Travessia São Joaquim-Bom Despacho

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Travessia São Joaquim-Bom Despacho-São Joaquim
Sistema Ferry-Boat
Terminal de Ferry-Boat de São Joaquim durante a saída de Salvador para o Ano Novo.jpg
Embarque de passageiros pedestres no Terminal Hidroviário de São Joaquim, no fim de 2011.
Informações
Proprietário Bahia Estado da Bahia
Local Região Metropolitana de Salvador
Tipo de transporte Transporte hidroviário de passageiros e carros
Número de linhas Linha única
Número de estações
Tráfego 1500 veículos e 15000 pedestres/dia (terça a quinta)
2750 veículos e 16000 pedestres/dia (sexta a segunda)[1]
Funcionamento
Início de funcionamento 8 de dezembro de 1970 (46 anos)
Operadora(s) Internacional Travessias Salvador[2]
Número de veículos 9 embarcações [1]
Headway 1h

A travessia São Joaquim-Bom Despacho é a linha marítima intermunicipal que atravessa a Baía de Todos os Santos ligando os terminais de São Joaquim, no bairro soteropolitano de Água de Meninos, ao de Bom Despacho, na ilha de Itaparica.[3] É realizada por ferry-boats, balsas que conectam dois municípios da Região Metropolitana de Salvador, no estado brasileiro da Bahia, e operada pela Internacional Travessias Salvador (subsidiária baiana da maranhense Internacional Marítima).[2] A travessia integra o Sistema de Transporte Hidroviário Intermunicipal de Passageiros e Veículos do Estado da Bahia (SHI).[4] Essa é uma das rotas entre Salvador e a ilha, havendo também a saída a partir do Terminal Náutico da Bahia, no Comércio, para Mar Grande.[5]

A travessia ocorre, atualmente, a cada hora, podendo o intervalo de espera ser diminuído conforme a demanda, que aumenta consideravelmente no verão.[6]

História[editar | editar código-fonte]

A travessia foi implantada no contexto da priorização do transporte rodoviário no Brasil e a crise na navegação de cabotagem.[7] Na década de 1960, a Companhia de Navegação Baiana (CNB) foi restringida por determinação do Governo Federal a entregar as embarcações das linhas costeiras, passando a realizar o transporte basicamente nas águas da Baía de Todos-os-Santos.[7] No governo de Luiz Vianna Filho (1967-1971), o estudo Projeto de Conjugação Rodo-Aqllavia por Ferry-Boat, encomendado à empresa fluminense de consultoria Serviços de Planejamento (SPL), analisou a possibilidade de implantação do Sistema Ferry-boat.[7] O estudo recomendou a criação de um órgão governamental, foi criado o Grupo Executivo da Ligação Salvador-Itaparica-Nazaré (GELSIN), a unificação das linhas da CNB em uma única, a construção de malha rodoviária para conectar por via terrestre os antigos pontos atendidos pelos serviços da CNB, das embarcações, dos dois terminais e da Ponte João das Botas (Ponte do Funil), entre o sul da ilha e o continente.[7] Enquanto as embarcações foram fabricadas no estaleiro SÓ/SA em Porto Alegre, as duas últimas obras foram realizadas pela vencedora da licitação, a Construtora Norberto Odebrecht.[7]

Ferry-boat Agenor Gordilho saindo de Itaparica, o mais antigo do sistema.

A inauguração ocorreu mesmo sem a entrega das embarcações, que atrasaram dois anos e meio. E ainda que as obras também estivessem parcialmente concluídas, o governador Luiz Viana Filho as inaugurou em 8 de dezembro de 1970.[7] Enquanto os ferries não chegaram, a CNB manteve as várias linhas e fazia o transporte somente de passageiros entre os novos terminais.[7] O Navio Agenor Gordilho foi o primeiro a chegar, em 4 de julho de 1972.[7] Logo após, veio o segundo navio, o Juracy Magalhães.[3] Entretanto, a inconclusão das obras fez com que a viagem inaugural somente ocorresse em 5 de dezembro de 1972, já na gestão do governador Antonio Carlos Magalhães.[7] A implantação do sistema teve grande impacto na economia das cidades do Recôncavo Baiano, em decadência na época, em virtude da redução dos custos e distâncias após os aumentos do preço do petróleo na década de 1970 ao conectar Salvador-Itaparica-Nazaré-Santo Antônio de Jesus, e na Ilha de Itaparica, pela interligação terrestre das áreas litorâneas.[7]

