Tony Duvert

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Tony Duvert
Nascimento 2 de julho de 1945
Villeneuve-le-Roi, França
Morte 2008 (aos 63 anos)
Thoré-la-Rochette, França
Nacionalidade francês
Progenitores Mãe: Ferdinande Maury
Pai: Georges Duvert
Ocupação Escritor, romancista, ensaísta
Prémios Prêmio Médicis (1973)

Tony Duvert (Villeneuve-le-Roi, 2 de julho 1945Thoré-la-Rochette, França, 2008) foi um romancista e ensaísta francês.

A temática da sua obra concentra-se na pedofilia homossexual,[1] na infância e na crítica à família e à educação sexual na sociedade burguesa contemporânea. Na década de 1970, a liberação sexual e as novas abordagens em relação à sexualidade infantil permitiram que Duvert se expressasse publicamente. No entanto, na década de 1980, quando as leis foram alteradas, sua audiência diminuiu. Duvert passou a ser ignorado, sentindo-se então frustrado e oprimido.

Conhecido por sua assumida pedofilia[2], Duvert defendia o que chamava "o direito das crianças a dispor de sua livre sexualidade". [3]

Reconhecimento da crítica[editar | editar código-fonte]

Graças a Roland Barthes, Duvert obteve reconhecimento público em 1973, com seu romance Paysage de fantaisie, que ganhou o Prêmio Médicis e foi recebido calorosamente pela crítica.[4]

Em 1974, Duvert expôs abertamente sua ideologia em Le Bon Sexe Illustré ('O bom sexo ilustrado'), obra em que critica duramente a educação sexual e a modernidade da família ocidental. Os críticos louvaram seu humor e sua capacidade de observar os falsos preconceitos da sociedade burguesa.

Por conta do dinheiro que ganhou com suas obras, Duvert partiu para Marrocos, uma experiência que motivou seu romance Journal d'un inocente, ('Diário de um inocente'), publicado em 1976. Desiludido com sua sociedade, ele se mudou para Thoré-la-Rochette, antes de se estabelecerem Tours. Sua obra seguinte, Quand mourut Jonathan ('Quando Jonathan morreu'), publicada em 1978, foi inspirada no verão que passou em companhia de um menino de oito anos, cuja mãe havia viajado.[5]

Apesar de sua produtividade e da crítica favorável aos seus livros, Duvert não conseguiu o sucesso que esperava. Para alcançar um público mais vasto, ele decidiu então escrever um romance que incorporasse seus temas favoritos, sendo menos sexualmente explícito e adotando uma escrita mais convencional. O resultado foi L'Île Atlantique (1979), que recebeu críticas negativas mas vendeu um pouco melhor do que seus últimos trabalhos.[6]

Retiro e morte[editar | editar código-fonte]

Na década de 1980, Duvert publicou L'Enfant au masculin (1980), no qual expôs sua filosofia sexual, além do romance Un anneau d'argent à l'oreille ('Uma argola de prata na orelha') e um livro de aforismos. Ao contrário do que ocorrera com seus escritos anteriores, a opinião de alguns críticos foi desfavorável, emnquanto outros passaram simplesmente a ignorá-lo. No final dos anos 1980, Duvert já não conseguia pagar o aluguel de seu apartamento. Por conta de sua visão em relação à pedofilia, o mundo se voltou contra ele. Ele se trancou na casa de sua mãe em Loir-et-Cher e tornou-se um recluso total. A partir de então, não publicou mais nada e foi completamente esquecido. No entanto, em 2005, seu romance L'Île Atlantique, lançada em 1979, foi adaptado para televisão por Gerard Mordillat .

Em agosto de 2008, o corpo de Tony Duvert foi descoberto em sua casa, já em estado de decomposição, várias semanas após sua morte. Isto suscitou alguma atenção da mídia francesa, que passou a destacar a qualidade de sua escrita e a refletir sobre sua postura diante da pedofilia.[3] Na sequência, Gilles Sebhan publicaria duas obras biográficas sobre Duvert: Tony Duvert: L'Enfant Silencieux (Editions Denoël, 2010 [7][8]) e Retour à Duvert (Le Dilettante, 2015).

Obra publicada[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

Todos publicados por Les Éditions de Minuit.

