Triarquia de Negroponte

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Senhorio de Negroponte
Triarquia de Negroponte

Estado cliente *

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1204 – 1470 Fictitious Ottoman flag 2.svg
Localização de Negroponte
O Império Latino, seus vassalos e estados sucessores na Grécia após a Partitio Romaniae após o saque de Constantinopla em 1204. Há muita incerteza em relação às fronteiras.
Negroponte
Localização da Eubeia
Continente Europa
Região Balcãs
País Grécia
Capital Cálcis ("Negroponte")
Língua oficial veneziano
Outros idiomas grego
Religião Catolicismo Romano oficialmente,
Igreja Ortodoxa popularmente
Governo Não especificado
Período histórico Idade Média
 • 1204 Fundação
 • 1470 Dissolução
* O ducado foi nominalmente um vassalo, na ordem, do Reino de Tessalônica, do Império Latino (a partir de 1209), do Principado de Acaia (1236). Porém, de facto, e, a partir de 1390, também de jure, sempre esteve sob o controle da República de Veneza.

A Triarquia de Negroponte foi um estado cruzado fundado na ilha de Eubeia (em italiano: Negroponte ) depois da Partitio Romaniae, a divisão do Império Bizantino depois do saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada em 1204. Dividido em três baronatos (terzieri - "terços") dirigidos por algumas poucas famílias lombardas aparentadas entre si, a ilha logo caiu sob influência veneziana. A partir de c. 1390, a ilha se tornou uma colônia veneziana e passou a ser chamada de Reino de Negroponte (Regno di Negroponte).

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

De acordo com a divisão do território bizantino, a Eubeia foi concedida a Bonifácio de Monferrato, rei de Tessalônica. Bonifácio, por sua vez, concedeu a ilha como feudo para o nobre flamengo Jacques d' Avesnes, que fortificou Cálcis. Após a sua morte, em meados de 1205, porém, a ilha foi novamente cedida a três barões veroneses: Ravano de Carceri, Gilberto de Carceri e Pecoraro da Mercanuovo. Eles dividiram a ilha entre si em três triarquias (terzieri - "terços"): o norte, baseado em Oreos (em italiano: Terzero del Rio ), o sul, governado a partir de Caristo (em italiano: Terzero di Caristo ) e um central, cuja capital era Cálcis (em italiano: Terzero della Clissura ). A cidade de Cálcis (Negroponte - chamada de "città de' Lombardi" - "cidade dos lombardos"), porém, não estava sob o comando deste último e servia como capital de toda a ilha e era a residência dos três barões lombardos e suas famílias. Em 1209, porém, Ravano se estabeleceu como mestre único da Eubeia, se auto-proclamando dominus insulae Nigropontis - "Senhor da Ilha de Negroponte".

Tendo se aliado a uma fracassada revolta lombarda contra o imperador latino Henrique de Flandres, Ravano estava ansioso para encontrar um poderoso protetor. Assim, em março de 1209, ele assinou uma aliança com a República de Veneza, que reconhecia uma suserania veneziana sobre a ilha e dava-lhes importantes privilégios comerciais. Em maio, porém, tentando balancear as influências sobre si, Ravano reconheceu também sua vassalagem em relação ao Império Latino de Constantinopla.

Disputas sucessórias[editar | editar código-fonte]

Porém, logo após a morte de Ravano, em 1216, seus herdeiros logo começara a brigar pela sucessão, o que permitiu que o bailio veneziano interviesse como mediador. Ele repartiu os três baronatos em dois, criando assim seis hexarquias (sestieri - "sextos"). A Triarquia de Oreos foi dividida entre os sobrinhos de Ravano, Marino I e Ricardo; a Triarquia de Caristo, entre sua viúva, Isabel e sua filha Berta e, finalmente, a Triarquia de Cálcis entre os seus herdeiros varões, Guilherme I e Alberto. O mediador também tomou medidas para que, caso algum dos sestieri viesse a morrer, seus herdeiros seriam os demais sestiere da respectiva triarquia e não seus filhos. Na realidade, a maior parte dos sestieri foram sucedidos por seus irmãos, filhos ou sobrinhos, mantendo os baronatos no restrito círculo familiar lombardo original.