Em 1987, durante a gestão de Waldir Pires, duas embarcações (Vera Cruz e Monte Serrat) compradas pelo Governo da Bahia, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram transferidas para o Maranhão com as quais inaugurou a Travessia São Luís-Alcântara, operada pela Internacional Marítima, rebatizando-as como Pinheiro e Alcântara.[8] Em 1992, quando Antônio Carlos Magalhães era governador, ambos os navios foram trazidos de volta para a reincorporação à frota do sistema baiano operado pela CNB.[8]

Ferry Maria Bethânia de saída da capital no fim de 2011. À época, operado pela TWB.
FB Zumbi dos Palmares, o de maior capacidade do sistema e um das duas embarcações compradas da Grécia.

O Sistema Ferry-Boat, operado primeiramente pela estatal estadual Companhia de Navegação Baiana,[9] foi alvo das medidas neoliberais da década de 1990. Em 1996, ano da concessão, a CNB operava com 8 ferries em situação deficitária de R$ 8 milhões. O vencedor da foi o único participante da concorrência pública para a concessão; o Consórcio Marítimo da Bahia (Comab) era formado por um grupo de empresários paulitas e foi alvo de diversas críticas pelo aumento das tarifas e pelo descaso com as embarcações privatizadas.[10] A Comab foi sucedida pela Kaimi, quando o sistema sofreu a intervenção decretada pelo governador Paulo Souto.[10] A seguir, foi licitado novamente e a empresa TWB Bahia foi a ganhadora da concessão, iniciada em 22 de fevereiro de 2006.[11] Contudo, foi afastada e sofreu intervenção devido à má qualidade do serviço prestado pela empresa, daí a Agência Estadual de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA) assumiu o controle do serviço.[12][13] Mais tarde, a Internacional Marítima (IM), empresa maranhense operadora da Travessia São Luís-Alcântara, assumiu por meio de licitação emergencial (de caráter temporário) a operação do sistema.[14] Esse contrato emergencial perdurou por dez meses, quando a IM venceu a licitação para concessão do sistema por 25 anos e, então, constituiu uma nova empresa especificamente para tal operação, a Internacional Travessias Salvador S.A.[2][15]

Em 2014, duas novas embarcações (Zumbi dos Palmares e Dorival Caymmi) de maior capacidade que as em funcionamento foram compradas da Grécia, em crise financeira, por 18 milhões de euros.[1]

Frota[editar | editar código-fonte]

Nove embarcações compõem a frota da travessia marítima, com capacidades diferentes, incluindo duas recém-compradas em reparos. São elas: FB Agenor Gordilho (capacidade para 90 veículos), FF Anna Nery (capacidade para 60 veículos), FF Ivete Sangalo (capacidade para 60 veículos), FB Juracy Magalhães (capacidade para 90 veículos), FB Maria Bethânia (capacidade para 1000 passageiros e 55 veículos), FB Pinheiro (capacidade para 50 veículos), FB Rio Paraguaçu (capacidade para 50 veículos), Zumbi dos Palmares (capacidade para 208 veículos) e Dorival Caymmi (capacidade para 180 veículos).[2][1][16][17][18][19][20]

