Tratamento precoce contra a COVID-19

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Negacionistas protestam a favor do uso de um tratamento precoce para Covid-19

A existência de tratamentos precoces contra a COVID-19 é uma teoria conspiratória[carece de fontes?] e pseudocientífica que levou milhares de pessoas a comprarem e utilizarem por conta própria medicações que supostamente ajudariam no combate da doença.

O motivo para o uso deste tipo de tratamento pela população geral, varia entre diversas propagandas feitas por grandes mídias e governos, o outro motivo plausível seria o excesso de uma esperança no fim rápido da pandemia. As formas de propagandas para a utilização do tratamento precoce geralmente é feita através de informações distorcidas e fake news com o apoio governamental, assim criando uma politização sobre o assunto.

Medicações[editar | editar código-fonte]

As medicações mais famosas defendidas pelos usuários do tratamento precoce normalmente são:

Cloroquina[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cloroquina
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A cloroquina ou hidroxicloroquina é um medicamento originalmente utilizado no tratamento contra amebíases e doenças causadas pelos protozoário, um exemplo famoso de uso para o tratamento de cloroquina é a malária e o lupus. O uso da mesma no tratamento da COVID-19 é um mito, a ideia era que ela poderia ser eficaz em viroses, este mito começou com um estudo in-vitro feito em 2004 que era dês de então o ano do ultimo surto de uma SARS-Cov.[1][2]

Porém, após o controle do surto, os testes nunca foram concluídos e os experimentos que existiam eram apenas In-vitro e inconclusivos. Então a partir dai o mito de que a cloroquina poderia ajudar no tratamento do novo SARS-Cov-2 foi crescendo e recebendo apoio da comunidade geral, mesmo sendo contra intuitivo tendo em vista que a estrutura patológica de uma ameba e de um vírus é diferente.[3]

Até o momento, o uso de cloroquina não trouxe benefícios comprovados contra a COVID-19, haviam testes sendo feitos pela OMS (chamado de projeto Solidarity Trial) que estavam revelando a ineficácia do tratamento, porém, os estudos foram parados tendo em vista que o remédio poderia estar relacionado a um maior numero de mortes, tendo em vista o alto índice de voluntários mortos com o uso do remédio.[4][5][6][7]

Ivermectina[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ivermectina
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A ivermectina é um medicamento originalmente utilizado no tratamento contra vermes. O mito por trás da ivermectina é a relação do uso dela com a menor taxa de contaminados em países africanos. Os países africanos participam dês de 2015 de um programa internacional chamado Programa Africano para Controle da Oncocercose, assim em estes países é incentivado o uso de ivermectina com certa regularidade para evitar a doença que é popularmente conhecida como "cegueira do rio".[8][9]

A ideia é que haveriam menos casos em países africanos que fazem parte do programa, porém, a informação é distorcida tendo em vista que os países que fazem parte do programa, tem menos testes positivos do que os países que não fazem parte do programa tendo em vista que estes países por sua carência financeira, testam bem menos que os países que não fazem parte do programa.[8][9]

Um teste feito pela Universidade Monash, em Melbourne, na Austrália mostrou que, in vitro, o remédio poderia ser eficaz contra COVID-19, caso ele fosse ministrado em uma dose dezesseis vezes maior que a dose letal para humanos.[10][11] A FDA não aprovou a ivermectina para uso em tratamento ou prevenção da COVID-19 em humanos.[12]

Azitromicina[editar | editar código-fonte]

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Ver artigo principal: Azitromicina

A azitromicina é um medicamente originalmente utilizado no tratamento de bactérias (antibióticos). A ideia por trás do uso da azitromicina para o tratamento da COVID-19 está relacionado ao tratamento de pneumonias bacterianas utilizando o medicamento. A azitromicina poderia ser eficaz caso o portador da COVID-19 também estivesse com uma pneumonia bacteriana, porém, sua eficácia nunca foi confirmada.[13][14]

Entretanto, o uso do remédio sem restrição pode causar graves danos a saúde publica tendo em vista que o uso não prescrito de antibióticos pode causar a resistência de algumas bactérias á medicações do estilo assim criando uma bactéria super resistente e podendo assim futuramente causar uma nova pandemia desta vez de uma bactéria super-resistente.[14][15]

Desinformação[editar | editar código-fonte]

Revistas científicas de pouca credibilidade[editar | editar código-fonte]

Televisão pública brasileira apresenta uma propaganda sobre o uso de medicamentos ineficazes contra COVID-19. Assim sendo utilizado de forma politica

O uso de jornais científicos para defender uma ideia é um método utilizado há tempos. Porém, certos acadêmicos se aproveitam de brechas no jornalismo científico, isto ocorre quando algumas revistas cientificas com baixa credibilidade aceitam dinheiro em troca de publicação de artigos sem embasamento cientifico real.[16][17][fonte confiável?][18][fonte confiável?]

