Tratado de Brest-Litovski

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Tratado de Brest-Litovski
As duas primeiras páginas do tratado de Brest-Litovski. Da esquerda para a direita, em alemão, húngaro, búlgaro, turco e russo
Tipo de tratado tratado de paz
Assinado 3 de Março de 1918 (durante a Primeira Guerra Mundial)
Local Brest, Bielorrússia
Condição Ratificação
Expiração Novembro de 1918
Signatários
Línguas alemão, húngaro, búlgaro, turco e russo
Delegação bolchevique em Brest-Litovsk. Sentados, desde a esquerda: Lev V. Kamenev, Adolff.A.Ioffe, Anastasia A.Bitzenko. De pé: V. V. Lipskiy, P. Stučka, Lev D. Trotsky, Lev M.Karakhan

Tratado de Brest-Litovski (ou de Brest-Litovsk) foi um tratado de paz assinado entre o novo governo bolchevique russo e as Potências Centrais (Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano) em 3 de março de 1918, em Brest (antigamente Brest-Litovski), na atual Bielorrússia, pelo qual era reconhecida a saída da Rússia no conflito. O governo bolchevique também anulou todos os acordos do Império Russo com seus aliados da Primeira Guerra Mundial. O governo russo também perdoou as dívidas do governo otomano no acordo.[1]

As negociações de paz entre a Tríplice Entente e as Potências Centrais seriam iniciadas em 22 de dezembro de 1917, uma semana após o armistício de Brest-Litovsk.

Revolução Russa de 1917 foi o principal motivo da saída da Rússia da primeira Guerra Mundial e uma das prioridades do recém-criado governo bolchevique. A guerra tornara-se impopular entre o povo russo, devido às imensas perdas humanas (cerca de quatro milhões de mortos). Leon Trotsky, no exercício das relações exteriores do governo bolchevique, pressionou França e Reino Unido para que iniciassem em conjunto o processo de paz, encerrando a Primeira Guerra Mundial. Porém, sem obter resposta, ameaçou iniciar esse processo de forma solitária, o que de fato ocorreu.[2]

Os termos do Tratado de Brest-Litovski eram humilhantes. Mesmo Lênin, defendendo a paz, chamou o tratado de "paz vergonhosa".[2] Através deste, a Rússia abria mão do controle sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polônia, Bielorrússia e Ucrânia, bem como dos distritos turcos de Ardaham e Kars, e do distrito georgiano de Batumi, antes sob seu domínio. Estes territórios continham um terço da população da Rússia, 50% de sua indústria e 90% de suas minas de carvão.[3]

A maior parte desses territórios tornar-se-iam, na prática, partes do Império Alemão, sob a tutela de reis e duques. Entretanto, após a revolução alemã, iniciada em 9 de novembro de 1918, que derrubou o regime monárquico, o Comitê Executivo Central declarou anulado o espoliador e injusto tratado de Brest-Litovsk. Paralelamente, a derrota da Alemanha na guerra, marcada pelo armistício, firmado com os países aliados, em 11 de novembro de 1918, na floresta de Compiègne, permitiu que Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia se tornassem Estados verdadeiramente independentes, e os monarcas indicados tiveram que renunciar aos seus tronos. Por outro lado, a Bielorrússia e a Ucrânia envolveram-se na Guerra Civil Russa (1918-1921) e terminaram por ser novamente anexadas ao território russo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Edward H. Carr. 1952. (A History of Soviet Russia), The Bolshevik Revolution (1917-1923) Vol. 3, Norton Paperback Editions, New York, 1985 (Macmillan, 1953) pp. 311-312.
  2. a b «Hoje na História: 1917 - Rússia firma Tratado de Brest-Litovski com as Potências Centrais». Opera Mundi. Consultado em 23 de fevereiro de 2016 
  3. (em inglês) Vocabulary for Russian History

Ligações externas[editar | editar código-fonte]