Trem Urbano de Juiz de Fora

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Trem Urbano de Juiz de Fora
1994-12-Trem-Xangai-estacao-ferroviaria-Benfica-rumo-Matias-Barbosa (1).jpg
Trem Urbano de Juiz de Fora estacionado na estação de Benfica, 1994.
Estação Mariano Procópio - Juiz de Fora, Minas Gerais.JPG
Estação Mariano Procópio, uma das estações do Trem Urbano.
Informações
Local Matias Barbosa- Benfica (Juiz de Fora) MG
 Brasil
Tipo de transporte Trem Urbano
Número de linhas 1
Número de estações 13 (8 estações e 5 paradas)
Tráfego N/D
Funcionamento
Início de funcionamento 1923 (97 anos)
Fim de funcionamento 31 de dezembro de 1997 (22 anos)
Operadora(s)
Dados técnicos
Extensão do sistema 36,0 km (22,4 mi)

O Trem Urbano de Juiz de Fora, mais conhecido como Trem Xangai foi administrado em seus últimos anos pela RFFSA, atendia os municípios de Juiz de Fora e Matias Barbosa, possuía 7 estações e 5 paradas, contava com cerca de 36,5 km de extensão e chegou a transportar cerca de 1.400 usuários/dia.[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

O trem urbano foi criado para atender Juiz de Fora como trem de subúrbios pela Estrada de Ferro Central do Brasil em 1923[3], através do desmembramento dos serviços suburbanos dos de longo percurso na região.[1]

Foi o um dos únicos sistemas de trens urbanos da época que não passou para a administração da CBTU que apesar da alta demanda seu sistema era deficitário. Nos anos 1990 a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) realizou investimentos no trem visando atender a demanda futura de passageiros e cargas da fábrica da Mercedes Benz que encontrava-se em implantação em Juiz de Fora. O Trem Urbano (chamado de "Xangai" pela população) foi reinaugurado pelo presidente Itamar Franco em dezembro de 1994. Além do trem urbano, foi recriado o serviço Expresso da Mantiqueira (realizados por automotrizes Budd).[2] Com o processo de privatização da malha da RFFSA ocorreram as primeiras ameaçadas de desativação do trem.[4] Em setembro 1996 o Tribunal de Contas da União recomendou ao governo federal que mantivesse a operação do trem urbano de Juiz de Fora:

"......apesar de ser deficitário, exerce importância para várias classes da sociedade, pois atende aos moradores ao longo da via que vão para as cidades, aos alunos do Colégio Militar de Juiz de Fora e tem compromisso com a fábrica da Mercedes-Benz, a ser implantada no local, para transportar seus funcionários até o Distrito Industrial. Também está contemplado no Plano de Transportes Urbanos de Juiz de Fora, que utilizará a mesma via para futura instalação do metrô de superfície da cidade.Por essas considerações, o trem Xangai deve ser mantido em circulação, operado pela RFFSA ou por terceiros (convênio com a Prefeitura ou com o Estado), conforme consta do Edital, pois sua retirada de circulação causará impacto social negativo..."
— Trecho da Decisão 559/1996, do ministro do TCU Fernando Gonçalves, parte do Processo 022.881/1992-1 do Tribunal de Contas da União[5]

Atrasos na implantação fábrica da Mercedes e a concessão da malha da RFFSA na região para a MRS Logística fizeram com que o trem fosse desativado, contrariando o TCU e sob protestos da população, em 31 de dezembro de 1997.[3]

Características do Sistema[editar | editar código-fonte]

Este sistema contava em seus últimos anos de operação com um total de 7 estações e 4 paradas e uma extensão total de 36,5 km formado em sua totalidade por vias em superfície. Os veículos deste sistema trafegavam a uma velocidade média de 30 km/h. A bitola da linha é de 1600 milímetros em via singela e o combustível dos trens era o diesel.[6]

Tabela do Sistema[editar | editar código-fonte]

Linha Terminais Inauguração Comprimento (km) Estações Duração das viagens (min) Funcionamento
Linha 1 Mathias Barbosa ↔ Benfica A partir de 1951 36,401 13 90 Desativada.

Estações[editar | editar código-fonte]

Ponto de embarque Tipo Inauguração [7] Município
Mathias Barbosa Estação 31 de outubro de 1875 Matias Barbosa
Cedofeita 30 de dezembro de 1875
Mestre Ivo (Km 261) Parada Década de 1970 Juiz de Fora
Retiro Estação 30 de dezembro de 1875
Juiz de Fora
Mariano Procópio 20 de novembro de 1876
Cerâmica Parada Desconhecido
Francisco Bernardino Estação 8 de março de 1904
Barbosa Lage Parada 15 de novembro de 1926
Setembrino de Carvalho 15 de junho de 1923
Colégio Militar Desconhecido
Coronel Felício Lima c.1938
Benfica Estação 1 de fevereiro de 1877

Frota[editar | editar código-fonte]

