Transtorno ligado à angústia de separação

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Transtorno ligado à angústia de separação
Afecta entre 3 e 5% das crianças, de 2 a 4% dos adolescentes e de 1 a 2% dos adultos. É igualmente frequente em homens e mulheres.[1]
Especialidade psiquiatria, psicologia clínica, psicoterapia
Classificação e recursos externos
CID-10 F93.0
DiseasesDB 34361
eMedicine 916737
MeSH D001010
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Transtorno de ansiedade de separação (TAS) ou Transtorno ligado à angústia de separação, é um transtorno de ansiedade caracterizado por intenso medo e estresse quando o indivíduo é separado de sua casa e das pessoas a quem o indivíduo tem uma forte ligação emocional (por exemplo, dos pais, um cuidador ou irmãos). É comum em crianças em idade pré-escolar em adolescentes, mas pode persistir até a idade adulta. A ansiedade de separação é uma parte natural do processo de desenvolvimento e indica saudável desenvolvimento emocional da criança no primeiro mês, não é qualquer ansiedade de separação que deve ser considerado um desenvolvimento de problema comportamental, apenas as persistentes, desproporcionais e prejudiciais.[2][3]

De acordo com a Associação Americana de psiquiatria, transtorno de ansiedade de separação é uma excessiva expressão de medo e angústia, sempre que pressionado a separação da casa ou de um ente querido. A ansiedade expressada deve ser desproporcional ao esperado nível de desenvolvimento e idade. A ansiedade causa impactos negativos significativos nas áreas do social e do funcionamento emocional, na vida familiar e na saúde física do indivíduo. A duração deste problema deve persistir por pelo menos quatro semanas em menores de 18 anos de idade ou mais de 6 meses em adultos para que seja feito esse diagnóstico, como especificado pelo DSM-5.[4] A gravidade dos sintomas inclui antecipação do desconforto, receio de perder-se, necessidade constante de verificar o bem-estar dos entes querido e intensa angústia no momento da separação.[5]

Sem o tratamento adequado para aprender a lidar com a intensa ansiedade de um modo mais saudável frequentemente evolui para outros transtornos de ansiedade (Transtorno de ansiedade generalizada, Fobia social, Transtorno do pânico), transtornos do humor (depressão maior ou distimia) e desordem do sono (insônia, terror noturno ou pesadelos).[6]

Causas[editar | editar código-fonte]

Os fatores que contribuem para o distúrbio incluem uma combinação e interação de fatores biológicos, cognitivos, ambientais, de temperamento infantil e comportamentais. Algumas crianças já nascem tímidas, ansiosas e ser angustiam ao serem separadas dos pais muito mais do que as outras. Entre gêmeos idênticos 73% compartilham essa ansiedade de separação.[7] Por outro lado, eventos estressantes como morte de entes queridos, mudança de escola ou de casa, divórcio dos pais, doenças e acidentes podem desencadear esse transtorno em indivíduos previamente bem adaptados. Em adultos tímidos é mais comumente classificada como agorafobia, fobia social ou transtorno de ansiedade generalizada.[8]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os problemas de curto prazo mais visíveis resultantes dessa angústia são[9]:

  • Recusar-se a ir a escola, universidade ou trabalho;
  • Declínio progressivo do desempenho;
  • Dificuldade para socializar e fazer amigos;
  • Conflito dentro da família;
  • Dificuldade em dormir só;
  • Medo irracional de perder os entes queridos;
  • Dor de cabeça, mal estar, náusea e vômito quando pressionado a sair sem um ente querido.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Para ser diagnosticado com TAS, deve-se exibir pelo menos 3 dos seguintes critérios, por mais de quatro semanas em menores de 18 anos ou mais de seis meses em maiores de 18 anos[10]:

  • Sofrimento excessivo e recorrente ao antecipar ou experimentar a separação de casa ou de entes queridos
  • Preocupação persistente e excessiva em perder entes queridos ou de possíveis danos a eles, como doenças, ferimentos, desastres ou morte
  • Preocupação persistente e excessiva em experimentar um evento desagradável (por exemplo, se perder, ser seqüestrado, sofrer um acidente, adoecer) por causa da separação do ente querido
  • Relutância persistente ou recusa em sair de casa para ir na escola, ao trabalho ou outro lugar sem o ente querido
  • Medo persistente e excessivo ou relutância em ficar sem seus entes queridos em casa ou em outros ambientes
  • Relutância persistente ou recusa em dormir fora de casa ou ir dormir sem estar perto de uma grande figura de apego
  • Pesadelos repetidos envolvendo o tema da separação
  • Reclamações repetidas de sintomas físicos (por exemplo, dores de cabeça, dores de estômago, náuseas, vômitos...) pouco antes ou enquanto está separado dos seus entes queridos

