Tríptico do Infante D. Fernando

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Tríptico do Infante D. Fernando
(Painel central)
Autor Pintor português desconhecido
Data c. 1450-1460
Técnica pintura a têmpera e óleo
Localização Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

O Tríptico do Infante D. Fernando é um tríptico de pinturas a têmpera e óleo (?) sobre madeira de carvalho de artista português desconhecido, pintada presumivelmente no período de 1450-1460 para a Capela do Fundador do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha e que se encontra presentemente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.[1]

Segundo narrou Frei Luís de Sousa, o Infante D. Henrique mandou pintar para o Mosteiro da Batalha uma pintura alusiva ao cativeiro e martírio do seu irmão D. Fernando, em Fez (Marrocos), que poderá corresponder ao Tríptico do Infante D. Fernando. Os restos mortais do Infante Santo foram solenemente trasladadas para o Mosteiro da Batalha em 1451, supondo-se que a pintura tenha sido realizada como componente desta cerimónia.[1]

Como prováveis autores da obra foram já apontados por Vergílio Correia os nomes de Mestre Pedro, pintor do Infante D. Henrique em 1440, João Afonso e João Álvares, tendo ambos trabalhado no Mosteiro da Batalha, e Francisco Anes que foi activo no Convento da Carnota. Saul Gomes e J. A. Seabra Carvalho propõem como mais provável autor mestre João Afonso de Leiria, que começa a trabalhar na Batalha em 1449.[1]

Para o historiador de arte Pedro Dias, esteticamente este Tríptico não de pode ligar a qualquer das escolas principais portuguesas de então, Lisboa ou Coimbra, mas o seu nível permite ver que se tratava de um artista de méritos muito regulares.[2]

Descrição[editar | editar código-fonte]

No painel central, sobre um fundo adamascado a vermelho e a ouro, está representada uma figura masculina de longas barbas que tem sido até ao momento identificada com o Infante D. Fernando, filho de D. João I, que morreu prisioneiro em Fez. O Infante, de pé, veste modesto traje preto, tendo a cabeça coberta por um gorro e as mãos cingidas por uma cadeia lembrando o seu cativeiro.[1][2]

A obra está muito danificada pouco restando dos painéis laterais. No painel da esquerda é possível descortinar, segundo Pedro Dias, a figura de um guerreiro orando, em baixo, e a Virgem com o Menino, em cima.[2]

Segundo a Matriznet, tratam-se, ao que parece, de pormenores relativos a passos do cativeiro de D. Fernando, ou seja, a visão mariana que o Infante teve na masmorra em que estava preso, estando a Virgem com o Menino em auréola radiante sobre o corpo já agonizante de D. Fernando.[1]

Exposições[editar | editar código-fonte]

  • 1940, Lisboa, Os Primitivos Portugueses (1450-1550)
  • 1983, Lisboa, Núcleo da Casa dos Bicos, Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento.XVII Exp.Europeia de Arte,Ciência e Cultura do Conselho da Europa
  • 1991-1992, Ghent, Centrum voor Kunst en Cultur, Aux Confins du Moyen Âge - Europália 91
  • 1992, Madrid, Nos Confins da Idade Média. Arte Portuguesa Séculos XII-XV
  • 1992, Batalha, Museu de Santa Maria da Vitória, Frei Bartolomeu dos Mártires, Mestre Teólogo em Santa Maria da Vitória: 1538 a 1552
  • 1992-1993, Porto, Museu Nacional Soares dos Reis, Nos Confins da Idade Média. Arte Portuguesa Século XII-XV
  • 2001, Museu Nacional de Arte Antiga, Outro Mundo Novo Vimos
  • 2002, Museu Nacional de Arte Antiga, A Espada e o Deserto. Pintura e Escultura das Reservas
  • 2007-2008, Berlim, Deutsches Historisches Museum, Neue Welten, Portugal und das Zeitalterder Entdeckungen
  1. a b c d e Nota sobre a obra na MatrizNet, [1]
  2. a b c Pedro Dias, História da Arte em Portugal, Volume 4 - O Gótico, Publicações Alfa, Lisboa, 1986, pag. 168.