Os primeiros trens dos subúrbios de Juiz de Fora eram formados por locomotivas à vapor do tipo 2-8-2 “Mikado” e carros de passageiros de madeira, principalmente de segunda classe (mais adequados para o transporte de subúrbios). Os carros de madeira operaram até meados da década de 1970 quando foram substituídos por carros de Aço corten Pidner puxados por locomotivas à diesel de manobras como a RS-1, RS3 e U5B (que substituíram a tração à vapor na década de 1950).[6][8][9]

A última alteração de frota se deu nos anos 1970 quando novas locomotivas diesel dos modelos U20C, U23C e SD18/38M e carros de passageiros de aço carbono “Santa Matilde”, construídos entre os anos 1950/1960. Em 1994 os carros Santa Matilde passaram por reforma e receberam janelas maiores (tipo Padron).[6][2]

Oferta de transporte[editar | editar código-fonte]

Ano Viagens diárias
(ida+volta)
1924 4 [10]
1950 3 [11]
1957 4 [1]
1993 1 [6]

Passageiros transportados[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Anuário Estatístico dos Transportes do Geipot e de Relatórios Anuais da Rede Ferroviária Federal, o Trem Urbano de Juiz de Fora transportou:[12][13][14][15][1]

Ano Quantidade
1974 56.308
1975 11.479
1976 4.116
1977 116.000
1978 103.000
1979 93.000
1980 158.000
1981 220.000
1982 520.000
1983 435.000
1984 492.000
1985 455.000
1994 28.314
(jan e jun)

Expresso/Trem Xangai[editar | editar código-fonte]

Chamado oficialmente de "trem suburbano" pela Estrada de Ferro Central do Brasil e de "trem urbano" pela Rede Ferroviária Federal, o serviço de transporte acabou apelidado pela população de Juiz de Fora de "Expresso/Trem Xangai" em alusão ao filme O Expresso de Xangai (1932), estrelado por Marlene Dietrich e Clive Brook. No filme o trem transportava trabalhadores de uma indústria bélica, assim como em Juiz de Fora onde operários da Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia (criada em 1933) viajavam no trem suburbano[16][17].

Imagens por satélite[editar | editar código-fonte]

Gnome-globe.png Estação Juiz de Fora Gnome-globe.png Estação Benfica

Referências

  1. a b c d Ralph Mennucci Giesbrecht. «Trem Xangai». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  2. a b c Flavio R. Cavalcanti (1 de abril de 1994). «Trens de passageiros - 1994:"Florescimento no vale do Paraibuna"». Centro Oeste. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  3. a b FM Itataia (20 de julho de 2000). «trem Xangai». Acessa. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  4. Marcelo Moreira (20 de setembro de 1996). «Consórcio não plano para os passageiros». Jornal do Brasil, ano CVI, edição 165, página 25/ republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  5. «Decisão 559-1996». Tribunal de Contas da União. 4 de setembro de 1996. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  6. a b c d Hugo Caramuru (1 de junho de 1993). «Xangai ainda resiste». Centro Oeste. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  7. Guia Geral das Estradas de Ferro (1960). «EFCB - Estrada de Ferro Central do Brasil:Linha do Centro (Bitola de 1,60 m)». Centro Oeste. Consultado em 16 de janeiro de 2020 
  8. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Barbosa Lage». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 16 de janeiro de 2020 
  9. «Trem "Xangai" em Juiz de Fora». Tribuna de Minas 30 anos-republicado no flickr por Johannes Smit. 1982. Consultado em 16 de janeiro de 2020 
  10. Estrada de Ferro Central do Brasil (15 de janeiro de 1924). «Linha do Centro-Horári ods trens de passageiros e mistos em vigor à partir de 15 de janeiro de 1924». Jornal do Brasil, ano XXXIV, edição 13, página 16/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  11. Estrada de Ferro Central do Brasil (16 de setembro de 1950). «Novos horários da Central na cidade». Folha Mineira, ano XVI, edição 993, página 2/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  12. Rede Ferroviária Federal (1978). «Transporte ferroviário de passageiros:subúrbios (1973-1977)». Anuário Estatístico dos Transportes-Geipot/Memória Estatística do Brasil-Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro-republicado pelo Internet Archive. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  13. Rede Ferroviária Federal (1982). «Transporte ferroviário de passageiros:subúrbios (1977-1980)». Anuário Estatístico dos Transportes-Geipot/Memória Estatística do Brasil-Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro-republicado pelo Internet Archive. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  14. Rede Ferroviária Federal (1985). «Transporte ferroviário de passageiros:subúrbios (1980-1984)». Anuário Estatístico dos Transportes-Geipot/Memória Estatística do Brasil-Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro-republicado pelo Internet Archive. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  15. Rede Ferroviária Federal (1986). «Transporte Realizado-Passageiros:Subúrbio (1985)». Anuário Estatístico da RFFSA/Memória Estatística do Brasil-Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro-republicado pelo Internet Archive. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  16. «Trem Xangai é tema de pesquisa». Universia. 1 de agosto de 2005. Consultado em 16 de janeiro de 2020 
  17. Michele Meireles (9 de agosto de 2019). «Munição histórica: os 85 anos da Imbel». Tribuna de Minas. Consultado em 16 de janeiro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]