Normalmente revistas de faculdades e associações trazem dados verídicos, não obstante, certos jornais científicos que não recebem verbas de outros lugares, é comum a venda de espaço para artigos, assim criando uma brecha enorme na confirmação de dois fatores. Estas revistas são chamadas de "revistas predatórias".[16][19][fonte confiável?][20]

Informações distorcidas[editar | editar código-fonte]

A criação e disseminação de fake news através de dados verídicos mas com informações distorcidas é um grande aliado dos negacionistas e apoiadores do tratamento precoce.[carece de fontes?]

Relacionar o uso de ivermectina à redução dos casos de COVID-19, afirmar que existem testes concretos em relação a medicamentos como a azitromicina e cloroquina quando existem apenas testes preliminares e outros tipos de mentiras e distorções são utilizadas para justificar o tratamento.[21][22]

Uso político[editar | editar código-fonte]

O uso politico dos remédios é feito pelas autoridades como a tentativa de menosprezar a doença e assim incentivar a população geral a voltar aos seus trabalhos assim evitando um grande dano econômico mas sem pensar na vida das pessoas. Governos como o brasileiro, a comando do presidente Jair Bolsonaro, utilizaram-se de noticias falsas para incentivar a retomada dos cidadãos aos seus trabalhos, assim menosprezando a doença e os seus danos.[2][23][24]

A imagem de um político passa uma sensação de segurança nas informações passadas, assim o uso politico de remédios ineficazes, é feito para diminuir o medo da população em contrair o vírus, já que teoricamente ele já possui cura comprovada.[2]

Danos[editar | editar código-fonte]

À saúde[editar | editar código-fonte]

Os danos á saúde pode ser os mais diversos, tendo em vista que a utilização destes medicamentos pode causar diversos problemas a curto e longo prazo, exemplos destes problemas são:[25][26][27][28][29]

  • Efeitos colaterais ao medicamento;
  • Super dosagem ou overdose por automedicação;
  • Redução da eficiência de antibióticos;
  • Danos a órgãos como rins, fígado e coração;
  • Falta de tratamento para doenças no qual os remédios são incentivados.

À natureza[editar | editar código-fonte]

Cientistas perceberam uma relação direto do uso do tratamento precoce á poluição de rios e lagos. Isto ocorre pois com a alta produção e utilização dos remédios do apelidado "kit Covid" acaba por aumentar a concentração destes remédios e seus resquícios em rios e lagos. Assim a alta concentração destas drogas nos rios e lagos, acaba por gerar uma intoxicação biológica do local, causando riscos á vida das pessoas que bebem desta agua e dos demais seres vivos que vivem no local e retiram seu alimento ou liquido dos mananciais.[30][31][32][33][fonte confiável?]

