Dispraxia

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Dispraxia
Afeta 5% das crianças, sendo mais comum em meninos.
Especialidade neurologia, neuropsicologia
Classificação e recursos externos
CID-10 F82
CID-9 315.4
MeSH D019957, D019957
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Dispraxia (do grego "dys", dificuldade e "praxia", agir), Transtorno específico do desenvolvimento motor(CID-10) ou Transtorno da coordenação motora(DSM-5)[1] é uma disfunção neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente. O termo dispraxia verbal do desenvolvimento refere-se a uma dificuldade para articular a fala distinta da dispraxia, tratada neste artigo. Aproximadamente 5% das crianças possui esse transtorno e é quatro vezes mais comum em meninos.[2]

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria(APA), trata-se de um comprometimento acentuado da coordenação motora que interfere significativamente nas atividades da vida diária e no rendimento escolar. Pode ser definida também como um comprometimento importante na organização motora ampla e fina, que pode inclusive comprometer a articulação e a fala. Apresentam-se como uma dificuldade de organizar e planear os movimentos intencionalmente, ou na sequência correta[3].

É popularmente chamada de "síndrome do desastrado". Seus sintomas são a falta de coordenação motora, falta de percepção de três dimensões e equilíbrio. A criança "dispráxica" tem uma falta de organização do movimento. É possível confundir-se, às vezes, com a debilidade motora, pelo qual é necessário um bom diagnóstico. Diferencia-se de outras condições que alteram a coordenação motora por não haver lesão neurológica[3].

As áreas que sofrem mais alterações são as do esquema corporal e a orientação temporo-espacial. Em alguns casos a linguagem não é afetada, a criança com dispraxia frequentemente apresenta fracasso escolar, pois a escrita é a área mais comprometida.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

A criança dispráxica apresenta mais dificuldades em subir e descer escadas, aprende a usar o banheiro mais lentamente que os seus pares, tem dificuldades no manuseio de quebra-cabeças, de vestir-se e de usar talheres nas refeições, tende a colidir ou esbarrar em objetos. Pode apresentar dificuldades na localização espacial, como encontrar o caminho em prédios grandes. Na escola, apresenta dificuldades na escrita, como segurar o lápis ou posicionar as letras, planeamento do desenho e em atividades físicas. A fluência na escrita é difícil para estas crianças. Atividades de higiene podem ser difíceis, bem como vestir-se, abotoar e desabotoar, o que impacta na organização da aparência pessoal. Na vida social, a falta de coordenação motora pode inibir a criança de participar de brincadeiras com seus pares e a participação em jogos de equipe e predispor a acidentes.[3].

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas da dispraxia não estão bem estabelecidas. Atribui-se a falhas nas conexões neuronais, o que gera a lentidão do processamento cerebral das informações. Caso estas alterações afetem a integração sensorial dos diferentes sentidos corporais, o planeamento motor pode ser afetado[3].

Em 50% dos casos está associado a Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade(TDAH)[4] ou outro transtorno de aprendizagem (como acalculia, disgrafia, dislexia) e com problemas na memória de trabalho, armazenada no hipocampo, ou na memória de procedimentos, armazenada no cerebelo.[5]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A Associação Americana de Psiquiatria tem quatro critérios diagnósticos primários inclusivos para determinar se uma criança tem um distúrbio de coordenação do desenvolvimento. Os critérios são os seguintes[6]:

  • A Coordenação Motora é bastante reduzida, embora a inteligência da criança é normal para a idade.
  • As dificuldades que a criança experimenta com a coordenação motora ou planejamento interferem no cotidiano da criança.
  • As dificuldades de coordenação não são devidas a outra condição médica (como paralisia, autismo, intoxicação, meningite, labirintite, problemas de visão...)
  • Se a criança também tiver comorbidades, como retardo mental; coordenação motora ainda é desproporcionalmente afetada

O diagnóstico deve ser feito por um médico porque descoordenação motora(ataxia) pode ser sintoma de uma infecção, tumor, intoxicação, síndrome metabólico ou efeito colateral de uma droga. Deve-se examinar o sistema sensorial (visão, equilíbrio, propriocepção e tato), o sistema neurológico e o sistema esqueleto-articulo-muscular.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O ideal é a abordagem multidisciplinar, que envolve fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e psicólogo educacional. Exercícios físicos específicos podem auxiliar o desenvolvimento da consciência corporal e o planeamento das tarefas motoras. Abordagens multissensoriais auxiliam a aprendizagem da escrita. Técnicas comportamentais podem ajudar no desenvolvimento de habilidades sociais, sobretudo a comunicação não verbal[3].

Crianças com dispraxia podem aprender a digitar com destreza e rapidez, assim, com o uso do computador, o fracasso escolar pode ser superado, considerando que a parte cognitiva não é afetada.

Existem experiências em andamento que jogos com a tecnologia kinect possam ajudar muito, pois em alguns casos, a falta de progresso pode estar mais relacionada com a baixa auto-estima e o receio de exposição ao fracasso, assim, o treinamento com esses equipamentos tem trazido algum resultado.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Fifth ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing. pp. 74–7. ISBN 978-0-89042-555-8.
  2. Barnhart RC, Davenport MJ, Epps SB, Nordquist VM (August 2003). "Developmental coordination disorder". Physical Therapy. 83 (8): 722–31. PMID 12882613.
  3. a b c d e Farrell, M., 2008. Dislexia e outras dificuldades de aprendizagem específicas. Editora Artmed
  4. Barkley RA (1990). Attention-deficit hyperactivity disorder: a handbook for diagnosis and treatment. New York: Guilford Press. ISBN 0-89862-443-6. OCLC 21335369.
  5. Alloway TP, Rajendran G, Archibald LM (2009). "Working memory in children with developmental disorders". Journal of Learning Disabilities. 42 (4): 372–82. doi:10.1177/0022219409335214. PMID 19380495.
  6. Kirby A, Sugden DA (April 2007). "Children with developmental coordination disorders". Journal of the Royal Society of Medicine. 100 (4): 182–6. doi:10.1177/014107680710011414