Ensaios e artigos teóricos[editar | editar código-fonte]

  • « La Parole et la Fiction : à propos du Libera », in Critique nº 252, maio de 1968. Reedição Éditions de Minuit, 1984 ISBN 2-7073-0674-6. [9] ».
  • « La Lecture introuvable », in Minuit nº 1, Éditions de Minuit, novembro de 1972
  • « La Sexualité chez les crétins », in Minuit nº 3, Éditions de Minuit, mars 1973, p. 60-72
  • « La Folie Tristan, ou l'Indésirable », in Minuit nº 4, Éditions de Minuit, mai 1973, p. 53-70
  • Le Bon Sexe illustré, Éditions de Minuit, Paris, 1973 ISBN 2-7073-0003-9
  • « Alejandro - le corps du désir », prefácio ao catáloo da exposição de Ramón Alejandro, Galeria Arta, Genebra, março de 1974
  • « L'Érotisme des autres », in Minuit nº 19, Éditions de Minuit, maio 1976, p. 2-12
  • L'Enfant au masculin, Éditions de Minuit, Paris, 1980 ISBN 2-7073-0321-6
  • Abécédaire malveillant, Éditions de Minuit, Paris, 1989 ISBN 2-7073-1316-5

Poesia[editar | editar código-fonte]

  • « District », in Les Cahiers du Chemin nº 3, Gallimard, abril de 1968. Nova versão: Fata Morgana, Montpellier, 1978.
  • « Des courants d'air gelés », in Preuves nº 209-210, agosto-setembro de 1968
  • « Ballade des petits métiers », in Minuit nº 24, Éditions de Minuit, abril de 1977. Nova versão : Les Petits Métiers, Fata Morgana, Montpellier, 1978.
  • « Hastaire - La mémoire immédiate », Cachan, France, impr. Polycolor 6 p. ; 29 ilustrações
  • « Le Garçon à la tête dure : inspiré des Mille et une Nuits », in Minuit nº 30, Éditions de Minuit, setembro de 1978
  • « Sam le héros » (conto), in Libération Sandwich nº 4, 22 de dezembro de 1979
  • « ABC par Tony Duvert», in Libération nº 2015, 7 de agosto de 1980 (colagem de textos)

Artigos[editar | editar código-fonte]

  • La fessée, l'amour, le droit in Gai Pied nº 2 (maio de 1979)
  • Idée sur Narcisse in Masques nº 3 (inverno 1979-1980)
  • Hastaire : Scènes d’intérieur in Cimaises n°145 (jan-fev 1980).
  • Grilles de mots-croisés, nº 11 a 20 de Gai Pied (fev a nov 1980).
  • Lorsque l’enfant paraît in Libération nº 1901 e 1902 (28-30/3/1980)
  • La casserole au bout de la queue in Gai Pied nº 25 (abril 1981)
  • Les mules du pape in Gai Pied nº 26 (maio 1981)
  • Le carnaval sans masques in Gai Pied nº 27 (junho de 1981)
  • Les mauvaises têtes in Gai Piednº 28 (julho de 1981)
  • L’amour en visite in Gai Pied nº 30 (setembro de 1981) a 37 (abril 1982)
  • Bataille contre Genet in Masques nº 12 (inverno 1981-1982).
  • Les voleurs de vent in Gai Pied nº 38 (maio 1982)
  • L’inceste ou la prison in Gai Pied nº 39 (junho 1982)

Referências

  1. Jean-Claude Guillebaud, La Tyrannie du plaisir. Paris: Seuil, 1998, p. 24.
  2. Ariño, Philippe. Dictionnaire des codes homosexuels : partie I à W, Paris : L'Harmattan, 2008, p. 177 .
  3. a b « Mort d'un écrivain à Thoré-la-Rochette ». Por Pierre Assouline. Le Monde. La République des livres, 23 de agosto de 2008.
  4. Claude Mauriac, « Une littérature corrosive », Le Figaro littéraire n°1396, 17 February 1973, II, p. 16
  5. Mothers and/as Monsters in Tony Duvert's Quand mourut Jonathan. Por Brian Gordon Kennelly. Dalhousie French Studies 92 (2010) 127-138.
  6. Gilles Sebhan, Tony Duvert l'enfant silencieux, Denoël, 2010, pp.102-103
  7. Tombeau pour Tony Duvert. Por Jérôme Dupuis. L'Express, 8 de abril de 2010.
  8. Duvert, le mal-aimant. Por David Caviglioli. Nouvelobs, 17 de maio de 2010.
  9. Laurent Adret, Les mots des autres: (lieu commun et création romanesque dans les œuvres de Gustave Flaubert, Nathalie Sarraute et Robert Pinget), Lille : Presses universitaires du Septentrion, 1996, p.257.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]