Já fizeram parte da frota, desde a década de 1970, Ipuaçu, Mont Serrat e Gal Costa. O primeiro, desativado desde 2013, iria ser desmontado e vendido como sucata, porém, a Internacional Marítima garantiu que poderia ser recuperado e seu projeto de reforma, então, será licitado para voltar à operação, desta vez ao transporte de carretas e outros veículos pesados. O último sofreu desmonte entre os anos de 2005 e 2006 até ser leiloado o restante. O segundo não pertence mais ao governo estadual, e assim como o Gal Costa esteve enquanto existiu, o Ipuaçu e o Mont Serrat estão na marina de Aratu.[21][22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Tribuna da Bahia (2 de agosto de 2014). «Novos Ferries vão partir da Grécia para Salvador». Consultado em 7 de Setembro de 2014 
  2. a b c d «Internacional Marítima cria empresa para operar o sistema "ferry-boat"». Tribuna da Bahia. 4 de setembro de 2014. Consultado em 20 de Outubro de 2014 
  3. a b FerryBoatSalvador.com.br. «Ferry Boat». Consultado em 24 de Outubro de 2014 
  4. BAHIA (4 de janeiro de 2011). «LEI Nº 12.044 DE 0» (PDF). Consultado em 9 de março de 2013 
  5. PALMA, Amanda (8 de março de 2013). «Movimento de passageiros na travessia Salvador-Mar Grande deve aumentar ao meio-dia, diz Astramab». Consultado em 9 de março de 2013 
  6. Redação (15 de outubro de 2014). «Ferry-boat volta a operar com hora marcada até o final do mês». Correio. Consultado em 25 de Outubro de 2014 
  7. a b c d e f g h i j Débora Safira Andrade (2003). «A IMPLANTAÇÃODOSISTEMAFERRY-BOAT: UM RESGATEHISTÓRIC» (PDF). SEPAVII, Salvador - Ano VII-V. 7 - N. 7. pp. 65–68. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
  8. a b Marcia, do Jornal da Mídia (30 de abril de 2013). «ACM e a história da Internacional Marítima». Consultado em 25 de Outubro de 2014 
  9. CADENA, Nelson (15 de fevereiro de 2013). «A implantação do sistema Ferry Boat entre Salvador e a Ilha de Itaparica». Consultado em 9 de março de 2013 
  10. a b Notícias da Bahia (29 de outubro de 2007). «Embarcações apodrecem na Bahia após privatização». Consultado em 6 de Setembro de 2014 
  11. AGERBA. «Hidroviário: Sistema Ferry-boat». Consultado em 9 de março de 2013 
  12. G1 BA (20 de setembro de 2012). «Agerba assume operação do ferry boat após intervenção do governo». Consultado em 9 de março de 2013 
  13. G1 BA (20 de setembro de 2012). «Secretário diz que TWB foi afastada para que situação não piorasse». Consultado em 9 de março de 2013 
  14. PALMA, Amanda (5 de março de 2013). «Empresa do Maranhão deve assumir gestão do Ferry-Boat até dia 14, diz Otto Alencar». Consultado em 9 de março de 2013 
  15. «IM vence licitação para operar sistema de travessia em Salvador» (PDF). Oceano de Notícias, ANO II, NÚMERO 11. Internacional Marítima. 2014. p. 3. Consultado em 21 de Setembro de 2014 
  16. Agecom (10/6). «Novos ferries vão reforçar...». AGERBA. Consultado em 25 de Outubro de 2014  Verifique data em: |data= (ajuda)
  17. GUIMARÃES, Alan (20 de abril de 2014). «Fila do ferryboat chega a 4h de espera em Bom Despacho neste domingo». Metro1. Consultado em 21 de abril de 2014 
  18. G1 BA (3 de outubro de 2014). «Usuários do sistema ferry boat fazem protesto no Terminal Bom Despacho». Consultado em 25 de Outubro de 2014 
  19. «IM vence licitação para operar sistema de travessia em Salvador» (PDF). Oceano de Notícias, ANO II, NÚMERO 11. Internacional Marítima. 2014. p. 3. Consultado em 21 de Setembro de 2014 
  20. Redação (24 de outubro de 2014). «Ferry Boat: Fluxo é intenso no terminal São Joaquim». A Tarde. Consultado em 25 de Outubro de 2014 
  21. Seinfra (27/3). «Ferry Agenor Gordilho é entregue para a operação do feriado da Semana Santa». Consultado em 25 de Outubro de 2014  Verifique data em: |data= (ajuda)
  22. Varela Notícias (16 de agosto de 2014). «EXCLUSIVO: Ferry Boat Ipuaçu não será destruído; Saiba o que vai acontecer com embarcação». Consultado em 25 de Outubro de 2014 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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