolaridade de próprio punho, como exige a legislação eleitoral, mas teria sido ajudado por sua mulher. Em 30 de outubro de 2010, a defesa de Tiririca alegou que ele sofreria de Transtorno de Desenvolvimento da Expressão Escrita, uma deficiência motora que o impediria de segurar uma caneta com firmeza. A defesa afirmou que Tiririca contou com o auxílio de sua mulher para escrever de próprio punho a declaração de alfabetização, exigência da lei eleitoral brasileira. A mulher de Tiririca teria apoiado sua mão sobre a mão do marido para ajudá-lo a firmar a caneta no momento da redação. Segundo a defesa, por causa da deficiência, Tiririca também estaria impossibilitado de fazer testes de escrita. Todavia, tal explicação contradiz o vídeo gravado pela Revista Época em setembro, que deu origem às suspeitas de analfabetismo. As imagens mostram Tiririca dando autógrafo a um fã. Em pé, de improviso, Tiririca segura um caderno com a mão esquerda e rabisca uma assinatura circular com a mão direita. O humorista ainda desenha o que seriam as letras de seu nome. No vídeo, ele não demonstra nenhum sinal de dificuldade para segurar a caneta.[12]

No dia 11 de novembro de 2010, Tiririca foi submetido a testes de leitura e escrita em audiência na Justiça Eleitoral (1ª Zona Eleitoral de São Paulo). Durante o teste, Tiririca leu o título e o subtítulo de duas páginas de um jornal. Também foi submetido a um ditado, de trecho do livro 'Justiça eleitoral – uma retrospectiva'. Teve de reproduzir o seguinte trecho: “A promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”. Na ocasião, o Ministério Público oficiou pela impugnação da candidatura, tendo em vista que o candidato não teria alcançado 30% do desempenho mínimo desejável.[13][14] No entanto, o juiz eleitoral que convocou o teste constatou, em dezembro de 2010, que Tiririca tinha certa dificuldade em escrever, mas a limitação era “irrelevante” porque a Justiça Eleitoral só considera inelegíveis os analfabetos absolutos, e não os funcionais. A promotoria recorreu da decisão e após Tiririca ter sido diplomado e assumido a vaga de Deputado Federal em 2011, o caso foi para o Supremo Tribunal Federal, já que Tiririca passou a ter foro por prerrogativa de função. Em 21 de novembro de 2013, o STF concluiu que Tiririca é alfabetizado e a denúncia do Ministério Público foi arquivada.[15][16]

Em 17 de dezembro, o candidato foi o primeiro a ser diplomado na Assembleia Legislativa em São Paulo. Tiririca foi aplaudido pelas pessoas que estavam nas galerias. Afirmou pretender focar seus projetos nas áreas de educação e cultura, na defesa de artistas circenses em geral e ciganos.[17] Tiririca integrou a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.[18]

Em abril de 2011 se envolveu em controvérsia ao empregar dois amigos humoristas como assessores, sem obrigá-los a cumprir expediente diário na Câmara e gratificando-os com salário de R$ 8 mil cada.[19]

Em 2012 ele foi cotado como pré-candidato para a prefeitura de São Paulo.[20][21][22][23][24][25][26] No mesmo ano, Tiririca foi um dos 25 indicados ao Prêmio Congresso em Foco, que elege o melhor parlamentar do ano. Tiririca se destacou por ser um dos nove deputados (dentre 513) que participaram de todas as sessões de votação na Câmara em seu mandato.[27][28]

Em 2013, em um artigo da revista Financial Times, cujo título era "O palhaço brasileiro perdeu o sorriso" (Brazil's clown loses his smile), revelou estar decepcionado com a atuação da casa onde trabalha: "Você passa o dia inteiro fazendo nada, só esperando para votar alguma coisa enquanto as pessoas discutem e discutem".[29] Ainda em 2013, Tiririca foi um dos 15 deputados sem faltas nos dias de votação na Câmara.[30]

