Tricuríase

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Tricuríase
Trichuris trichiura macho enrolado sobre si próprio
Classificação e recursos externos
CID-10 B79
CID-9 127.3
DiseasesDB 31146
MeSH D014257

Tricuríase ou Tricuriose é uma verminose intestinal causada pelo verme fusiforme (nematoda) Trichuris trichiura. A transmissão é fecal-oral, ou seja, o verme libera os ovos junto com as fezes que contaminam o ambiente e são consumidos por pessoas e animais. É muito comum em locais sem tratamento adequado de água e esgoto, mas a maioria dos casos não tem sintomas e passa desapercebido.[1] Infecta humanos, cachorros, gatos e outros mamíferos.

Causa[editar | editar código-fonte]

Ovo de T.trichiura

O Trichuris trichiura é um verme fusiforme nematoide, e como todos, tem sistema digestivo completo. Boca na extremidade anterior, abertura simples — sem lábios, seguido do esôfago bastante longo e delgado — 2/3 do comprimento. Na parte posterior, que é alargada, está o sistema reprodutor simples e o intestino. Os vermes adultos são dioicos, com dimorfismo sexual: os machos tem em torno de 2,5 a 4 cm, as fêmeas são maiores que os machos, em torno de 4 a 5 cm. Os ovos têm forma de limões ou barril, cerca de 45 a 65 micrómetros de comprimento por 20 a 25 micrómetros de largura, e massa mucoide transparente nas duas extremidades (opérculos polares).

Ciclo de Vida[editar | editar código-fonte]

Os ovos são expelidos com as fezes e permanecem viáveis durante vários meses ou anos em solo úmido e quente, e são infecciosos assim que se desenvolve a larva no seu interior, o que demora algumas semanas. Se ingeridas, as larvas saem dos ovos no lúmen do intestino, migram para o ceco e penetram na mucosa intestinal. Aí se desenvolvem, maturando em formas adultas depois de alguns meses, que permanecem com a cauda no lúmen do intestino e a cabeça penetrando a mucosa. Se houver um macho e uma fêmea, pelo menos, no mesmo indivíduo, acasalam e a fêmea põe mais de 2000 ovos por dia, excretados nas fezes. As formas adultas podem sobreviver durante vários anos. Alimentam-se do bolo intestinal mas também de sangue. São semelhante ao Ascaris lumbricoides. Os vermes podem viver de um a cinco anos dentro do intestino humano sem nunca causar sintomas. [2]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

No Brasil haviam 5 a 10 casos por cada 10.000 habitantes (100 a 200 mil casos) por ano.

Existem milhões de pessoas infectadas em todo o mundo (estima-se que um quarto da humanidade já entrou em contato com o verme), principalmente em países tropicais em locais com condições pouco higiênicas. Quase todas as infecções de adolescentes ou adultos saudáveis não tem sintomas, aparecendo apenas em infecções com um grande número de ovos ou em crianças pequenas.[3]

Esta infecção é comum em todo o mundo e quase sempre sua prevalência segue paralelamente a do Ascaris lumbricoides, devido ser idêntico o modo de transmissão, devido a grande similaridade das duas espécies de nematelmintos, bem como a resistência dos ovos às condições de meio externo e demais características epidemiológicas.

Este parasita também pode afetar cães e gatos.

Progressão e Sintomas[editar | editar código-fonte]

Se a carga de parasitas é baixa, a doença é assintomática, porém se for elevada (mais de 200 vermes) pode ocorrer:

  • Evacuação noturna frequente;
  • Diarreia;
  • Prolapso retal (ânus aumentado);
  • Menor crescimento em crianças;
  • Desconforto abdominal

Complicações possíveis incluem necrose da mucosa intestinal com hemorragias e diarreia sanguinolenta, podendo progredir para anemia por déficit de ferro. Outros sintomas são a dor abdominal, perda de peso em indivíduos já desnutridos, flatulência e fadiga. Em casos incomuns pode ocorrer apendicite (se o verme entrar no apêndice e não conseguir sair) e prolapso rectal com hemorroidas.

Diagnóstico e Tratamento[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito pela observação ao microscópio dos ovos do parasita em amostras fecais. Fármacos como mebendazol e oxantel matam as formas adultas.

  1. http://www.cdc.gov/parasites/whipworm/biology.html
  2. http://emedicine.medscape.com/article/788570-overview#a5
  3. http://emedicine.medscape.com/article/788570-overview#a6