Tramway do Guarujá

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Locomotiva elétrica da Companhia Guarujá, modelo E69 (steeple-cab), fabricada em 1924 pela MAN e Siemens-Schuckert.

Com a prosperidade da cultura do café no estado de São Paulo áreas próximas dos locais onde circulavam fazendeiros, corretores, comerciantes e profissionais envolvidos no comércio de café começaram a desenvolver o turismo.

Neste contexto o empresário Elias Pacheco Jordão funda no final do século XIX a Cia. Balneária da Ilha de Santo Amaro, que construiria o Grande Hotel de la Plage, no balneário do Guarujá na praia das Pitangueiras, assim como uma linha férrea em bitola métrica.

A companhia ao longo do tempo já foi denominada de Companhia Balneária, Companhia do Guarujá, Estrada de Ferro do Guarujá, Estrada de Ferro Itapema-Guarujá, Serviços Públicos do Guarujá, Estância Balneária do Guarujá e por algum período também foi batizado Tramway do Guarujá.[1][2]

Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro[editar | editar código-fonte]

A Cia Balneária[3] iniciou em 1882 a construção de uma ferrovia com tração a vapor,[4] entre o porto de Itapema e a Praia das Pitangueiras, com aproximadamente 9 km. Foi inaugurada em 2 de setembro de 1893, contando com a presença de Bernardino de Campos (Presidente da Província), entre outras autoridades.

Foram construídas inicialmente as estações de Itapema[5] (chegada das barcas de Santos) e Guarujá,[6] esta edificada em frente ao hotel e demolida na década de 1930. Existiu uma estação intermediária chamada de Bento Pedro,[7] mas cuja data de inauguração não é conhecida.

Foi construído um ramal com aproximadamente 3 km, entre Guarujá e a localidade Santa Rosa.

O "Grand Hotel La Plage" foi consumido por um incêndio em 1897, sendo substituído por outra construção.

Companhia do Guarujá[editar | editar código-fonte]

Em 1901 a Companhia do Guarujá assume o controle do hotel e da linha férrea. O ramal Santa Rosa é erradicado no final da década de 1910, sendo substituído por uma estrada de rodagem. Percival Farquhar, empresário americano, adquire em 1910[2] a companhia, em meados da década de 1920, o império construído por Farquhar começa a desmoronar, principalmente pela perda de investidores europeus em decorrência da 1º Guerra Mundial.[8]

A eletrificação é anunciada em 4 de maio de 1923, sendo a responsabilidade pela execução a cargo do Engº Ettore Bertacin, o sistema foi executado em 8 meses sendo inaugurado em 11 de janeiro de 1925. O fornecimento de materiais ficou a cargo da Siemens, já o material rodante foi de responsabilidade das empresas Siemens e MAN.

Inicialmente foram adquiridos em 1924 dois bondes (nº3 e 9) de 106 hp e uma locomotiva elétrica modelo Siemens E 69 (nº1) de 104 hp, para os serviços de carga.[9]

Mesmo com as melhorias implantada a Cia Guarujá continuava a apresentar déficits crescentes.

Serviços Públicos do Guarujá[editar | editar código-fonte]

A Lei Estadual n° 2140 (1 de outubro de 1926) permitiu a encampação pelo estado da Cia Guarujá, sendo seus bens incorporados ao estado através do decreto estadual n° 4192, de 12 de Fevereiro de 1927, sendo criados os Serviços Públicos do Guarujá (autarquia municipal).

Foi construído um ramal de aproximadamente 3 km até a localidade do Sítio Cachoeira para transporte de carga,[10] também sendo adquiridos mais dois bondes da MAN (nº5 e 7). Na década de 1930 ocorre o sucateamento, após um acidente, do bonde nº3.

Estância Balneária do Guarujá[editar | editar código-fonte]

A Estância Balneária do Guarujá foi criada em 3 de julho de 1934. Foram construídas nova estação[11] e oficinas, sendo inauguradas em 21 de dezembro de 1935.

Foram realizadas obras de melhoria na linha de bondes do Guarujá em 1952, mas devido à concorrência com as linhas de ônibus o sistema foi fechado no ano de 1956.

Fim[editar | editar código-fonte]

Em 13 de julho de 1956, após um período de 63 anos de operação, foi interrompido o serviço de bondes e seu material rodante que estava em bom estado foi transferido para a E.F. Campos do Jordão.

A locomotiva a vapor nº2, fabricada pela Baldwin em 1891, original da Companhia Balneária encontra-se preservada em condição estática[12] na cidade do Guarujá.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Jorge Hereth (Março 1993). Uma alemãzinha para o Brasil. [S.l.]: Centro-Oeste 
  2. a b Marcello Tálamo. «O Tramway que ligou Santos e o Guarujá». Consultado em 6 de março de 2009 
  3. A. Gorni. «A Eletrificação nas Ferrovias Brasileiras - Companhia Guarujá». Consultado em 5 de março de 2009 
  4. Marcello Tálamo. «Nos tempos do Vapor.». Consultado em 6 de março de 2009 
  5. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Estações Ferroviárias do Brasil - ITAPEMA». Consultado em 6 de março de 2009 
  6. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Estações Ferroviárias do Brasil - GUARUJÁ». Consultado em 6 de março de 2009 
  7. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Estações Ferroviárias do Brasil - BENTO PEDRO». Consultado em 6 de março de 2009 
  8. GAULD, Charles (2006). FARQUHAR - O Último Titã - Um Empreendedor Americano na América Latina. [S.l.]: Editora de Cultura 
  9. Antonio Augusto Gorni (2009). A ELETRIFICAÇÃO NAS FERROVIAS BRASILEIRAS - A ELETRIFICAÇÃO NAS FERROVIAS BRASILEIRAS - Tramway do Guarujá. [S.l.: s.n.] 
  10. Terwal. «Res: Bondes em Guarujá/SP». Consultado em 5 de março de 2009 
  11. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Estações Ferroviárias do Brasil - GUARUJÁ-NOVA». Consultado em 6 de março de 2009 
  12. Marcello Tálamo. «LOCOMOTIVA a VAPOR». Consultado em 6 de março de 2009