Treinamento

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Um astronauta em treino num ambiente subaquático, o qual permite simular uma atividade extraveicular.

A expressão treino (português europeu) ou treinamento (português brasileiro) refere-se à aquisição de conhecimento, habilidades e competências como resultado de formação profissional ou do ensino de habilidades práticas relacionadas à competências úteis específicas. Isto forma o núcleo da aprendizagem e fornece a espinha dorsal de conteúdo em escolas politécnicas. Além do treino básico exigido por um ofício, ocupação ou profissão, os avanços tecnológicos e a competitividade do mundo moderno exigem que os trabalhadores atualizem constantemente suas habilidades, ao longo de toda sua vida profissional.[1]

Tipos de treino[editar | editar código-fonte]

Treino empresarial[editar | editar código-fonte]

O treino empresarial é um tipo de preparação que acontece dentro das organizações, que capacita os funcionários a melhorarem suas qualidades e competências, com o objetivo de aumentar sua motivação pessoal. Os treinamentos proporcionam uma melhoria na produção das tarefas diárias, e por consequência contribui para os resultados da empresa por aumentar suas responsabilidades. Por haver uma competição maior em organizações que estão alinhadas com os avanços tecnológicos, ocorre a busca por uma produtividade cada vez maior que intensifica a demanda por um treinamento adequado.[2]

Entende-se que execução do treinamento é a realização do treinamento, após todo o processo de levantamento e planejamento. Para a execução do treinamento, todos os aspectos anteriores já foram analisados e avaliados pelo setor estratégico e tático da empresa. O importante na execução do treinamento é o trabalho de unir o treinador e os treinandos em uma linha específica da empresa, que é o aprendizado do seu empregado e posterior crescimento do seu conhecimento, o que será de grande importância para a organização.[3]

Na etapa de avaliação do treinamento ocorre a averiguação de todo o processo, para saber se houve falhas no treinamento. Será verificado desde a estratégia e a estrutura aplicada ao resultado alcançado pelos treinados. O mais importante para empresa é o tipo de retorno que o treinamento vai gerar para as futuras pretensões empresariais, assim a avaliação no final do treinamento é imprescindível para saber se esse objetivo foi alcançado. Se os objetivos designados no início do processo de treinamento não forem alcançados, o processo deverá passar por uma revisão com correções para conseguir alcançar todas as metas. Percebe-se, então, que a avaliação dos resultados é a comparação das atividades realizadas antes do treinamento e após a sua realização. Para conseguir finalizar com resultados positivos, todos os processos de treinamento deverão ser trabalhados de forma completa.[4] [5]

Muitas empresas proveem treino para seus empregados, seja no próprio local de trabalho (interno), seja fora dele (externo):

  • Treino interno: ocorre nas próprias instalações da empresa, em situações normais de trabalho, com ferramentas, máquinas, documentos e outros materiais que o treinando irá utilizar em suas atividades laborais cotidianas. O treino interno costuma ser muito utilizado no ensino profissionalizante.
  • Treino externo: ocorre fora do local e das situações normais de trabalho, o que significa dizer que o treinando não conta como um trabalhador diretamente produtivo durante o período de treino. Isto, e mais o fato de que muitos empresários encaram treino como despesa, e não como investimento,[6] torna esta modalidade menos atraente para pequenas e médias empresas.

Treino físico[editar | editar código-fonte]

Cadetes em treino físico (Cingapura).

O treino físico concentra-se em objetivos mecânicos: programas de treino nesta área desenvolvem habilidades ou músculos específicos, frequentemente visando atingir um máximo num determinado espaço de tempo. Alguns programas de treino físico visam incrementar a aptidão física geral e combater o sedentarismo.[7]

A força muscular pode ser definida como a quantidade máxima de força que um músculo ou grupo muscular pode gerar em um padrão especifico de movimento realizado em dada velocidade.[8]

Nas últimas décadas, ela passou a ser considerada um componente fundamental da aptidão física voltada para a manutenção da qualidade de vida dos indivíduos, fazendo parte da maioria dos programas de treinamento físico com vistas à saúde.[9]

A importância do desenvolvimento de um programa de treinamento de força para conservação da capacidade de trabalho torna-se cada vez maior conforme o aumento da idade do indivíduo, já que há tendência progressiva ao declínio.[10]

Entretanto, os benefícios promovidos pelo treinamento contra resistência dependem da manipulação de vários fatores, dentre os quais se destacam a intensidade, a frequência e o volume de treinamento. Tais fatores, por sua vez, derivam da combinação do número de repetições, séries, sobrecarga, sequência e intervalos entre as séries e os exercícios, e a velocidade de execução dos movimentos impostos ao treinamento. No entanto, não se tem ainda muito clara qual a melhor combinação dessas variáveis para uma ótima relação dose-resposta.[11]

O propósito foi identificar possíveis tendências comuns, em termos de efeitos do treinamento, provocados pela manipulação das seguintes variáveis: carga, número de séries, frequência semanal, intervalo de recuperação e ordem dos exercícios.[12]

No âmbito militar, treino significa obter a capacidade de realizar e sobreviver em combate, e aprender as muitas habilidades necessárias em tempos de guerra. Isto inclui o uso de várias armas, técnicas de sobrevivência e como sobreviver à captura pelo inimigo, entre outros.