Angústia de separação é normal antes dos 2 anos de idade, esse diagnóstico é exclusivamente para maiores de 2 anos. Autismo ou Esquizofrenia excluem esse diagnóstico.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento de primeira eleição é uma psicoterapia que inclua o ente querido. A Terapia cognitivo-comportamental e a terapia analítico-comportamental, treinam e ensinam o indivíduo e seu(s) ente(s) querido(s) como lidar com a ansiedade e com a separação. Na TCC há cinco componentes que devem ser ensinados ao paciente com TAS[11]:

  • Reconhecer seus sentimentos, medos e comportamentos
  • Identificar quais situações que provocam comportamentos ansiosos
  • Desenvolver um plano de enfrentamento com reações apropriadas às situações
  • Praticar essas situações, da menos estressante para a mais estressante
  • Avaliar a eficácia do plano de enfrentamento

Quando a psicoterapia não é suficiente, o psiquiatra pode prescrever o uso de um antidepressivo Inibidor seletivo de recaptação de serotonina, por seu efeito calmante tanto para crianças e adultos. Tanto sertralina ou fluvoxamina demonstraram ser melhores que placebo no tratamento da TAS.[12][13]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Prior, M.; Sanson, A.; Smart, D. & Oberklaid, F. (1999). Psychological disorders and their correlates in an Australian community sample of preadolescent children. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 40 (4), 563-580.
  2. Redlich, Ronny (fevereiro de 2015). «Are you gonna leave me? Separation anxiety is associated with increased amygdala responsiveness and volume». Social Cognitive and Affective Neuroscience. 10: 278–284 
  3. Davidson, Tish. "Separation Anxiety." Gale Encyclopedia of Children's Health: Infancy through Adolescence. 2006. Retrieved October 6, 2014, from Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-3447200510.html
  4. Ehrenreich, J. T; Santucci, L. C.; Weinrer, C. L. (2008). «Separation anxiety disorder in youth: Phenomenology, assessment, and treatment». Psicol Conductual. 16 (3): 389–412. PMC 2788956Acessível livremente. PMID 19966943. doi:10.1901/jaba.2008.16-389 
  5. Masi, G.; Mucci, M.; Millepiedi, S. (2001). «Separation anxiety disorder in children and adolescents: epidemiology, diagnosis and management.». CNS Drugs. 15 (2): 93–104. PMID 11460893. doi:10.2165/00023210-200115020-00002 
  6. Chavira, D. A. & Stein, M. B. (2005). Childhood social anxiety disorder: from understanding to treatment. Child & Adolescent Psychiatric Clinics of North America, 14 (4), 797-818.
  7. Bolton D, Eley TC, O'Connor TG, et al. (2006). "Prevalence and genetic and environmental influences on anxiety disorders in 6-year-old twins". Psychol Med. 36 (3): 335–344. doi:10.1017/s0033291705006537
  8. Adults with separation anxiety may be invasive and overprotective of their friends and loved ones. American Psychiatric Association. (2013). Risk and Prognostic Factors of Separation Anxiety. In Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.).doi:10.1176/appi.books.9780890425596.744053
  9. Separation Anxiety Symptoms
  10. American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. Washington, D.C: American Psychiatric Association.
  11. Barrett, Paula M.; Ollendick, Thomas H., eds. (2003). Handbook of Interventions that Work with Children and Adolescents: Prevention and Treatment. Wiley. ISBN 978-0470844533.
  12. Suveg, Cynthia; Aschenbrand, Sasha G.; Kendall, Philip C. "Separation Anxiety Disorder, Panic Disorder, and School Refusal". Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America. 14 (4): 773–795. doi:10.1016/j.chc.2005.05.005.
  13. Ehrenreich, J. T; Santucci, L. C.; Weinrer, C. L. (2008). "Separation anxiety disorder in youth: Phenomenology, assessment, and treatment". Psicol Conductual. 16 (3): 389–412. doi:10.1901/jaba.2008.16-389. PMC 2788956 Freely accessible. PMID 19966943.