Em 1255, porém, a morte de Carintana de Carceri, a hexarca de Oreos e esposa de Guilherme II de Vilearduin, o senhor nominal de Negroponte, levou à chamada "Guerra da Sucessão Eubeia", que envolveu o Principado de Acaia e Veneza. Guilherme reivindicou para si a herança de sua esposa, enquanto que os barões lombardos se recusaram a concedê-lo. Em 14 de junho de 1256, Guilherme I e Narzoto de Carceri, os outros dois triarcas, repudiaram sua lealdade a Guilherme e se aliaram a Veneza. Guilherme respondeu capturando Cálcis, que os venezianos recuperaram no início de 1258. A guerra terminou com a Batalha de Caridi em maio/junho de 1258, quando Guilherme derrotou o duque de Atenas Guido I de la Roche, que havia se aliado aos triarcas rebeldes. Finalmente, em agosto de 1259, o doge Reniero Zeno negociou uma paz, a que se seguiu um tratado em 1262 reconhecendo a suserania de Guilherme sobre a ilha, mas não a sua posse da Triarquia de Oreos.

Interlúdio bizantino[editar | editar código-fonte]

Nesta época, porém, o Império de Niceia já havia se consolidado como a maior potência na região do antigo Império Bizantino, reconquistando diversos territórios dos latinos. Suas vitórias culminaram na reconquista de Constantinopla em 1261 e o re-estabelecimento do Império Bizantino, cujo energético líder, Miguel VIII Paleólogo, buscava reconquistar todos os demais principados latinos que ainda restavam no sul da Grécia. Para isto, ele aceitou os serviços de Licário, um renegado italiano que se baseava perto de Caristo. Sob o comando dele, as tropas bizantinas logo reconquistaram a maior parte da Eubeia, com exceção de Cálcis. Após a partida de Licário, em algum momento após 1280, porém, a ilha retornou gradualmente ao controle latino com a ajuda dos venezianos. Em 1296, Bonifácio de Verona conseguiu expulsar completamente os bizantinos da ilha.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1317, porém, Caristo caiu frente a Companhia Catalã de Alfonso Frederico, vigário-geral do Ducado de Atenas e um filho bastardo de Frederico III da Sicília. Em 1319, um tratado de paz foi assinado entre Veneza e Alfonso Frederico, através do qual ele manteve o controle da cidade, algo que os venezianos só conseguiriam reverter em 1365. Quando os últimos triarcas, Nicolau III de Carceri e Jorge III Ghisi, morreram em 1383 e 1390, respectivamente, eles deixaram seus territórios para Veneza, que, assim, conseguiu consolidar o domínio completo da ilha. Ainda assim, o sistema de triarquias se manteve, com famílias venezianas nomeadas para as posições de terzieri, enquanto que um podestà veneziano se estabeleceu em Cálcis. O controle veneziano permaneceu até 1470, quando, durante a guerra otomano-veneziana de 1463-1479, o sultão Maomé II, o Conquistador capturou Cálcis e pôs toda a Eubeia sob o firme controle otomano.

Senhores de Negroponte[editar | editar código-fonte]

Nota: A sequência de governantes no século XIII e também as relações de parentesco entre eles não são bem conhecidas, pois as informações sobre a história interna da Eubeia são escassas ou inexistentes, especialmente no período 1216-1255.[1] De acordo com as regras de sucessão determinadas na divisão da ilha em "terços" e "sextos", em 1216, com a morte de um hexarca, ele seria sucedido pelo outro hexarca da mesma triarquia e não por seus herdeiros.[2]

Casa de Avesnes[editar | editar código-fonte]

Em 1205 a ilha divide-se em três Triarquiasː

Triarcado de Cálcis[editar | editar código-fonte]

Triarquia de Caristo[editar | editar código-fonte]

Triarquia de Oreo[editar | editar código-fonte]


Ouː


Referências

  1. Bury (1886), pp. 321ff.
  2. Bury (1886), pp. 319–321

Bibliografia[editar | editar código-fonte]