Em 2014, Tiririca volta a se candidatar à Câmara Federal, pelo mesmo partido, o PR.[31] Foi reeleito com 1.016.796 votos, 336.970 a menos nas eleições de 2010. O motivo foi que em 2010, foi eleito pelo voto de protesto e em 2014 foi reeleito, para a 55.ª legislatura (2015-2019).[32] Em 2015, Tiririca foi condenado a pagar uma indenização aos cantores Roberto Carlos e Erasmo Carlos por parodiar a música O Portão nas eleições de 2014.[33]

Em 2016, Tiririca foi um dos deputados que votaram a favor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.[34][35][36] Já durante o Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos.[36] Em abril de 2017 foi contrário à Reforma Trabalhista.[36][37] Em agosto de 2017 votou a favor do processo em que se pedia abertura de investigação do então presidente Michel Temer.[36][38]

Em 6 de dezembro de 2017, o deputado Tiririca chegou a anunciar que deixaria a vida pública. Em seu primeiro discurso na Câmara dos Deputados, ele disse que o motivo da sua decisão era a vergonha que sentia por causa da sua participação durante anos na política e no parlamento. Ele afirmou que viu acontecimentos vergonhosos no Congresso, mas asseverou que não pretendia generalizar e que nunca iria falar mal dos ex-colegas. Ele também pediu que os deputados tivessem mais atenção com o povo e declarou que foi vítima de preconceito devido à sua condição de palhaço profissional. Tiririca concluiu assegurando que saía de cabeça erguida, mas que muitos dos deputados que o ouviam não teriam coragem para tanto.[39] Porém, desistindo da ideia, em 4 de agosto, anunciou oficialmente que concorreria a reeleição como deputado federal pelo PR.[40]

Em 07 de outubro de 2018, Tiririca foi reeleito deputado federal com 445.521 mil votos.

Obras publicadas

  • AS PIADAS fantárdigas do Tiririca. São Paulo: Matrix, 2006. Coautor da obra.[41]

Discografia

Ano Título Gravadora Certificação
1996 Tiririca Sony Music/ Chaos. 6× Platina[carece de fontes?]
1997 Tiririca (Padroeiro do Ceará) Sony Music/ Chaos. 4× Platina[carece de fontes?]
1999 Dança da Rapadura Indie Records. Platina[carece de fontes?]
2004 Alegria do Forró Independente. Ouro[carece de fontes?]
2013 Direto de Brasília NI/ Independente. Ouro[carece de fontes?]

Canções de sucesso

O Curral

Dado Dolabella e Karina Bacchi, os vencedores das duas primeiras edições de A Fazenda foram satirizados por Tiririca em O Curral.