Por razões psicológicas ou fisiológicas, as pessoas podem optar por treinar técnicas de relaxamento ou de treino autógeno, com o objetivo de aumentar sua capacidade de relaxar ou de lidar com o estresse.[13]

Monge e discípulo (Sichuan, China, 2005).

Religião e espiritualidade[editar | editar código-fonte]

Treino, em sentido religioso e espiritual, pode significar purificar a mente, coração, entendimento e ações para atingir objetivos espirituais tais como a proximidade com Deus ou a libertação do sofrimento. Entre os exemplos, estão o treino espiritual institucionalizado do budismo, Seicho-No-Ie ou o discipulado cristão.

Retroalimentação de inteligência artificial[editar | editar código-fonte]

Pesquisadores também têm desenvolvido métodos de treino para dispositivos de inteligência artificial. Algoritmos evolutivos, incluindo programação genética e outros métodos de aprendizagem de máquina, usam um sistema de retroalimentação baseado em "funções de aptidão" para permitir que programas de computador determinem quão bem uma entidade realiza uma tarefa. O método constrói uma série de programas, conhecidos como uma "população" de programas, e então testam-nos automaticamente para "aptidão", observando quão bem realizam a tarefa pretendida. O sistema automaticamente gera novos programas baseados nos membros de melhor desempenho na população. Estes novos membros substituem programas que tiveram desempenho pior. O procedimento é repetido até que se obtenha uma performance ótima.[14] [15]

Em robótica, tais sistemas podem continuar em execução em tempo real, depois de um treino inicial, permitindo que robots adaptem-se à novas situações e mudanças em si mesmos, como, por exemplo, devido ao desgaste ou dano. Pesquisadores também têm desenvolvido robôs que podem imitar comportamentos humanos simples, como ponto de partida para treino.[16]

Referências

  1. Aline Brandão (2006). Treino versus Educação Continuada Revista TI. Visitado em 2009-05-15.
  2. Robbins, Stephen P. In: Saraiva. Administração: Mudanças e Perspectivas. 3 ed. São Paulo: [s.n.]. 9788502225312
  3. Chiavenato, Idalberto. In: Makron Books. Gerenciando Pessoas. 2 ed. São Paulo: [s.n.]. 0-07-450067-8
  4. Chiavenato, Idalberto. In: Campus. Gestão de Pessoas: O novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: [s.n.]. 9788520437612
  5. Marras, Jean P. In: Futura. Administração de Recursos Humanos: Do Operacional ao Estratégico. 4 ed. São Paulo: [s.n.]. 9788502125605
  6. Marcos Antonio Martins Lima (2007). T&D, Investimento ou Custo? RH Portal. Visitado em 2009-05-15.
  7. Dr. Milton Godoy (2003). Benefícios do Treino Físico Revista FITCOR. Visitado em 2009-05-15.
  8. Fleck, Steven J; Kraemer. In: Artes Médicas. Fundamentos do treinamento de força muscular. Porto Alegre: [s.n.]. 9788536306452
  9. Hunter, Gary R; Mccarthy. In: Sports Med. Effects of resistance training on older adults. [S.l.: s.n.]. 9781466501058
  10. Hagerman, Frederick C; Walsh SJ, Staron RS, Hikida RS, Gilders RM, Murray TF, et al. In: J Gerontol Biol Sci. Effects of high-intensity resistance training on untrained older men I, strength, cardiovascular, and metabolic responses. [S.l.: s.n.]. 9781583331446
  11. Wolfe, Brian L; Lemura LM, Cole PJ. In: J Strength Cond Res. Quantitative analysis of single- vs. Multiple set programs in resistance training. [S.l.: s.n.]. 0-87322-474-4
  12. Rhea, M; Alvar BA, Burkett LN, Ball SD.. In: Med Sci Sports Exerc. A meta-analysis to determine the dose response for strength development. [S.l.: s.n.]. 978-0736051002
  13. Relaxation training may cut hypertension medication among elderly (em inglês) Thaindian News.
  14. Wolfgang Banzhaf, Peter Nordin, Robert E. Keller e Frank D. Francone. Genetic Programming: An Introduction (1998). Analiza Rocha de Marins, Inc.
  15. Programação genética. Visitado em 2009-05-15.
  16. HR-2 Robot can mimic simple human behavior (em inglês).

Ver também[editar | editar código-fonte]