Torneio de Arcos de Valdevez

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Azulejos representando o Torneio na Estação de São Bento, no Porto

O chamado Torneio de Arcos de Valdevez, também conhecido por Recontro de Valdevez ou Bafordo de Valdevez, foi um decisivo episódio da História de Portugal ligado à fundação da nacionalidade.

História[editar | editar código-fonte]

O episódio teve lugar na primavera de 1141, e não 1140 como erroneamente foi referido durante muito tempo, no Vale do Vez (tributário do rio Lima), em Arcos de Valdevez, quando D. Afonso Henriques, após a vitória na batalha de Ourique (1139), rompeu a paz de Tui (1137) assinada com seu primo o Imperador Afonso VII de Leão e Castela, e invadiu a Galiza, conquistando alguns castelos sob protetorado do monarca leonês. Em resposta, as forças imperiais, em muito maior numero, entraram em terras portucalenses arrasando os castelos à sua passagem, descendo as montanhas do Soajo em direção a Valdevez.

Torneio de Arcos de Valdevez pelo escultor José Rodrigues.

Após algumas horas de refregas e provocações, para evitar a batalha campal e poupar homens e recursos para a luta contra o avanço árabe, foram selecionados os melhores cavaleiros de ambos os lados para lutarem entre si num torneio ou justa, conforme o uso na Idade Média. A sorte das armas pendeu para o lado português, tendo os cavaleiros leoneses ficado detidos, conforme o código da cavalaria medieval.

Padrão comemorativo do Recontro de Valdevez, erigido em 1940.

De acordo com o professor Torquato Sousa Soares, da Universidade de Coimbra, a escaramuça ou “bafordo” da Portela de Vez teve lugar em 1137 e contribuiu para a celebração da paz de Tui, em julho daquele ano.

Outros autores consideram o episódio como o passo decisivo e a última etapa para o nascimento de Portugal, sendo o antecedente da celebração do Tratado de Zamora em 1143. Depois do Torneio de Valdevez, onde saem vencedores os cavaleiros de Afonso Henriques, este aproveita as boas graças da Igreja, e, por intermédio do Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, faz que o Papa Inocêncio II aceite a sua vassalagem contra o pagamento de um censo (quantia que os reis pagavam ao Papa) de quatro onças (onça = 31 g) de ouro por ano.

O Arcebispo envia o Cardeal Guido de Vico junto de Afonso VII, obtendo deste, no tratado de Samora (Zamora), o título de rei, que D. Afonso Henriques passa a usar, graças ao Recontro de Valdevez, e no papel, de facto e de direito, em 1143.

Lenda[editar | editar código-fonte]

Segundo a lenda, nesta batalha foi encontrada uma relíquia sagrada, denominada Santo Lenho, que segundo a fé cristã crê-se que seja um pedaço retirado da Cruz onde Cristo foi crucificado. Esta relíquia encontra-se na freguesia de Grade, na Igreja Matriz, num sacrário com duas portas fechado a sete chaves todas elas diferentes. O dia da sua veneração é sempre 40 dias depois da Páscoa, quinta-feira da Espiga. Na Aldeia é venerado como Padroeiro das guerras, e nesta freguesia nunca morreu um soldado na guerra.

O torneio na arte[editar | editar código-fonte]

Na Estação de São Bento, no Porto, encontra-se um grande painel de azulejos alusivo ao Torneio, da autoria do notável ceramista e ilustrador Jorge Colaço, aí colocado em 1916.

Em Arcos de Valdevez, no Campo do Trasladário e em plena Avenida Recontro de Valdevez, existe um monumento equestre fundido em bronze que recorda o episódio histórico, da autoria do escultor José Rodrigues e considerado uma das mais notáveis produções escultóricas do artista desaparecido em 2016. Igualmente no Campo do Trasladário existe um padrão comemorativo do Recontro, inaugurado em 1940 pelo então Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco, sendo que este monumento não está na sua localização original, uma vez que esta era em pleno Campo, no local onde mais tarde, já na década de 50 do século XX, foi aberta a Estrada Nacional 101, obrigando à mudança do padrão, primeiramente para um largo frontal à Igreja do Espírito Santo da Vila, e já neste século, por iniciativa da autarquia local, para o Campo do Trasladário, concentrando assim neste espaço os elementos artísticos e simbólicos do Recontro de 1141.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Torneio de Arcos de Valdevez, in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal. Lisboa: Publicações Alfa, 1993. vol. I, p. 46. ISBN 972-609-028-8

Ver também[editar | editar código-fonte]

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