Referências

  1. «Deputado Tiririca». Câmara dos Deputados. Consultado em 27 de novembro de 2014 
  2. Com 1,35 mi de votos, Tiririca quase bate recorde para deputado federal
  3. 'Catarina' desbanca 'Florentina' nas rádios de Ribeirão Preto
  4. Tirirca no Salão
  5. Rigitano, Cristina (7 de junho de 1997). «Tiririca terá infantil na TV». Folha de S. Paulo. Consultado em 6 de setembro de 2019 
  6. Braga, Henry (18 de junho de 2018). «Você se lembra da Vila do Tiririca?». HQ's com Café. Consultado em 6 de setembro de 2019 
  7. «Na volta ao vivo, 'Pânico' esconde Tiririca e troca Ceará por Carioca na imitação de Silvio Santos». R7. Record. Consultado em 24 de fevereiro de 2015 
  8. O Globo
  9. «Eleição de Tiririca é caso de voto de protesto, diz analista». Consultado em 13 de fevereiro de 2013 
  10. Procuradoria arquiva duas representações contra propaganda de Tiririca
  11. Tiririca, o completo analfabeto
  12. Correio do Estado
  13. Domingos, Roney (11 de novembro de 2010). «Promotor diz que Tiririca acertou menos de 30% do ditado». G1. Consultado em 22 de julho de 2019 
  14. Promotor recorre contra audiência em que Tiririca foi submetido a teste
  15. Balza, Guilherme. «STF conclui que Tiririca é alfabetizado e o absolve de duas acusações». UOL. Consultado em 22 de julho de 2019 
  16. Oliveira, Mariana (21 de novembro de 2013). «STF arquiva ação que apontava Tiririca como analfabeto». G1. Consultado em 22 de julho de 2019 
  17. Tiririca é aplaudido em diplomação na Assembleia Legislativa
  18. «Tiririca vai integrar Comissão de Educação e Cultura da Câmara». Yahoo ! Brasil. 25 de fevereiro de 2011. Consultado em 25 de fevereiro de 2011 
  19. «Tiririca emprega amigos humoristas com salário de R$ 8 mil». Veja. Abril. 1 de abril de 2011. Consultado em 4 de abril de 2011 
  20. Tiririca pode ser candidato à prefeitura de São Paulo
  21. Tiririca confirma convite para disputar Prefeitura de SP
  22. PR quer lançar Tiririca candidato a prefeito em São Paulo
  23. Tiririca, prefeito de São Paulo
  24. Tiririca diz que está 'à disposição' do PR para disputar Prefeitura de SP
  25. Prefeito Tiririca
  26. PR cogita lançar Tiririca para Prefeitura de São Paulo
  27. «Tiririca é eleito um dos melhores deputados do ano». Exame. Abril. 18 de setembro de 2012. Consultado em 3 de outubro de 2012 
  28. «Tiririca: Meus eleitores não deram voto perdido». Congresso em Foco. UOL. 14 de setembro de 2012. Consultado em 3 de outubro de 2012 
  29. «Tiririca, 'o palhaço que perdeu o sorriso', segundo Financial Times». Notícias. Yahoo. Consultado em 6 de março de 2013 
  30. Tiririca é um dos únicos deputados sem falta em 2013 Tribuna Hoje
  31. De peruca e terno branco, Tiririca imita Roberto Carlos para pedir votos Folha Online
  32. Tiririca é segundo mais votado de São Paulo e perde um em cada quatro eleitores G1
  33. Tiririca é condenado por parodiar 'O portão', de Roberto e Erasmo Carlos G1. Visitado em 19 de março de 2015
  34. «Tiririca e outras celebridades votam a favor do impeachment; Andrés é exceção», Folha da manhã, Uol, consultado em 17 de abril de 2016 .
  35. «Voto de Tiririca foi o mais comentado de todo o impeachment na Internet». TecMundo. Consultado em 18 de abril de 2016 
  36. a b c d G1 (2 de agosto de 2017). «Veja como deputados votaram no impeachment de Dilma, na PEC 241, na reforma trabalhista e na denúncia contra Temer». Consultado em 11 de outubro de 2017 
  37. Redação (27 de abril de 2017). «Reforma trabalhista: como votaram os deputados». Consultado em 18 de setembro de 2017 
  38. Carta Capital (3 de agosto de 2017). «Como votou cada deputado sobre a denúncia contra Temer». Consultado em 18 de setembro de 2017 
  39. «Decepcionado com a política, Tiririca faz primeiro e último discurso na Câmara». UOL Notícias. 6 de dezembro de 2017. Consultado em 6 de dezembro de 2017 
  40. «Ao lado de Alckmin, Tiririca anuncia que disputará reeleição - Veja.com» 
  41. Biografia na Câmara dos Deputados
  42. «Tom Cavalcante satiriza 'A Fazenda'». 13 de junho de 2009. Consultado em 26 de fevereiro de 2011 
  43. «Tiririca Bacchi volta a atacar, agora em 'O Curral 2'». 07 de novembro de 2009. Consultado em 26 de fevereiro de 2011 

Ligações externas

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