Referências

  1. «Falácia do tratamento precoce indigna grande parte da classe médica». Brasil de Fato. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  2. a b c Caponi, Sandra; Brzozowski, Fabiola Stolf; Hellmann, Fernando; Bittencourt, Silvia Cardoso (20 de janeiro de 2021). «O uso político da cloroquina: COVID-19, negacionismo e neoliberalismo». Revista Brasileira de Sociologia - RBS. 9 (21): 78–102. ISSN 2318-0544. OCLC 1096667009. doi:10.20336/rbs.774. eISSN 2318-0544. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  3. Keyaerts, Els; Vijgen, Leen; Maes, Piet; Neyts, Johan; Ranst, Marc Van (outubro de 2004). «In vitro inhibition of severe acute respiratory syndrome coronavirus by chloroquine». Biochemical and Biophysical Research Communications. 323 (1): 264–268. ISSN 0006-291X. OCLC 231009548. doi:10.1016/j.bbrc.2004.08.085. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  4. «COVID-19: WHO Discontinues Hydroxychloroquine, Lopinavir/Ritonavir Trial for Treatment | The Weather Channel - Articles from The Weather Channel | weather.com». The Weather Channel (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2021 
  5. «WHO stops trials for drug Donald Trump promoted as a coronavirus remedy». The National. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  6. «OMS interrompe testes com hidroxicloroquina e lopinavir/ritonavir - Geral». Estadão. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  7. «Estudo constata ineficácia de cloroquina e hidroxicloroquina contra Covid-19». CNN Brasil. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  8. a b Minas, Estado de; Minas, Estado de (15 de janeiro de 2021). «Checamos: Ivermectina nao esta ligada aos numeros da COVID-19 na Africa». Estado de Minas. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  9. a b Gonçalves, Anderson (24 de agosto de 2020). «Por que a África não teve um grande surto de coronavírus?»Subscrição paga é requerida. Gazeta do Povo. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  10. «Ivermectina seria veneno em dose necessária para inibir coronavírus, alerta professor do Instituto de Química». Unicamp. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  11. «The FDA-approved drug ivermectin inhibits the replication of SARS-CoV-2 in vitro». Antiviral Research (em inglês). 104787 páginas. 1 de junho de 2020. ISSN 0166-3542. doi:10.1016/j.antiviral.2020.104787. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  12. Commissioner, Office of the (5 de abril de 2021). «Por que você não deve usar a Ivermectina para Tratar ou Prevenir a COVID-19». FDA (em inglês). Consultado em 25 de agosto de 2021 
  13. Oldenburg, Catherine E.; Doan, Thuy (3 de outubro de 2020). «Azithromycin for severe COVID-19». The Lancet (em inglês). 396 (10256): 936–937. ISSN 0140-6736. OCLC 960770563. PMID 32896293. doi:10.1016/S0140-6736(20)31863-8. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  14. a b «Azithromycin trial fails to provide evidence of benefit in COVID-19». News-Medical.net (em inglês). 16 de dezembro de 2020. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  15. Welle (www.dw.com), Deutsche. «Azitromicina não tem eficácia contra covid-19 em casos graves, diz estudo | DW | 05.09.2020». DW.COM. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  16. a b «Predatory Journals Hit By 'Star Wars' Sting». Discover Magazine (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2021 
  17. «EXPLORANDO AS BRECHAS DO JORNALISMO CIENTÍFICO». Portal Meteoro Brasil. 8 de agosto de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  18. «COMO FUNCIONAM AS REVISTAS CIENTÍFICAS». Portal Meteoro Brasil. 3 de abril de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  19. «POKÉMON E STAR WARS DENUNCIAM PREDADORES DA CIÊNCIA». "Portal Meteoro". 17 de maio de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  20. «View of Azithromycin and Hydroxychloroquine Accelerate Recovery of Outpatients with Mild/Moderate COVID-19 | Asian Journal of Medicine and Health». www.journalajmah.com. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  21. «Prefeitura de Sorocaba divulga "estudo fake" sobre tratamento da covid-19». Rede Brasil Atual. 14 de abril de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  22. «É #FAKE que Senado italiano aprovou 'tratamento precoce' contra Covid-19». G1. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  23. «Bolsonaro e seguidores insistem em tratamento com cloroquina, ineficaz contra a Covid». G1. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  24. Ribeiro, Wandy. «"Cloroquina não tem efeito colateral" afirma Bolsonaro». ictq.com.br. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  25. «'Kit covid é kit ilusão': os dados que apontam riscos e falta de eficácia de tratamento precoce». www.uol.com.br. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  26. «Chefes de UTIs ligam 'kit Covid' a maior risco de morte no Brasil». BBC News Brasil. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  27. Paulo', 'André Biernath-Da BBC News Brasil em São (27 de janeiro de 2021). «Tratamento precoce: os dados que apontam riscos e falta de eficácia do 'kit covid'». Ciência e Saúde. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  28. «KIT COVID». apis.makestories.io. 18 de junho de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  29. «Portal do IFSC - Notícia Aberta». www.ifsc.edu.br. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  30. Notícias, Empresa Paulista de. «Cientistas alertam para riscos ambientais de uso em excesso do 'kit Covid'». ACidadeON. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  31. «Cientistas alertam para riscos ambientais de uso em excesso do 'kit Covid'». Folha de S.Paulo. 2 de fevereiro de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021 
  32. Michel Moreira. «POLUIÇÃO AMBIENTAL CAUSADA POR FÁRMACOS PARA USOS HUMANOS E VETERINÁRIOS» (PDF). Centro de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Oswaldo Cruz. TANNUS 
  33. «A RELAÇÃO ENTRE TRATAMENTO PRECOCE E A POLUIÇÃO DOS RIOS». Portal Meteoro Brasil. 21 de agosto de 2021. Consultado em 22 de agosto de 2021