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Transporte hidroviário no Brasil

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O transporte hidroviário do Brasil é um setor de infraestrutura multimodal que integra o país através de seus recursos hídricos.

O transporte hidroviário no Brasil é dividido nas modalidades fluvial e marítima. O transporte marítimo é o mais importante, respondendo por quase 75% do comércio internacional do Brasil. O transporte fluvial é o mais econômico e limpo, no entanto é o menos utilizado no Brasil. Há regiões, entretanto, que dependem quase exclusivamente desta modalidade, como é o caso da Amazônia, onde as distâncias são grandes e as estradas ou ferrovias praticamente inexistem.

A navegação fluvial no Brasil está numa posição inferior em relação aos outros sistemas de transportes. É considerado o sistema mais barato e limpo, contudo, o de menor participação no transporte de mercadoria no Brasil. Isto ocorre devido a vários fatores. Muitos rios do Brasil são de planalto, por exemplo, apresentando-se encachoeirados. Portanto, dificultam a navegação. É o caso dos rios Tietê, Paraná, Tocantins e Araguaia. Outro motivo é o fato de os rios de planície, facilmente navegáveis (Amazonas, São Francisco e Paraguai), se encontrarem afastados dos grandes centros econômicos do Brasil.

Nos últimos anos, têm sido realizadas várias obras, com o intuito de tornar os rios brasileiros navegáveis. Eclusas foram construídas para superar as diferenças de nível das águas nas barragens das usinas hidrelétricas. É o caso das eclusas de Tucuruí no rio Tocantins, de Barra Bonita no rio Tietê e de Jupiá no rio Paraná.

Existe também um projeto de ligação das Bacias do Tocantins, Amazonas e Paraná. É a hidrovia de contorno, que permitirá a ligação da região Norte do Brasil às regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, caso implantada. O seu significado econômico e social é de grande importância, pois permitirá um transporte de baixo custo. Parte deste projeto já está sendo implantado, principalmente na região Norte do Brasil, com a construção das hidrovias do Madeira e Tocantins, e outra parte já está naturalmente em funcionamento, como é o caso da Hidrovia do Solimões-Amazonas

O Porto de Manaus, situado à margem esquerda do rio Negro, é o porto fluvial de maior movimento do Brasil e o com melhor infraestrutura. Outros portos fluviais relevantes são o de Itajaí, no rio Itajaí-Açu, que transporta principalmente máquinas e commodities, o de Santarém, no rio Amazonas, por onde se transportam principalmente grãos vindos do Centro-Oeste, e o de porto de Ladário, no rio Paraguai, por onde é escoado o minério de manganês extraído de uma área próxima da cidade de Corumbá.

O Brasil tem mais de 4 mil quilômetros de costa atlântica navegável e milhares de quilômetros de rios. Apesar de boa parte dos rios navegáveis estarem na Amazônia, o transporte nessa região é subaproveitado, por não haver, nessa parte do país, mercados produtores e consumidores de peso. Os trechos hidroviários mais importantes, do ponto de vista econômico, encontram-se no Sudeste e no Sul do País. O pleno aproveitamento de outras vias navegáveis depende da construção de eclusas, grandes obras de dragagem e, principalmente, de portos que possibilitem a integração intermodal. Entre as principais hidrovias brasileiras, destacam-se duas: Hidrovia Tietê-Paraná e a Hidrovia do Solimões-Amazonas.

Marítimo

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O Porto de Santos é o maior porto e terminal de contêineres da América Latina.

O transporte marítimo é de vital importância para o Brasil em suas relações comerciais. Desde o Brasil Colônia, o transporte marítimo tem importância fundamental, pois permitia uma ampla troca comercial (comércio triangular) entre Portugal, Angola e Brasil. Foi também o transporte marítimo que permitiu, ao Brasil Colônia, ganhar relativa autonomia política em relação a Portugal, com a abertura dos portos.

O transporte marítimo é responsável pela maior parte das trocas comerciais internacionais do Brasil, transportando principalmente commodities agrominerais, veículos, máquinas, e equipamentos de ponta. Cerca de 75% das trocas comerciais internacionais brasileiras são transportadas via mar.

O transporte marítimo de passageiros também existe, principalmente com ligação entre o continente e as ilhas costeiras do Brasil. A linha mais comum de transporte de passageiros é a de Natal - Fernando de Noronha. Na Bahia, estão em funcionamento os trechos de travessia entre os terminais de Plataforma e Ribeira (regulado pela Prefeitura) e entre São Tomé de Paripe e Itamoabo, na Ilha de Maré (bairro insular soteropolitano) como parte do projeto maior da Via Náutica de Salvador,[1][2][3] para além das linhas intermunicipais travessia Salvador-Mar Grande[4] e Travessia Marítima Salvador/Itaparica (TMSI).[5] Também existe o transporte intercontinental de passageiros - na maioria das vezes ilegal, principalmente entre o Brasil e a Nigéria.

O Brasil tem os portos marítimos mais movimentados da América Latina, com destaque aos portos de Santos, Paranaguá, Rio de Janeiro/Niterói, Vitória e Itaqui (São Luís).

Regulação

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O transporte hidroviário no Brasil é regulado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), entidade integrante da Administração Federal indireta e submetida ao regime autárquico especial. Tem, por objetivosː implementar, em sua esfera de atuação, as políticas formuladas pela SEP - Secretaria de Portos e pelo Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte; regular, supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação de serviços de transporte aquaviário e de exploração da infraestrutura portuária e aquaviária exercidas por terceiros, com vistas a garantir a movimentação de pessoas e bens, em cumprimento a padrões de eficiência, segurança, conforto, regularidade, pontualidade e modicidade nos fretes e tarifas; harmonizar os interesses dos usuários com os das empresas concessionárias, permissionárias, autorizadas e arrendatárias, e de entidades delegadas, preservando o interesse público; e arbitrar conflitos de interesse e impedir situações que configurem competição imperfeita ou infração contra a ordem econômica.[6]

Ver também

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Referências

  1. Fundação Mário Leal Ferreira (2021). «Plano de Bairros de Itapagipe» (PDF). Consultado em 20 de dezembro de 2023 
  2. Lisiak, Janaína (24 de agosto de 2022). «Desmonte da cidade portuária: um olhar sobre o potencial marítimo em Salvador». ObMob Salvador. Consultado em 20 de dezembro de 2023 
  3. Caribé, Daniel (6 de dezembro de 2021). «O descaso com a mobilidade marítima em Salvador». ObMob Salvador. Consultado em 20 de dezembro de 2023 
  4. PALMA, Amanda (8 de março de 2013). «Movimento de passageiros na travessia Salvador-Mar Grande deve aumentar ao meio-dia, diz Astramab». Consultado em 9 de março de 2013. Arquivado do original em 24 de abril de 2013 
  5. «Contrato de concessão de linha - AGERBA n. 02/2014» (PDF). AGERBA. Consultado em 12 de dezembro de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2022 
  6. ANTAQ - Agência Nacional de Transporte Aquaviário Conheça a ANTAQ

Ligações externas

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